{"id":132514,"date":"2025-11-03T16:30:41","date_gmt":"2025-11-03T19:30:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=132514"},"modified":"2025-11-03T16:30:41","modified_gmt":"2025-11-03T19:30:41","slug":"fronteira-cerrado-expansao-do-agro-no-coracao-hidrico-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=132514","title":{"rendered":"Fronteira Cerrado: expans\u00e3o do agro no cora\u00e7\u00e3o h\u00eddrico do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Balsas, munic\u00edpio no extremo sul do Maranh\u00e3o (MA)<\/strong>, passou por uma transforma\u00e7\u00e3o radical nos \u00faltimos 25 anos. A cidade&nbsp;\u00e9&nbsp;<strong>um dos epicentros da fronteira agropecu\u00e1ria<\/strong>&nbsp;no Brasil que, segundo estudos,<strong>&nbsp;impulsiona o desmatamento do Cerrado e contribui para colocar em risco a seguran\u00e7a h\u00eddrica do pa\u00eds<\/strong>.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1665517&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1665517&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O centro urbano aglomera o com\u00e9rcio voltado ao agroneg\u00f3cio, al\u00e9m das sedes de gigantes do mercado de alimentos mundiais, como a holandesa Bunge.&nbsp;A cerca de 2 quil\u00f4metros (km) dali, est\u00e3o os bairros formados por resid\u00eancias humildes onde se concentra o grosso dos trabalhadores, que costumam reclamar da eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os nos \u00faltimos anos, em especial do aluguel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;visitou o munic\u00edpio e entrevistou lideran\u00e7as locais, comunidades tradicionais, empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio e os governos municipal e estadual&nbsp;<strong>para entender como esse progresso se relaciona a danos ambientais que j\u00e1 impactam o Brasil.<\/strong><br><br><a href=\"https:\/\/www.whatsapp.com\/channel\/0029VaoRTgrInlqYLSk59B2M\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&gt;&gt; Siga o canal da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>no WhatsApp<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Balsas: campe\u00e3 de desmatamento<\/h2>\n\n\n\n<p>A abertura de novas \u00e1reas para gr\u00e3os e pastagens coloca Balsas entre os campe\u00f5es do desmatamento do Cerrado. De acordo com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/alerta.mapbiomas.org\/wp-content\/uploads\/sites\/17\/2025\/05\/RAD2024_15.05.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat\u00f3rio Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2024)<\/a>, do MapBiomas,<strong>&nbsp;<\/strong>foi o&nbsp;<strong>segundo munic\u00edpio que mais desmatou no pa\u00eds nos \u00faltimos dois anos<\/strong>, mesmo ap\u00f3s uma queda de 56% em 2024, quando foram suprimidos 16 mil hectares (ha), o equivalente a 45 campos de futebol por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o, Balsas desmatou no ano passado o dobro de seis anos atr\u00e1s. E dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)&nbsp;indicam que o desmatamento no munic\u00edpio aumentou 30% entre agosto de 2024 e julho de 2025 &#8211; apesar da&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2025-10\/amazonia-e-cerrado-registram-queda-de-11-no-desmatamento#:~:text=O%20desmatamento%20na%20Amaz%C3%B4nia%20e,de%20Pesquisas%20Espaciais%20(Inpe).\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">queda de 11,49% no Cerrado&nbsp;<\/a>como um todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/11\/01\/arte-5_copiar.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 01\/11\/2025 - Gif Balsas - Especial Fronteira Cerrado. Arte Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/11\/01\/balsas-v2.gif\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 01\/11\/2025 - Gif Balsas - Especial Fronteira Cerrado. Arte Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o&nbsp;<strong>Maranh\u00e3o<\/strong>&nbsp;foi, pelo segundo ano consecutivo, o&nbsp;<strong>estado que mais suprimiu vegeta\u00e7\u00e3o nativa do Brasil<\/strong>, chegando a 17,6% do total desmatado em 2024, o que representou 218 mil hectares, \u00e1rea bem maior que a cidade de S\u00e3o Paulo (152 mil ha).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/11\/01\/arte_3_copiar.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 01\/11\/2025 - Infogr\u00e1ficos - especial Fronteira Cerrado. Arte Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo,<strong>&nbsp;Balsas abriga as nascentes da segunda mais importante bacia hidrogr\u00e1fica do Nordeste: a Bacia do Rio Parna\u00edba<\/strong>, cujo curso d\u2019\u00e1gua percorre 1.400 km de extens\u00e3o entre Maranh\u00e3o e Piau\u00ed.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maior munic\u00edpio do estado, Balsas comp\u00f5e a chamada regi\u00e3o do&nbsp;<strong>Matopiba<\/strong>, nome dado pelas iniciais do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia, e que re\u00fane a \u00e1rea priorit\u00e1ria para expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio no Brasil.<strong>&nbsp;<\/strong>Em 2024, 42% de toda a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa do pa\u00eds \u2013 e 75% do desmatamento do Cerrado &#8211; ocorreu nessa \u00e1rea, segundo o RAD 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Com mais de 100 mil habitantes, a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio colocou o munic\u00edpio como o terceiro maior PIB do Maranh\u00e3o, atr\u00e1s apenas da capital, S\u00e3o Lu\u00eds, e de Imperatriz, que tem popula\u00e7\u00e3o tr\u00eas vezes maior.