{"id":126177,"date":"2024-08-08T10:27:11","date_gmt":"2024-08-08T13:27:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124941"},"modified":"2024-08-08T10:27:11","modified_gmt":"2024-08-08T13:27:11","slug":"rotulos-sobre-gangstalking-podem-agravar-problema-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=126177","title":{"rendered":"R\u00f3tulos sobre\u00a0gangstalking podem agravar problema, diz\u00a0pesquisadora"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/4DuNX2GmD3MXMM9Et5zsxJRiDXo=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/07\/artboard_2.jpg?itok=7PSOJI8k\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 07.08.2024 - Arte de gr\u00e1fico para a mat\u00e9ria Alerta de gatilho. Arte\/Ag\u00eancia Brasil\" style=\"width:428px;height:auto\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, um fen\u00f4meno complexo e controverso ganhou espa\u00e7o no ambiente digital quase que imperceptivelmente. Em diferentes pa\u00edses, pessoas que se denominam indiv\u00edduos-alvo (ou&nbsp;<em>target individual<\/em>) passaram a se reunir em grupos e f\u00f3runs digitais onde denunciam a a\u00e7\u00e3o orquestrada de pessoas e organiza\u00e7\u00f5es para desacredit\u00e1-las, prejudic\u00e1-las e, no limite, lev\u00e1-las \u00e0 morte.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1606864&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1606864&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/adF3LQYRFVFmvhQ9GpyzXn4tOks=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/06\/liz-johnston-4_researchgate.jpg?itok=Andsz9eS\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 06\/08\/2024 - Psicoterapeuta e assistente social Liz Johnston, professora da Universidade Polit\u00e9cnica da Calif\u00f3rnia.\u00a0\nFoto: Gina N. Cinardo\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Gina N. Cinardo\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><sub>Psicoterapeuta e assistente social Liz Johnston, professora da Universidade Polit\u00e9cnica da Calif\u00f3rnia &#8211;\u00a0<strong>Gina N. Cinardo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/sub><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com a valida\u00e7\u00e3o de quem acredita ser v\u00edtima do mesmo tipo de ass\u00e9dio, algumas dessas pessoas deixaram o espa\u00e7o virtual para atuar tamb\u00e9m no ambiente anal\u00f3gico. Criaram associa\u00e7\u00f5es e passaram a encher assembleias estaduais e c\u00e2maras municipais de pedidos de informa\u00e7\u00e3o e sugest\u00f5es de leis de iniciativa popular para proteger as v\u00edtimas do chamado&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;\u2013 a cren\u00e7a de que se \u00e9 alvo de uma persegui\u00e7\u00e3o organizada por um grupo desconhecido de pessoas com acessos a modernos dispositivos capazes de interpretar os pensamentos e modificar o comportamento de suas v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Professora da Universidade Polit\u00e9cnica da Calif\u00f3rnia, a assistente social e psicoterapeuta Liz Johnston se interessou pelo tema ao constatar que dois de seus pacientes compartilhavam a mesma convic\u00e7\u00e3o. \u201cBuscando meios de ajud\u00e1-los, comecei a pesquisar\u201d, contou Liz, que n\u00e3o tardou a perceber a relev\u00e2ncia do tema e suas implica\u00e7\u00f5es: embora incerto, o n\u00famero de pessoas que se autodeclaram indiv\u00edduos-alvo n\u00e3o \u00e9 irrelevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Liz est\u00e1 finalizando um<a href=\"https:\/\/ethicspress.com\/products\/gangstalking\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;livro<\/a>&nbsp;que deve ser publicado em breve, pela editora inglesa Ethics Press, com artigos in\u00e9ditos escritos por pesquisadores que j\u00e1 publicaram trabalhos acad\u00eamicos sobre o&nbsp;<em>gangstalking<\/em>. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que a professora concedeu \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, por&nbsp;<em>e-mail<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Primeiramente, o que \u00e9&nbsp;<em>gangstalking<\/em>? Quais suas especificidades?