{"id":129852,"date":"2024-11-26T09:40:30","date_gmt":"2024-11-26T12:40:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129073"},"modified":"2024-11-26T09:40:30","modified_gmt":"2024-11-26T12:40:30","slug":"tragedia-em-al-vivemos-um-luto-coletivo-diz-moradora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129852","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia em AL: \u201cvivemos um luto coletivo\u201d, diz moradora\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>A dor tomou os olhares dos moradores de Uni\u00e3o dos Palmares (AL), que vivem o luto coletivo ap\u00f3s a morte de 18 pessoas em um acidente com \u00f4nibus na Serra da Barriga, local considerado hist\u00f3rico para o Brasil e sagrado para religi\u00f5es de matriz africana. As outras 30 pessoas embarcadas no ve\u00edculo est\u00e3o feridas. Os passageiros no \u00f4nibus da prefeitura visitariam o ponto mais alta da serra. A religiosa M\u00e3e Neide Oy\u00e1 D\u00b4Oxum, de 62 anos, moradora h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas na regi\u00e3o, tem um restaurante pr\u00f3ximo ao local do acidente e testemunha que a cidade est\u00e1 profundamente abalada&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1621198&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1621198&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos vivendo um luto coletivo em um solo sagrado onde as pessoas v\u00e3o reverenciar nossos ancestrais. Entendo que foi uma fatalidade. Esse projeto de visita \u00e0 serra tem dado muita visibilidade ao Quilombo dos Palmares e pertencimento \u00e0s pessoas que lutam pela causa negra\u201d. Ela explica que, de fato, o percurso requer aten\u00e7\u00e3o e os motoristas fazem o trajeto com velocidade baixa para que se contemple a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f4nibus transportava pessoas que chegariam ao plat\u00f4 da Serra da Barriga para visitar&nbsp;o local hist\u00f3rico e considerado sagrado. Isso porque a prefeitura local promove o projeto \u201cP\u00f4r do Sol na Serra\u201d e fornece o \u00f4nibus para a visita. A cidade estava mais movimentada por causa das celebra\u00e7\u00f5es do 20 de novembro, Dia da Consci\u00eancia Negra. A Pol\u00edcia Civil investiga se o ve\u00edculo estava em condi\u00e7\u00f5es para o servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor Cl\u00e9bio Correia, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), as organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro est\u00e3o profundamente abaladas com a trag\u00e9dia. \u201cEsse 20 de novembro foi, pela primeira vez, um feriado nacional. Todo o estado de Alagoas est\u00e1 de luto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora do Instituto Ra\u00edzes de \u00c1fricas, Ar\u00edsia Barros, tamb\u00e9m lamentou o acidente e lembrou que j\u00e1 teve medo das condi\u00e7\u00f5es da estrada. \u201cUma vez, o carro em que est\u00e1vamos rodopiou na pista, quando era estrada de barro\u201d. O asfaltamento foi feito em 2019.&nbsp; \u201cEsse \u00e9 o caminho di\u00e1rio de estudantes que descem para escola\u201d, alertou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ajuda da popula\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O som das ambul\u00e2ncias e os relatos que chegavam de um acidente na Serra da Barriga fizeram com que a jornalista alagoana Rayane Silva, de 27 anos, moradora de Uni\u00e3o dos Palmares (AL), sa\u00edsse correndo de casa. Ela pegou garrafas de \u00e1gua e se disponibilizou a&nbsp;ajudar no resgate das v\u00edtimas do \u00f4nibus que despencou em uma ribanceira. \u201cMuita gente da cidade foi at\u00e9 l\u00e1 para ajudar os bombeiros\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstava tudo muito ca\u00f3tico\u201d. Ela entende que a popula\u00e7\u00e3o foi fundamental para ajudar no resgate. Rayane explica que se trata de uma regi\u00e3o de mata fechada e&nbsp;terreno muito \u00edngreme. \u201cEra muita pedra e estava bem escorregadio. As pessoas estavam sendo retiradas na m\u00e3o e colocadas em macas com a ajuda da popula\u00e7\u00e3o. Geralmente, seis ou sete pessoas carregavam v\u00edtima por v\u00edtima. N\u00e3o tenho ideia de quantas pessoas eu socorri\u201d, testemunha a moradora que chegou ao local do acidente por uma estrada na parte mais baixa da serra.