&nbsp;Assim como ocorre em outras regi\u00f5es do Matopiba, a fronteira agr\u00edcola transformou a paisagem, a economia e a sociedade do sul do Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/11\/01\/arte_4_copiar.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 01\/11\/2025 - Infogr\u00e1ficos - especial Fronteira Cerrado. Arte Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Maior biorrefinaria de etanol de milho da Am\u00e9rica Latina&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o econ\u00f4mica de Balsas foi coroada, em agosto deste ano, pela inaugura\u00e7\u00e3o da maior biorrefinaria de etanol de milho da Am\u00e9rica Latina e a primeira do tipo no Nordeste. A usina da empresa Inpasa tem capacidade para processar 2 milh\u00f5es de toneladas de milho e sorgo por ano e produzir 925 milh\u00f5es de litros de etanol \u00e0 base de gr\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a usina tem capacidade para produzir milhares de toneladas de produtos para nutri\u00e7\u00e3o animal e de \u00f3leo vegetal. Segundo a prefeitura de Balsas, mil empresas se registraram na cidade nos primeiros seis meses do ano atra\u00eddas pela nova usina, crescimento de 33% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Inpasa ocupa uma extensa \u00e1rea na beira da rodovia BR-230, com suas imponentes torres de refino de gr\u00e3os. A companhia se apresenta como l\u00edder na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica por produzir combust\u00edvel sem carbono, tendo j\u00e1 emitido 1,3 milh\u00e3o de cr\u00e9ditos de descarboniza\u00e7\u00e3o pelo programa RenovaBio do governo federal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/wCAfmFlb16Y7Y3x-h1towJGK3OI=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a7662_0.jpg?itok=aDtfp0-r\" alt=\"Balsas (MA), 08\/10\/2025 \u2013 A biorefinaria da Inpasa, especializada na produ\u00e7\u00e3o de etanol e \u00f3leos vegetais a partir do milho. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Balsas (MA), 08\/10\/2025 \u2013 A biorrefinaria da Inpasa, especializada na produ\u00e7\u00e3o de etanol e \u00f3leos vegetais a partir do milho &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, ambientalistas avaliam que a nova usina vai pressionar a regi\u00e3o por ainda mais desmatamento do Cerrado para produ\u00e7\u00e3o dos biocombust\u00edveis e outros produtos vegetais, o que pode prejudicar ainda mais o futuro da seguran\u00e7a h\u00eddrica da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o agroneg\u00f3cio expande a economia, os servi\u00e7os e a ind\u00fastria de Balsas, comunidades rurais da regi\u00e3o seguem vivendo, em alguns casos, sem \u00e1gua pot\u00e1vel. Como nas comunidades de Bacateiras e Angical, em S\u00e3o F\u00e9lix de Balsas, a cerca de 200 km da cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Maria de Lourdes Macedo Madeira, de 61 anos, disse que a comunidade ganhou um po\u00e7o artesiano da Diocese de Balsas, mas que n\u00e3o consegue apoio para instalar o equipamento. Os moradores seguem retirando \u00e1gua do Rio Balsas de jumento, como h\u00e1 pelo menos sete d\u00e9cadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente pega \u00e1gua no jumento para consumo da casa, cozinhar, beber, para tudo. N\u00e3o \u00e9 \u00e1gua tratada. \u00c9 dia e noite pegando \u00e1gua nesse jumento, para todas as casas. Para fazer constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 a maior dificuldade do mundo, por causa da \u00e1gua. S\u00f3 temos \u00e1gua com sufici\u00eancia no per\u00edodo da chuva\u201d, lamentou.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/radioagencia-nacional\/meio-ambiente\/audio\/2025-10\/fronteira-cerrado-o-coracao-hidrico-do-brasil-sob-ameaca\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&gt;&gt; Confira na Radioag\u00eancia Nacional<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As \u00e1guas de Balsas&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s percorrer mais de 300 km sem sair do munic\u00edpio de Balsas em meio a lavouras de monoculturas que se perdem no horizonte, a reportagem conheceu comunidades tradicionais que vivem h\u00e1 d\u00e9cadas no Cerrado maranhense e presenciaram a chegada da agricultura mecanizada e de larga escala a partir da d\u00e9cada de 1990.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ITjScT8LlUP3mtEFQHCVfVzdX1g=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a9369_0.jpg?itok=KzvYJJos\" alt=\"Balsas (MA), 09\/10\/2025 \u2013 Vista de fazendas de cultivo de soja ao longo da rodovia MA-007. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Balsas (MA), 09\/10\/2025 \u2013 Vista de fazendas de cultivo de soja ao longo da rodovia MA-007. &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Nossa equipe cruzou 100 km de estrada de terra, cortando diversas fazendas a partir do centro do povoado de Batavo, nome dado ao projeto que iniciou a coloniza\u00e7\u00e3o do extremo sul baiano com apoio estatal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, chegamos no V\u00e3o do Uru\u00e7u, no Alto Gerais de Balsas, onde est\u00e3o parte das cerca de 50 nascentes do Rio Balsas. Nessa regi\u00e3o, ainda \u00e9 poss\u00edvel presenciar por\u00e7\u00f5es de Cerrado nativo em meio \u00e0s comunidades tradicionais do Brej\u00e3o, S\u00e3o Pedro, Limpeza e Manoel Greg\u00f3rio, entre outras, que ficam pr\u00f3ximos a cursos d\u00b4\u00e1gua cristalinos em meio a belas serras pedregosas que rompem, eventualmente, as plan\u00edcies chapadas do bioma prop\u00edcias para monocultura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os moradores dessa regi\u00e3o, \u00e9 generalizado o temor pelo futuro das \u00e1guas do Cerrado. O agricultor familiar Jos\u00e9 Carlos dos Santos, de 52 anos, chegou ao local com os pais quando ainda era beb\u00ea. A fam\u00edlia migrou de regi\u00f5es mais \u00e1ridas do Piau\u00ed.