{"id":129848,"date":"2024-11-25T14:14:11","date_gmt":"2024-11-25T17:14:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129047"},"modified":"2024-11-25T14:14:11","modified_gmt":"2024-11-25T17:14:11","slug":"metade-das-escolas-brasileiras-descumpre-lei-antirracista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129848","title":{"rendered":"Metade das escolas brasileiras descumpre lei antirracista"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, uma lei tornou obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e da cultura afro-brasileira&nbsp;nas escolas p\u00fablicas e privadas de todo pa\u00eds. S\u00f3 que aplicar o que a legisla\u00e7\u00e3o determina ainda \u00e9 desafiador.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1621155&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1621155&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o mostrou que, entre 2019 e 2021, metade das escolas desenvolveu algum projeto sobre rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais. Quando se fala em educa\u00e7\u00e3o continuada, o quadro \u00e9 mais grave: 14,7% dos gestores escolares disseram ter materiais pedag\u00f3gicos ou socioculturais para ensinar a disciplina. Para completar, havia apenas 0,92% dos professores com forma\u00e7\u00e3o adequada sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande problema, j\u00e1 que ignorar a hist\u00f3ria e a cultura dos negros \u00e9 ignorar a hist\u00f3ria e a cultura de 56% dos brasileiros. E por que implementar a Lei 10.639\/2003 \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe voc\u00ea me perguntar como pesquisadora, eu digo: coordena\u00e7\u00e3o federativa. Num pa\u00eds t\u00e3o grande como o nosso, com desigualdades t\u00e3o significativas, voc\u00ea precisa de uma coordena\u00e7\u00e3o forte do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para colocar todas as redes na mesma p\u00e1gina e ajud\u00e1-las a implementar a pol\u00edtica\u201d, responde a secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Diversidade e Inclus\u00e3o do MEC, Zara Figueiredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a secret\u00e1ria, essa implementa\u00e7\u00e3o da lei ser\u00e1, de fato, feita a partir deste ano, com o lan\u00e7amento da Pol\u00edtica Nacional de Equidade, Educa\u00e7\u00e3o para as Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-raciais e Educa\u00e7\u00e3o Escolar Quilombola.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s ofertamos, s\u00f3 este ano, 215 mil vagas de forma\u00e7\u00e3o de professores. Al\u00e9m disso, tem o material de apoio. N\u00f3s encaminhamos, para centenas de redes, o livro do professor e o livro do aluno (com conte\u00fado antirracista) para os anos iniciais e finais do ensino fundamental\u201d, complementa a secret\u00e1ria do MEC.<\/p>\n\n\n\n<p>Medidas importantes, de acordo com os especialistas, afinal, as marcas do racismo na escola n\u00e3o se apagam nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu lembro de ter sido posta de castigo no fundo da sala \u2013 e eu fui a \u00fanica colocada l\u00e1, embora a turma toda tivesse fazendo bagun\u00e7a \u2013 e fiquei ali at\u00e9 urinar na roupa\u201d, conta a professora Gina Vieira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs piadas de cunho \u00e9tnico-racial geralmente eram direcionadas a mim. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o sabia nomear essas viol\u00eancias, mas sempre houve um desconforto\u201d, revela a tamb\u00e9m professora Keila Vila Flor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu estudei numa escola particular e nessa escola tinha as classes A e B. A classe B era a das crian\u00e7as que n\u00e3o aprenderiam com tanta rapidez como as da classe A. E as crian\u00e7as nessa classe B eram negras\u201d, recorda outra professora, a Paula Jana\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim mesmo, h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es. O&nbsp;<em>Caminhos da Reportagem<\/em>&nbsp;buscou exemplos no Distrito Federal e em Salvador. Na capital do pa\u00eds, o projeto Cresp@s &amp; Cachead@s tem como ponto de partida recuperar a autoestima dos estudantes negros. J\u00e1 na capital da Bahia, o programa mostra a&nbsp;escola Maria Felipa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste na escola um projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico de valoriza\u00e7\u00e3o dos diferentes marcos civilizat\u00f3rios do nosso povo, ent\u00e3o a gente leva para o curr\u00edculo a cultura africana, a cultura ind\u00edgena e a cultura europeia em grau de igualdade de paridade. O que isso significa? Significa que eu n\u00e3o vou levar a cultura europeia para escola na matem\u00e1tica, na filosofia, na hist\u00f3ria e vou levar a cultura africana apenas na capoeira e no samba. Ent\u00e3o, \u00e9 levar a cultura africana na hist\u00f3ria, na matem\u00e1tica, na ci\u00eancia. E o mesmo \u00e9 feito para a cultura ind\u00edgena\u201d, explica a idealizadora da escola, B\u00e1rbara Carine.<\/p>\n\n\n\n<p>Vencedor do Pr\u00eamio Jabuti com o livro&nbsp;<em>O avesso da pele<\/em>&nbsp;e alvo de censura em, pelo menos, quatro estados do pa\u00eds, o escritor Jeferson Ten\u00f3rio afirma que a discuss\u00e3o do racismo dentro da escola \u00e9 importante&nbsp; &#8220;\u00c9&nbsp;preciso ter uma responsabilidade \u00e9tica: me preocupar com os problemas dos outros e n\u00e3o s\u00f3 com os meus. \u00c9 colocar tamb\u00e9m o racismo numa dimens\u00e3o em que o aluno perceba que n\u00e3o existe democracia enquanto houver racismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O epis\u00f3dio As Marcas do Racismo na Escola&nbsp;vai ao ar nesta segunda-feira (25), \u00e0s 23h, na&nbsp;<strong>TV Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, uma lei tornou obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e da cultura afro-brasileira&nbsp;nas escolas p\u00fablicas e privadas de todo pa\u00eds. S\u00f3 que aplicar o que a legisla\u00e7\u00e3o determina ainda \u00e9 desafiador. Uma pesquisa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o mostrou que, entre 2019 e 2021, metade das escolas desenvolveu algum projeto sobre rela\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":130090,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[11],"class_list":{"0":"post-129848","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-destaque"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/129848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=129848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/129848\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/130090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=129848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=129848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=129848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}