{"id":129129,"date":"2024-10-24T16:13:32","date_gmt":"2024-10-24T19:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=128168"},"modified":"2024-10-24T16:13:32","modified_gmt":"2024-10-24T19:13:32","slug":"manguezais-tem-potencial-de-gerar-r-49-bilhoes-em-credito-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=129129","title":{"rendered":"Manguezais t\u00eam potencial de gerar R$ 49 bilh\u00f5es em cr\u00e9dito de carbono"},"content":{"rendered":"\n<p>Os manguezais brasileiros armazenam um estoque de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) avaliado em pelo menos R$ 48,9 bilh\u00f5es no chamado mercado de carbono. Esses ecossistemas marcam uma transi\u00e7\u00e3o entre ambientes marinhos e terrestres e apresentam \u00e1gua salobra \u2013 mistura da \u00e1gua salgada e doce.&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1616298&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1616298&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Esse valor \u00e9 estimado a partir de 1,9 bilh\u00e3o de toneladas de CO\u2082 armazenadas em 13.906 quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) ao longo da costa brasileira, \u00e1rea equivalente a nove cidades de S\u00e3o Paulo. O CO\u2082, tamb\u00e9m chamado de g\u00e1s carb\u00f4nico, \u00e9 um dos principais gases causadores do efeito estufa e contribui para aquecer a temperatura do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, manter o carbono estocado na vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de evitar o aquecimento da Terra. Indo al\u00e9m, \u00e9 uma forma de gerar riqueza a partir do mercado de carbono, que consiste na compra de cr\u00e9ditos para compensar passivos de polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, uma empresa que exerce atividade poluidora \u2013 petroleira ou sider\u00fargica, por exemplo \u2013 pode comprar cr\u00e9ditos de carbono como forma de compensar a polui\u00e7\u00e3o que ela provoca. Esses cr\u00e9ditos podem ser gerados pelos \u201cvendedores\u201d por meio de a\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o ambiental ou simplesmente pela manuten\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cr\u00e9dito de carbono equivale a uma tonelada de CO\u2082, tendo sido comercializado no Brasil a US$ 4,6 (R$ 25,85). Esse valor se refere ao mercado volunt\u00e1rio de carbono, praticado no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"128193\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-24-161039.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-128193\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"128196\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-24-161045.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-128196\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"128194\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-24-161051.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-128194\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"128192\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-24-161056.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-128192\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"128195\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-24-161105.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-128195\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"128197\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-24-161114.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-128197\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Em uma economia de baixo carbono estima-se que esse cr\u00e9dito pode ser negociado a US$ 100 (R$ 562), levando a valoriza\u00e7\u00e3o do estoque dos manguezais brasileiros para R$ 1,067 trilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por economia de baixo carbono, se entende um modelo de desenvolvimento em que a sociedade, governo e setor produtivo tenham a preocupa\u00e7\u00e3o de limitar as atividades que causam libera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera. Tecnologias limpas, sistemas inovadores e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para fontes de energia que n\u00e3o sejam baseadas em combust\u00edvel f\u00f3ssil s\u00e3o apontados como caminhos para se chegar a esse ideal.<\/p>\n\n\n\n<p>As economias nesse modelo de desenvolvimento negociam o carbono no mercado regulado (em vez do volunt\u00e1rio), que imp\u00f5e a obriga\u00e7\u00e3o de diminuir a libera\u00e7\u00e3o de CO\u2082 na atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e1lculo financeiro do potencial de mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atribu\u00eddo aos manguezais faz parte do estudo&nbsp;<em>Oceano sem Mist\u00e9rios: carbono azul dos manguezais<\/em>, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo projeto Cazul, ligado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Guardi\u00f5es do Mar. \u00c9 a primeira vez que uma pesquisa desse tipo \u00e9 feita em escala nacional.