{"id":129655,"date":"2024-11-01T13:52:41","date_gmt":"2024-11-01T16:52:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=128470"},"modified":"2024-11-01T13:52:41","modified_gmt":"2024-11-01T16:52:41","slug":"enem-cursos-populares-sao-oportunidade-para-alunos-de-baixa-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129655","title":{"rendered":"Enem: cursos populares s\u00e3o oportunidade para alunos de baixa renda"},"content":{"rendered":"\n<p>No pr\u00f3ximo domingo (3), o&nbsp;Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) aplicar\u00e1 o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), em 1.753 munic\u00edpios de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. A edi\u00e7\u00e3o deste ano teve mais de 4,3 milh\u00f5es de inscritos, sendo 1,6 milh\u00e3o deles concluintes do ensino m\u00e9dio.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1617938&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1617938&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 candidatos que enfrentam in\u00fameras dificuldades para participar do exame, que \u00e9 uma das principais portas para o ensino superior, sen\u00e3o a \u00fanica, como acontece em alguns casos. Este ano, por exemplo, mais de 65 mil pessoas solicitaram atendimento especializado para realizar o teste, das quais a maioria, cerca de 30 mil, t\u00eam d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Outras&nbsp;8.622 t\u00eam baixa vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudantes de todo o Brasil aguardam com ansiedade a chegada do Enem, e um grupo, em especial, acredita que \u00e9 a sua chance de ter acesso \u00e0 universidade: os de fam\u00edlia de baixa renda, que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar por aulas preparat\u00f3rias e encontram no cursinho popular uma sa\u00edda. A desigualdade social impregna tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando j\u00e1 no ensino b\u00e1sico, no qual alunos com maior renda podem estudar em escolas privadas e contar, muitas vezes, com um ensino de qualidade muito superior \u00e0 encontrada na rede p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>No estado de S\u00e3o Paulo, 302.392 dos estudantes que ir\u00e3o prestar a prova est\u00e3o concluindo o ensino m\u00e9dio na rede p\u00fablica.&nbsp;Eles representam quase 80% do total de candidatos com esse perfil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Universidade p\u00fablica como vetor<\/h2>\n\n\n\n<p>Os professores da&nbsp;<a href=\"https:\/\/epufabc.proec.ufabc.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Escola Preparat\u00f3ria da UFABC<\/a>&nbsp;t\u00eam de auxiliar cerca de 600 estudantes a estarem prontos para o Enem, anualmente. O cursinho surgiu h\u00e1 15 anos, por iniciativa de alunos da universidade e passou a ter o professor Leonardo Jos\u00e9 Steil entre seus docentes quando ele o percebeu como uma oportunidade de entrar no mundo da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Qu\u00edmico de forma\u00e7\u00e3o, fez carreira acad\u00eamica, mas encerrado em laborat\u00f3rios, Steil foi aprovado no concurso para docente da UFABC e precisou pensar sobre atividades de extens\u00e3o. Foi quando alunos&nbsp;da gradua\u00e7\u00e3o o contataram, perguntando se toparia se juntar a eles para colocar o projeto em pr\u00e1tica. A inten\u00e7\u00e3o era, como toda atividade dessa natureza, trazer a comunidade do entorno da universidade para dentro dela, o que de fato aconteceu, uma vez que as aulas s\u00e3o dadas dentro da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essa oportunidade acabou, inclusive, mudando toda minha hist\u00f3ria de vida, minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica. Hoje