<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista explica que, inicialmente, o resgate ocorria subindo com as v\u00edtimas. Depois, foram encaminhadas para uma estrada vicinal mais pr\u00f3xima de onde o \u00f4nibus caiu. \u201cConfesso que depois que passou a situa\u00e7\u00e3o, eu fui assimilando direito que eram as pessoas. Foi muito chocante. Eu me recordo de um rapaz que reconheceu o corpo da irm\u00e3. Ele ficou sentado ao lado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rayane chegou a conversar com um guia tur\u00edstico que estava no \u00f4nibus e desceu do ve\u00edculo segundos antes de o \u00f4nibus ficar descontrolado e descer de r\u00e9 pela mata. \u201cEle me relatou que&nbsp;quando o \u00f4nibus estava subindo a serra, todos escutaram um barulho como de uma mangueira estourando. O motorista (que morreu) parou o \u00f4nibus e pediu para o pessoal descer. Quando ele abriu a porta, esse rapaz foi o primeiro e \u00fanico a descer\u201d.&nbsp;Ela tamb\u00e9m testemunhou o resgate de uma gestante que teve o filho no Hospital da Mata no pr\u00f3prio domingo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Patrim\u00f4nio<\/h2>\n\n\n\n<p>Localizada no munic\u00edpio de Uni\u00e3o dos Palmares, Zona da Mata do estado de Alagoas, a Serra da Barriga abrange \u00e1rea de aproximadamente 27,92 quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) e figura, desde 2017, como patrim\u00f4nio cultural brasileiro inscrito no Livro do Tombo Hist\u00f3rico e no Livro do Tombo Arqueol\u00f3gico, Etnogr\u00e1fico e Paisag\u00edstico desde 1986. Em maio de 2017, a comunidade recebeu ainda o t\u00edtulo de patrim\u00f4nio cultural do Mercosul.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Centro de Cultura e Estudos \u00c9tnicos Anaj\u00f4, entidade vinculada \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Cultural Agentes de Pastoral Negros do Brasil, as v\u00edtimas seguiam para o Parque Memorial Quilombo dos Palmares para acompanhar o p\u00f4r do sol.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLamentamos ainda mais que essa trag\u00e9dia marque o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra com extrema tristeza e dor, num territ\u00f3rio de tanta import\u00e2ncia hist\u00f3rica\u201d, escreveu o movimento em nota de pesar. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, tamb\u00e9m destacou o impacto para a regi\u00e3o. \u201cEm um m\u00eas t\u00e3o importante para todo o pa\u00eds, da Consci\u00eancia Negra, sobretudo para a regi\u00e3o do Quilombo dos Palmares, essa trag\u00e9dia nos entristece ainda mais profundamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Paisagem<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), ainda no s\u00e9culo 18, estabeleceu-se, na Serra da Barriga, no Quilombo dos Macacos, a sede do Quilombo dos Palmares. \u201cNa paisagem natural e edificada, observa-se, ainda, grande quantidade de palmeiras que, segundo historiadores, deram origem ao nome Palmares\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as caracter\u00edsticas da Serra da Barriga est\u00e3o nascentes que alimentam um a\u00e7ude e uma lagoa, denominada Lagoa dos Negros \u2013 segundo o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), um dos lugares considerados sagrados pela comunidade, onde religiosos de matriz africana fazem&nbsp;rituais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Quilombo dos Palmares representa um marco na luta dos escravos no Brasil. Tal processo diz respeito aos ancestrais africanos que se manifestam nas formas imateriais de suas religi\u00f5es, seus deuses, mitos, objetos sagrados de cultos, artefatos de uso cotidiano, alimentos, express\u00f5es culturais e alguns espa\u00e7os geogr\u00e1ficos mantidos por seus descendentes como locais sagrados ou de preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria das pessoas negras trazidas da \u00c1frica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dor tomou os olhares dos moradores de Uni\u00e3o dos Palmares (AL), que vivem o luto coletivo ap\u00f3s a morte de 18 pessoas em um acidente com \u00f4nibus na Serra da Barriga, local considerado hist\u00f3rico para o Brasil e sagrado para religi\u00f5es de matriz africana. As outras 30 pessoas embarcadas no ve\u00edculo est\u00e3o feridas. 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