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/77YF2TAm6i1rpbLnGPpz-cXTvgQ=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/23\/_d6a0525-2_0.jpg?itok=eUh6lymE\" alt=\"Guapimirim (RJ), 16\/10\/2024 - Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no manguezal do Rio Macacu, que desagua na Ba\u00eda de Guanabara, na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara, na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapi-Mirim.  Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Guapimirim (RJ) Capivara (<em>Hydrochoerus hydrochaeris<\/em>) no manguezal do Rio Macacu, que desagua na Ba\u00eda de Guanabara, na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Guapi-Mirim &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lan\u00e7amento<\/h2>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-10\/comeca-nesta-segunda-16o-cop-da-biodiversidade-na-colombia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">levantamento foi lan\u00e7ado<\/a>&nbsp;durante a 16\u00aa Confer\u00eancia de Biodiversidade da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (COP 16), que ocorre at\u00e9 o dia 1\u00ba de novembro em Cali, na Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho cient\u00edfico e ambiental in\u00e9dito \u00e9 apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos do Grupo Botic\u00e1rio dedicada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.plataformacazul.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">plataforma Cazul<\/a>&nbsp;utilizou imagens de sat\u00e9lite e dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) para mapear as \u00e1reas de mangue no pa\u00eds.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/srG7pydnwUeY9bkTkhebEacEG1s=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/23\/dji_0066-2_0.jpg?itok=MuRwb9am\" alt=\"Mag\u00e9 (RJ), 15\/10\/2024 - \u00c1rea de manguezal, recuperada ap\u00f3s desastre ambiental, no Parque Natural Municipal Bar\u00e3o de Mau\u00e1, na margem da Ba\u00eda de Guanabara. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">\u00c1rea de manguezal recuperada ap\u00f3s desastre ambiental, no Parque Natural Municipal Bar\u00e3o de Mau\u00e1, na margem da Ba\u00eda de Guanabara &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p><br>O mapeamento revela que o Brasil tem manguezais em 16 dos 17 estados litor\u00e2neos, especialmente no Par\u00e1, Maranh\u00e3o e Amap\u00e1. O Rio Grande do Sul \u00e9 o \u00fanico estado do litoral brasileiro sem a presen\u00e7a de mangues.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o pa\u00eds s\u00e3o 300 munic\u00edpios com o ecossistema. A costa amaz\u00f4nica det\u00e9m a maior faixa cont\u00ednua de manguezais do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mais de 13 mil quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) de manguezais na costa posicionam o Brasil com 8% das \u00e1reas de mangue do mundo, perdendo apenas para a Indon\u00e9sia, que det\u00e9m 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo aponta que, nos \u00faltimos 27 anos, o estoque de carbono azul no Brasil se expandiu, em m\u00e9dia, 2,9 milh\u00f5es de toneladas por ano. Isso representa que o potencial do reservat\u00f3rio nacional no mercado de compensa\u00e7\u00e3o ambiental pode aumentar anualmente de R$ 75,2 milh\u00f5es (mercado volunt\u00e1rio) a R$ 1,6 bilh\u00e3o (cen\u00e1rio desej\u00e1vel em uma economia de baixo carbono).<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/24\/carbono-azul.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 24\/10\/2024 - Arte para a mat\u00e9ria Carbono azul. Arte\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carbono azul<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante o processo de respira\u00e7\u00e3o das plantas, a fotoss\u00edntese, as \u00e1rvores absorvem CO\u2082 da atmosfera. Parte do g\u00e1s volta ao ambiente externo, e o restante \u00e9 armazenado nos caules, troncos, galhos, ra\u00edzes e demais estruturas, tanto acima como abaixo do solo. Assim se forma o estoque de carbono que deixou de ser emitido na atmosfera. Em ecossistemas marinhos e costeiros, como os mangues, esse carbono \u00e9 conhecido como carbono azul.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/H4EFnbO4q5oJJEi4K2WwDUhjzgM=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/23\/_d6a1113_0.jpg?itok=8W9CxAJ2\" alt=\"Guapimirim (RJ), 16\/10\/2024 - A pesquisadora La\u00eds Oliveira, da Plataforma Cazul, na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara, na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapi-Mirim.  Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Guapimirim (RJ) &#8211; A pesquisadora La\u00eds Oliveira, da Plataforma Cazul, na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A pesquisadora La\u00eds Oliveira, l\u00edder executiva da plataforma Cazul, explica que a caracter\u00edstica do solo dos manguezais, formado por lama (tamb\u00e9m chamada de substrato), contribui para que a capacidade de sequestro de carbono seja at\u00e9 cinco vezes maior que a de outras florestas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa lama \u00e9 um sedimento superfino, tem pouco espa\u00e7o entre as part\u00edculas. Esse pouco espa\u00e7o faz com que tenha menos oxig\u00eanio, e esse menos oxig\u00eanio faz com que tudo se decomponha muito mais lentamente. Por se decompor mais lentamente, essa mat\u00e9ria org\u00e2nica demora mais a liberar carbono na atmosfera\u201d, detalha La\u00eds \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, durante uma expedi\u00e7\u00e3o no Parque Natural Municipal Bar\u00e3o de Mau\u00e1, em Mag\u00e9, na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, onde h\u00e1 iniciativas de conserva\u00e7\u00e3o de manguezais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente desmata essas \u00e1reas, al\u00e9m de perder esse estoque que est\u00e1 na biomassa sobre a superf\u00edcie, a gente perde tamb\u00e9m aquele que est\u00e1 armazenado no solo. