{"id":128908,"date":"2024-10-07T14:21:51","date_gmt":"2024-10-07T17:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=127479"},"modified":"2024-10-07T14:21:51","modified_gmt":"2024-10-07T17:21:51","slug":"candidaturas-afro-religiosas-sao-reacao-a-violencia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=128908","title":{"rendered":"Candidaturas afro-religiosas s\u00e3o rea\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>Das 463.386 candidaturas registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas Elei\u00e7\u00f5es Municipais de 2024, 8.731 possuem um vi\u00e9s religioso. Dessas, apenas 284 (3,3%) est\u00e3o associadas a cren\u00e7as de matriz africana. Esse n\u00famero \u00e9 resultado de um estudo realizado pelo grupo de pesquisa Ginga, da Universidade Federal Fluminense (UFF), com base nos dados do TSE, nos perfis em redes sociais dos candidatos e em sites de not\u00edcias.&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1614720&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1614720&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLemos um levantamento feito a partir do banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre a identidade religiosa dos candidato e nos chamou a aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre candidaturas de matriz afro-brasileira\u201d, explica a coordenadora do Ginga e professora do Departamento de Antropologia da UFF, Ana Paula Mendes Miranda. \u201cRefizemos a an\u00e1lise, mas observamos tamb\u00e9m as fotos das pessoas candidatas dispon\u00edveis no portal do TSE e o perfil nas redes sociais dessas pessoas. Com isso, conseguimos localizar 284 candidaturas de religiosos de matriz africana em todo o Brasil, 21 a mais que o levantamento do TSE\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores, o&nbsp;crescimento do n\u00famero dessas candidaturas tem rela\u00e7\u00e3o direta ao aumento da viol\u00eancia enfrentada pelos terreiros. \u201cQuando analisamos o perfil desses candidatos, percebemos que est\u00e3o associados \u00e0 viol\u00eancia que os terreiros t\u00eam sofrido. As suas candidaturas s\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o a isso, no sentido de lutar por direitos\u201d, afirma a pesquisadora, que explica que, diferentemente da grande maioria dos&nbsp;candidatos cat\u00f3licos e evang\u00e9licos, esses postulantes&nbsp;n\u00e3o t\u00eam em suas plataformas pautas conservadoras sobre aborto ou g\u00eanero, por exemplo.&nbsp;\u201cEsse n\u00e3o \u00e9 o perfil&nbsp;dos candidatos afro-religiosos. O perfil desses candidatos, na maioria, \u00e9 de uma agenda de reivindica\u00e7\u00e3o de reconhecimento de direitos j\u00e1 previstos legalmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Miranda, tamb\u00e9m \u00e9 importante considerar que os religiosos de matriz africana s\u00e3o, no geral, muito resistentes \u00e0 vida pol\u00edtica. \u201cMuitos n\u00e3o querem fazer parte, acham que a religi\u00e3o tem que continuar apenas como uma tradi\u00e7\u00e3o, separada da vida p\u00fablica, mas a gravidade da viol\u00eancia fez com v\u00e1rios assumissem esse desafio. \u00c9 um cen\u00e1rio que, para mim, tem muito a ver com o agravamento dos conflitos religiosos no Brasil\u201d. Conforme informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC),&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/janeiro\/no-dia-nacional-de-combate-a-intolerancia-religiosa-mdhc-reforca-canal-de-denuncias-e-compromisso-com-promocao-da-liberdade-religiosa\">o pa\u00eds registrou 2.124 viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos relacionadas \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa ao longo de 2023<\/a>, 80% a mais que em 2022 (1.184), sendo as religi\u00f5es de matriz africana as mais afetadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Candidaturas afro-religiosas<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a pesquisadora explica que a principal preocupa\u00e7\u00e3o do estudo era entender por que os candidatos afro-religiosos optaram por se apresentar deixando expl\u00edcita a sua religi\u00e3o, seja pela vestimenta tradicional das religi\u00f5es de matriz africana ou pelo uso de termos como \u201cpai\u201d, \u201cm\u00e3e\u201d, \u201cbabalorix\u00e1\u201d, \u201cialorix\u00e1\u201d nos nomes de urna. \u201cO TSE n\u00e3o pergunta, ou pelo menos n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel publicamente na sua base de dados, qual a identidade religiosa