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;<em>Gangstalking<\/em>&nbsp;\u00e9 um conceito emergente no campo das cren\u00e7as persecut\u00f3rias. Caracteriza-se pela cren\u00e7a pessoal de ser perseguido ou vigiado por um grupo difuso de pessoas. Ao contr\u00e1rio do que acontece nos casos de persegui\u00e7\u00e3o individual [<em>stalking<\/em>], as v\u00edtimas do&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;n\u00e3o identificam claramente seus perseguidores, acreditando tratar-se, na maioria das vezes, de pessoas associadas a ag\u00eancias governamentais ou autoridades policiais. Essas pessoas se identificam como indiv\u00edduos-alvo (TIs) e relatam invas\u00f5es domiciliares, vigil\u00e2ncia aberta ou encoberta, dor infligida por dispositivos remotos e controle eletr\u00f4nico da mente. O conceito abrange \u00e1reas como criminologia, psicologia, redes sociais e servi\u00e7o social, mas, como n\u00e3o se encaixa perfeitamente em uma \u00fanica categoria de investiga\u00e7\u00e3o, h\u00e1, ainda, uma escassez de pesquisas acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, os TIs s\u00e3o frequentemente considerados paranoicos. Um diagn\u00f3stico que pode criar mais problemas do que ajudar a resolver a quest\u00e3o. H\u00e1, inclusive, um debate sobre o qu\u00e3o \u00e9tico \u00e9 rotular pessoas com diagn\u00f3sticos estigmatizantes como paranoia, especialmente diante da aus\u00eancia de tratamentos efetivamente eficazes. Outra quest\u00e3o \u00e9tica \u00e9: por que m\u00e9dicos e psic\u00f3logos t\u00eam o poder e o privil\u00e9gio de decidir se os clientes est\u00e3o delirando? A defini\u00e7\u00e3o de &#8220;ideia delirante&#8221; \u00e9 complexa. Basta ver que muitas pessoas acreditam em fen\u00f4menos como fantasmas ou ovnis [objetos voadores n\u00e3o identificados] e n\u00e3o s\u00e3o taxadas de delirantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Fazer essa ressalva em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico n\u00e3o pode ser compreendido como uma valida\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a persecut\u00f3ria dessas pessoas?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Este \u00e9 um ponto-chave no meu livro. Muitos pesquisadores acreditam que os TIs s\u00e3o delirantes porque o controle mental, hoje, seria algo imposs\u00edvel, ou porque outras a\u00e7\u00f5es relatadas seriam extremamente caras. H\u00e1, contudo, um hist\u00f3rico de programas de vigil\u00e2ncia governamental voltados contra cidad\u00e3os norte-americanos, como, por exemplo, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cia.gov\/readingroom\/document\/06760269\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto MK-Ultra<\/a>&nbsp;[programa experimental por meio do qual a Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia dos EUA (CIA) financiou experimentos de controle mental sem o conhecimento das \u201ccobaias involunt\u00e1rias\u201d] que envolveu experimentos com o uso de drogas, eletrochoques, isolamento, abuso e tortura.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Departamento Federal de Investiga\u00e7\u00e3o [FBI]&nbsp;infiltrou agentes secretos em organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, conduzindo projetos secretos e ilegais de vigil\u00e2ncia como parte do seu programa de contraintelig\u00eancia. De ativistas dos direitos civis a integrantes da Ku Klux Klan foram alvo da vigil\u00e2ncia e de a\u00e7\u00f5es para desacredit\u00e1-los. As informa\u00e7\u00f5es a respeito desses fatos est\u00e3o dispon\u00edveis na internet,&nbsp;e os TIs acabam recorrendo a elas para fundamentar a cren\u00e7a&nbsp;de que eles tamb\u00e9m est\u00e3o sendo perseguidos. Minha tese \u00e9 que os indiv\u00edduos-alvo t\u00eam pouco ou nenhum apoio [social]. E que, talvez, nesses casos, a ideia de que um grupo de pessoas se importa com voc\u00ea a ponto de persegui-lo acabe funcionando como uma esp\u00e9cie de comunidade de apoio. Da mesma forma como os grupos sobre&nbsp;<em>gangstalking<\/em>, nos quais esses indiv\u00edduos encontram outras pessoas que creem neles que n\u00e3o os rotulam como paranoicos ou delirantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Evitar termos diagn\u00f3sticos \u00e9 para n\u00e3o estigmatizar as pessoas?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Qual o benef\u00edcio de rotularmos algu\u00e9m com um problema de sa\u00fade mental dizendo \u201cvoc\u00ea \u00e9 paranoico\u201d? Creio n\u00e3o ser construtivo rotular pessoas sem uma teoria v\u00e1lida e sem um tratamento eficaz. Insisto: muitas pessoas acreditam em fantasmas. Por que n\u00e3o rotulamos isso como um del\u00edrio persecut\u00f3rio? Houve casos documentados de persegui\u00e7\u00e3o governamental nos EUA \u2014 e se alguns TIs estivessem realmente sendo visados pelo governo? O objetivo do livro que lan\u00e7aremos em breve \u00e9 revisar as discuss\u00f5es e os pontos de vista atuais sobre o&nbsp;<em>gangstalking<\/em>, destacando a falta de pesquisa, identificando aspectos desconhecidos e recomendando mais investiga\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Em suas pesquisas, a senhora conseguiu identificar a origem dos termos&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;e indiv\u00edduos-alvo (TIs)? Desde quando esse tema e vem despertando o interesse de profissionais da sa\u00fade e acad\u00eamicos?