{"id":132032,"date":"2025-07-01T14:33:01","date_gmt":"2025-07-01T17:33:01","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=132032"},"modified":"2025-07-01T14:33:01","modified_gmt":"2025-07-01T17:33:01","slug":"temporada-da-franca-no-brasil-quer-romper-cliches-e-fortalecer-relacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=132032","title":{"rendered":"Temporada da Fran\u00e7a no Brasil quer romper clich\u00eas e fortalecer rela\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Exposi\u00e7\u00f5es, \u00f3peras, dan\u00e7as, artes visuais, oficinas, f\u00f3runs, feiras liter\u00e1rias e resid\u00eancias art\u00edsticas fazem parte da programa\u00e7\u00e3o do Ano Cultural Fran\u00e7a-Brasil. No primeiro semestre, brasileiros ocuparam os palcos e galerias francesas. Agora,&nbsp;<strong>no segundo semestre, \u00e9 a vez da programa\u00e7\u00e3o francesa chegar \u00e0s cidades brasileiras.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1648898&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1648898&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os dias 17 e 24 de maio, a&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;esteve em Paris, a convite do Instituto Franc\u00eas, vinculado ao Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Fran\u00e7a, para ter acesso a uma pr\u00e9via da programa\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 trazida ao Brasil. A reportagem conversou com a comiss\u00e1ria-geral da Temporada Fran\u00e7a-Brasil, Anne Louyot,&nbsp;que \u00e9 a respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o do Ano Cultural pelo lado franc\u00eas. A parte brasileira na Fran\u00e7a coube ao Instituto Guimar\u00e3es Rosa, vinculado ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A temporada&nbsp;Brasil-Fran\u00e7a 2025 foi acordada em 2023, pelos presidentes Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Emmanuel Macron. Antes disso, em 2005, tamb\u00e9m sob o governo Lula, ocorreu o Ano do Brasil na Fran\u00e7a e, em 2009, da Fran\u00e7a no Brasil.&nbsp;<strong>Foram definidos como temas priorit\u00e1rios da temporada 2025&nbsp;a diversidade de sociedades e di\u00e1logo com \u00c1frica; democracia e Estado de direito; e&nbsp;clima e transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cTemos ainda clich\u00eas muito fortes. Clich\u00eas sobre a cultura brasileira na Fran\u00e7a, como o futebol e o&nbsp;carnaval, que&nbsp;s\u00e3o elementos culturais fortes. Mas o Brasil \u00e9 muito, muito, muito mais que isso&#8221;, enfatizou&nbsp;Louyot.&nbsp;&#8220;E, a mesma coisa: o Brasil tem clich\u00eas sobre a cultura francesa, um pa\u00eds de patrim\u00f4nio, de moda, de gastronomia. O que \u00e9. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso.&nbsp;Acho que \u00e9 importante renovar a rela\u00e7\u00e3o franco-brasileira quebrando um pouco esses clich\u00eas\u201d.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FUvjDlGctq7OvbVXrhm-NTbtA9Y=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/06\/30\/anne_louyot_foto_marina_perillat_institut_francais_2.jpg?itok=DGSCVVrY\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 30\/06\/2025 - Personagem Anne Louyot - Temporada da Fran\u00e7a no Brasil quer romper clich\u00eas e fortalecer rela\u00e7\u00f5es culturais.\nFoto: Marina Perrillat\/Instituto Franc\u00eas\" title=\"Marina Perrillat\/Instituto Franc\u00eas\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Comiss\u00e1ria-geral da Temporada Fran\u00e7a-Brasil, Anne Louyot, do Instituto Franc\u00eas&nbsp;<strong>Marina Perrillat\/Instituto Franc\u00eas<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p><strong>A programa\u00e7\u00e3o, que ocorre de agosto a dezembro, ser\u00e1 distribu\u00edda entre 15 cidades brasileiras:&nbsp;<\/strong>S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bras\u00edlia, Bel\u00e9m, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, S\u00e3o Lu\u00eds, Teresina, Jo\u00e3o Pessoa e Macap\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/francabrasil2025.com\/\"><strong>&gt;&gt; Confira os destaques da&nbsp;programa\u00e7\u00e3o&nbsp;da Temporada da Fran\u00e7a no Brasil<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara mim, \u00e9 um manifesto de amizade. Eu acho que os franceses t\u00eam uma empatia muito grande e uma simpatia natural