dos candidatos\u201d, destaca. Ela alerta ainda para a prov\u00e1vel subnotifica\u00e7\u00e3o das candidaturas religiosas: \u201c\u00c9 poss\u00edvel que tenha muito mais candidaturas com vi\u00e9s religioso do que encontramos. Avaliamos apenas aquelas que usaram algum termo religioso como registro\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da aus\u00eancia de dados levantados pelo TSE sobre a religi\u00e3o dos candidatos, Miranda aponta para o aumento das candidaturas afro-religiosas a partir da an\u00e1lise do nome de urna e dos aspectos visuais utilizados pelos parlamentares. Durante as Elei\u00e7\u00f5es Municipais de 2020, a pesquisa&nbsp;<a href=\"https:\/\/religiaoepoder.org.br\/artigo\/iser-divulga-resultados-da-pesquisa-sobre-candidaturas-com-identidade-religiosa-nas-eleicoes-municipais-de-2020\/\">\u201cReligi\u00e3o e Voto: uma fotografia das candidaturas com identidade religiosa nas Elei\u00e7\u00f5es 2020\u201d<\/a>, do&nbsp;Instituto de Estudos da Religi\u00e3o (ISER), identificou 1.043 candidaturas com identidade religiosa em oito capitais brasileiras, sendo elas Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Bel\u00e9m e Goi\u00e2nia. Salvador, na Bahia, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foram as cidades com o maior n\u00famero de candidatos afro-religiosos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/JhAxrjy8Fyj0RehVADKjoZvt4J0=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/14\/captura_de_tela_2024-07-14_as_11.26.37-1.jpg?itok=Es55ewJc\" alt=\"Maric\u00e1-RJ- 14\/07\/2024 Terreiro de umbanda \u00e9 vandalizado em bairro de Maric\u00e1. Foto reprodu\u00e7\u00e3o Ax\u00e9 News\" title=\"Foto reprodu\u00e7\u00e3o Ax\u00e9 News\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Terreiro de umbanda \u00e9 vandalizado em bairro de Maric\u00e1. Foto reprodu\u00e7\u00e3o Ax\u00e9 News<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom base nos estudos que o Instituto de Estudos da Religi\u00e3o (ISER) fez da elei\u00e7\u00e3o passada, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que houve um aumento e que tamb\u00e9m houve uma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos estados\u201d. De acordo com o documento, apesar dos estados da Bahia (50), S\u00e3o Paulo (48) e Rio Grande do Sul (45) registrarem a maior quantidade de postulantes, o Rio de Janeiro passou por um aumento das candidaturas de matriz africana. Nos estados do Amap\u00e1, Roraima, Acre e Mato Grosso do Sul n\u00e3o foram identificados representantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso refor\u00e7a a nossa leitura de que a viol\u00eancia excessiva dirigida aos terreiros no Rio de Janeiro produziu uma rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Essa viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 antes, ela continua durante a campanha eleitoral. A elei\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 muito violenta, j\u00e1 tivemos v\u00e1rios candidatos assassinados, e n\u00e3o \u00e9 apenas a viol\u00eancia da morte, h\u00e1 tamb\u00e9m outras formas de viol\u00eancia\u201d, comenta. \u201cA presen\u00e7a desses candidatos incomoda. Isso \u00e9 um reflexo da intoler\u00e2ncia religiosa e do racismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caracter\u00edsticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Quanto ao aspecto visual, o estudo traz que a roupa tradicional usada nos terreiros faz parte da identidade dos religiosos, sendo, tamb\u00e9m, um demarcador de hierarquia. \u201cQuem \u00e9 da tradi\u00e7\u00e3o, quando observa o torso de uma pessoa, consegue identificar quantos anos de santo ela tem, qual o orix\u00e1 dela, consegue ler a pessoa. A roupa \u00e9 definidora da identidade do sujeito, n\u00e3o \u00e9 usada apenas para pedir votos. A pessoa usa aquela roupa no dia a dia dela. Muitos, inclusive, raramente usam roupas civis, ficam com aquela vestimenta o tempo todo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No estado do Rio de Janeiro, onde a pesquisa teve maior profundidade, foram identificadas 395 candidaturas religiosas, sendo 41 (10,4%) associadas a cren\u00e7as de matriz africana. Al\u00e9m da capital, as cidades de Niter\u00f3i, Duque de Caxias e S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti foram os munic\u00edpios que apresentaram mais concorrentes de terreiro. Do total, evang\u00e9licos somam 88,4% e os cat\u00f3licos 1,3% no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no