{"id":128903,"date":"2024-10-04T15:27:32","date_gmt":"2024-10-04T18:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=127462"},"modified":"2024-10-04T15:27:32","modified_gmt":"2024-10-04T18:27:32","slug":"curitiba-e-florianopolis-maior-acesso-a-politicas-publicas-e-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=128903","title":{"rendered":"Curitiba e Florian\u00f3polis: maior acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e9 desafio"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ae4kfHL-pUBOtAmocx_DBNW9HUs=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/19\/testeira_sua_cidade_seus_direitos.png?itok=h8Ve47F4\" alt=\"banner sua cidade seus direitos \" style=\"width:426px;height:auto\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Polos de empregos qualificados, com boa renda m\u00e9dia e pouco desemprego, Florian\u00f3polis e Curitiba destoam da m\u00e9dia dos munic\u00edpios e mesmo de outras capitais brasileiras na capacita\u00e7\u00e3o de&nbsp;m\u00e3o de obra, o que atrai empresas de tecnologia e vagas qualificadas. Isso eleva a press\u00e3o imobili\u00e1ria e as exig\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s infraestruturas para o tr\u00e2nsito e para pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o de igualdade que se somam \u00e0 pouca tradi\u00e7\u00e3o local de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de minorias, segundo especialistas ouvidos pela<strong>&nbsp;Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, e constituem temas importantes para a discuss\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1614313&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1614313&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A capital de Santa Catarina apresenta&nbsp;<a href=\"https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/brasil\/sc\/florianopolis\/panorama\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados econ\u00f4micos<\/a>&nbsp;que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a posicionam como um munic\u00edpio com boa receita bruta (35\u00aa&nbsp;do pa\u00eds, com R$ 3,3 bilh\u00f5es) e sal\u00e1rio m\u00e9dio de 4,4 sal\u00e1rios m\u00ednimos (d\u00e9cimo&nbsp;maior do pa\u00eds). De acordo com especialistas, um dos problemas \u00e9 a&nbsp;distribui\u00e7\u00e3o desses recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Universidade do Estado de Santa Catarina Daniel Moraes Pinheiro, os resultados positivos da cidade acentuam uma tend\u00eancia que j\u00e1 se observa no pa\u00eds como um todo, que \u00e9 a baixa taxa de renova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica municipal. Essa caracter\u00edstica de perpetua\u00e7\u00e3o de um&nbsp;grupo pol\u00edtico no poder&nbsp;diminui a permeabilidade das inst\u00e2ncias participativas a novas ideias e grupos sociais, o que contribui para seu resultado ruim no \u00cdndice de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Cidades (IDSC), do Instituto Cidades Sustent\u00e1veis, quando analisado o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) 5, de igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;[As] quest\u00f5es de equidade e inclus\u00e3o passam \u00e0 margem, pois n\u00e3o s\u00e3o prioridade desses grupos, e a representatividade fica abaixo de cidades com participa\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica. A gente [sociedade]&nbsp;passou muito tempo concentrando a ideia de democracia na elei\u00e7\u00e3o e esquece de perceber a import\u00e2ncia de acompanhar e ter voz nas discuss\u00f5es&#8221;, avalia Pinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Florian\u00f3polis ainda est\u00e1 longe de ser uma cidade refer\u00eancia na participa\u00e7\u00e3o de mulheres em cargos, n\u00e3o s\u00f3 vereadoras. A gente tem visto alguns avan\u00e7os, t\u00eam surgido algumas jovens lideran\u00e7as, o que acaba inspirando algumas mulheres a surgirem [no cen\u00e1rio pol\u00edtico], mas a pol\u00edtica ainda \u00e9 muito voltada para a figura masculina. A gente precisa mostrar a equidade como um valor, nessa e em outras pautas nacionais, como as de ra\u00e7a, um caminho exaustivo e com muitas barreiras&#8221;, completa o professor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Bc6yc1WU4Nwm9TWz2TYa1WM6K5I=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/03\/point-3101753_1280.jpg?itok=cft3pntz\" alt=\"Florian\u00f3polis-03\/10\/2024 Imagens da cidade de Florian\u00f3polis. Fotos Pixabay\" title=\"Fotos Pixabay\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Florian\u00f3polis, capital de Santa Catarina.