em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil. Eu queria que essa temporada fosse realmente um manifesto de renova\u00e7\u00e3o da nossa amizade, que o Brasil possa descobrir outras caras da Fran\u00e7a, e que isso possa gerar novas curiosidades, novos projetos, novas obras. E que seja um recado tamb\u00e9m para nossas juventudes continuarem a trabalhar juntas para um mundo melhor\u201d, diz a comiss\u00e1ria geral da temporada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Leia abaixo os principais trechos da entrevista<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;O que \u00e9 a Temporada Fran\u00e7a-Brasil e qual \u00e9 a import\u00e2ncia dela para Fran\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;O programa das temporadas na Fran\u00e7a nasceu h\u00e1 40 anos&nbsp;para fortalecer a rela\u00e7\u00e3o entre a Fran\u00e7a e os outros pa\u00edses. O objetivo pode ser muito diferente, pode ser uma comemora\u00e7\u00e3o, por exemplo, ou simplesmente uma decis\u00e3o pol\u00edtica de fortalecer uma rela\u00e7\u00e3o com um pa\u00eds que \u00e9 um parceiro privilegiado da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Temporada Fran\u00e7a-Brasil 2025, o objetivo era realmente fortalecer a rela\u00e7\u00e3o bilateral. Primeiro, comemorar os 200 anos da rela\u00e7\u00e3o bilateral Fran\u00e7a-Brasil, e tamb\u00e9m fortalecer a rela\u00e7\u00e3o bilateral que foi um pouco reduzida durante o mandato anterior ao mandato do presidente Lula.<\/p>\n\n\n\n<p>E, segundo, alimentar nosso di\u00e1logo franco-brasileiro em torno dos desafios globais, como a quest\u00e3o clim\u00e1tica e ambiental, a quest\u00e3o da democracia e do Estado de direito, a quest\u00e3o da diversidade das culturas e das popula\u00e7\u00f5es e da rela\u00e7\u00e3o com \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;A temporada est\u00e1 dentro da chamada diplomacia cultural. O que \u00e9 exatamente essa diplomacia?<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;Isso \u00e9 uma quest\u00e3o muito importante e muito querida para mim, porque sou diplomata e me especializei em diplomacia cultural, porque eu acho que, ao contr\u00e1rio da diplomacia cl\u00e1ssica, a diplomacia cultural trabalha as rela\u00e7\u00f5es entre as sociedades civis. Ent\u00e3o, \u00e9 uma diplomacia mais duradoura, que n\u00e3o depende justamente das cores pol\u00edticas, mas que realmente trabalha as pessoas, as na\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, qual \u00e9 a diplomacia cultural da Fran\u00e7a? \u00c9 uma diplomacia que desenvolve coopera\u00e7\u00f5es entre os agentes das sociedades civis, podem ser as institui\u00e7\u00f5es culturais, as associa\u00e7\u00f5es, as universidades, as ONGs, podem ser muito variados.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Queria que voc\u00ea contasse um pouco de como foi elaborada a programa\u00e7\u00e3o. O que foi priorizado na escolha das atividades?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;Eu trabalhei a partir das prioridades que foram decididas pelos presidentes Macron e Lula: meio ambiente,&nbsp;diversidade cultural e&nbsp;rela\u00e7\u00e3o com \u00c1frica e democracia. Primeiro, eu viajei, fui encontrar as institui\u00e7\u00f5es francesas que, para mim, tinham interesse em trabalhar com institui\u00e7\u00f5es ou organiza\u00e7\u00f5es brasileiras. Eu tamb\u00e9m coloquei um enfoque nos territ\u00f3rios que chamamos de Ultramar, os que ficam nas Am\u00e9ricas, como a Guiana [Francesa], que tem essa fronteira muito importante com o Brasil, e tamb\u00e9m Guadalupe e Martinica, que t\u00eam essas semelhan\u00e7as hist\u00f3ricas com o Brasil, em particular porque receberam comunidades negras muito importantes e uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de descendentes de pessoas escravizadas, como \u00e9 o caso no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda fase, fui ao Brasil para fazer o mesmo trabalho, para entender o que interessava tamb\u00e9m \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil brasileira, porque o meu objetivo \u00e9 que os projetos da temporada sejam projetos de coopera\u00e7\u00e3o entre a Fran\u00e7a e o Brasil, que possam tamb\u00e9m durar al\u00e9m da temporada Fran\u00e7a-Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma terceira fase, o Instituto Franc\u00eas lan\u00e7ou uma convocat\u00f3ria. Recebemos