{"id":127993,"date":"2024-09-18T13:04:45","date_gmt":"2024-09-18T16:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=126744"},"modified":"2024-09-18T13:04:45","modified_gmt":"2024-09-18T16:04:45","slug":"fogo-na-amazonia-e-etapa-da-exploracao-economica-do-bioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=127993","title":{"rendered":"Fogo na Amaz\u00f4nia \u00e9 etapa da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do bioma"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Os inc\u00eandios que consomem o bioma amaz\u00f4nico s\u00e3o uma das etapas da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da floresta, que vem sendo convocada pela economia mundial para fornecer alimentos e mat\u00e9rias-primas baratas, permitindo a manuten\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos sal\u00e1rios nos pa\u00edses mais desenvolvidos e o aumento do lucro em escala global. Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do professor de economia Gilberto de Souza Marques, da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1612667&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1612667&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Autor do livro&nbsp;<em>Amaz\u00f4nia: riqueza, degrada\u00e7\u00e3o e saque<\/em>, o especialista destaca que a agropecu\u00e1ria, a minera\u00e7\u00e3o e o setor madeireiro s\u00e3o as principais atividades que contribuem para o desmatamento da Amaz\u00f4nia e que a grilagem de terra alimenta essa explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/JizeKsdbBL62rEdbkWAYeGgXUyw=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/18\/gilberto_de_souza_marques1.jpg?itok=ia71m-YA\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 18\/09\/2024 - Professor de economia da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Gilberto de Souza Marques, autor do livro \u201cAmaz\u00f4nia: riqueza, degrada\u00e7\u00e3o e saque\u201d\nFoto: Gilberto de Souza Marques\/Arquivo Pessoal\" title=\"Gilberto de Souza Marques\/Arquivo Pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Professor de economia da Universidade Federal do Par\u00e1&nbsp;Gilberto de Souza Marques, autor do livro Amaz\u00f4nia: riqueza, degrada\u00e7\u00e3o e saque &#8211; Foto:&nbsp;<strong>Gilberto de Souza Marques\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marques questiona o modelo econ\u00f4mico imposto ao bioma, argumentando que nem tudo que gera muito lucro \u00e9 o melhor para o conjunto da sociedade brasileira. Al\u00e9m disso, afirma que a Amaz\u00f4nia j\u00e1 est\u00e1 internacionalizada porque as grandes multinacionais da minera\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio s\u00e3o as que controlam a economia dominante na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o especialista em economia pol\u00edtica, natureza e desenvolvimento, as experi\u00eancias dos povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais s\u00e3o as sementes de esperan\u00e7a que devem ser regadas para se contrapor \u00e0 monocultura na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira a&nbsp;entrevista completa:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;Qual a rela\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia com a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do bioma?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto Marques<\/strong>:&nbsp;A Amaz\u00f4nia tem duas grandes tarefas no mundo que s\u00e3o incompat\u00edveis. A primeira \u00e9 contribuir para aumentar a rentabilidade do capital nas economias centrais, com o rebaixamento dos custos de&nbsp;produ\u00e7\u00e3o. Isso significa produzir mat\u00e9rias-primas baratas de exporta\u00e7\u00e3o para a China e para a Europa, como o ferro, a soja e outros produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao produzir alimentos baratos, a Amaz\u00f4nia diminui a press\u00e3o para eleva\u00e7\u00e3o salarial nesses pa\u00edses e contribui para elevar as taxas de lucro em meio a uma economia global que vive sucessivas crises de rentabilidade do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda tarefa da Amaz\u00f4nia \u00e9 contribuir para reduzir os efeitos do aquecimento global, em particular a emiss\u00e3o de gases de&nbsp;efeito estufa. Na atualidade, essas duas tarefas s\u00e3o incompat\u00edveis porque a primeira tarefa imp\u00f5e um ritmo de apropria\u00e7\u00e3o da natureza como nunca visto nos 13 mil anos de exist\u00eancia humana na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ritmo ditado pela busca do lucro faz com que a natureza tenha dificuldade de se recompor, pois s\u00e3o atividades extremamente degradantes para a natureza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"floresta Amaz\u00f4nica\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>floresta Amaz\u00f4nica &#8211;&nbsp;<strong>Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;Quais as principais atividades que contribuem para degradar a Amaz\u00f4nia?