&nbsp; &#8211;&nbsp;<strong>Fotos Pixabay<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Agencia Brasil<\/strong>, Pinheiro avalia&nbsp;que a discuss\u00e3o eleitoral para a pr\u00f3xima gest\u00e3o da ilha passa por dois eixos centrais. Um&nbsp;deles \u00e9 a infraestrutura de mobilidade, tema recorrente nas&nbsp;\u00faltimas elei\u00e7\u00f5es,&nbsp;piorado pelo fato de Florian\u00f3polis &#8220;importar&#8221; parte consider\u00e1vel de sua for\u00e7a de trabalho, que enfrenta jornadas exaustivas de transporte sem nem ao menos participar dos pleitos municipais, pois s\u00e3o moradores de munic\u00edpios vizinhos. O outro eixo \u00e9 a sa\u00fade, em que&nbsp;a discuss\u00e3o tem se centrado na fila de exames e na recente abertura de um hospital perto do est\u00e1dio municipal, com problemas cr\u00f4nicos de acesso em alguns dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor, essas duas quest\u00f5es est\u00e3o interligadas e &#8220;t\u00eam de ser pensadas transversalmente&#8221;. &#8220;\u00c9 uma capital que ainda que tem boa seguran\u00e7a e um bom n\u00edvel de qualidade de vida, mas onde os problemas est\u00e3o voltados para a vis\u00e3o do que \u00e9 uma cidade boa&#8221;, destaca ele, ao&nbsp;apontar um terceiro tema a ser considerado e&nbsp;que n\u00e3o tem sido debatido neste per\u00edodo eleitoral: a quest\u00e3o da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Pinheiro,&nbsp;Florian\u00f3polis \u00e9 uma cidade que atrai muitas pessoas, mas que n\u00e3o as acolhe. &#8220;N\u00e3o se discute a necessidade de se ter uma cidade mais inclusiva e acolhedora&nbsp;e que enfrenta quest\u00f5es como o aumento da popula\u00e7\u00e3o [em situa\u00e7\u00e3o] de rua. Tem come\u00e7ado a se discutir sobre interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, sem se explicar ao que ela leva, mas isso ainda est\u00e1 fora das discuss\u00f5es principais&#8221;, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor afirma que essa disparidade ir\u00e1 se concentrar no acesso \u00e0 sa\u00fade, que \u00e9 uma quest\u00e3o sens\u00edvel principalmente para as popula\u00e7\u00f5es de pretos, pardos e ind\u00edgenas,&nbsp;que enfrentam dificuldades para acessar a rede de atendimentos qualificados na cidade, inclusive especialidades. &#8220;Essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o \u00e0 margem, e isso precisa ser pensado pela \u00f3tica da equidade. Gestores precisam pensar em pol\u00edticas para permitir que essas popula\u00e7\u00f5es entrem, tenham acesso&#8221;, diz Pinheiro, para quem esse&nbsp;problema tamb\u00e9m est\u00e1&nbsp;relacionado aos entraves na pluralidade da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;A&nbsp;cidade tem se ocupado de grandes temas, a quest\u00e3o da sa\u00fade e das filas de exame tem preocupado, mas n\u00e3o se discute por exemplo quem \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 acessando, que est\u00e1 fora disso, ao menos [no pleito]&nbsp;para o Executivo. Neste momento, \u00e9 importante que a popula\u00e7\u00e3o debata, inclusive com os candidatos ao Legislativo, e a falta desse debate impede que se perceba que \u00e9 um problema da sociedade. N\u00e3o se debate, n\u00e3o se cria um olhar mais amplo e isso n\u00e3o se torna p\u00fablico&#8221;,&nbsp; acrescenta o professor.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do acesso \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m foi pontuada pelo professor Douglas Francisco Kovaleski, do Departamento de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gestor no Hospital Universit\u00e1rio da UFSC, uma das refer\u00eancias em atendimento de especialidades e emerg\u00eancia na capital catarinense. \u00c0 \u00e9poca da entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, na semana de 23 de setembro, ele havia participado de uma reuni\u00e3o do Conselho Municipal de Sa\u00fade da cidade. Segundo Kovaleski, a inst\u00e2ncia tem perdido sua capacidade propositiva, esvaziada pelas gest\u00f5es recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Florian\u00f3polis