muitos projetos, analisamos e fizemos finalmente uma sele\u00e7\u00e3o de mais de 230 projetos que respeitavam esses tr\u00eas eixos e que tamb\u00e9m,&nbsp;para mim, tinham essa capacidade de promover e de fortalecer essa coopera\u00e7\u00e3o franco-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos ainda clich\u00eas muito fortes. Clich\u00eas sobre a cultura brasileira na Fran\u00e7a, como&nbsp;o futebol, carnaval, que s\u00e3o elementos culturais fortes. Mas o Brasil \u00e9 muito, muito, muito mais que isso. E a mesma coisa: eu acho que o Brasil tem clich\u00eas sobre a cultura francesa, um pa\u00eds de patrim\u00f4nio, de moda, de gastronomia. O que \u00e9. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. Por exemplo, a Fran\u00e7a tem uma rela\u00e7\u00e3o muito forte tamb\u00e9m com \u00c1frica. Tem muito das culturas africanas. Isso acho que o Brasil n\u00e3o sabe. E eu acho que \u00e9 importante renovar a rela\u00e7\u00e3o franco-brasileira quebrando um pouco esses clich\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Queria que voc\u00ea falasse um pouco dessa rela\u00e7\u00e3o com a&nbsp;\u00c1frica. O que se espera dessa Temporada&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o a isso e qual o papel do Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;A&nbsp;Fran\u00e7a tem uma rela\u00e7\u00e3o muito densa com v\u00e1rios pa\u00edses africanos, e em particular com os pa\u00edses franc\u00f3fonos. A Fran\u00e7a tem uma coopera\u00e7\u00e3o, h\u00e1 anos, com as sociedades civis africanas, mas tem um peso de ser o pa\u00eds ex-colonizador.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem uma rela\u00e7\u00e3o forte com a \u00c1frica, por duas raz\u00f5es: primeiro, porque uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o veio de \u00c1frica, e o Brasil mant\u00e9m alguns rasgos muito importantes das culturas, das religi\u00f5es e das espiritualidades africanas. A segunda raz\u00e3o \u00e9 que o Brasil desenvolveu uma diplomacia africana, especialmente com o presidente Lula. E, essa diplomacia, Sul-Sul, \u00e9 muito importante, \u00e9 um elemento de renova\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Acho que podemos pensar em um tri\u00e2ngulo renovado da rela\u00e7\u00e3o entre a Europa, Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;O que a Fran\u00e7a tem feito culturalmente para repensar e deslocar esse centro da Europa e dar protagonismo aos povos africanos e descendentes de \u00c1frica?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;Tem um movimento antigo de promo\u00e7\u00e3o das culturas africana no exterior. Por exemplo, a Fran\u00e7a apoiou o Festival Pan-Africano de Cinema e Televis\u00e3o de Ouagadougou (Fespaco), em Burkina Faso, e tamb\u00e9m apoiou a Bienal da Dan\u00e7a de Bamako [capital do Mali].<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, houve um trabalho para uma renova\u00e7\u00e3o do nosso olhar sobre as culturas africanas, para desenvolver um olhar mais p\u00f3s-colonial. Primeiro houve, em 2020 e&nbsp;2021, uma grande temporada das culturas africanas na Fran\u00e7a, \u00c1frica 2020. Isso foi uma iniciativa muito disruptiva.<\/p>\n\n\n\n<p>No Museu d&#8217;Orsay, h\u00e1 alguns anos, houve uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o modelo negro, para mostrar que, na verdade, os negros sempre estiveram muito presentes na arte ocidental, mas sempre \u00e0 margem [A&nbsp;exposi\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>O corpo negro<\/em>, de G\u00e9ricault a Matisse, em 2019)]. Foi uma exposi\u00e7\u00e3o muito importante para mudar tamb\u00e9m o p\u00fablico, porque o p\u00fablico negro aumentou muito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, est\u00e1 em cartaz, no Centro Pompidou, o&nbsp;<em>Paris Noir<\/em>, Paris Negro, com todos os artistas negros da Escola de Paris que atuaram na Fran\u00e7a e que n\u00e3o foram reconhecidos o suficiente. Uma \u00faltima iniciativa foi a cria\u00e7\u00e3o da Mans\u00e1, a&nbsp;<em>Maison de<\/em>&nbsp;<em>Mondes Africains<\/em>&nbsp;[a Casa dos Mundos Africanos], que tem como objetivo dar visibilidade \u00e0s comunidades negras da Fran\u00e7a e para mostrar como elas alimentam as culturas francesas e como elas se conectam com as criatividades africanas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;No eixo Democracia, qual \u00e9 o papel das artes? O que a gente pode discutir a partir dessa temporada, tendo em vista toda a ascens\u00e3o de extrema direita em diversos pa\u00edses?