Rio de Janeiro, o estudo avaliou a identidade racial e de g\u00eanero das candidaturas. A maioria dos afro-religiosos (83%) e dos evang\u00e9licos (70,5%) se autodeclaram negros (pretos ou pardos), enquanto 60% das candidaturas cat\u00f3licas se identificam como brancas. J\u00e1 quanto a identidade de g\u00eanero, a pesquisa destacou a predomin\u00e2ncia das candidaturas femininas entre o segmento de matriz africana, representando 63,4% do total. Entre os crist\u00e3os, os homens correspondiam a 71,1% dos candidatos evang\u00e9licos e \u00e0s cinco candidaturas cat\u00f3licas identificadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio da religi\u00e3o cat\u00f3lica, liderada totalmente por homens, as religi\u00f5es de matriz africana t\u00eam essa caracter\u00edstica de ter mulheres na lideran\u00e7a da religi\u00e3o. Isso tem a ver com a maneira como o catolicismo pensa a sua representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e religiosa\u201d, destaca a pesquisadora em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. \u201cApenas os padres atuam como lideran\u00e7as religiosas; as freiras t\u00eam um papel muito inferior na hierarquia religiosa\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto analisado foi a filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria dos postulantes. Diferente dos evang\u00e9licos, filiados a uma diversidade maior de partidos, os afro-religiosos apresentam maior proximidade com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e concentram as candidaturas em partidos progressistas, como Partido Socialista Brasileiro (17,1%), Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (14,6%) e Partido dos Trabalhadores (7,3%). \u201cNo levantamento, notamos um predom\u00ednio dos candidatos vinculados a partidos que chamamos de progressistas. Temos um predom\u00ednio da esquerda pela pauta que apresentam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Candidaturas crist\u00e3s<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das candidaturas de matriz africana, o estudo identificou 157 (1,8%) cat\u00f3licas e 8.290 evang\u00e9licas (94,9%). De acordo com Miranda, a preval\u00eancia das candidaturas evang\u00e9licas se trata de \u201cum projeto pol\u00edtico\u201d: \u201cH\u00e1 algumas denomina\u00e7\u00f5es que t\u00eam investido em uma rela\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Estou falando especificamente da Igreja Universal do Reino de Deus, que teve o seu bispo, Marcelo Crivella, como prefeito da cidade do Rio de Janeiro\u201d, exemplifica a coordenadora do Ginga. \u201cIsso \u00e9 um projeto pol\u00edtico. H\u00e1 alguns segmentos evang\u00e9licos que t\u00eam adotado isso como uma estrat\u00e9gia de crescimento, tanto no campo religioso quanto eleitoral. Se as previs\u00f5es estiverem corretas, at\u00e9 2030 o Brasil ser\u00e1 um pa\u00eds de maioria evang\u00e9lica, e n\u00e3o mais cat\u00f3lica. J\u00e1 h\u00e1 regi\u00f5es onde isso se inverteu\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse aumento acompanha tamb\u00e9m o crescimento do n\u00famero de evang\u00e9licos no pa\u00eds.&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/14244-asi-censo-2010-numero-de-catolicos-cai-e-aumenta-o-de-evangelicos-espiritas-e-sem-religiao\">De 2000 para 2010, a propor\u00e7\u00e3o de evang\u00e9licos passou de 15,4% para 22,2%,<\/a>&nbsp;enquanto a de cat\u00f3licos reduziu de 73,6% para 64,6%, conforme os resultados do Censo Demogr\u00e1fico 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Essa tend\u00eancia continua, como apontam informa\u00e7\u00f5es do instituto de pesquisas Datafolha, divulgadas em 2020. \u00c0 \u00e9poca, o levantamento trouxe que 50% dos brasileiros s\u00e3o cat\u00f3licos, 31% s\u00e3o evang\u00e9licos e 2% s\u00e3o umbandistas, candomblecistas ou de outra religi\u00e3o afro-brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/kmyx41Jm_QH1zEQm0NEU4ZFN4ao=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/25\/_dsc0415.jpg?itok=XX07SpWK\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 25\/05\/2024 \u2013 Marcha para Jesus 2024 acontece na Pra\u00e7a da Apoteose, na regi\u00e3o central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Marcha para Jesus 2024 acontece na Pra\u00e7a da Apoteose, na regi\u00e3o central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadora do Instituto de Estudos da Religi\u00e3o (ISER) e doutora em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Magali