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos vendo que a \u00e1gua est\u00e1 sumindo. O Cerrado est\u00e1 acabando e a gente est\u00e1 pedindo ajuda para quem vive dentro do Poder para que possam fazer algo pelo Cerrado, pela natureza\u201d, disse o agricultor, que vive com a esposa e dois filhos no local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecido como Z\u00e9 Carlos, o agricultor planta quase tudo que consome e vive em meio a in\u00fameros p\u00e9s de frutos t\u00edpicos do Cerrado, como Bacuri, Candeia e Buriti, al\u00e9m de complementar a renda prestando servi\u00e7os para fazendas da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Profundo conhecedor das plantas e animais do bioma, Z\u00e9 Carlos levou nossa equipe at\u00e9 algumas das nascentes do Rio Balsas que, nessa localidade, \u00e9 um curso d\u2019\u00e1gua estreito se comparado com o largo trecho do rio que corta a \u00e1rea urbana do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Desmatamento do cerrado e crise h\u00eddrica no Maranh\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Balsas (MA), 10\/10\/2025 \u2013 O agricultor familiar Z\u00e9 Carlos observa a nascente que j\u00e1 verteu \u00e1gua at\u00e9 no fim do per\u00edodo de seca. &#8211; Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d7<\/p>\n\n\n\n<p>1&nbsp;\/&nbsp;7<\/p>\n\n\n\n<p><canvas width=\"24\" height=\"24\"><\/canvas><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">V\u00e3o do Uru\u00e7u: comunidades tradicionais, nascentes do Rio Balsas e Cerrado nativo e grandes planta\u00e7\u00f5es convivem no territ\u00f3rio&nbsp;<strong>&#8211; Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Em uma das principais nascentes, o&nbsp;<strong>barro \u00famido tomou o lugar da \u00e1gua<\/strong>&nbsp;que, de uns anos pra c\u00e1, brota do subsolo apenas no per\u00edodo da chuva. Segundo Z\u00e9 Carlos, ela n\u00e3o ficava sem \u00e1gua nem mesmo no final do per\u00edodo da seca.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEssa nascente jorrava \u00e1gua corrente com abund\u00e2ncia. Hoje a gente v\u00ea que nosso rio est\u00e1 pedindo socorro. Queremos trazer uma solu\u00e7\u00e3o para barrar o desmatamento e as grandes lavouras que existem na costa do rio\u201d, afirmou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisas identificam redu\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o de rios<\/h2>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise dos moradores do V\u00e3o do Uru\u00e7u \u00e9 confirmada por dados de equipamentos do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro (SGB) que medem as vaz\u00f5es dos rios de, aproximadamente, 70% da rede hidrol\u00f3gica nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados de sete rios da regi\u00e3o do Piau\u00ed (PI) e do Maranh\u00e3o (MA), inclu\u00eddo os rios Parna\u00edba e Balsas, mostram a<strong>&nbsp;queda sustentada nas vaz\u00f5es dos cursos d\u2019\u00e1gua&nbsp;<\/strong>desde a d\u00e9cada de 1970.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApesar de a gente ter verificado que a chuva est\u00e1 se mantendo est\u00e1vel nesses locais, temos observado que a vaz\u00e3o, tanto as m\u00ednimas, quanto as m\u00e9dias e as m\u00e1ximas, est\u00e3o numa tend\u00eancia de diminui\u00e7\u00e3o. Continuando essa tend\u00eancia, \u00e9 \u00f3bvio que isso, em algum momento, vai ter problema\u201d, explicou \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>o hidr\u00f3logo do SGB Cl\u00e1udio Damasceno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o&nbsp;<a href=\"https:\/\/cerrado.ambiental.media\/pt\/dashboard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo da Ambiental Media<\/a>, com base em dados da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), calculou que a&nbsp;<strong>Bacia do Parna\u00edba, onde est\u00e1 o Rio Balsas, perdeu 24% da vaz\u00e3o m\u00e9dia em 40 anos<\/strong>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto deste ano, o Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento Regional anunciou o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdr\/pt-br\/noticias\/midr-anuncia-revitalizacao-do-rio-parnaiba-com-aporte-de-r-995-milhoes%C2%A0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">investimento de R$ 995 milh\u00f5es&nbsp;<\/a>para revitaliza\u00e7\u00e3o ambiental e de navegabilidade do Rio Parna\u00edba no \u00e2mbito do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC).&nbsp;&nbsp;A expectativa \u00e9 de que as obras tenham in\u00edcio ainda neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo Ronaldo Barros Sodr\u00e9, professor da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA), estuda o impacto do desmatamento no Cerrado maranhense e destaca que h\u00e1 uma crise h\u00eddrica silenciosa em andamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola sobre o sul e tamb\u00e9m sobre o leste do Maranh\u00e3o tem provocado o desaparecimento de nascentes, a redu\u00e7\u00e3o dos diversos cursos d&#8217;\u00e1gua e configurando, assim, uma crise h\u00eddrica que \u00e9 silenciosa, mas crescente\u201d, avalia.