{"id":126215,"date":"2024-08-09T11:46:23","date_gmt":"2024-08-09T14:46:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=125056"},"modified":"2024-08-09T11:46:23","modified_gmt":"2024-08-09T14:46:23","slug":"fenomenos-naturais-poem-em-risco-de-extincao-quase-4-mil-especies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=126215","title":{"rendered":"Fen\u00f4menos naturais p\u00f5em em risco de extin\u00e7\u00e3o quase 4 mil esp\u00e9cies"},"content":{"rendered":"\n<p><br \/>A ocorr\u00eancia de quatro fen\u00f4menos naturais extremos -terremotos, tsunamis, furac\u00f5es e erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas &#8211; coloca 3.722 esp\u00e9cies de vertebrados terrestres em risco de extin\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o \u00e9 de um grupo de 26 pesquisadores de 17 institui\u00e7\u00f5es do Brasil e de outros pa\u00edses.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1607216&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1607216&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>As esp\u00e9cies amea\u00e7adas representam cerca de 11% do universo de 34.035 analisadas. Foram consideradas amea\u00e7adas esp\u00e9cies de mam\u00edferos, aves, r\u00e9pteis e anf\u00edbios que t\u00eam ocorr\u00eancia restrita ou popula\u00e7\u00f5es com poucos indiv\u00edduos em idade reprodutiva, cuja distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica inclui \u00e1reas historicamente sujeitas a terremotos, vulcanismo, furac\u00f5es e tsunamis.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo analisou, ainda, esp\u00e9cies que t\u00eam pelo menos um quarto de sua distribui\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de alto risco relativo de impacto por esses fen\u00f4menos naturais. Duas mil e uma esp\u00e9cies foram inclu\u00eddas nessa categoria e consideradas sob alto risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as classes de vertebrados, a mais amea\u00e7ada \u00e9 a dos r\u00e9pteis, que inclui serpentes, lagartos, tartarugas e crocodilianos, com 834 esp\u00e9cies em alto risco de extin\u00e7\u00e3o. Em seguida, aparecem os anf\u00edbios (sapos, r\u00e3s e salamandras), com 617; aves (302); e mam\u00edferos (248).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Quando analisados os fen\u00f4menos que mais amea\u00e7am as esp\u00e9cies, os destaques s\u00e3o os furac\u00f5es (983 das esp\u00e9cies com alto risco) e terremotos (868 das esp\u00e9cies com alto risco). As amea\u00e7as impostas por tsunamis e vulc\u00f5es s\u00e3o bem menores: 272 e 171 das esp\u00e9cies em alto risco, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sem prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cNossos resultados mostraram que 30% das esp\u00e9cies que foram classificadas como alto risco n\u00e3o est\u00e3o protegidas. N\u00e3o est\u00e3o em \u00e1reas protegidas, em unidades de conserva\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam plano de conserva\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. E esse resultado \u00e9 bem preocupante\u201d, afirma a pesquisadora do Instituto Tecnol\u00f3gico Vale (ITV-DS) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Carolina Carvalho, uma das autoras da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o do C\u00edrculo do Fogo, no Pac\u00edfico, tem as esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas por vulc\u00f5es, terremotos e tsunamis. Os furac\u00f5es amea\u00e7am mais os animais do Mar do Caribe, Golfo do M\u00e9xico e do noroeste do Pac\u00edfico. As ilhas abrigam 70% das esp\u00e9cies sob amea\u00e7a de fen\u00f4menos naturais estudados.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as esp\u00e9cies amea\u00e7adas est\u00e3o o panda (<em>Ailuropoda melanoleuca<\/em>), o rinoceronte-de-Java (<em>Rhinocerus sondaicus<\/em>) e uma esp\u00e9cie de tartaruga de Gal\u00e1pagos (<em>Chelonoidis donfaustoi<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Como os fen\u00f4menos naturais estudados n\u00e3o costumam ocorrer no Brasil, o impacto no pa\u00eds \u00e9 pequeno. Segundo Carolina Carvalho, apenas duas esp\u00e9cies brasileiras end\u00eamicas foram identificadas como altamente amea\u00e7adas, o lagarto-da-areia (<em>Liolaemus lutzae<\/em>), encontrado nas praias do Rio de Janeiro, e a r\u00e3-grilo-de-barriga-vermelha (<em>Melanophryniscus cambaraensis<\/em>), vista no sul do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo Brasil, h\u00e1 poucas esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o por conta dessa baixa ocorr\u00eancia de fen\u00f4menos naturais que a gente tem aqui no pa\u00eds. O lagarto-da-areia foi classificado em risco de extin\u00e7\u00e3o por tsunami por causa de um tsunami de baixa magnitude, que atingiu a costa em 2004. A r\u00e3-grilo-de-barriga-vermelha foi classificada em risco de extin\u00e7\u00e3o devido a furac\u00f5es, por causa de um furac\u00e3o tamb\u00e9m de baixa magnitude que ocorreu naquele mesmo ano, em 2004\u201d, explica Carolina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Furac\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora, a prote\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es de animais amea\u00e7ados por furac\u00f5es e tsunamis envolve a conserva\u00e7\u00e3o do<em>&nbsp;habitat<\/em>. \u201cAs barreiras naturais como os mangues, as dunas e os recifes de corais s\u00e3o importantes para proteger essas \u00e1reas durante impactos de furac\u00f5es e tsunamis\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Hf6iEK1rD6j3aIUTJ_4S5LAkZuM=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/whatsapp_image_2023-05-29_at_17.01.29_1.jpg?itok=2elumlOg\" alt=\"S\u0101o Paulo (SP) - Um felino selvagem, negro e raro \u00e9 registrado em reserva protegida na Mata Atl\u00e2ntica por meio de c\u00e2meras, realizado em espa\u00e7o conservado no Paran\u00e1, que captou em v\u00eddeo a imagem da m\u00e3e, com colora\u00e7\u00e3o inteiramente negra, e seu filhote com a colora\u00e7\u00e3o comum da esp\u00e9cie - o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) - considerada em risco de extin\u00e7\u00e3o.\n\nFrame\/Programa Grandes Mam\u00edferos da Serra do Mar\/Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio \" style=\"width:562px;height:auto\" title=\"Frame\/Programa Grandes Mam\u00edferos da Serra do Mar\/Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><sub>Gato-do-mato-pequeno corre risco de extin\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Frame\/Programa Grandes Mam\u00edferos da Serra do Mar\/Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio<\/strong><\/sub><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ela explica que criar \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o e conectar fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que podem ampliar a \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAlguns eventos naturais como as erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas podem ser t\u00e3o graves que nenhuma dessas interven\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>in situ<\/em>&nbsp;[ou seja, no pr\u00f3prio<em>&nbsp;habitat<\/em>] pode ajudar a salvar essas esp\u00e9cies. Nesse caso, a conserva\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>ex situ<\/em>&nbsp;[ou seja, fora do<em>&nbsp;habitat<\/em>], por exemplo, estabelecendo programas de cativeiro ou translocando popula\u00e7\u00f5es para outras \u00e1reas que tamb\u00e9m s\u00e3o adequadas para elas pode ser uma medida de manejo que precisa ser avaliada\u201d, opina Carolina.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O estudo n\u00e3o analisou poss\u00edveis efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas, segundo a pesquisadora, fen\u00f4menos influenciados pelo clima, como os furac\u00f5es, est\u00e3o aumentando em frequ\u00eancia e magnitude. \u201cApesar de esses impactos ainda serem desconhecidos, \u00e9 prov\u00e1vel que eles sejam muito significativos na biodiversidade\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de cientistas da USP e do ITV-DS, participaram do estudo pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro (JBRJ) e da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es de Mo\u00e7ambique, Dinamarca, Su\u00e9cia, Holanda, Su\u00ed\u00e7a, Espanha, Reino Unido, Singapura, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ocorr\u00eancia de quatro fen\u00f4menos naturais extremos -terremotos, tsunamis, furac\u00f5es e erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas &#8211; coloca 3.722 esp\u00e9cies de vertebrados terrestres em risco de extin\u00e7\u00e3o. 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