{"id":130293,"date":"2025-01-02T13:11:19","date_gmt":"2025-01-02T16:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129450"},"modified":"2025-01-02T13:11:19","modified_gmt":"2025-01-02T16:11:19","slug":"brics-tem-mais-de-40-da-populacao-e-37-do-pib-mundiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=130293","title":{"rendered":"Brics t\u00eam mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o e 37% do PIB mundiais"},"content":{"rendered":"\n<p>A soma dos nove pa\u00edses que j\u00e1 integram formalmente o Brics, al\u00e9m da Ar\u00e1bia Saudita, concentram mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o global, com tend\u00eancia de crescimento acima da m\u00e9dia do planeta na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Al\u00e9m disso, respondem por 37% da economia mundial, segundo o crit\u00e9rio Produto Interno Bruto (PIB) por poder de compra, de acordo com o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial.&nbsp;<br><br>Criado em 2009, o Brics originalmente reunia, al\u00e9m do Brasil, China, \u00cdndia e R\u00fassia. A \u00c1frica do Sul foi o quinto pa\u00eds a ingressar, em 2011, e, no ano passado, mais cinco pa\u00edses aderiram ao bloco: Ir\u00e3, Egito, Emirados \u00c1rabes, Eti\u00f3pia e Ar\u00e1bia Saudita. Ainda em processo de confirma\u00e7\u00e3o, a Ar\u00e1bia Saudita tem participado das reuni\u00f5es do grupo, segundo o Itamaraty.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1625078&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1625078&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/12\/26\/thumbnail_brics_no_mundo._jpg.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 26\/12\/2024 Brics t\u00eam mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o e 37% do PIB mundial. Fonte Itamaraty.\" title=\"Fonte Itamaraty.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Arte\/EBC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tamanho do Brics<\/h2>\n\n\n\n<p>Os nove pa\u00edses que j\u00e1 integram oficialmente o Brics, al\u00e9m da Ar\u00e1bia Saudita, atualmente concentram mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o global, com tend\u00eancia de crescimento acima da m\u00e9dia do planeta na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Al\u00e9m disso, respondem por 37% da economia mundial, segundo o crit\u00e9rio Produto Interno Bruto (PIB) por poder de compra, de acordo com o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses pa\u00edses det\u00eam 26% do com\u00e9rcio mundial, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). E, segundo o Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), o grupo concentra 44% das reservas de petr\u00f3leo e 53% das reservas de g\u00e1s natural do planeta. N\u00e3o apenas isso, hoje produzem 43% do \u00f3leo e 35% do g\u00e1s do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Setenta e dois por cento das reservas mundiais de terras raras est\u00e3o nesses dez territ\u00f3rios, assim como 70% da produ\u00e7\u00e3o global de carv\u00e3o mineral. R\u00fassia e Brasil det\u00eam as maiores reservas de \u00e1gua doce do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos militares, o grupo possui pelo menos tr\u00eas pot\u00eancias nucleares (R\u00fassia, China e \u00cdndia).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brics de fato tem o peso econ\u00f4mico e militar acentuado, que cada vez mais vem demandando um peso pol\u00edtico que seja \u00e0 altura dos recursos que det\u00eam\u201d, afirma a diretora do Brics Policy Center e professora do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Marta Fern\u00e1ndez.<\/p>\n\n\n\n<p>O termo Bric, um acr\u00f4nimo para os membros originais, foi criado pelo economista Jim O\u2019Neill, em 2001, para se referir ao grupo de pa\u00edses que apontavam como promissores mercados emergentes no in\u00edcio do mil\u00eanio. Em entrevistas posteriores, O\u2019Neill disse que nunca pensou no Brics como um grupo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2006, no entanto, os quatro membros originais se reuniriam pela primeira vez \u00e0s margens da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A crise financeira mundial de 2008 daria um motivo para que o grupo decidisse se reunir anualmente para buscar uma altera\u00e7\u00e3o do sistema de governan\u00e7a global.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/YeXVLyieNL1p2p3OkO8XscxjAOk=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/12\/26\/thumbnail_brics_no_mundo._jpg-2.jpg?itok=sCrKKWwq\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 26\/12\/2024 Brics t\u00eam mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o e 37% do PIB mundial. Fonte Itamaraty.\" title=\"Fonte Itamaraty.\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Arte\/EBC<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Influ\u00eancia&nbsp;mundial&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cNa sua origem, ficou muito claro que era uma organiza\u00e7\u00e3o informal, mas que tinha uma agenda reformista da ordem internacional. O Brics surge no contexto de uma crise dos pa\u00edses do Ocidente, com a crise financeira de 2008. Desde a primeira c\u00fapula, est\u00e1 nas declara\u00e7\u00f5es a demanda por reforma da ONU, do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, do Banco Mundial\u201d, explica o professor do N\u00facleo de Estudos dos Pa\u00edses Brics da Universidade Federal Fluminense (UFF), Evandro Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto de crise econ\u00f4mica, surgido em um modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico liderado pelos pa\u00edses ocidentais (Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia), os Brics passam a demandar mais influ\u00eancia nos destinos do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses pa\u00edses entendiam que eles tinham peso subdimensionado na governan\u00e7a internacional seja na presen\u00e7a nas organiza\u00e7\u00f5es internacionais, seja na defini\u00e7\u00e3o dos rumos para a economia internacional\u201d, ressalta o diretor do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Pedro Dallari.