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo da UFMA avalia que o Rio Balsas, assim como outros rios maranhenses,&nbsp;est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o preocupante que afeta o equil\u00edbrio hidrol\u00f3gico de toda regi\u00e3o do Maranh\u00e3o e Piau\u00ed. Ainda assim, para ele, \u00e9 poss\u00edvel que a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria seja compat\u00edvel com a sustentabilidade h\u00eddrica. \u201cDesde que tamb\u00e9m venha somar com pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas de integra\u00e7\u00e3o da lavoura e&nbsp;pecu\u00e1ria com floresta, o manejo de baixo impacto, incluindo nessa governan\u00e7a territorial as comunidades e povos tradicionais, que historicamente s\u00e3o guardi\u00f5es das \u00e1guas\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Passou a boiada&#8221; aqui, diz fazendeiro&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Os moradores ouvidos pela reportagem nos V\u00e3os do Uru\u00e7u e do Uru\u00e7u\u00ed apresentam relatos semelhantes. Segundo eles, as grandes fazendas assoreiam nascentes e olhos d&#8217;\u00e1guas para expandir a produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apontado como um dos poucos empres\u00e1rios que demonstra interesse na preserva\u00e7\u00e3o dos cursos d&#8217;\u00e1gua, o fazendeiro Paulo Ant\u00f4nio Rickli, de 56 anos, chegou a Balsas no in\u00edcio da expans\u00e3o agr\u00edcola, em 1995. Assim como muitos outros empres\u00e1rios de Balsas, ele veio da regi\u00e3o Sul do pa\u00eds no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o do Matopiba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ZtWobp1ZXqnG407fdYqtuzARJCI=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a9525_2_0.jpg?itok=hFIQMWTN\" alt=\"Balsas (MA), 09\/10\/2025 \u2013 Trator trabalha em fazenda de cultivo de soja na regi\u00e3o da Batavo. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Balsas (MA), 09\/10\/2025 \u2013 Trator trabalha em fazenda de cultivo de soja na regi\u00e3o da Batavo &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Dono de duas fazendas que somam quase 12 mil hectares, Rickli planta soja, milho, arroz e cria gado. Ele diz que a produ\u00e7\u00e3o ocupa aproximadamente 55% da \u00e1rea das propriedades devido \u00e0s serras que cortam a regi\u00e3o \u2013 e porque escolheu manter as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o interligadas entre elas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAchamos melhor preservar algumas \u00e1reas para dar continuidade \u00e0s reservas, para elas n\u00e3o ficarem todas separadas, unificando as reservas para formar um bloco grande para preservar as esp\u00e9cies, tanto vegetais quanto animais, quantos os cursos d\u2019\u00e1gua\u201d, explicou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo conta que adquiriu a segunda fazenda em 2016 no V\u00e3o do Uru\u00e7u, perto das nascentes do Rio Balsas, e que naquele ano \u201ctudo era fechado pelo Cerrado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cInfelizmente, o pessoal veio com outra mentalidade, de aproveitar o m\u00e1ximo. Diminuiu muito o Cerrado de 2018 para c\u00e1. Passou a boiada, como disse o ex-ministro do Meio Ambiente. Muita gente que at\u00e9 tinha as \u00e1reas preservadas resolveu ir at\u00e9 o limite, e alguns excederam o limite\u201d, relatou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ele se refere \u00e0 frase do atual deputado Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, ao defender a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis ambientais durante a pandemia de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>O fazendeiro Paulo Ant\u00f4nio Rickli acredita, por outro lado, que \u201ca maioria\u201d respeita a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, mas ficou impressionado com a quantidade de licen\u00e7as para desmatamento dos \u00f3rg\u00e3os estaduais emitidas nos \u00faltimos anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAlguma coisa aconteceu nessas secretarias de meio ambiente que o neg\u00f3cio desandou. \u00c1reas que n\u00e3o podiam ter sido desmatadas, \u00e1reas de veredas, com nascentes de rio, que n\u00e3o poderiam ter sido jamais desmatadas, foram desmatadas recentemente, mas eu diria que, de um modo geral, as grandes fazendas tem as reservas ainda bem preservadas\u201d, disse Rickli.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio, falta maior rigor na fiscaliza\u00e7\u00e3o. \u201cEstado \u00e9 frouxo na fiscaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fiscaliza direito, ou vem fiscalizar e n\u00e3o autua\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desmatamento autorizado em \u00e1reas protegidas&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>O projeto&nbsp;<a href=\"https:\/\/tamodeolho.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tamo de Olho<\/a>&nbsp;&#8211; que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas &#8211; analisou cerca de 2 mil Autoriza\u00e7\u00f5es para Supress\u00e3o de Vegeta\u00e7\u00e3o (ASV) emitidas pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranh\u00e3o e identificou que&nbsp;<strong>51% delas foram emitidas com alguma \u00e1rea sobreposta a Reserva Legal (RL), \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (APP), Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) ou Terras Ind\u00edgenas (TI) e quilombolas<\/strong>. E Balsas se destaca, com quase metade dessas sobreposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo dentro da legalidade, temos v\u00e1rios problemas com perda consider\u00e1vel do Cerrado maranhense\u201d, disse a secret\u00e1ria-executiva do Tamo de Olho, a ge\u00f3grafa Debora Lima, em audi\u00eancia p\u00fablica realizada no munic\u00edpio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria de Meio Ambiente do Maranh\u00e3o afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que n\u00e3o reconhece esses n\u00fameros do Tamo de Olho e que precisaria analisar a metodologia do estudo.