{"id":128119,"date":"2024-09-27T14:54:45","date_gmt":"2024-09-27T17:54:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=127127"},"modified":"2024-09-27T14:54:45","modified_gmt":"2024-09-27T17:54:45","slug":"bahia-homenageia-santos-cosme-e-damiao-com-comidas-de-orixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=128119","title":{"rendered":"Bahia homenageia santos Cosme e Dami\u00e3o com comidas de orix\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o de homenagear os santos Cosme e Dami\u00e3o no dia 27 de setembro tem particularidades que se diferenciam em partes do Brasil. Enquanto, no Rio de Janeiro, \u00e9 comum crian\u00e7as sa\u00edrem \u00e0s ruas em busca de saquinhos com doces, na Bahia, \u00e9 oferecido o Caruru de Cosme, um prato com v\u00e1rios tipos de comidas de orix\u00e1s do candombl\u00e9.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1613777&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1613777&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do pr\u00f3prio caruru, que \u00e9 feito com quiabo, tem pipoca, representando as flores de Omolu, farofa de dend\u00ea para Exu, abar\u00e1, feij\u00e3o fradinho, feij\u00e3o preto, canjica branca, peda\u00e7os de cana de a\u00e7\u00facar e rapadura, banana frita no azeite para Oxumar\u00ea, entre outros alimentos. Na celebra\u00e7\u00e3o baiana est\u00e1 muito presente o sincretismo que marca as religi\u00f5es de matriz africana no Brasil, que junta os santos cat\u00f3licos com os orix\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor da Universidade do Estado da Bahia Ricardo Freitas, og\u00e3 (autoridade na religi\u00e3o do candombl\u00e9) do terreiro Il\u00ea Omolu Oxum, da Iyalorix\u00e1 M\u00e3e Meninazinha de Oxum, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, na Baixada Fluminense, disse que o culto veio da \u00c1frica e aqui no Brasil se juntou \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos santos, que eram m\u00e9dicos g\u00eameos, identificados nas religi\u00f5es de matriz africana como ibejis, orix\u00e1s que representam as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/DlHCAFsZg5dwaQVeP422u-MrlMA=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/27\/ricardo_freitas_ogan_0.jpg?itok=BA5Ll1bR\" alt=\"Salvador (BA), 27\/09\/2024 - Professor Ricardo Freitas. Cosme e Dami\u00e3o. Prato de Caruru de Cosme. Foto: Ricardo Freitas\/Arquivo Pessoal\" title=\"Ricardo Freitas\/Arquivo Pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Culto veio da \u00c1frica, destaca Ricardo Freitas &#8211;&nbsp;<strong>Ricardo Freitas &#8211; Arquivo Pessoal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses g\u00eameos africanos ibejis v\u00e3o ser sincretizados aqui no Brasil como Cosme e Dami\u00e3o. O culto em \u00c1frica \u00e9 t\u00e3o forte, entre os Yorub\u00e1s, sobretudo, que chegou a reconfigurar o culto de Cosme e Dami\u00e3o no Brasil. Cosme e Dami\u00e3o [santos cat\u00f3licos] n\u00e3o eram crian\u00e7as, eram m\u00e9dicos adultos que fora, perseguidos por promoverem um tipo de medicina para o povo, o que os aproximou, na ideia do coronelismo, da bruxaria, porque curavam pessoas necessitadas. Por conta disso, pagaram o pre\u00e7o por feiti\u00e7arias, foram decapitados e morreram em 300 depois de Cristo (D.C). Por conta dos g\u00eameos africanos, que s\u00e3o crian\u00e7as, os g\u00eameos cat\u00f3licos que s\u00e3o europeus trazidos pelo colonizador acabam tamb\u00e9m se transformando em crian\u00e7as. A for\u00e7a do culto em \u00c1frica chega ao Brasil de forma t\u00e3o potente, que consegue transformar o culto aos santos cat\u00f3licos em culto africano, transformados em crian\u00e7as\u201d, revelou Freitas em entre<s>vista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/s><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professsor, a tradi\u00e7\u00e3o de comemorar o dia 27 de setembro com o chamado Caruru de Cosme, uma comida \u00e0 base de quiabo, na Bahia, significa tamb\u00e9m um banquete que inclui outros pratos dedicados a orix\u00e1s. \u201cO caruru, tamb\u00e9m chamado de Caruru de Ibejis, \u00e9 uma festa, um ritual. Muita gente chama tamb\u00e9m de Caruru de Promessa, porque a ideia de ser para crian\u00e7a, os ibejis eram gulosos e comiam tudo, at\u00e9 o que n\u00e3o era comida deles. No prato de caruru, a comida deles \u00e9 o feij\u00e3o fradinho, que no candombl\u00e9 tamb\u00e9m se dedica a Oxum. A tradi\u00e7\u00e3o nasce dentro dessa ideia de que deveriam dar o que comer a divindades. Como os ibejis queriam comer de tudo, ent\u00e3o tem diversas comidas de todos os orix\u00e1s\u201d, explcou.