j\u00e1 foi, h\u00e1 uma d\u00e9cada, uma refer\u00eancia em atendimento b\u00e1sico, com cobertura para toda a popula\u00e7\u00e3o, mas a falta de investimentos tem diminu\u00eddo essa cobertura. A cidade era refer\u00eancia nacional, mas com a perda de efici\u00eancia na rede tem acumulado problemas como longas filas no atendimento secund\u00e1rio [pronto-socorro de hospitais, por exemplo],&nbsp;que deveria&nbsp;se destinar a atendimentos mais graves&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele,&nbsp;as gest\u00f5es mais recentes valorizam a privatiza\u00e7\u00e3o do atendimento em sa\u00fade, com menos investimento em centros menores e mais pr\u00f3ximos da popula\u00e7\u00e3o, o que tende a piorar esse cen\u00e1rio, enfraquecendo alternativas como a Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, na qual a cidade j\u00e1 foi refer\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/vSWGxxUxNmn0bajMFHZ_1alS1zY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/03\/santa-catarina-1548845_1280_1.jpg?itok=t7t5pqrV\" alt=\"Florian\u00f3polis-03\/10\/2024 Imagens da cidade de Florian\u00f3polis. Fotos Pixabay\" title=\"Fotos Pixabay\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Florian\u00f3polis, capital de Santa Catarina&nbsp;&#8211;&nbsp;<strong>Fotos Pixabay<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Solu\u00e7\u00f5es como a import\u00e2ncia do investimento conjunto com outras cidades da regi\u00e3o n\u00e3o t\u00eam sido debatidas nessa campanha, assim como o atendimento b\u00e1sico. O atendimento \u00e9 discutido nas campanhas em geral em termos gen\u00e9ricos. H\u00e1 proposta de abertura de novo hospital, no norte da ilha, mas isso n\u00e3o \u00e9 o principal. O investimento em estrat\u00e9gias que tiraram a prioridade da territorializa\u00e7\u00e3o pressionou a piora em \u00edndices de atendimento b\u00e1sico, como vacina\u00e7\u00e3o, dengue e afins&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A prioridade deveria ser reestruturar a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, em sua l\u00f3gica de atendimento direto, ligada ao territ\u00f3rio e n\u00e3o ao profissional. \u00c9 um caminho revers\u00edvel, em curto prazo, desde que seja considerada como prioridade no direcionamento, e \u00e9 vi\u00e1vel, pois a cidade \u00e9 pequena, com cerca de 500 mil habitantes, e tem uma rede com estrutura bem definida&#8221;, completa Kovaleski.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de discuss\u00f5es regionais tamb\u00e9m se reflete no que o professor da UFSC&nbsp;coloca como outro grande problema da cidade, na \u00e1rea de sa\u00fade, que \u00e9 a mobilidade urbana. A quest\u00e3o \u00e9 potencializada pela explora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, com valores elevados para aluguel e compra e forte influ\u00eancia do turismo sazonal, o que empurra&nbsp;a popula\u00e7\u00e3o para munic\u00edpios como S\u00e3o Jos\u00e9 e Palho\u00e7a, no continente, e para uma din\u00e2mica tamb\u00e9m citada por Pinheiro, de deslocamento maci\u00e7o pelas pontes. &#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de falta de planejamento urbano, com tarifa alta e pouco planejamento, que induz ao uso de transporte particular, o que \u00e9 ruim. Poucas candidaturas discutem alternativas, como a tarifa zero&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Curitiba<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Gw05sH4uN4RafKZN2srk8E4jJ6Q=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/03\/istockphoto-466487956-612x612.jpg?itok=4c__ZxJh\" alt=\"Curitiba-03\/10\/2024 Imagens da cidade de Curitiba. Fotos Pixabay\" title=\"Fotos Pixabay\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Curitiba, capital do Paran\u00e1 &#8211;&nbsp;<strong>Fotos Pixabay<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A capital paranaense tem bons \u00edndices de esgotamento sanit\u00e1rio e indicadores consistentes de acesso para saneamento e para urbaniza\u00e7\u00e3o na maior parte da cidade, o que acelerou um processo de valoriza\u00e7\u00e3o dos terrenos e moradias, com a lenta expuls\u00e3o das fam\u00edlias de menor renda. A&nbsp;economia local, segundo&nbsp;<a href=\"https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/brasil\/pr\/curitiba\/panorama\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados do IBGE<\/a>, tem a quinta maior receita bruta do pa\u00eds (R$ 11,997 bilh\u00f5es) e sal\u00e1rio m\u00e9dio de 3,6 sal\u00e1rios m\u00ednimos (43\u00ba&nbsp;maior do pa\u00eds).