&nbsp;\u201cNenhum desses n\u00fameros confirma o que a gente tem aqui com dados oficiais, inclusive de \u00f3rg\u00e3o licenciador\u201d, argumenta o secret\u00e1rio Pedro Chagas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele faz uma pondera\u00e7\u00e3o sobre poss\u00edveis erros: \u201calguns conceitos desse levantamento est\u00e3o distorcidos, temos v\u00e1rios tipos de unidades de conserva\u00e7\u00e3o. As de prote\u00e7\u00e3o integral, por exemplo, \u00e9 imposs\u00edvel de autorizar a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0s reservas legais, ela \u00e9 declarat\u00f3ria do produtor, que pode depois fazer a mudan\u00e7a dessa reserva, desde que mantenha o percentual m\u00ednimo exigido\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio do Meio Ambiente do Maranh\u00e3o acrescentou que o \u00f3rg\u00e3o ambiental segue todas as legisla\u00e7\u00f5es, e as autoriza\u00e7\u00f5es para supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o s\u00e3o realizadas de forma t\u00e9cnica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, cada vez mais, h\u00e1 um controle por imagens de sat\u00e9lites em tempo real. Ent\u00e3o, quem desmata ou quem faz a supress\u00e3o sem autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 prontamente multado e embargado\u201d, completou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o (MPMA) informou \u00e0 reportagem que abriu, em setembro deste ano, 24 processos administrativos para apurar desmatamento e repara\u00e7\u00e3o de danos ambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA grande maioria desses procedimentos (23) foi iniciada a partir de Relat\u00f3rios de Alerta de Desmatamento sobre Propriedade Rural que identificaram supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Cerrado, em tese, sem a devida Autoriza\u00e7\u00e3o de Supress\u00e3o de Vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, disse a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos sob apura\u00e7\u00e3o em Balsas, S\u00e3o Pedro dos Crentes e Tasso Fragoso envolvem desmatamentos de grande porte, de centenas de hectares.&nbsp;\u201cEm pelo menos um caso, apura-se a viola\u00e7\u00e3o de um embargo anterior imposto pelo Ibama\u201d, completou o MPMA.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento supera&nbsp;preju\u00edzos ambientais &#8220;pequenos&#8221;, diz ruralista<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o representante dos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio de Balsas, os benef\u00edcios sociais e econ\u00f4micos da atividade agr\u00edcola no Sul do Maranh\u00e3o superam os preju\u00edzos ambientais, que seriam pequenos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindi Balsas), Airton Zamingnan, nega que o Rio Balsas esteja em risco e afirma que a atividade respeita as leis ambientais, refor\u00e7ando que poss\u00edveis irregularidades devem ser fiscalizadas e punidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/4m2-MOPNifi_kSubZEteA0f1bd8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a0142_0.jpg?itok=QGKqG9mK\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/10\/2025 \u2013 Entrevista com o presidente do Sindicato Dos Produtores Rurais De Balsas (Sindibalsas), Airto Zamignan., que atua no cultivo de soja. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Rio de Janeiro (RJ), 12\/10\/2025 \u2013 Airton Zamingnan, representante dos produtores rurais de Balsas: &#8220;Nos EUA n\u00e3o tem \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental&#8221; &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>\u201cNingu\u00e9m quer destruir a natureza. Quem mais perde com alguma mudan\u00e7a clim\u00e1tica somos n\u00f3s. Existe muita desinforma\u00e7\u00e3o. Usamos apenas 3,9% da \u00e1rea do estado aqui no sul do Maranh\u00e3o, cerca de 980 mil hectares de \u00e1rea plantada, e o setor traz benef\u00edcios para mais de 1 milh\u00e3o de pessoas\u201d, disse Zamingnan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lideran\u00e7a da agricultura da regi\u00e3o de Balsas destaca que o<strong>&nbsp;\u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Balsas quase dobrou entre 1990 e 2010<\/strong>, saindo de 0,347 para 0,687, segundo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/cidades-e-estados\/ma\/balsas.html%C2%A0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados publicados<\/a>&nbsp;pelo IBGE.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cSe pegou a regi\u00e3o mais pobre do estado mais pobre do Brasil e hoje ela se aproxima quase aos \u00edndices do Centro-Oeste. \u00c9 fabuloso o que ocorreu com o desenvolvimento e com a agricultura aqui. Temos tr\u00eas faculdades de agronomia em Balsas. Se n\u00e3o fosse pelo agroneg\u00f3cio, provavelmente elas n\u00e3o existiriam\u201d, afirma o produtor de soja, milho e criador de gado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Airton Zamingnan recebeu nossa reportagem em seu escrit\u00f3rio, em Balsas. Filho de pais ga\u00fachos, ele migrou do Sul do Brasil para o Sul do Maranh\u00e3o no in\u00edcio dos anos 1990. O empres\u00e1rio lamenta a press\u00e3o de grupos ambientalistas contra o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirma \u201cter certeza\u201d de que as principais organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) que atuam na \u00e1rea ambiental no Brasil s\u00e3o um instrumento para prejudicar a concorr\u00eancia apresentada pelo agro nacional, destacando que muitas delas s\u00e3o financiadas por entidades estrangeiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor que todas essas exig\u00eancias ambientais s\u00f3 valem para os produtores brasileiros enquanto eles [europeus] compram a soja dos americanos? L\u00e1 [nos EUA] n\u00e3o tem APP [\u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental]. Ou seja, essas organiza\u00e7\u00f5es cobram que os produtos brasileiros n\u00e3o sejam de \u00e1reas de desmatamento, mas eles n\u00e3o cobram isso dos EUA\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Zamingnan cita ainda o&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202505\/rio-balsas-no-maranhao-codevasf-cataloga-cerca-de-50-nascentes-no-principal-afluente-do-parnaiba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto Adote uma Nascente<\/a>, da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Maranh\u00e3o (Aprosoja MA) em parceria a estatal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do S\u00e3o Francisco e do Parna\u00edba (Codevasf), que mapeou as 50 nascentes do Rio Balsas e promete preservar os cursos d\u2019\u00e1gua da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a Codevasf informou que ainda<strong>&nbsp;faltam recursos para monitoramento e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas pr\u00f3ximas \u00e0s nascentes<\/strong>&nbsp;e que a iniciativa se limitou a uma a\u00e7\u00e3o inicial em que foram plantadas mudas nativas e cercado o entorno de nascentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dos maiores desafios do projeto \u00e9 o acompanhamento p\u00f3s-interven\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o da dist\u00e2ncia e do dif\u00edcil acesso a algumas \u00e1reas, muitas delas localizadas a mais de 300 km da sede do munic\u00edpio de Balsas. Por esse motivo, a Codevasf priorizou o trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios rurais\u201d, informou a estatal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cIlus\u00e3o de desenvolvimento\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, comunidades tradicionais, ambientalistas, pesquisadores e movimentos sociais t\u00eam denunciado o alto pre\u00e7o a ser pago pelo atual modelo do agroneg\u00f3cio no Cerrado, que vem sendo classificado como&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-09\/olhar-voltado-para-amazonia-negligencia-desmatamento-no-cerrado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cbioma de sacrif\u00edcio\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, 51% do Cerrado mant\u00e9m a vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Quase metade dessa vegeta\u00e7\u00e3o remanescente est\u00e1 concentrada no Matopiba, regi\u00e3o que mais se desmata no Brasil. Especialistas alertam que essa tend\u00eancia coloca em risco a seguran\u00e7a h\u00eddrica do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a presidente da Associa\u00e7\u00e3o Camponesa (ACA) do Maranh\u00e3o, Francisca Vieira Paz, que viaja o sul do estado dando suporte a povos e comunidades tradicionais envolvidas em conflitos por terra ou \u00e1gua, \u201co agroneg\u00f3cio \u00e9 uma ilus\u00e3o de desenvolvimento\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO sul do Maranh\u00e3o, e o Maranh\u00e3o por inteiro, foi pego como zona de destrui\u00e7\u00e3o, onde leis s\u00e3o flexibilizadas em prol do agroneg\u00f3cio. Se nada mudar, haver\u00e1 uma crise h\u00eddrica. J\u00e1 est\u00e1 faltando \u00e1gua em muitos lugares\u201d, disse.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/0_K3lZIVSvzVFPQ4MjRfpzpQT9s=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a9299_0.jpg?itok=6oagfp6C\" alt=\"Balsas (MA), 09\/10\/2025 \u2013 Francisca Vieira Paz, da Associa\u00e7\u00e3o Camponesa (ACA), na comunidade Boa Esperan\u00e7a, no V\u00e3o do Uru\u00e7u\u00ed, \u00e1rea rural dos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Balsas (MA), 09\/10\/2025 \u2013 Francisca Vieira Paz, da Associa\u00e7\u00e3o Camponesa (ACA), na comunidade Boa Esperan\u00e7a, no V\u00e3o do Uru\u00e7u\u00ed, \u00e1rea rural dos Gerais de Balsas. &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Para Francisca, os benef\u00edcios do agroneg\u00f3cio n\u00e3o alcan\u00e7am toda a sociedade, e o modelo imposto \u00e9 excludente e insustent\u00e1vel. \u201cSe n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a radical, vamos chegar ao final, daqui 20 anos, e as pessoas v\u00e3o se perguntar: desenvolvimento para quem? J\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 para todos\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Francisca Vieira Paz milita na defesa dos direitos humanos e de acesso \u00e0 terra desde os 16 anos, tendo j\u00e1 sofrido amea\u00e7as an\u00f4nimas. \u201cAbri m\u00e3o de buscar minhas filhas na escola para n\u00e3o expor elas\u201d, contou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A representante camponesa chegou a ser expulsa, ainda crian\u00e7a, das terras em que os pais ocupavam no munic\u00edpio de Aldeias Altas, no leste maranhense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bispo narra conflito com agroneg\u00f3cio&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Atualmente, Francisca acumula a milit\u00e2ncia na Associa\u00e7\u00e3o Camponesa com o trabalho no Comit\u00ea de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH), entidade mantida pela Diocese de Balsas, que tem longo hist\u00f3rico de apoio \u00e0 luta dos povos do Cerrado maranhense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O atual bispo da Diocese de Balsas, Dom Valentim de Menezes, recebeu a reportagem no hotel que estava hospedado em Imperatriz, h\u00e1 quase 400 km de Balsas, onde foi celebrar missa em homenagem \u00e0 padroeira da cidade maranhense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/PjjLuKXjzjFreNSCSe6PqBBTacY=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a0665_0.jpg?itok=A_RowJbU\" alt=\"Imperatriz (MA), 13\/10\/2025 \u2013 Entrevista com Dom Valentim Fagundes de Menezes, o bispo da diocese de Balsas. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Imperatriz (MA), 13\/10\/2025 \u2013 Dom Valentim e a inspira\u00e7\u00e3o que carrega na blusa: padre \u00d3scar A. Romero, defensor de direitos humanos assassinado em 1980. &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Dom Valentim vestia uma camiseta do padre \u00d3scar A. Romero, conhecido defensor dos direitos humanos e dos pobres de El Salvador, assassinado em 1980 enquanto celebrava uma missa em um contexto de efervesc\u00eancia pol\u00edtica no pa\u00eds centro-americano. Romero acabou canonizado pelo Papa Francisco em 2018.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O bispo de Balsas se inspira no sacerdote de El Salvador para conduzir os fi\u00e9is do sul maranhense. Ele destacou que o&nbsp;<strong>Maranh\u00e3o, junto com o Par\u00e1, \u00e9 um dos estados com mais conflito por terra do Brasil&nbsp;<\/strong>e que, desde a d\u00e9cadas de 1950, a Igreja de Balsas atua apoiando os povos do Cerrado em disputas fundi\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo se tornado bispo de Balsas em 2020, Dom Valentim afirma que a expans\u00e3o da monocultura levou \u00e0 expuls\u00e3o de muitos povos da regi\u00e3o por meio da grilagem. Para ele, o agro chega como um \u201cengodo\u201d de um progresso \u201csem sustentabilidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o da Igreja no munic\u00edpio cria conflito com as organiza\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio, que pediram uma reuni\u00e3o com o Dom Valentim assim que ele assumiu a Diocese de Balsas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cQuando eu fui falar com o agro, eles vieram para cima e botaram a igreja como capeta na vida deles. Todos esses anos o agro teve a\u00e7\u00f5es contra a igreja. \u00c9 algo permanente. Fomos penalizados porque fui num debate na C\u00e2mara dos Vereadores e um empres\u00e1rio se negou a ajudar em uma festa nossa porque eu estava com esses \u2018comunistas\u2019. Existe a ilus\u00e3o das elites de que elas podem controlar a igreja\u201d.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Dom Valentim lidera um projeto para doar ou plantar 8 milh\u00f5es de mudas na regi\u00e3o at\u00e9 o final do seu bispado, em 2028. \u201cFalei para eles que n\u00e3o posso frear o agroneg\u00f3cio e nem parar o Matopiba, mas propus que n\u00f3s plant\u00e1ssemos \u00e1rvores para recuperar o Cerrado. Estamos avan\u00e7ando, mas ningu\u00e9m abra\u00e7ou a causa, estamos s\u00f3s nessa luta\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz a prefeitura de Balsas&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Procurada pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>para uma entrevista presencial, a Prefeitura de Balsas marcou uma conversa, por telefone, com a secret\u00e1ria de Meio Ambiente, Maria Regina Polo. Ela reconheceu que existe um problema h\u00eddrico na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s temos receio de que, a m\u00e9dio e longo prazo, isso a\u00ed possa virar realmente um problema grave para n\u00f3s e possa afetar a longevidade do nosso rio\u201d, disse a secret\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xwdV4LEJbbiq7b9BaAVSLESF1lQ=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/_d6a9471_1_0.jpg?itok=eG3M7TnF\" alt=\"Balsas (MA), 11\/10\/2025 \u2013 Sede da Prefeitura de Balsas. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Balsas (MA), 11\/10\/2025 \u2013 Sede da Prefeitura de Balsas e seu lema: &#8220;Avan\u00e7o e Oportunidade&#8221;. &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, Maria Regina ponderou que Balsas \u00e9 o maior munic\u00edpio do Maranh\u00e3o e um dos maiores do Brasil, com 13,1 milh\u00f5es de km\u00b2 de extens\u00e3o. \u201cA gente precisa observar proporcionalmente esse desmatamento\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A secret\u00e1ria municipal avaliou ainda que a maior parte desse desmatamento \u00e9 legal, respeitando os limites da legisla\u00e7\u00e3o, que permite desmatar at\u00e9 80% de uma propriedade no Cerrado. \u201cEnt\u00e3o, n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto o agroneg\u00f3cio \u00e9 o vil\u00e3o nesse contexto\u201d, argumentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Regina Polo acrescenta que os produtores rurais de Balsas s\u00e3o parceiros na fiscaliza\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios, que tamb\u00e9m s\u00e3o um grave problema ambiental do Cerrado. E argumenta que o agroneg\u00f3cio \u00e9 um caminho sem volta, que trouxe empregos e renda para a regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cBalsas \u00e9 uma cidade que tem um com\u00e9rcio avan\u00e7ado, ind\u00fastrias chegando e uma economia totalmente voltada para o agro. Eu acho que \u00e9 um caminho sem volta, n\u00e3o tem como o agro regredir. N\u00f3s temos \u00e9 que, cada vez mais, deixar esse agro sustent\u00e1vel, com um aproveitamento melhor das propriedades, incentivando a abrirem menos \u00e1reas, apesar de que essas aberturas t\u00eam sido, na sua grande maioria, licenciadas\u201d.