{"id":128140,"date":"2024-09-27T20:19:45","date_gmt":"2024-09-27T23:19:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=127173"},"modified":"2024-09-27T20:19:45","modified_gmt":"2024-09-27T23:19:45","slug":"ufrrj-aprova-politica-de-reserva-de-cotas-para-travestis-e-transexuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=128140","title":{"rendered":"UFRRJ aprova pol\u00edtica de reserva de cotas para travestis e transexuais"},"content":{"rendered":"\n<p>O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (Cepe) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) aprovou na quarta-feira (24) a pol\u00edtica de reserva de vagas na gradua\u00e7\u00e3o para pessoas travestis e transexuais. Essa cota come\u00e7a a valer j\u00e1 em 2025 e vai abranger todos os cursos, turnos e campus da universidade.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1613814&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1613814&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a proposta, 3% das \u201cvagas supranumer\u00e1rias\u201d(vagas por cotas) ser\u00e3o destinadas a candidates, candidatas e candidatos que se autodeclararem pertencentes ao grupo espec\u00edfico dessa chamada. Ou seja, as vagas dessa sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o v\u00e3o interferir naquelas da ampla concorr\u00eancia ou das outras pol\u00edticas de cotas. Em outras palavras, a cota trans n\u00e3o vai \u201cretirar vaga\u201d de ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/C4mEMHensvutN4KTKY-6oOYz6JM=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_3026_0.jpg?itok=uaKxO9ZZ\" alt=\"Deputada estadual transexual eleita, Dani Balbi participa do Ato pela Visibilidade Trans e Travesti, em frente \u00e0 C\u00e2mara Municipal, na Cinel\u00e2ndia.  \" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Deputada estadual&nbsp;Dani Balbi. Foto:&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A entrada ser\u00e1 feita com base na nota do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem), mas n\u00e3o pelo Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificado (Sisu) \u2013 haver\u00e1 um edital espec\u00edfico (como \u00e9 feito no caso das vagas remanescentes). Al\u00e9m da autodeclara\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 feita uma an\u00e1lise documental, que avaliar\u00e1, por exemplo, se o\/a postulante tem Carteira de Identidade Nacional com nome social.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta pol\u00edtica que aprovamos agora foi constru\u00edda por muitas m\u00e3os, num processo coletivo que envolveu movimentos sociais, grupos organizados de estudantes, sindicatos de professores (Adur) e t\u00e9cnicos (Sintur). N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas vencemos!\u201d, disse a professora Joyce Alves, relatora da minuta da proposta e primeira pessoa trans a ocupar uma pr\u00f3-reitoria na Rural (adjunta de Assuntos Estudantis).<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua fala na reuni\u00e3o, Joyce resumiu os principais pontos da pol\u00edtica, pontuando sua apresenta\u00e7\u00e3o com o relato de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria de luta:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando cheguei \u00e0 Rural em 2012, vinda de S\u00e3o Paulo, me disseram para tomar cuidado com a homofobia na institui\u00e7\u00e3o. Naquele momento, fui plenamente acolhida pelo Grupo Pontes, pioneiro nessa luta aqui na UFRRJ. De l\u00e1 para c\u00e1, avan\u00e7amos muito contra a LGBTQIA+fobia, o racismo e o ass\u00e9dio, com conquistas como a cria\u00e7\u00e3o do banheiro neutro e a ado\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas para trans na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (fomos a primeira universidade a aprovar isso). Hoje a gente entra numa Universidade Rural muito mais diversa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aprova\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Numa sess\u00e3o marcada por forte emo\u00e7\u00e3o, a Sala dos \u00d3rg\u00e3os Colegiados ficou lotada para acolher um p\u00fablico composto por pessoas trans, estudantes, servidores e demais integrantes da comunidade universit\u00e1ria. A audi\u00eancia comemorou quando o reitor Roberto Rodrigues anunciou a aprova\u00e7\u00e3o, por aclama\u00e7\u00e3o, da mais nova pol\u00edtica de cotas da UFRRJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA conviv\u00eancia com a diferen\u00e7a nos faz aprender, e a Rural est\u00e1 aprendendo a viver com as diversidades que a comp\u00f5em. Precisamos defender essa inclus\u00e3o\u201d, disse o reitor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Na sequ\u00eancia de participa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m ficou clara a satisfa\u00e7\u00e3o de quem defendia uma causa justa e testemunhava, naquele momento, o nascimento de um marco hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A estudante Mabel Almeida, do Coletivo Madame, n\u00e3o conteve as l\u00e1grimas ao afirmar que ela e outros estudantes trans \u201cn\u00e3o v\u00e3o mais se sentir sozinhos na batalha para sobreviver e na luta contra o preconceito dentro da Universidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Ana Vaz, conselheira do Cepe, a decis\u00e3o ajudou a \u201cabrir mais a mente da academia, que precisa se livrar de um bolor colonial que marca sua hist\u00f3ria no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para Meyre Valentim, representando o sindicato dos t\u00e9cnicos, a concretiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de cotas se soma \u00e0 luta do Sintur-RJ. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m distribuiu uma nota de apoio, destacando que \u201ca ado\u00e7\u00e3o de cotas espec\u00edficas para pessoas trans representa um avan\u00e7o significativo no combate \u00e0s desigualdades estruturais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/VQ23n6ntUDGQFHuwzVoyFbH6jS8=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/124a5564.jpg?itok=f4p_UTcw\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 28.01.2024 - Bruna Benevides, ecret\u00e1ria de Articula\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, participa da 1\u00aa Marsha Nacional pela Visibilidade Trans, em Bras\u00edlia, pela garantia dos direitos e sobreviv\u00eancia das pessoas trans, n\u00e3o bin\u00e1rias e travestis. Foto: Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Bruna Benevides, Secret\u00e1ria de Articula\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica. Foto:&nbsp;&nbsp;<strong>Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A primeira deputada estadual transexual do Rio de Janeiro, Dani Balbi e a ativista trans Bruna Benevides, atual presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) estiveram presentes e manifestaram a satisfa\u00e7\u00e3o por terem ajudado a construir e participado do momento da aprova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica na Rural. \u201cPrecisamos de universidades p\u00fablicas robustas, com a nossa cara. Precisamos de cotas para pessoas trans e travestis porque as cotas abrem portas!\u201d, escreveu Balbi.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a medida, a Rural se torna a 17\u00aa universidade p\u00fablica no Brasil (11 federais e quatro estaduais) a adotar uma pol\u00edtica afirmativa para esse grupo socialmente vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse tipo de a\u00e7\u00e3o afirmativa, numa regi\u00e3o pobre e violenta como a Baixada Fluminense, pode ser um farol de esperan\u00e7a para essa comunidade que \u00e9 t\u00e3o vulner\u00e1vel e frequentemente desumanizada. \u00c9 a possibilidade de vidas poss\u00edveis, com dignidade, pertencimento e empregabilidade\u201d, avaliou a pr\u00f3-reitora Joyce Alves.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o (Cepe) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) aprovou na quarta-feira (24) a pol\u00edtica de reserva de vagas na gradua\u00e7\u00e3o para pessoas travestis e transexuais. Essa cota come\u00e7a a valer j\u00e1 em 2025 e vai abranger todos os cursos, turnos e campus da universidade. De acordo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":128802,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,29],"tags":[],"class_list":{"0":"post-128140","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-regional","8":"category-sudeste-regional"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/128140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=128140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/128140\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/128802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=128140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=128140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=128140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}