{"id":130384,"date":"2025-01-20T09:27:53","date_gmt":"2025-01-20T12:27:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129705"},"modified":"2025-01-20T09:27:53","modified_gmt":"2025-01-20T12:27:53","slug":"ritmo-de-concentracao-de-renda-aumenta-mostra-relatorio-oxfam-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=130384","title":{"rendered":"Ritmo de concentra\u00e7\u00e3o de renda aumenta, mostra relat\u00f3rio Oxfam 2025"},"content":{"rendered":"\n<p>Relat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) internacional Oxfam sobre concentra\u00e7\u00e3o de renda e suas condi\u00e7\u00f5es mostra&nbsp;que o ritmo de concentra\u00e7\u00e3o em 2024 teve novo pico, a exemplo do que ocorreu durante a pandemia de covid-19. Surgiram 204 novos bilion\u00e1rios no planeta, e o ritmo de enriquecimento dos super-ricos aumentou tr\u00eas&nbsp;vezes em rela\u00e7\u00e3o a 2023. O relat\u00f3rio antecede o encontro anual do F\u00f3rum Econ\u00f4mico de Davos, que concentra diretores das principais institui\u00e7\u00f5es empresariais e l\u00edderes de governos em reuni\u00f5es de neg\u00f3cios e&nbsp;<em>lobby<\/em>na cidade sui\u00e7a.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1627282&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1627282&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os bilion\u00e1rios, pouco mais de 2.900 pessoas, enriqueceram, em m\u00e9dia, US$ 2 milh\u00f5es por dia. Os dez&nbsp;mais ricos, por sua vez, enriqueceram em m\u00e9dia US$ 100 milh\u00f5es&nbsp;por dia. Algu\u00e9m que receba um sal\u00e1rio m\u00ednimo no Brasil demoraria 109 anos para receber R$ 2 milh\u00f5es e, pela cota\u00e7\u00e3o atual, 650 anos para receber U$$ 2 milh\u00f5es. \u201cNo ano passado, a Oxfam previu um trilion\u00e1rio em uma d\u00e9cada. Se as tend\u00eancias atuais continuarem, haver\u00e1 agora cinco trilion\u00e1rios em uma d\u00e9cada. Enquanto isso, de acordo com o Banco Mundial, o n\u00famero de pessoas que vivem na pobreza praticamente n\u00e3o mudou desde 1990\u201d, destaca o relat\u00f3rio, que aponta que os 44% mais pobres do mundo vivem com menos de US$ 6,85 por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o Produto Interno Bruto (PIB) Global, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), teve aumento de cerca de 3,2%, para uma popula\u00e7\u00e3o que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estima de 8 bilh\u00f5es de pessoas. Segundo o Banco Mundial, o PIB Global era de US$ 33,86 trilh\u00f5es&nbsp;em 2000, e chegou aos US$ 106,7 trilh\u00f5es em 2023, ainda que com diminui\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de extrema pobreza (aqueles que recebem menos de U$$ 2,15 por dia), que eram 29,3% da popula\u00e7\u00e3o mundial em 2000 e s\u00e3o ainda 9% da popula\u00e7\u00e3o nos dados de 2023. A Oxfam destacou que os 10% mais ricos, por sua vez, det\u00e9m 45% de toda a riqueza do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 diferente. Segundo Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, de uma maneira geral, somos levados a pensar a desigualdade no Brasil a partir da chave da pobreza, mas o que torna a realidade brasileira complexa \u00e9 pensar o outro lado da moeda. &#8220;Ao mesmo tempo em que temos milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de fome e inseguran\u00e7a alimentar, a imensa popula\u00e7\u00e3o&nbsp;de rua, ou quando pensamos as pessoas sem acesso \u00e0&nbsp;\u00e1gua e ao saneamento b\u00e1sico, temos o outro extremo, que s\u00e3o aquelas&nbsp;muito ricas, bilion\u00e1rias. Durante a pandemia, enquanto vimos pessoas perdendo tudo e tendo de ir morar na rua, surgiram dez&nbsp;novos bilion\u00e1rios no pa\u00eds. Hoje, menos de 100 pessoas no pa\u00eds tem R$ 146 bilh\u00f5es&#8221;, esclareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao mesmo tempo, temos pessoas que trabalham e n\u00e3o conseguem garantir o seu sustento enquanto, no mesmo momento, h\u00e1 pessoas que est\u00e3o acumulando milh\u00f5es de reais. Essas pessoas est\u00e3o se apropriando de riquezas que deveriam ser melhor divididas e n\u00e3o o s\u00e3o pois temos um sistema fiscal que n\u00e3o taxa adequadamente essas riquezas e a transmiss\u00e3o por heran\u00e7a. Temos&nbsp;um pa\u00eds que favorece a evas\u00e3o