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a secret\u00e1ria, a chegada da biorrefinaria Inpasa na cidade n\u00e3o deve aumentar a press\u00e3o para o desmatamento, como temem ambientalistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses gr\u00e3os, essas commodities, estavam sendo exportadas. Agora, a Inpasa vai trazer esses gr\u00e3os para o mercado dom\u00e9stico. Vamos conseguir utilizar esses gr\u00e3os aqui. Al\u00e9m disso, com produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal pela Inpasa, o gado vai precisar de menos pasto para se alimentar\u201d, acrescentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo do Maranh\u00e3o quer &#8220;equil\u00edbrio&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo do Maranh\u00e3o informou \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>que reconhece que o Maranh\u00e3o est\u00e1 na \u00faltima fronteira agr\u00edcola do Brasil, o que tem levado \u00e0 expans\u00e3o da monocultura no estado nos \u00faltimos anos, e defendeu que o desafio \u00e9 equilibrar crescimento econ\u00f4mico com sustentabilidade ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio de Meio Ambiente do estado, Pedro Chagas, disse que toda a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 respeitada e que existe grande preocupa\u00e7\u00e3o com os recursos h\u00eddricos do Maranh\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente se preocupa demais com a quest\u00e3o da seguran\u00e7a h\u00eddrica, uma vez que o Maranh\u00e3o tem quase 50% da \u00e1gua de todo o Nordeste. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por conta do desmatamento, seja legal ou ilegal, com os ilegais sendo fiscalizados de pronto. Mas o problema tamb\u00e9m \u00e9 resultado das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Esse ano, por exemplo, tivemos a pior seca dos \u00faltimos oito anos no Maranh\u00e3o\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/fqDT14TLYkD4ZemNO--t3RugA_Y=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/10\/31\/dji_0337_0.jpg?itok=x0PUyLVt\" alt=\"Imperatriz (MA), 13\/10\/2025 \u2013 Vista de pescadores em atividade nas \u00e1guas do Rio Tocantins. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Imperatriz (MA), 13\/10\/2025 \u2013 Pescadores em atividade no Rio Tocantins, segundo maior curso d&#8217;\u00e1gua totalmente brasileiro. &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Estudo do Ambiental Media aponta que o Cerrado perdeu, em m\u00e9dia, 27% da vaz\u00e3o dos rios nas seis principais bacias da regi\u00e3o entre 1970 e 2021. Desse total, 56% seria causado pelo desmatamento, sendo 43% resultado das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio acrescentou que o estado atua com fiscaliza\u00e7\u00f5es contra o desmatamento ilegal, mas que tamb\u00e9m apoia projetos para manter a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, com o Programa Floresta Viva Maranh\u00e3o.&nbsp;\u201cIncentivamos a manuten\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9 e a valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos da sociobioeconomia\u201d, completou o respons\u00e1vel pela prote\u00e7\u00e3o ambiental no estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Chagas, o objetivo do governo estadual \u00e9 dinamizar o modelo de neg\u00f3cios no Maranh\u00e3o, preservando os recursos h\u00eddricos em parceria com a sociedade civil organizada, principalmente nos Comit\u00eas das Bacias Hidrogr\u00e1ficas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente faz de tudo para proteger as nascentes, primeiro, por meio de mapeamento, fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle, mas tamb\u00e9m por meio do Programa Floresta Viva, com a recupera\u00e7\u00e3o de nascentes. Tudo isso fazendo em parceria com a sociedade civil, porque \u00e9 quem conhece a realidade de fato, l\u00e1 de perto dessas nascentes\u201d, destacou Chagas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00e9rie especial<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Esta reportagem \u00e9 a primeira da s\u00e9rie especial&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/tags\/fronteira-cerrado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fronteira Cerrado<\/a>, que investiga como o avan\u00e7o do agro no bioma est\u00e1 afetando os recursos h\u00eddricos do pa\u00eds.&nbsp;<\/strong>At\u00e9 quarta-feira ser\u00e3o publicados novos conte\u00fados &#8211; acompanhe!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o dessa s\u00e9rie foi viabilizada a partir da&nbsp;<em>Sele\u00e7\u00e3o de Reportagens N\u00e1dia Franco<\/em>, iniciativa da&nbsp;<strong>Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>que destinou R$ 200 mil para o custeio de conte\u00fados especiais produzidos por jornalistas da empresa. De&nbsp;54 projetos inscritos, oito foram selecionados por um conselho editorial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;jornalista N\u00e1dia Franco era editora da&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/strong>e dedicou 49 anos \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ela faleceu em agosto de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Sociedade, Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN) custeou as passagens \u00e1reas da equipe at\u00e9 Imperatriz (MA).<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia  Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Balsas, munic\u00edpio no extremo sul do Maranh\u00e3o (MA), passou por uma transforma\u00e7\u00e3o radical nos \u00faltimos 25 anos. A cidade&nbsp;\u00e9&nbsp;um dos epicentros da fronteira agropecu\u00e1ria&nbsp;no Brasil que, segundo estudos,&nbsp;impulsiona o desmatamento do Cerrado e contribui para colocar em risco a seguran\u00e7a h\u00eddrica do pa\u00eds. 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