em dia, eu fa\u00e7o pesquisa de ensino, na \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o de professores. Estou fazendo pedagogia agora, pela Univesp [Universidade Virtual do Estado de S\u00e3o Paulo], porque senti necessidade de ter uma base pedag\u00f3gica. Para mim, foi muito importante ter esse encontro, esse convite&#8221;, afirma ele, que iniciou o curso de pedagogia aos 44 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do projeto, os organizadores tiveram que fazer mais esfor\u00e7o para divulg\u00e1-lo, visitando escolas e alimentando redes sociais. Com o tempo, por\u00e9m, a procura come\u00e7ou a ser org\u00e2nica, com interessados chegando a ele, at\u00e9 a pandemia&nbsp;de covid-19, per\u00edodo em que o cursinho sofreu, como outros espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, impactos e o impeliram a retomar os canais de divulga\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A procura por continuar os estudos, aprofund\u00e1-los, fazer uma educa\u00e7\u00e3o continuada tem diminu\u00eddo. Ent\u00e3o, o n\u00famero de candidatos de vestibulares, que fazem o Enem foi diminuindo. Em 2023, voltou a crescer. Agora em 2024, tamb\u00e9m. E a gente espera que isso tenha sido um momento dif\u00edcil para todo mundo e que se recupere o interesse por estudar&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme ressalta o professor, o cursinho acaba tendo diversos fins, podendo at\u00e9 melhorar a autoestima dos estudantes. &#8220;Todos os cursinhos populares trabalham no refor\u00e7o escolar, mas tamb\u00e9m em outros aspectos, como projeto de vida dos estudantes, autoimagem. E tudo isso acaba sendo fundamental n\u00e3o s\u00f3 para o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas para a perman\u00eancia do aluno, porque entrar em uma universidade p\u00fablica, de qualidade, \u00e9 um processo dif\u00edcil, mas conseguir um diploma nessa universidade \u00e9 mais dif\u00edcil. Mais do que um projeto de acesso ao ensino superior, \u00e9 de perman\u00eancia no ensino superior&#8221;, explica Steil.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos fatores que mais contribuem para aumentar a confian\u00e7a que os estudantes t\u00eam em si mesmos \u00e9 a origem dos professores que lecionam na Escola Preparat\u00f3ria da UFABC: grande parte deles j\u00e1 esteve &#8220;do outro lado do balc\u00e3o&#8221;, ou seja, j\u00e1 foi aluno do cursinho e hoje&nbsp;estuda, em cursos de gradua\u00e7\u00e3o ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, em universidades p\u00fablicas. O coordenador garante que, mesmo diante de salas com 100 alunos, os alunos se sentem acolhidos porque sempre acabam se identificando com o jeito e a hist\u00f3ria de algum professor em particular, o que faz com que acreditem mais no seu pr\u00f3prio potencial. &#8220;Eles reconhecem naquele professor algu\u00e9m que \u00e9 como eles e conseguiu superar essa etapa de entrar no ensino superior&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sonhos moldados<\/h2>\n\n\n\n<p>Aspirante a economista, a jovem negra \u00c9rika Gonzaga, de 18 anos, reside no bairro da Penha, zona leste, com dez pessoas de sua fam\u00edlia materna, sendo a metade de crian\u00e7as, todas criadas por suas m\u00e3es solo. Seus pais biol\u00f3gicos trabalharam a vida toda sem carteira assinada, isto \u00e9, na informalidade, e sem pisar em uma universidade, mas uma dessas mulheres com quem divide o teto rompeu o ciclo invis\u00edvel de injusti\u00e7a e opress\u00e3o e conquistou o diploma universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi um movimento na fam\u00edlia, todo mundo contribu\u00eda. Ela conseguiu bolsa de 50%, fazendo uma prova da pr\u00f3pria faculdade, e