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esteira das cr\u00edticas \u00e0 gest\u00e3o dos grandes bancos internacionais, os Brics criaram, em 2014, sua pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o financeira, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em ingl\u00eas), que apoia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustent\u00e1vel em pa\u00edses em desenvolvimento. \u201cAo criar uma organiza\u00e7\u00e3o internacional, o Brics mostrou sua capacidade de realiza\u00e7\u00e3o numa frente important\u00edssima\u201d, diz Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, como uma forma de reduzir a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, a moeda dos Estados Unidos, nas negocia\u00e7\u00f5es comerciais internacionais, o Brics defende o uso de moedas locais no com\u00e9rcio entre seus integrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brics est\u00e1, de alguma forma, gerando preocupa\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar como moeda de refer\u00eancia, hegem\u00f4nica. N\u00e3o que o Brics tenha qualquer pretens\u00e3o de substituir o d\u00f3lar. A ideia \u00e9 que o Brics quer ter o direito de comercializar em diferentes moedas. Isso tem a ver com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo multipolar, onde h\u00e1 v\u00e1rios centros de poder\u201d, explica Marta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Limita\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Dallari, fora da discuss\u00e3o da reforma da governan\u00e7a global, h\u00e1 pouca converg\u00eancia entre os pa\u00edses do grupo, uma vez que t\u00eam interesses comerciais e valores ideol\u00f3gicos muito diferentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/SHcoWDXjovfcUUQTBl4TH7zBT50=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/930472-cnv_9487.jpg?itok=mHjhZh_9\" alt=\"Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) realiza dilig\u00eancia no Hospital Central do Ex\u00e9rcito (HCE), local da morte de Raul Amaro Nin Ferreira. Na foto,  Pedro Dallari, presidente da CNV (Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil)\" title=\"23 18:43:58\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Diretor do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de S\u00e3o Paulo, Pedro Dallari.&nbsp;<strong>Foto -Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>\u201cO Brics \u00e9 um foro de concerta\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es. O Brics cumpre muito mais no sentido de um arranjo para um interesse geopol\u00edtico e de fortalecimento do multilateralismo do que propriamente pelos resultados efetivos que venha a ter como um bloco \u2018econ\u00f4mico\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Dallari diz que tamb\u00e9m h\u00e1 diverg\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a grandes temas globais, como as guerras no Oriente M\u00e9dio e na Ucr\u00e2nia, o aquecimento global ou mesmo na conten\u00e7\u00e3o de pandemias, como a de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe maneira nenhuma, o Brics pode ser visto como um bloco capaz de atuar de maneira coesa nos grandes temas do nosso tempo, at\u00e9 porque, em muitos desses temas, esses pa\u00edses se contrap\u00f5em, s\u00e3o antagonistas\u201d, destaca o professor da USP. \u201cFora esse desejo mais abstrato de reforma do multilateralismo, eu vejo muito pouca efetividade hoje na a\u00e7\u00e3o do Brics\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Evandro Carvalho acrescenta que, no com\u00e9rcio internacional, por exemplo, alguns s\u00e3o inclusive competidores em algumas \u00e1reas. Ele destaca tamb\u00e9m que mesmo sendo apenas um grupo informal, o Brics carece de uma estrutura institucional m\u00ednima, como uma secretaria executiva, que pudesse dar mais transpar\u00eancia e concentrasse as iniciativas do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe voc\u00ea quer procurar informa\u00e7\u00f5es sobre uma iniciativa qualquer do Brics, n\u00e3o h\u00e1 sequer um website que concentre isso. Voc\u00ea s\u00f3 vai encontrar nos sites das c\u00fapulas do ano passado, do ano anterior. N\u00e3o tem um website do Brics que contenha informa\u00e7\u00f5es, e-mails, como acessar as informa\u00e7\u00f5es, a quem a gente recorre se quisermos alguma informa\u00e7\u00e3o para uma pesquisa, para uma entrevista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das limita\u00e7\u00f5es do grupo informal, Marta Fern\u00e1ndez acredita que o Brics tenha uma for\u00e7a \u201cmaterial, em termos recursos, de popula\u00e7\u00e3o, de minerais cr\u00edticos, de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, mas cada vez mais tamb\u00e9m tem uma for\u00e7a muito simb\u00f3lica, porque, de alguma forma, vem representando uma alternativa \u00e0 forma de organizar o mundo, de organizar governan\u00e7a global, muito a partir da ideia do sul global\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brics se tornou quase como um porta-voz ou a maior voz para o sul global, dentro dessa fun\u00e7\u00e3o de reorganiza\u00e7\u00e3o da ordem global\u201d, complementa Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A soma dos nove pa\u00edses que j\u00e1 integram formalmente o Brics, al\u00e9m da Ar\u00e1bia Saudita, concentram mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o global, com tend\u00eancia de crescimento acima da m\u00e9dia do planeta na pr\u00f3xima d\u00e9cada. 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