<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o de oferecer comidas para divindades acaba se aproximando tamb\u00e9m dos cultos ind\u00edgenas, que t\u00eam o mesmo objetivo. \u201cPara povos africanos, assim como para os ind\u00edgenas aqui no Brasil, o culto \u00e9 feito atrav\u00e9s da oferta de alimentos ou das comidas. Tem gente diz que a palavra caruru vem da l\u00edngua banto, kaluli, mas tamb\u00e9m de uma l\u00edngua tupi que \u00e9 a palavra caarariru, porque ind\u00edgenas tamb\u00e9m davam comidas \u00e0s suas divindades\u201d, afirmou Freitas, lembrando que, al\u00e9m da cultura africana, existe uma influ\u00eancia forte da ind\u00edgena na Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente fala muito da baiana negra, da Bahia como a Roma negra, mas n\u00e3o pode esquecer a participa\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena neste estado. Muitas etnias, as mais conhecidas, s\u00e3o as do sul,&nbsp; tupinamb\u00e1, patax\u00f3, patax\u00f3-h\u00e3-h\u00e3-h\u00e3e, mas, para o norte, t\u00eam muitos tux\u00e1s. Ent\u00e3o tem tamb\u00e9m uma influ\u00eancia da cultura ind\u00edgena. Nesse encontro de africanos, ind\u00edgenas e europeus, pelo portugu\u00eas colonizador, \u00e9 que surge o Caruru de Cosme, o Caruru de Ibejis, o Caruru de Promessa, dando continuidade a uma ideia de devo\u00e7\u00e3o\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o na Bahia, que j\u00e1 se espalhou para outros estados, come\u00e7a com a oferta de pratos a sete meninos que simbolizam Cosme, Dami\u00e3o, Do\u00fa, uma corruptela de Idowu em l\u00edngua africana [tamb\u00e9m conhecido como Doum], Alab\u00e1, Crispim, Crispiniano e Talabi. \u00c9 comum ver tamb\u00e9m na imagem que representa os g\u00eameos e figura de um terceiro irm\u00e3o chamado de Do\u00fa ou Idowu, nome dado, em uma fam\u00edlia africana, ao irm\u00e3o que nasce depois de g\u00eameos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Celebra\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/jbK02i0dcDC6xwew4uyOuHRvRAo=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/27\/file_0.jpg?itok=oZTawTpI\" alt=\"Salvador (BA), 27\/09\/2024 - M\u00e3e Nilce de Ians\u00e3. Cosme e Dami\u00e3o. Prato de Caruru de Cosme. Foto: M\u00e3e Nilce de Ians\u00e3\/Arquivo Pessoal\" title=\"M\u00e3e Nilce de Ians\u00e3\/Arquivo Pes\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>M\u00e3e Nilce de Ians\u00e3 mant\u00e9m tradi\u00e7\u00e3o do Caruru de Cosme&nbsp; &#8211;&nbsp;<strong>Arquivo Pessoal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde cedo, M\u00e3e Nilce de Ians\u00e3, de 72 anos, vive com a tradi\u00e7\u00e3o de homenagear Cosme e Dami\u00e3o no dia 27 de setembro, mas com uma certa diferen\u00e7a de muitas crian\u00e7as. Como o seu terreiro tem origem na Bahia, o costume \u00e9 oferecer o chamado Caruru de Cosme, mas, quando era crian\u00e7a, tamb\u00e9m ia atr\u00e1s dos saquinhos de doces. \u201cEu fui nascida e criada dentro de um terreiro, mas tamb\u00e9m vivi com a pr\u00e1tica de doces porque a minha fam\u00edlia tamb\u00e9m dava doces e a gente pegava nas ruas\u201d, revelou \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e Nilce lembrou com satisfa\u00e7\u00e3o que, na \u00e9poca, morava em Ramos, na zona norte do Rio e era vizinha do compositor Pixinguinha, cuja esposa tinha h\u00e1bito de distribuir doces finos como cajuzinho, brigadeiro e beijinho. \u201cEla botava em um guardanapo grande