fiscal e elis\u00e3o fiscal, enquanto o trabalhador n\u00e3o tem como evitar esses impostos e continua, com isso, inevitavelmente pobre, mesmo ap\u00f3s toda a reforma feita sobre o consumo. A popula\u00e7\u00e3o pobre tem 70% de sua renda comprometida com o consumo, sobre o qual incidem impostos&#8221;, explicou Viviana Santiago, para quem a correla\u00e7\u00e3o entre ganhos de poucos e mis\u00e9ria de muitos est\u00e1 atrelada, especialmente no Brasil, ao papel que as pessoas que se beneficiam dessa l\u00f3gica exercem dentro das institui\u00e7\u00f5es que as mant\u00e9m. \u00c9 o que o estudo principal identifica como presen\u00e7a constante de vantagens, seja motivada por correla\u00e7\u00f5es olig\u00e1rquicas ou subornos, que por sua vez est\u00e3o entre as principais condi\u00e7\u00f5es para as riquezas extremas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo identifica tamb\u00e9m a correla\u00e7\u00e3o entre a manuten\u00e7\u00e3o do colonialismo, a centralidade das institui\u00e7\u00f5es financeiras no chamado Norte Global&nbsp;e a concentra\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es culturais, com universidades de ponta e empresas de tecnologia, com a dificuldade em combater a concentra\u00e7\u00e3o. Essa din\u00e2mica tem, por sua vez, correla\u00e7\u00e3o com a l\u00f3gica de transfer\u00eancia, com taxa\u00e7\u00e3o de alimentos e insumos usados por toda a popula\u00e7\u00e3o e com maior peso nas popula\u00e7\u00f5es pobres, como medicamentos, al\u00e9m de imposi\u00e7\u00e3o de taxas altas de empr\u00e9stimos e l\u00f3gica draconiana de pagamento de d\u00edvidas externas, por organismos internacionais como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional. O estudo aponta que a situa\u00e7\u00e3o global s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 pior por conta do crescimento asi\u00e1tico, sobretudo chin\u00eas, que foi respons\u00e1vel por tirar centenas de milhares da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta, por\u00e9m, comprometimento institucional para mudar essa situa\u00e7\u00e3o, como indica o seguinte trecho do relat\u00f3rio: \u02dcUsando os dados or\u00e7ament\u00e1rios mais recentes sobre a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, n\u00edveis de tributa\u00e7\u00e3o e gastos p\u00fablicos de 161 pa\u00edses, a Oxfam e a Development Finance International apresentam um quadro mais atualizado no \u00cdndice de Compromisso com a Redu\u00e7\u00e3o da Desigualdade 2024.125 O \u00edndice revela tend\u00eancias negativas na grande maioria dos pa\u00edses desde 2022. Quatro em cada cinco pa\u00edses reduzir\u00e3o a fatia de seus or\u00e7amentos destinada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e\/ou prote\u00e7\u00e3o social; quatro em cada cinco pa\u00edses reduziram a tributa\u00e7\u00e3o progressiva; e nove em cada dez pa\u00edses retrocederam em direitos trabalhistas e sal\u00e1rios m\u00ednimos\u02dc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Viviana, infelizmente, h\u00e1 outra realidade que se repete no Brasil. \u02dcQuando a gente v\u00ea elites que seguem na l\u00f3gica de um pa\u00eds voltado para a produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o atento&nbsp;para a necessidade da distribui\u00e7\u00e3o social da riqueza, a mesma l\u00f3gica colonial de apropria\u00e7\u00e3o, a mesma l\u00f3gica colonial de explora\u00e7\u00e3o de trabalhos, de vidas e de territ\u00f3rios e de n\u00e3o constru\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica que promova qualidade de vida para as pessoas\u02dc, pondera Viviana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Seriam moinhos de vento?