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante manter as florestas em p\u00e9\u201d, adverte La\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comunidades tradicionais<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/NHf9Y09PwwWvnCFIo3XNfcHcLu8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/23\/_d6a0934_0.jpg?itok=7E7W6wxd\" alt=\"Guapimirim (RJ), 16\/10\/2024 - O bi\u00f3logo Pedro Belga, daONG Guardi\u00f5es do Mar, na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara, na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapi-Mirim.  Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Guapimirim &#8211; O bi\u00f3logo Pedro Belga, daONG Guardi\u00f5es do Mar, na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A pesquisadora acredita que a plataforma Cazul \u00e9 uma forma de fazer a sociedade conhecer melhor o valor do carbono azul. Ela defende que com o desenvolvimento do mercado de carbono, popula\u00e7\u00f5es que vivam e contribuam para a conserva\u00e7\u00e3o desses ecossistemas&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2024-10\/mangue-conservado-transforma-pescadores-em-guias-de-turismo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">devem ser beneficiadas pelos recursos gerados<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs comunidades mais afetadas pela atividade poluidora s\u00e3o as que mais precisam ser beneficiadas pelos recursos de pagamento de solu\u00e7\u00f5es ambientais e do cr\u00e9dito de carbono\u201d, diz La\u00eds Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela cita como exemplo o projeto U\u00e7\u00e1, da Guardi\u00f5es do Mar. U\u00e7\u00e1 \u00e9 um tipo de caranguejo encontrado nos manguezais: \u201ctem um mecanismo de pagamento de servi\u00e7os ambientais que beneficia diretamente a comunidade que faz o recolhimento de lixo das \u00e1reas de mangue da Baia de Guanabara\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Filho de pescadores, o fundador da ONG Guardi\u00f5es do Mar, Pedro Belga, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de recursos do mercado de carbono chegarem a comunidades tradicionais, como quilombolas, agricultores familiares, catadores de caranguejos, quebradeiras de coco, cai\u00e7aras e marisqueiros, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles s\u00e3o quem vivem no ambiente e do ambiente, daquele extrativismo no local. \u00c9 uma tend\u00eancia: os povos tradicionais est\u00e3o se organizando; f\u00f3runs est\u00e3o sendo criados. A Confrem \u00e9 um exemplo disso, para discutir esse mercado, que precisa chegar nessas pontas\u201d, afirma Pedro, se referindo \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas, Povos e Comunidades Tradicionais Extrativistas Costeiras e Marinha (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/comissaoresexmarinhadobrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Confrem<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>O fundador da Guardi\u00f5es do Mar critica a pr\u00e1tica do&nbsp;<em>greenwashing<\/em>, termo em ingl\u00eas utilizado para expressar a pr\u00e1tica enganosa de empresas que propagam iniciativas \u201cverdes\u201d, por\u00e9m sem a\u00e7\u00f5es efetivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas empresas precisam iniciar um processo de descarboniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comprar o cr\u00e9dito. \u00c9 preciso descarbonizar gradualmente\u201d, sugere.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/wEWVE1J2qXjqd74J8k5cQzQ3nZI=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/23\/_d6a9700-2_0.jpg?itok=96WFTHvO\" alt=\"Mag\u00e9 (RJ), 15\/10\/2024 - Caranguejo aratu-vermelho (Goniopsis cruentata) em manguezal na Piedade banhado pelo Rio Maj\u00e9, que desagua na Ba\u00eda de Guanabara. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Mag\u00e9 (RJ) &#8211; O caranguejo aratu-vermelho (<em>Goniopsis cruentata<\/em>) em manguezal na Piedade banhado pelo Rio Maj\u00e9, que desagua na Ba\u00eda de Guanabara &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Regulamenta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora La\u00eds, a divulga\u00e7\u00e3o do valor financeiro do estoque de carbono nos manguezais brasileiros funciona tamb\u00e9m como uma forma de fazer press\u00e3o pela regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de carbono no pa\u00eds:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 um est\u00edmulo. Acho que o Brasil est\u00e1 um pouco atrasado. A gente tem que fazer press\u00e3o.