esses outros 50%, as outras mulheres se juntavam para pagar. Na \u00e9poca, ela trabalhava e conseguia pagar uma parte e, quando n\u00e3o conseguia, todo mundo ajudava. A irm\u00e3 dela tem ensino superior [incompleto], mas n\u00e3o conseguiu manter, porque era particular a faculdade e acabou largando, nunca mais voltou. Foi como um&nbsp;<em>test drive&nbsp;<\/em>e acabou seguindo. Hoje ela \u00e9 empreendedora&#8221;, compartilha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9rika fez praticamente todo o ensino b\u00e1sico &#8211; fundamental e m\u00e9dio &#8211; em uma escola privada, onde tinha uma bolsa de 80%, que durou at\u00e9 o \u00faltimo ano, quando teve que sair da institui\u00e7\u00e3o, pela perda do desconto na mensalidade. No per\u00edodo em que morou com sua m\u00e3e biol\u00f3gica, que prestava servi\u00e7os de&nbsp;<em>coffee break&nbsp;<\/em>e distribui\u00e7\u00e3o de brindes, a dedica\u00e7\u00e3o aos estudos encolheu, por ter tido que apoi\u00e1-la na \u00e1rea profissional, exercendo as fun\u00e7\u00f5es de copeira e gar\u00e7onete.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando marcam [o servi\u00e7o de&nbsp;<em>coffee break<\/em>], normalmente \u00e9 para a manh\u00e3. Ent\u00e3o, ela n\u00e3o tinha ningu\u00e9m e eu acabava faltando as aulas, porque minha bolsa era para o per\u00edodo da manh\u00e3 e eu n\u00e3o conseguia estudar direito. Quando precisei sair da escola particular, j\u00e1 estava em defasagem, por causa do trabalho&#8221;, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7ou a pensar sobre o que queria para sua vida profissional, diversas op\u00e7\u00f5es, como Hist\u00f3ria, surgiram na mente de \u00c9rika. Ela, contudo, acabou optando por concorrer a uma vaga no curso de Economia, pela maior probabilidade de aprova\u00e7\u00e3o e de conseguir um emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>A jovem, que tem fortalecido sua seguran\u00e7a para a prova com a ajuda do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cursinhodovito.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cursinho Vito Giannotti<\/a>, na Pra\u00e7a da \u00c1rvore, comenta que diversas colegas, tamb\u00e9m negras, usaram o mesmo crit\u00e9rio para a escolha, sentindo-se pressionadas a ignorar voca\u00e7\u00f5es. Outro aspecto abordado por \u00c9rika diz respeito \u00e0 prefer\u00eancia de muitos de seu c\u00edrculo social pelo ingresso em institui\u00e7\u00f5es de ensino particulares e, simultaneamente, a manuten\u00e7\u00e3o de um emprego que as permita pagar a mensalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o s\u00f3 a quest\u00e3o do mercado de trabalho, mas tamb\u00e9m por n\u00e3o se sentir capaz mesmo. A maioria das pessoas ao meu redor acabaram desistindo ou mudando de op\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sempre falo que foi a maior sorte ter podido fazer o cursinho, porque \u00e9 justamente esse lugar de crescer, se organizar e ser acolhido. J\u00e1 estudava, mas l\u00e1 foi a grande base, minha grande virada. Ter um senso cr\u00edtico junto \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Eles dizem que n\u00e3o d\u00e3o aulas gratuitas por filantropia, e sim pela consci\u00eancia de classe, para se ocupar universidades p\u00fablicas.&nbsp;Organizar um coletivo, dar esse suporte acad\u00eamico, esse suporte cr\u00edtico, foi incr\u00edvel, a grande virada. N\u00e3o desisti da trajet\u00f3ria [do ingresso na universidade], que \u00e9 longa&#8221;, declara \u00c9rika.