<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade \u00e9 a quarta maior na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, distribu\u00eddos para uma popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 a oitava do pa\u00eds, aproximando-se de 1,8 milh\u00e3o de&nbsp;habitantes. A presen\u00e7a de bols\u00f5es de pobreza em comunidades como Cidade Industrial, Cajuru e S\u00edtio Cercado pressiona a distribui\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria dos recursos e faz com que os \u00edndices de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade n\u00e3o acompanhem os bons resultados econ\u00f4micos, o que reflete em uma avalia\u00e7\u00e3o ruim nos ODS ligados a essa distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea educacional, Curitiba tem&nbsp;o&nbsp;\u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb)&nbsp;para anos iniciais em posi\u00e7\u00e3o ligeiramente melhor (6,0)&nbsp;do que o&nbsp;das outras capitais da Regi\u00e3o Sul. No entanto, o indicador n\u00e3o reflete as particularidades&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o ao acesso para pretos, pardos e ind\u00edgenas, como destaca o o&nbsp;professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR)&nbsp;Paulo Vinicius Batista da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0<strong>&nbsp;Ag\u00eancia Brasil,&nbsp;<\/strong>ele explica&nbsp;que h\u00e1 uma melhora gradual para o ensino fundamental, mas a cidade ainda&nbsp;enfrenta desafios para a perman\u00eancia estudantil no ensino m\u00e9dio, o que tem rela\u00e7\u00e3o com a entrada precoce de jovens no mercado de trabalho, reflexo da renda m\u00e9dia baixa das fam\u00edlias. Falta, segundo Silva, &#8220;uma corresponsabilidade, com maior rela\u00e7\u00e3o com a rede estadual&#8221; para diminuir a evas\u00e3o. O pesquisador destacou que o Ideb n\u00e3o indica de forma eficiente os problemas da rede, e que outros indicadores, como o sucesso ao atingir as metas do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o ruins por falta do financiamento necess\u00e1rio \u00e0 rede p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor, alguns anos atr\u00e1s havia uma esp\u00e9cie de maquiagem dos dados sociais da cidade, que desconsideravam&nbsp;a popula\u00e7\u00e3o em terrenos n\u00e3o legalizados. Com isso, o plano diretor de Curitiba foi concebido e seguido, mas n\u00e3o considerou as \u00e1reas chamadas pelo poder p\u00fablico municipal de invas\u00e3o, n\u00e3o por acaso aquelas nas quais a pobreza se concentrava, localizada nas regi\u00f5es industriais, ao sul da cidade. Tais \u00edndices poderiam ser ainda piores se consider\u00e1ssemos a din\u00e2mica metropolitana, pois a cidade apresenta uma diminui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no n\u00famero de matr\u00edculas, mesmo em escolas p\u00fablicas tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Curitiba se desenvolveu empurrando os trabalhadores para a regi\u00e3o metropolitana, pois seus eixos de desenvolvimento tornaram bairros prolet\u00e1rios&nbsp;bairros de classe m\u00e9dia, ao longo dos anos, devido aos eixos sa\u00edrem do munic\u00edpio, um tanto para a \u00e1rea ao norte, mais acess\u00edvel que a regi\u00e3o sul da cidade, que guarda algumas caracter\u00edsticas de regi\u00e3o rural. Isso reflete no debate sobre pol\u00edticas p\u00fablicas, que \u00e9 elitizado&#8221;, explica&nbsp;Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, esse debate diminui a import\u00e2ncia das pol\u00edticas intermunicipais e se reflete na discuss\u00e3o da quest\u00e3o educacional, relegada ao problema, cr\u00f4nico, de acesso a vagas nas creches. &#8220;V\u00e1rios candidatos prop\u00f5em aumento de vagas, mas isso \u00e9 limitado pela quest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria. Curitiba tem uma cobertura maior da rede p\u00fablica do que conveniada, em rela\u00e7\u00e3o a outros munic\u00edpios, mas a presen\u00e7a dessa rede indireta \u00e9 significativa e deveria, aos poucos, ser retirada&#8221;, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio pouco debatido \u00e9 como aumentar a atratividade da carreira docente, que tem sal\u00e1rios e planos de carreira pouco atrativos, o que tem esvaziado a rede. Outra quest\u00e3o a ser considerada \u00e9 a press\u00e3o, para os docentes, da terceiriza\u00e7\u00e3o, presente na rede estadual e que ronda a rede municipal, segundo a pesquisadora Let\u00edcia Mara, que \u00e9 doutora em educa\u00e7\u00e3o e pedagoga na UFPR e na rede municipal de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/2bLWP3RO_xfNdI71AF5IxvlIn_w=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/10\/03\/istockphoto-1481017889-612x612.jpg?itok=Y0zaO0zm\" alt=\"Curitiba-03\/10\/2024 Imagens da cidade de Curitiba. Fotos Pixabay\" title=\"Fotos Pixabay\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Curitiba, capital do Paran\u00e1 &#8211;&nbsp;<strong>Fotos Pixabay<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora considera que a rede municipal tem bons resultados e se destaca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais capitais, mesmo com condi\u00e7\u00f5es de trabalho piores do que as de uma d\u00e9cada atr\u00e1s. Como resultado, os docentes t\u00eam ido para redes pr\u00f3ximas, na pr\u00f3pria regi\u00e3o metropolitana, pois &#8220;a rede acaba n\u00e3o sendo atrativa para buscar profissionais&#8221;. &#8220;Se voc\u00ea n\u00e3o consegue recrutar e manter os professores que voc\u00ea tem, acaba comprometendo, pela rotatividade e precariedade, esse lugar de refer\u00eancia e a forma\u00e7\u00e3o, nesse processo de qualifica\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o continuada, que vem de muitos anos&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Let\u00edcia destacou tamb\u00e9m que a quest\u00e3o de acessibilidade \u00e9 presente na rede, principalmente para crian\u00e7as com dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o. Ela destaca que equipamentos mais recentes, como os centros municipais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (Cemeis), tem condi\u00e7\u00f5es melhores, com estruturas mais adaptadas \u00e0s defici\u00eancias, mas as escolas municipais, em geral, s\u00e3o muito antigas, com crescimento intenso nos anos 1970 e 1980 e redu\u00e7\u00e3o no ritmo de expans\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nessas escolas mais antigas n\u00e3o se tinha essa preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o existe um plano de acessibilidade que fa\u00e7a frente a esse investimento necess\u00e1rio. As escolas recebem esporadicamente recursos, inclusive de repasse federal, para pequenas obras de acessibilidade, mas isso fica muito aqu\u00e9m do que a gente precisa. N\u00e3o existe um plano de acessibilidade que encare essa quest\u00e3o como uma urg\u00eancia, e as a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas s\u00e3o muito pontuais&#8221;, pondera Let\u00edcia, ao apontar que o desafio tem se tornado mais urgente com o aumento da procura das fam\u00edlias pela&nbsp;educa\u00e7\u00e3o inclusiva em escola regular.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto importante e ignorado na discuss\u00e3o da inclus\u00e3o \u00e9 a regulariza\u00e7\u00e3o do atendimento pelos profissionais de apoio, categoria inexistente na rede municipal. O acompanhamento das crian\u00e7as com demandas espec\u00edficas advindas de defici\u00eancias \u00e9 feito por meio de conv\u00eanios, por estagi\u00e1rios, que criam um v\u00ednculo mais fr\u00e1gil com esse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Let\u00edcia Mara avalia&nbsp;que a campanha eleitoral n\u00e3o aprofunda o debate p\u00fablico sobre educa\u00e7\u00e3o, e eventuais mudan\u00e7as s\u00f3 devem vir com o novo Plano Municipal de Educa\u00e7\u00e3o, que deve ser debatido em 2025. &#8220;A cidade tem recursos, com aumento de arrecada\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, e esses pontos precisam ser considerados como prioridade para que o direito \u00e0&nbsp;educa\u00e7\u00e3o seja plenamente garantido&#8221;, completa a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade tamb\u00e9m \u00e9 tema de destaque na cidade e um forte indutor de desigualdades. No caso da mortalidade infantil, segundo dados do IBGE, Curitiba tem taxa&nbsp;de 8,59 \u00f3bitos por mil nascidos vivos e ocupa a&nbsp;3.355\u00ba posi\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, de um total de 5.570 munic\u00edpios. O ODS 2, de erradica\u00e7\u00e3o da fome, no qual est\u00e3o compilados indicadores como a obesidade infantil e o baixo peso&nbsp;ao nascer, tem pontua\u00e7\u00e3o de 56,25 (de 100), e h\u00e1 desafios na cobertura vacinal e na cobertura de unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade, presentes no&nbsp;ODS 3.