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:&nbsp;A minera\u00e7\u00e3o e o agroneg\u00f3cio associados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o madeireira. E a caracter\u00edstica mais gritante na Amaz\u00f4nia \u00e9 que o legal se alimenta do ilegal e o ilegal do legal.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor pecuarista, que se apropria de terras p\u00fablicas e que utiliza muitas vezes o trabalho escravo, continua, de alguma forma, vendendo o seu gado para as grandes cadeias da comercializa\u00e7\u00e3o dos grandes frigor\u00edficos, direta ou indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Indiretamente porque eles maquiam esse gado [de \u00e1reas griladas] e os frigor\u00edficos sabem disso. O gado que n\u00e3o pode ser vendido para Europa, por exemplo, porque tem regras mais r\u00edgidas, segue para o Nordeste ou o Sudeste, abastecendo esses mercados regionais e permitindo que os rebanhos&nbsp;criados nessas regi\u00f5es possam ser exportados sem preju\u00edzo do consumo local. Direta ou indiretamente, o gado amaz\u00f4nico, mesmo criado em \u00e1reas ilegais, entra nas grandes cadeias de prote\u00edna animal do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o principal produto exportado pelo munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo foi o ouro, com aproximadamente 27% de tudo que o munic\u00edpio exportou. De onde vem esse ouro que entra nos grandes circuitos legais da financeiriza\u00e7\u00e3o da economia? Esse ouro sai, em grande medida, dos circuitos ilegais que est\u00e3o destruindo a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o destr\u00f3i intensivamente a floresta, o solo e subsolo, mas ela ocorre em espa\u00e7o menor, ainda que tenha uma extens\u00e3o al\u00e9m da mina, como \u00e9 o caso da contamina\u00e7\u00e3o dos rios. J\u00e1 a agropecu\u00e1ria usa extensas \u00e1reas e o uso de agrot\u00f3xicos mata os insetos que polinizam a floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a planta\u00e7\u00e3o de soja retira cobertura vegetal, aumentando a temperatura em torno do campo de plantio e os riscos de inc\u00eandios. Essas atividades estimulam a apropria\u00e7\u00e3o ilegal da terra na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/sr2rFresMfVDOTaEnHMGEYByh70=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/floresta_amazonica_vista_de_cima.jpg?itok=GTxHEPHU\" alt=\"Floresta amaz\u00f4nica vista de cima.\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o TV Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Floresta amaz\u00f4nica vista de cima. &#8211;&nbsp;<strong>Divulga\u00e7\u00e3o TV Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;Como ocorre essa apropria\u00e7\u00e3o ilegal da terra da Amaz\u00f4nia?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:&nbsp;O grileiro se apropria de uma terra p\u00fablica, de uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ou de territ\u00f3rio ind\u00edgena, e derruba a floresta de imediato. Em seguida, vende para um segundo propriet\u00e1rio que sabe que a terra \u00e9 ilegal pelo pr\u00f3prio pre\u00e7o de venda, que \u00e9 rebaixado.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de comprar, o segundo dono entra com o pedido de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria dessa terra, argumentando que a comprou de boa-f\u00e9, acreditando que era uma terra legalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse argumento da boa-f\u00e9 serviu para regularizar propriedades griladas desde os governos da ditadura empresarial militar, com o argumento de que isso geraria seguran\u00e7a jur\u00eddica e impediria a grilagem de terra. Na realidade, isso estimula a grilagem na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;Por que existe o risco de a soja avan\u00e7ar ainda mais no bioma amaz\u00f4nico?