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de carbono no pa\u00eds tramita no Congresso Nacional. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/161961\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto de Lei 182\/2024<\/a>&nbsp;institui o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SBCE). A mat\u00e9ria j\u00e1 passou pela C\u00e2mara dos Deputados, onde foi aprovada em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe a gente conseguir chegar nisso \u00e9 bom, porque gera uma obriga\u00e7\u00e3o legal de compensa\u00e7\u00e3o desses poluidores, enquanto no mercado volunt\u00e1rio n\u00e3o tem essa obriga\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m, comparando com outros pa\u00edses que j\u00e1 t\u00eam mercado regulado, o valor estipulado para o cr\u00e9dito de carbono \u00e9 sempre mais alto que no mercado volunt\u00e1rio\u201d, observa La\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ber\u00e7\u00e1rios marinhos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/7ojJBbYGWI_tn4SA7Nh1l5FPQKc=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/23\/_d6a1643-2_0.jpg?itok=64G0cdHa\" alt=\"Mag\u00e9 (RJ), 16\/10\/2024 - A ocen\u00f3grafa Liziane Alberti, especialista em conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, com a Ba\u00eda de Guanabara ao fundo. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Mag\u00e9 (RJ) &#8211; A ocen\u00f3grafa Liziane Alberti, especialista em conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, com a Ba\u00eda de Guanabara ao fundo &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A ocean\u00f3grafa Liziane Alberti, especialista em conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade na Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio, apresenta outros fatores que evidenciam os manguezais como \u201cher\u00f3is da conserva\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo ela, o ecossistema atua como ber\u00e7\u00e1rio da vida marinha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCerca de 80% das esp\u00e9cies de peixes, crust\u00e1ceos e moluscos dependem desse ambiente em alguma fase de vida\u201d, assinala.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFuncionam tamb\u00e9m como escudos naturais, protegendo da eros\u00e3o, da tempestade e do aumento do n\u00edvel do mar. Tamb\u00e9m atuam como filtros poderosos, purificando e absorvendo poluentes e contribuindo para a qualidade da \u00e1gua\u201d, acrescentou Liziane \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, durante uma imers\u00e3o em \u00e1rea de manguezais na Praia de Piedade, em Mag\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento da Cazul indica que o Brasil j\u00e1 perdeu 25% da vegeta\u00e7\u00e3o original dos manguezais, sendo que 60% das perdas foram ocasionadas por a\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais amea\u00e7as para o ecossistema s\u00e3o o desmatamento para extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegetal e madeira; desenvolvimento urbano, como constru\u00e7\u00f5es indevidas; produ\u00e7\u00e3o de alimentos como arroz, palma e camar\u00e3o; pesca predat\u00f3ria, sem respeito ao per\u00edodo de defeso das esp\u00e9cies; polui\u00e7\u00e3o (res\u00edduos qu\u00edmicos, agrot\u00f3xicos, derramamento de \u00f3leo, lixo e esgoto); e aumento do n\u00edvel do mar, que diminui as \u00e1reas com condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 sobreviv\u00eancia dos manguezais.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o de 2024, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2024-01\/bndes-azul-tem-o-mar-como-centro-de-estrategia-de-desenvolvimento\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">BNDES lan\u00e7ou um fundo<\/a>&nbsp;para incentivar a conserva\u00e7\u00e3o de manguezais brasileiros, com investimentos pr\u00f3ximos de R$ 50 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os manguezais brasileiros armazenam um estoque de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) avaliado em pelo menos R$ 48,9 bilh\u00f5es no chamado mercado de carbono. Esses ecossistemas marcam uma transi\u00e7\u00e3o entre ambientes marinhos e terrestres e apresentam \u00e1gua salobra \u2013 mistura da \u00e1gua salgada e doce.&nbsp; Esse valor \u00e9 estimado a partir de 1,9 bilh\u00e3o de toneladas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":129563,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[24],"class_list":{"0":"post-129129","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-meio-ambiente","8":"tag-manchete"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/129129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=129129"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/129129\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/129563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=129129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=129129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=129129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}