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Os termos&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;e indiv\u00edduos-alvo&nbsp;tiveram origem em grupos&nbsp;<em>online<\/em>, criados pelos pr\u00f3prios TIs para terem espa\u00e7os onde descrever suas experi\u00eancias. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/psycnet.apa.org\/record\/2015-44283-003\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeiro artigo acad\u00eamico&nbsp;sobre o assunto<\/a>&nbsp;foi publicado em 2015. Nele, a autora, a psic\u00f3loga Lorraine Sheridan, usa a express\u00e3o<em>&nbsp;group-stalking<\/em>&nbsp;(persegui\u00e7\u00e3o em grupo).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;H\u00e1 registros de que esse fen\u00f4meno esteja ocorrendo em outros pa\u00edses al\u00e9m dos Estados Unidos e do Brasil? H\u00e1 pessoas estudando o&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;a s\u00e9rio em outras partes do mundo?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;S\u00f3 tenho conhecimento de artigos de pesquisa publicados nos Estados Unidos e na Austr\u00e1lia. Mas, mesmo entre profissionais de sa\u00fade dos Estados Unidos, o tema ainda tem pouca visibilidade. H\u00e1&nbsp;pouco tempo, fui convidada a fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;em hospitais locais, e os profissionais de medicina na audi\u00eancia mal tinham ouvido falar do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;O que a motivou a estudar&nbsp;o tema? Por que a senhora cr\u00ea ser importante identificar, descrever e compreender o&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;quando alguns especialistas tratam o assunto como uma t\u00edpica manifesta\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica, fen\u00f4meno j\u00e1 bastante estudado?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Tive dois clientes que acreditavam ser alvos de persegui\u00e7\u00e3o organizada. Buscando meios de ajud\u00e1-los, comecei a pesquisar e conclu\u00ed que a paranoia em geral ainda n\u00e3o \u00e9 bem compreendida, que n\u00e3o h\u00e1 uma teoria coerente sobre o tema, conforme sustento em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/15228878.2022.2122851?scroll=top&amp;needAccess=true\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um dos meus artigos<\/a>. Hoje, acredito que o&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;\u00e9 um tema relevante por v\u00e1rios motivos. Nos EUA, por exemplo, ele poder estar associado a comportamentos violentos, conforme<a href=\"https:\/\/www.ledevoir.com\/documents\/pdf\/2022-12-20-SarteschiGangstalkingarticle2017.pdf?utm_source=recirculation&amp;utm_medium=hyperlien&amp;utm_campaign=corps_texte\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;apontou a doutora Christine M. Sarteschi<\/a>. Apesar disso, h\u00e1, hoje, menos de 15 artigos resultantes de pesquisa escritos em ingl\u00eas. Em contraste, uma pesquisa recente no Google por&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;me devolveu 632 mil resultados sobre o assunto, incluindo muitos relatos em primeira pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Considerando o pequeno n\u00famero de estudos s\u00e9rios, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um perfil das pessoas que se identificam como &#8220;v\u00edtimas&#8221; de gangstalking? A senhora cr\u00ea que as principais caracter\u00edsticas se mantenham, independentemente da nacionalidade ou cultura, ou tendem a variar?