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor do Departamento de Sa\u00fade Coletiva da UFPR&nbsp;Deivisson Vianna, membro da atual gest\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva,&nbsp;apenas 17% da popula\u00e7\u00e3o da cidade tem agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade (ACSs) de refer\u00eancia, profissionais considerados cruciais para a manuten\u00e7\u00e3o de bons \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o e de outras estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, como as necess\u00e1rias para promover o atendimento pr\u00e9-natal e pedi\u00e1trico na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O ACS verifica a situa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ao sair do hospital, a amamenta\u00e7\u00e3o, a cobertura vacinal, que tamb\u00e9m est\u00e1 abaixo do ideal no munic\u00edpio. A cidade est\u00e1 pagando a conta do baixo investimento na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Isso \u00e9 um tema marginal, de alguns candidatos, na campanha, um assunto que passa desapercebido da popula\u00e7\u00e3o, focada em hospitais e ambul\u00e2ncias, mas que n\u00e3o percebe o impacto real do atendimento b\u00e1sico&#8221;, diz Vianna.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor,&nbsp;a rede de sa\u00fade&nbsp;foi duramente impactada pela pandemia,&nbsp;por uma op\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o municipal. Segundo ele, na \u00e9poca do pico da pandemia, cerca de metade das unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade (UBSs) foram fechadas temporariamente. Quando reabertas, perderam muito de sua capacidade de resolver problemas das popula\u00e7\u00f5es que as tinham por refer\u00eancia, ap\u00f3s a diminui\u00e7\u00e3o no investimento nessas estrat\u00e9gias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, e toda sua capilaridade [por estarem descentralizadas nos bairros],&nbsp;tem papel fundamental para evitar as desigualdades de acesso, principalmente de popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas, que sofrem mais com o acesso \u00e0s estruturas de sa\u00fade. A gente n\u00e3o v\u00ea no munic\u00edpio pol\u00edticas espec\u00edficas de sa\u00fade com cortes raciais, e a cidade aparentemente entende que isso n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o&#8221;, completa Vianna.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O aumento da demanda tende a piorar o cuidado prestado&nbsp;a essas popula\u00e7\u00f5es, pois para as popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas se exige maior intensidade de tecnologias leves de cuidado, com presen\u00e7a de mais equipes e a capacidade de compreender os problemas de forma intersetorial, articular o cuidado com outras pol\u00edticas p\u00fablicas, como a busca ativa&#8221;, acrescenta&nbsp;o pesquisador, para quem momentos de maior demanda invertem a l\u00f3gica de atendimento, que passa a ser&nbsp;de resolu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas, para a qual esses grupos sociais acabam escanteados.<\/p>\n\n\n\n<p>Vianna destacou ainda que, na campanha eleitoral curitibana, hoje, a sa\u00fade n\u00e3o est\u00e1 no foco principal. As solu\u00e7\u00f5es propostas nos programas de governo s\u00e3o gen\u00e9ricas e poucas mencionam a import\u00e2ncia do fortalecimento da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Os&nbsp;hospital, pronto-atendimento e a urg\u00eancia e emerg\u00eancia s\u00e3o o foco das propostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Polos de empregos qualificados, com boa renda m\u00e9dia e pouco desemprego, Florian\u00f3polis e Curitiba destoam da m\u00e9dia dos munic\u00edpios e mesmo de outras capitais brasileiras na capacita\u00e7\u00e3o de&nbsp;m\u00e3o de obra, o que atrai empresas de tecnologia e vagas qualificadas. 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