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;O programa inclui cultura, inclui arte, mas tamb\u00e9m o debate de ideias. Ent\u00e3o, no \u00e2mbito da temporada no Brasil, vai ter uma sequ\u00eancia importante de debates e discuss\u00f5es. O primeiro evento da temporada vai ser o F\u00f3rum Juventude e Democracia, que organiza o encontro entre 40 jovens brasileiros e 40 jovens franceses, jovens comprometidos em projetos da sociedade civil para fortalecer a democracia a partir da sociedade civil e n\u00e3o a partir das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles v\u00e3o trocar ideias sobre as possibilidades de coopera\u00e7\u00e3o entre a sociedade civil francesa e a brasileira, para defender, proteger e renovar a democracia, porque vemos que o modelo democr\u00e1tico, que na verdade nasceu no s\u00e9culo 18, est\u00e1 atravessando uma crise profunda. Ent\u00e3o, precisamos da juventude do Norte e do Sul para pensar novos modelos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das artes, tamb\u00e9m se pode pensar a democracia. Temos projetos de resid\u00eancias cruzadas para acolher no Brasil jovens que v\u00eam de diferentes regi\u00f5es da Fran\u00e7a. Jovens artistas que n\u00e3o teriam essa possibilidade de conhecer o Brasil, e o contr\u00e1rio tamb\u00e9m. Tem projetos tamb\u00e9m como, por exemplo, a Flup [Festa Liter\u00e1ria das Periferias], no Rio de Janeiro, que vai acolher uma grande delega\u00e7\u00e3o de escritores, pensadores e tamb\u00e9m artistas que v\u00eam das periferias francesas e da Guiana, Martinica e Guadalupe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Ao longo desses dias, vimos muitas obras que buscam estabelecer pontes e di\u00e1logos. Nas suas pesquisas e curadoria isso foi priorizado? Para onde as artes contempor\u00e2neas t\u00eam mirado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;Houve um momento em que me parece que a arte contempor\u00e2nea se encerrou um pouco em si mesma, o mundo de cr\u00edticos, de curadores, de artistas reconhecidos, um mundo fechado para o p\u00fablico que n\u00e3o podia nem entender, nem ter acesso. Eu acho que agora vemos artistas que quebraram as paredes desse mundo fechado para retomar uma reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Muitos artistas contempor\u00e2neos tentam retomar rela\u00e7\u00e3o com a figura tamb\u00e9m, porque a figura \u00e9 tamb\u00e9m uma forma suscet\u00edvel de atrair uma empatia maior por parte do p\u00fablico. Voc\u00ea v\u00ea que a figura voltou na arte. A mat\u00e9ria voltou. Voc\u00ea tem menos arte abstrata. Isso \u00e9 muito interessante, tamb\u00e9m porque a mat\u00e9ria estabelece uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Anne, para terminar, quais s\u00e3o as suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o a essa temporada. Depois de tanto trabalho o que que voc\u00ea espera para este segundo semestre?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Anne Louyot:<\/strong>&nbsp;Para mim, \u00e9 um manifesto de amizade. Eu acho que os franceses t\u00eam uma empatia muito grande e uma simpatia natural em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil. Eu queria que essa temporada fosse realmente um manifesto de renova\u00e7\u00e3o da nossa amizade, e que o Brasil possa descobrir outras caras da Fran\u00e7a, e que isso possa gerar novas curiosidades, novos projetos, novas obras. E&nbsp;que seja um recado tamb\u00e9m para nossas juventudes continuarem a trabalhar juntas para um mundo melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*A rep\u00f3rter viajou \u00e0 Paris a convite do Instituto Franc\u00eas, entre os dias 17 e 24 de maio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exposi\u00e7\u00f5es, \u00f3peras, dan\u00e7as, artes visuais, oficinas, f\u00f3runs, feiras liter\u00e1rias e resid\u00eancias art\u00edsticas fazem parte da programa\u00e7\u00e3o do Ano Cultural Fran\u00e7a-Brasil. No primeiro semestre, brasileiros ocuparam os palcos e galerias francesas. Agora,&nbsp;no segundo semestre, \u00e9 a vez da programa\u00e7\u00e3o francesa chegar \u00e0s cidades brasileiras. 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