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:&nbsp;Por que o custo de transporte \u00e9 elemento determinante hoje na soja. Do munic\u00edpio de Sorriso (MT) at\u00e9 o Porto de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1, s\u00e3o 2,2 mil km. Depois de embarcada nos navios, ela sobe toda a costa brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando essa soja \u00e9 produzida aqui na Amaz\u00f4nia, pr\u00f3ximo \u00e0 linha do Equador, ou com conex\u00e3o com os rios, o&nbsp;custo de transporte cai bastante ou chega a quase zero. \u00c9 o caso da soja que est\u00e1 sendo produzida no Amap\u00e1, a 70 quil\u00f4metros do porto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de custo brutal nesse processo&nbsp;e a&nbsp;redu\u00e7\u00e3o eleva a rentabilidade da&nbsp;atividade, permitindo&nbsp;que o produto chegue barato aos mercados centrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora isso, quando, por meio da Lei Kandir, o governo deixa de cobrar o ICMS sobre essa exporta\u00e7\u00e3o, o produto pode ser vendido por um pre\u00e7o abaixo de seu valor, sem que a empresa perca nada. Mas o Estado deixou de arrecadar o que lhe caberia. H\u00e1, ent\u00e3o, uma transfer\u00eancia de valor do Brasil para as economias centrais. Vendemos mercadorias e recebemos menos do que elas efetivamente valem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;Os inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:&nbsp;O fogo \u00e9 resultado desse processo de apropria\u00e7\u00e3o ilegal da terra e \u00e9 uma etapa da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Durante o primeiro semestre do ano, que \u00e9 o per\u00edodo de mais chuva, se faz a derrubada da floresta para a retirada das madeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7a o ver\u00e3o amaz\u00f4nico, que ocorre entre o final de junho at\u00e9 setembro&nbsp;principalmente, se toca muito fogo na floresta para queimar o que se derrubou no primeiro semestre, mas n\u00e3o se aproveitou para a atividade madeireira. Ent\u00e3o, se forma o pasto.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, 80% das propriedades da floresta s\u00e3o reservas legais&nbsp;que n\u00e3o podem ser desmatadas. O propriet\u00e1rio ent\u00e3o toca fogo na floresta e diz que aquilo foi um inc\u00eandio n\u00e3o produzido por ele. Como deixou se ser floresta, ele vai utilizar a \u00e1rea para o aumento do pasto, para o plantio de soja ou outra atividade do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea pega a distribui\u00e7\u00e3o do fogo, voc\u00ea v\u00ea que a concentra\u00e7\u00e3o est\u00e1 exatamente nos munic\u00edpios em que mais avan\u00e7a o agroneg\u00f3cio. Como \u00e9 o caso de S\u00e3o F\u00e9lix Xingu (PA), que tem o maior reganho bovino do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o que estamos vendo hoje, neste in\u00edcio de setembro, \u00e9 um descontrole porque alguns dados de monitoramento apontam que at\u00e9 um ter\u00e7o do fogo sobre a Amaz\u00f4nia est\u00e1 ocorrendo em floresta em p\u00e9, diferentemente do padr\u00e3o t\u00edpico que \u00e9 o fogo sobre floresta que foi derrubada no primeiro semestre.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/kRvSAI-9qQ_HBMtWODg4m5sDy6o=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2019-08-21t165535z_1942945837_rc15f10d89c0_rtrmadp_3_brazil-politics.jpg?itok=OsZDamS7\" alt=\"Um homem trabalha em um trecho de queimada da floresta amaz\u00f4nica, como est\u00e1 sendo desmatada por madeireiros e agricultores em Iranduba, Amazonas, Brasil, 20 de agosto de 2019. REUTERS \/ Bruno Kelly \/ \" title=\"REUTERS \/ Bruno Kelly\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Homem trabalha em&nbsp;trecho de queimada da floresta amaz\u00f4nica, desmatada por madeireiros e agricultores em Iranduba _ Foto Reuters\/&nbsp;Bruno Kelly&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;O senhor diz que a Amaz\u00f4nia est\u00e1 internacionalizada no mercado global. Como \u00e9 isso?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:&nbsp;A Amaz\u00f4nia est\u00e1 internacionalizada porque os grandes ramos da produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o est\u00e3o controlados pelas grandes empresas multinacionais em escala internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas maiores plantas de alumina e alum\u00ednio do planeta est\u00e3o no Par\u00e1 e s\u00e3o controladas por uma empresa transnacional, que \u00e9 a Hydro, de capital principalmente noruegu\u00eas.