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 1605, foi publicada a obra-prima de Miguel de Cervantes, o romance&nbsp;<em>Don Quixote de La Mancha<\/em>, cujo&nbsp;personagem que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 trama afirma, em livre tradu\u00e7\u00e3o, que&nbsp;\u201cmudar o mundo, meu amigo Sancho, n\u00e3o \u00e9 loucura, n\u00e3o \u00e9 utopia, \u00e9 justi\u00e7a\u201d. Quatrocentos e vinte anos depois, com a industrializa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do sistema financeiro nesse interst\u00edcio, as conclus\u00f5es apontadas no relat\u00f3rio apresentado hoje ainda s\u00e3o muito pr\u00f3ximas. \u00c9 poss\u00edvel mudar a situa\u00e7\u00e3o e se trata de fazer justi\u00e7a. As propostas da Oxfam para tornar o mundo mais justo s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Reduzir radicalmente a desigualdade, estabelecendo metas globais e nacionais para isso. Acabar com a riqueza extrema. Se comprometer com uma meta global de desigualdade que reduz drasticamente a desigualdade entre o Norte Global e&nbsp;o Sul Global; como exemplo, a renda dos 10% mais ricos n\u00e3o deve ser maior do que a dos 40% mais pobres em todo o mundo. Estabelecer metas semelhantes com prazo determinado para reduzir a desigualdade econ\u00f4mica nacional, visando que a renda total dos 10% mais ricos n\u00e3o seja maior do que a renda total dos 40% mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Reparar as feridas do colonialismo. Os ex-governos coloniais devem reconhecer e se desculpar formalmente por toda a gama de crimes cometidos durante o colonialismo e garantir que esses crimes entrem na mem\u00f3ria p\u00fablica. As repara\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas devem ser feitas para garantir a restitui\u00e7\u00e3o, proporcionar satisfa\u00e7\u00e3o, compensar os danos sofridos, garantir a reabilita\u00e7\u00e3o e evitar futuros abusos. O custo das repara\u00e7\u00f5es deve ser arcado pelos mais ricos, que foram os que mais se beneficiaram com o colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Acabar com os sistemas de colonialismo moderno. O FMI, o Banco Mundial, a ONU e outras institui\u00e7\u00f5es globais devem mudar completamente sua governan\u00e7a para acabar com o dom\u00ednio formal e informal do Norte Global e com os interesses de suas elites e corpora\u00e7\u00f5es ricas. O dom\u00ednio das na\u00e7\u00f5es e corpora\u00e7\u00f5es ricas sobre os mercados financeiros e as regras comerciais deve ser encerrado. Em seu lugar, \u00e9 necess\u00e1rio um novo sistema que promova a soberania econ\u00f4mica dos governos do Sul Global e permita o acesso a sal\u00e1rios e pr\u00e1ticas trabalhistas justas para todos os trabalhadores. Pol\u00edticas e acordos de livre com\u00e9rcio desiguais devem ser revogados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Tributar os mais ricos para acabar com a riqueza extrema. A pol\u00edtica tribut\u00e1ria global deve se enquadrar em nova conven\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria da ONU e facilitar o pagamento de impostos mais altos pelas pessoas e empresas mais ricas para reduzir radicalmente a desigualdade e acabar com a riqueza extrema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Promover a coopera\u00e7\u00e3o e a solidariedade Sul-Sul. Os governos do Sul Global devem formar alian\u00e7as e acordos regionais que priorizem trocas equitativas e mutuamente ben\u00e9ficas, promovam a Independ\u00eancia econ\u00f4mica e reduzam a depend\u00eancia de antigas pot\u00eancias coloniais ou das economias do Norte Global. Coletivamente, devem exigir reformas nas institui\u00e7\u00f5es internacionais, como o Banco Mundial e o FMI, e promover o desenvolvimento coletivo por meio do compartilhamento, reconhecimento, tecnologia e recursos para apoiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e resistir aos sistemas globais exploradores. Ao mesmo tempo, os governos devem fortalecer os servi\u00e7os p\u00fablicos e implementar reformas agr\u00e1rias para garantir o acesso \u00e0 terra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Acabar com o colonialismo formal em curso em todas as suas formas. Os territ\u00f3rios n\u00e3o aut\u00f4nomos remanescentes devem ser apoiados para garantir seus direitos \u00e0 igualdade de e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, de acordo com o Artigo 1(2) da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e a Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Concess\u00e3o de Independ\u00eancia aos Pa\u00edses e Povos Coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) internacional Oxfam sobre concentra\u00e7\u00e3o de renda e suas condi\u00e7\u00f5es mostra&nbsp;que o ritmo de concentra\u00e7\u00e3o em 2024 teve novo pico, a exemplo do que ocorreu durante a pandemia de covid-19. 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