e fazia tipo uma trouxinha. Eu e minha irm\u00e3 e outras crian\u00e7as da rua \u00edamos junto com uma senhora em v\u00e1rias casas e, na casa do seu Pixinguinha, porque o doce l\u00e1 era gostoso. A gente pegava aqueles doces com o maior prazer. Ent\u00e3o eu conhe\u00e7o as duas pr\u00e1ticas. Eu estou falando sobre viv\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Freitas, que \u00e9 carioca e filho de pai baiano, mas mora em Salvador h\u00e1 20 anos, levou para l\u00e1 tamb\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o de oferecer saquinhos com doces. Ele disse&nbsp; que atualmente na cidade j\u00e1 tem quem, al\u00e9m de oferecer o prato de caruru, inclui doces chamados l\u00e1 de queimado, bombons de chocolate e nego bom que no Rio \u00e9 conhecido como bananada. \u201cEu lembro da minha inf\u00e2ncia no Rio. Quando eu dou, ponho em um saco de congelamento, que muita gente est\u00e1 fazendo tamb\u00e9m. \u00c9 uma varia\u00e7\u00e3o do saquinho de papel com a imagem de Cosme e Dami\u00e3o\u201d, afirmou, sorrindo.<\/p>\n\n\n\n<p>A cozinheira baiana Tina do Acaraj\u00e9, de 64 anos, que se mudou para o Rio h\u00e1 40 anos e mora em Vila Isabel, na zona norte da cidade, manteve a tradi\u00e7\u00e3o durante esse tempo. Ainda na Bahia era comum ir a terreiros que ofereciam a comida \u00e0s crian\u00e7as. \u201cJ\u00e1 sabia onde tinha. Eu recebia convite e ia\u201d, relatou \u00e0 reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>No Rio, Tina passou a fazer festas para oferecer o prato a amigos e agradecer por b\u00ean\u00e7\u00e3os alcan\u00e7adas por meio das entidades. Este ano, no entanto, Tina n\u00e3o poder\u00e1 fazer porque se recupera de uma opera\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, mas garantiu que logo que puder vai retomar a celebra\u00e7\u00e3o. \u201cAssim que passar essa fase vou voltar a fazer para os amigos. Meu irm\u00e3o fez at\u00e9 uma promessa para Cosme por causa dessa cirurgia que, gra\u00e7as a Deus, foi muito boa, para eles poderem me curar total para eu cair no trabalho\u201d, prometeu.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi com alegria que o og\u00e3 Ricardo comemorou o fato do Caruru de Cosme ter sido aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC), como Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial da Bahia, depois de estudos do Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Cultural da Bahia. O&nbsp;<em>Di\u00e1rio Oficial da Bahia<\/em>&nbsp;desta sexta-feira publicou o decreto assinado pelo governador Jer\u00f4nimo Rodrigues com o reconhecimento do t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o governo baiano, o ato de entrega do t\u00edtulo ser\u00e1 realizado hoje pelo secret\u00e1rio de Cultura, Bruno Monteiro, durante o I Semin\u00e1rio de Patrim\u00f4nio Imaterial \u2013 Reconstruindo Mem\u00f3rias, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO culto a S\u00e3o Cosme e Dami\u00e3o, os santos g\u00eameos da igreja cat\u00f3lica, ganharam especial aspecto na cultura afro-brasileira e afro-baiana ao encontrarem correspond\u00eancia com o culto aos ibejis, divindades g\u00eameas das religi\u00f5es afro-brasileiras. A festa \u00e9 no dia 27 de setembro, com o tradicional caruru\u201d, informa o&nbsp;<em>site<\/em>&nbsp;do governo da Bahia, lembrando que neste dia \u00e9 costume tamb\u00e9m celebrar os santos e entidades com festas de sambas de roda, muito tradicionais no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA festa se d\u00e1 a partir de v\u00e1rias etapas para a sua realiza\u00e7\u00e3o, que ocorre de forma comunit\u00e1ria, com a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e a celebra\u00e7\u00e3o inclui pr\u00e1ticas ritual\u00edsticas cat\u00f3licas e afro-brasileiras\u201d, acrescenta o governo baiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o de homenagear os santos Cosme e Dami\u00e3o no dia 27 de setembro tem particularidades que se diferenciam em partes do Brasil. 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