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O cursinho foi uma casa. Pretendo me formar e voltar para dar aula. \u00c9 uma comunidade que quero levar para a vida&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Morador do bairro de Guaianases, zona leste de S\u00e3o Paulo, o estudante Gabriel Padilha, de 20 anos, completou o ensino fundamental na rede p\u00fablica, em uma escola mais perto de casa, e fez o ensino m\u00e9dio em uma mais distante, que ficava a uma hora de \u00f4nibus de seu endere\u00e7o, no Tatuap\u00e9. Tamb\u00e9m aluno do Cursinho Vito Giannotti, ele testemunha diariamente a luta de sua irm\u00e3, de 22 anos, e sua tia, alunas de Direito, para resistir \u00e0 dupla jornada. S\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o a ingressar ou tentar ingressar em uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior, pois os mais velhos da fam\u00edlia pararam de estudar no ensino m\u00e9dio ou tiveram que parar de frequentar a escola nessa fase.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudante relata que a primeira, de 22 anos, j\u00e1 exerce a fun\u00e7\u00e3o de analista fiscal, que exige muita aten\u00e7\u00e3o, e a segunda precisa se deslocar, todos os dias, de Guaianases \u00e0 regi\u00e3o de Alphaville, mas ele mesmo tem uma rotina puxada. &#8220;Trabalho o dia inteiro, das 8h \u00e0s 18h, e depois eu tenho que sair correndo para o cursinho e chego em casa meia-noite. A\u00ed, acordo \u00e0s 6h para trabalhar. \u00c9 uma rotina muito cansativa&#8221;, diz ele,&nbsp;salientando que o dia a dia j\u00e1 abre desvantagens em rela\u00e7\u00e3o a jovens que somente se dedicam a estudar para o Enem.<\/p>\n\n\n\n<p>O jovem encontrou na F\u00edsica uma raz\u00e3o para seguir na linha da pesquisa acad\u00eamica e confirmou sua escolha, mais por combinar com seu desejo do que por ser uma \u00e1rea bastante demandada por empregadores, segundo ele. &#8220;Eu penso tamb\u00e9m na quest\u00e3o do mercado de trabalho, mas foi mais uma quest\u00e3o pessoal mesmo&#8221;, esclarece. &#8220;Antes, eu queria muito trabalhar com F\u00edsica, Astrof\u00edsica, principalmente alguma ag\u00eancia espacial, tipo a Nasa ou alguma chinesa que est\u00e1 crescendo bastante. Comecei a mudar um pouquinho e estou pensando mais em trabalhar com acelerador de part\u00edculas, de repente, na Unicamp [Universidade Estadual de Campinas].&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais pontos da prova do Enem \u00e9 o bloco de quest\u00f5es sobre fatos da atualidade, algo que requer que os estudantes se debrucem sobre os livros e apostilas, mas tamb\u00e9m acompanhem o que acontece no Brasil e no mundo. Para Gabriel Padilha, os aliados, nesse caso, s\u00e3o o&nbsp;<em>podcast<\/em>&nbsp;e o notici\u00e1rio tradicional. &#8220;\u00c9&nbsp;<em>podcast<\/em>&nbsp;e ler jornal, n\u00e3o assisto muito \u00e0 televis\u00e3o&#8221;, resume.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conte\u00fados da prova e pol\u00edtica no cursinho<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o coordenador&nbsp;pedag\u00f3gico do cursinho popular da Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Educadores e Professores das Universidades de S\u00e3o Paulo (Acepusp), o professor Renato Marques, na lista de perguntas sobre Hist\u00f3ria do Brasil, deve se destacar o per\u00edodo do pa\u00eds enquanto col\u00f4nia. &#8220;E, quanto a outras coisas gerais, idade moderna e Idade M\u00e9dia. Do ponto de Geografia, a parte que mais se destaca \u00e9 a de geopol\u00edtica, mas tamb\u00e9m entram espa\u00e7o agr\u00e1rio e espa\u00e7o urbano. Na Filosofia, a \u00eanfase maior, tanto no campo da filosofia antiga&#8221;, enumera ele, que atua na \u00e1rea de humanidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 a de que haja, ainda, quest\u00f5es sobre movimentos sociais, o papel do Estado e o conceito de cidadania. Em menor n\u00famero, dever\u00e3o aparecer perguntas sobre o tema cultura e sociedade. Indagado sobre a possibilidade de os estudantes terem que demonstrar mais conhecimentos sobre o sul global, o professor diz que sim. &#8220;A presen\u00e7a de uma leitura de mundo menos euroc\u00eantrica, menos voltada \u00e0 vis\u00e3o do dom\u00ednio do norte&#8221;, relaciona.