&nbsp;O&nbsp;principal acionista \u00e9 o governo da Noruega, que \u00e9 tamb\u00e9m o principal doador do Fundo Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Vale do Rio Doce anunciou que a maior parcela do seu capital total \u00e9 negociada em circuitos estrangeiros, ou seja, n\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os de brasileiros. Se&nbsp;pegarmos o com\u00e9rcio de gr\u00e3os, principalmente soja, quem comercializa e controla esse com\u00e9rcio na Amaz\u00f4nia s\u00e3o as grandes transnacionais do agroneg\u00f3cio como Cargill, Bunge, ADM [Human, Pet and Animal Nutrition Company] e LDC [Louis Dreyfus Company].<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/7zGP1pOJzvBgmry1lx-R7KatCaQ=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/operacao_oke_aro_2701214146.jpg?itok=VmCNMDvx\" alt=\"Boa Vista\/RR \u2013 A Pol\u00edcia Federal deflagrou na manh\u00e3 de hoje, 27\/01, a opera\u00e7\u00e3o Ok\u00ea Ar\u00f4*, para combater o desmatamento ilegal em uma \u00e1rea de quase 5.000 hectares de floresta amaz\u00f4nica.\" title=\"Pol\u00edcia Federal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Boa Vista&nbsp;\u2013 Pol\u00edcia Federal deflagra Opera\u00e7\u00e3o Ok\u00ea Ar\u00f4* para combater desmatamento ilegal na&nbsp;floresta amaz\u00f4nica. &#8211;&nbsp;<strong>PF\/divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>:&nbsp;Qual a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sustent\u00e1vel alternativa que pode beneficiar o povo brasileiro?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gilberto<\/strong>:&nbsp;Nosso desafio \u00e9 entender que n\u00e3o necessariamente o que d\u00e1 grande lucro \u00e9 algo que beneficia o conjunto da popula\u00e7\u00e3o ou que seja necessariamente o melhor para o pa\u00eds e para a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos problematizar essa no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento como simples expans\u00e3o da economia. Historicamente, isso foi utilizado no Brasil para justificar determinadas pol\u00edticas, mas o resultado foi exclus\u00e3o social e o enriquecimento de uma pequena minoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, temos experi\u00eancias em curso na regi\u00e3o amaz\u00f4nica que s\u00e3o ainda muito incipientes, mas muito ricas. A produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, com as agroflorestas, \u00e9 uma delas. Outras experi\u00eancias s\u00e3o as atividades comunit\u00e1rias, como a pesca do Mapar\u00e1, no Rio Tocantins, onde as pessoas se juntam para pescar e o resultado \u00e9 distribu\u00eddo entre todos, inclusive entre aqueles que n\u00e3o puderam pescar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem ainda a rica experi\u00eancia do povo ind\u00edgena Ka\u2019apor, do Maranh\u00e3o, que tem criado \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o quando&nbsp;identifica&nbsp;a entrada de madeireiros e outros invasores. Eles constroem comunidades nas rotas dos invasores, barrando a entrada deles. J\u00e1 criaram 12 \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o, permitindo a recomposi\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que ajudar a disseminar essas experi\u00eancias de integra\u00e7\u00e3o sociedade-natureza em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 monocultura na Amaz\u00f4nia. A gente tem que olhar a Amaz\u00f4nia com esperan\u00e7a, porque ela ainda \u00e9 a maior concentra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria viva do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela captura di\u00f3xido de carbono e cumpre papel vital para a exist\u00eancia da humanidade. O planeta vai continuar existindo, o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 a continuidade da humanidade. Nesse sentido, a Amaz\u00f4nia \u00e9 a esperan\u00e7a para o planeta. E os povos que vivem na Amaz\u00f4nia, por meio de suas experi\u00eancias, s\u00e3o sementes de esperan\u00e7a que&nbsp;temos que ajudar a brotar.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os inc\u00eandios que consomem o bioma amaz\u00f4nico s\u00e3o uma das etapas da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da floresta, que vem sendo convocada pela economia mundial para fornecer alimentos e mat\u00e9rias-primas baratas, permitindo a manuten\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos sal\u00e1rios nos pa\u00edses mais desenvolvidos e o aumento do lucro em escala global. 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