Cunha concorda que houve um aumento das candidaturas religiosas considerando o nome de urna, no entanto, ela chama a aten\u00e7\u00e3o para a identidade religiosa. \u201cNo que diz respeito ao nome de urna, houve um crescimento dos grupos evang\u00e9licos se sobrepondo bastante \u00e0s demais religi\u00f5es, por\u00e9m, se voc\u00ea olhar as elei\u00e7\u00f5es de 2020 e 2022, o nome de urna n\u00e3o \u00e9 vitorioso. Quem usa termos religiosos no nome de urna n\u00e3o \u00e9 mais eleito do que religiosos que n\u00e3o colocam a identidade no nome\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a identidade est\u00e1 muito al\u00e9m do t\u00edtulo religioso usado como apresenta\u00e7\u00e3o ou identifica\u00e7\u00e3o nas campanhas eleitorais. Mas, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, houve o crescimento de uma categoria gen\u00e9rica identificada como \u201ccrist\u00e3\u201d, que tem cada vez mais garantido candidaturas. \u201cS\u00e3o aqueles candidatos geralmente conservadores, de direita, que acionam essa identidade gen\u00e9rica crist\u00e3 para poder ter acesso tanto aos cat\u00f3licos quanto aos evang\u00e9licos\u201d, explica Cunha. \u201cEsses candidatos se apresentam como crist\u00e3os, e muito deles t\u00eam uma vincula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, seja cat\u00f3lica ou evang\u00e9lica, mas eles n\u00e3o apresentam essa especificidade e querem ser identificados com a f\u00e9 crist\u00e3 de forma gen\u00e9rica. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno recente que n\u00e3o identificamos a partir do nome de urna\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal efeito que se busca com essas candidaturas, afirma a pesquisadora do ISER \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, \u00e9 \u201ctrabalhar a emo\u00e7\u00e3o e o elemento da f\u00e9 presentes na cultura brasileira, dependente ou independentemente de uma vincula\u00e7\u00e3o religiosa mais estreita com algum grupo religioso\u201d. Para ela, os candidatos que acionam a f\u00e9 de modo gen\u00e9rico buscam construir uma rela\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o de forma mais ampla. Essa situa\u00e7\u00e3o se faz presente especialmente em cidades de pequeno porte e no interior dos estados, em que a religi\u00e3o ocupa boa parte do cotidiano da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 poucas oportunidades de express\u00e3o de lazer e de cultura nesses locais, ent\u00e3o, a religi\u00e3o acaba ocupando esse lugar. A pessoa dedica seu tempo ao trabalho e aos estudos e, quando ela n\u00e3o est\u00e1 nesse espa\u00e7o, est\u00e1 participando de atividades religiosas\u201d, observa. \u201cIsso \u00e9 hist\u00f3rico. No mundo crist\u00e3o que predomina no Brasil, a ocupa\u00e7\u00e3o do tempo com atividades religiosas no interior se d\u00e1 muito mais do que nas cidades. Essa situa\u00e7\u00e3o acaba tamb\u00e9m tendo maior influ\u00eancia na vis\u00e3o de mundo dessas pessoas, incluindo as quest\u00f5es pol\u00edticas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima, Cunha ressalta que essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o exclusivamente determinante na hora do voto: \u201cNem sempre a pessoa religiosa escolhe politicamente aquilo que est\u00e1 orientado pelo seu grupo religioso\u201d, diz. Um exemplo comentado foram as Elei\u00e7\u00f5es Gerais de 2022, em que, mesmo com toda mobiliza\u00e7\u00e3o religiosa a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, ele n\u00e3o saiu vitorioso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso significa que existe um eleitorado com determinada identidade religiosa, mas a pessoa na sua vida particular n\u00e3o \u00e9 apenas religiosa. Ela \u00e9 muitas outras coisas. Ela \u00e9 trabalhadora, desempregada, m\u00e3e, pai, heterossexual, homossexual, jovem ou idosa. Tudo isso comp\u00f5e a identidade da pessoa e vai pesar nas suas decis\u00f5es, n\u00e3o sendo necessariamente apenas a religi\u00e3o. Podemos falar ent\u00e3o em um eleitorado religioso, n\u00e3o em um voto religioso, porque isso n\u00e3o existe\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das 463.386 candidaturas registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas Elei\u00e7\u00f5es Municipais de 2024, 8.731 possuem um vi\u00e9s religioso. Dessas, apenas 284 (3,3%) est\u00e3o associadas a cren\u00e7as de matriz africana. 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