<\/p>\n\n\n\n<p>O coordenador explica que o cursinho entende que \u00e9 sua obriga\u00e7\u00e3o fazer com que os alunos compreendam que o contexto socioecon\u00f4mico em que vivem \u00e9 algo complexo e resultado de desigualdades sociais que podem ser atenuadas por meio da luta coletiva. &#8220;O curso acaba tendo um papel pol\u00edtico, de fazer um despertar, uma tomada de consci\u00eancia no sentido de que essa condi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria em que est\u00e3o inseridos n\u00e3o acontece por acaso, n\u00e3o pode nunca ser naturalizada, que foi constru\u00edda. E que o nosso papel \u00e9 tentar oferecer condi\u00e7\u00f5es para que tenham ferramentas para fazer o enfrentamento&#8221;, opina ele, que tamb\u00e9m atribui valor \u00e0 partilha, com os alunos, de diversas dimens\u00f5es da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamira Paix\u00e3o, de 18 anos, frequenta o cursinho da Acepusp e tenta equilibrar os estudos, afazeres dom\u00e9sticos e os cuidados de seu irm\u00e3o de 2 anos, assumidos por ela quando a m\u00e3e tem que cumprir expediente presencial no Centro Cultural de S\u00e3o Paulo (CCSP) e seu padrasto, pai da crian\u00e7a, tamb\u00e9m est\u00e1 no trabalho. Apesar de jamais ter passado necessidade, ela sabe que a concorr\u00eancia no Enem acaba se tornando uma competi\u00e7\u00e3o desleal, com candidatos provenientes de escolas estruturadas e outros com mais obst\u00e1culos sociais a superar e egressos de escolas com um ensino mais fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu moro em um quintal em que moram minha av\u00f3, minha tia e eu. \u00c9 um pouco barulhento e \u00e9, \u00e0s vezes, dif\u00edcil de me concentrar. Ent\u00e3o, nesse per\u00edodo pr\u00f3ximo da prova, estou estudando no cursinho, ficando para as aulas da tarde&#8221;, diz ela, moradora de Pirituba, zona norte da capital, e que reduziu as aulas de dan\u00e7a de duas para uma vez por semana e come\u00e7ou a focar mais na prepara\u00e7\u00e3o para o Enem h\u00e1 um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e de Tamira j\u00e1 ergueu o canudo com o diploma, ap\u00f3s vencer a batalha e m\u00e3e solo que concilia o cotidiano com um emprego, e seu pai se formou no ano passado, em Log\u00edstica, com 44 anos de idade. Para ele, o que importava era ter um diploma na \u00e1rea em que j\u00e1 trabalha, diferentemente dela, que quer uma gradua\u00e7\u00e3o que proporcione realiza\u00e7\u00e3o profissional e pessoal. &#8220;O que eu queria realmente fazer \u00e9 medicina veterin\u00e1ria, mas a nota de corte \u00e9 muito alta. Estou segura de passar, mas voc\u00ea fica naquela de &#8216;h\u00e1 pessoas mais preparadas, que estudaram muito mais&#8217;. Ent\u00e3o, optei por Biologia, que tem uma nota de corte menor e tem a possibilidade de mudar de curso. Pensei muito em ter um emprego no futuro e tamb\u00e9m numa nota de corte que me deixe mais segura para passar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo domingo (3), o&nbsp;Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) aplicar\u00e1 o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), em 1.753 munic\u00edpios de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. A edi\u00e7\u00e3o deste ano teve mais de 4,3 milh\u00f5es de inscritos, sendo 1,6 milh\u00e3o deles concluintes do ensino m\u00e9dio. 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