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Penso que ainda n\u00e3o h\u00e1 estudos suficientes para estabelecer um perfil detalhado dos chamados indiv\u00edduos-alvo. Com base na minha revis\u00e3o da literatura e na observa\u00e7\u00e3o de postagens sobre&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;em redes sociais, posso tecer algumas considera\u00e7\u00f5es. Geralmente, eles t\u00eam mais de 40 anos. Em geral, enfrentaram situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis na vida, como div\u00f3rcio, racismo, pobreza, demiss\u00e3o ou dificuldades para encontrar emprego, al\u00e9m de experi\u00eancias de abuso ou trauma na inf\u00e2ncia. Costumam estar distantes dos familiares e isolados dos vizinhos. Os homens parecem mais propensos a postar sobre suas experi\u00eancias do que as mulheres. Muitos descrevem sintomas f\u00edsicos como dores agudas e dor de cabe\u00e7a, o que me leva a questionar se esses sintomas podem indicar problemas de sa\u00fade n\u00e3o diagnosticados. Para eles, no entanto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: os sintomas s\u00e3o causados por seus perseguidores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;No Brasil, h\u00e1 indiv\u00edduos-alvo que manifestam a cren\u00e7a de que seus perseguidores s\u00e3o grupos a servi\u00e7o de for\u00e7as malignas ou diab\u00f3licas que pretendem corromp\u00ea-los e desvi\u00e1-los do caminho do bem. Algumas dessas pessoas sustentam que os indiv\u00edduos-alvo s\u00e3o escolhidos por Deus, e da\u00ed os esfor\u00e7os para desacredit\u00e1-los, adoec\u00ea-los e lev\u00e1-los \u00e0 morte. O que a senhora pensa sobre isso? Esse aspecto religioso poderia tornar o del\u00edrio persecut\u00f3rio mais preocupante?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Isso tamb\u00e9m ocorre nos Estados Unidos \u2013&nbsp;cerca de um ter\u00e7o dos&nbsp;<em>posts<\/em>&nbsp;no Reddit e no Quora [redes sociais] faz&nbsp;refer\u00eancia a ideias religiosas e aconselha&nbsp;outros TIs a se voltarem para Deus e orarem para conseguirem lidar com o&nbsp;<em>gangstalking<\/em>. N\u00e3o vejo esse aspecto como algo t\u00e3o preocupante, pois estou convencida de que as cren\u00e7as religiosas s\u00e3o realmente \u00fateis para alguns TIs.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;No Brasil e nos EUA, h\u00e1 associa\u00e7\u00f5es legalmente constitu\u00eddas para promover a cren\u00e7a e defender os interesses dos indiv\u00edduos-alvo. Peti\u00e7\u00f5es, pedido de informa\u00e7\u00f5es e propostas de leis de iniciativa popular v\u00eam sendo apresentadas a legisladores de diferentes cidades e estados com base na atua\u00e7\u00e3o dessas entidades. A senhora conhece a abrang\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es norte-americanas? At\u00e9 que ponto elas podem propagar esse sistema de cren\u00e7as persecut\u00f3rias e mobilizar pessoas?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Sei que existem v\u00e1rios grupos nacionais nos Estados Unidos e que eles est\u00e3o organizando peti\u00e7\u00f5es para legisladores. De fato, com base no pedido de uma dessas associa\u00e7\u00f5es, o Conselho Municipal de Richmond (CA) aprovou, em 2015, uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ci.richmond.ca.us\/ArchiveCenter\/ViewFile\/Item\/6545\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resolu\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;que estabelece que o munic\u00edpio \u00e9 uma zona-segura onde cidad\u00e3os n\u00e3o podem ser alvo de armas espaciais (saiba mais&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2024-08\/gangstalking-medicos-alertam-para-risco-de-crenca-em-perseguicao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:&nbsp;<\/strong>A senhora pode falar um pouco mais sobre seu livro?<br \/><strong>Liz Johnston:<\/strong>&nbsp;Enviei uma proposta para a editora Ethics Press, do Reino Unido, que a aceitou. Em seguida, enviei&nbsp;<em>e-mails<\/em>&nbsp;para todos os autores que publicaram artigos sobre&nbsp;<em>gangstalking<\/em>&nbsp;e pedi que contribu\u00edssem com cap\u00edtulos para o livro. A maioria aceitou. No momento, estou editando os rascunhos de cap\u00edtulos e supervisionando meus alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na escrita dos cap\u00edtulos de conex\u00e3o. Pretendo enviar o rascunho final para a editora at\u00e9 meados de setembro. Espero que o livro seja publicado no in\u00edcio de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 importante procurar ajuda de um profissional capacitado para lidar com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis a fim de&nbsp;manter a sa\u00fade mental. O Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) oferece um servi\u00e7o de escuta acolhedora e apoio emocional, dispon\u00edvel no telefone 188. H\u00e1 tamb\u00e9m o&nbsp;<a href=\"https:\/\/mapasaudemental.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa da Sa\u00fade Mental<\/a>, ferramenta que permite a busca de servi\u00e7os p\u00fablicos e gratuitos por localidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, um fen\u00f4meno complexo e controverso ganhou espa\u00e7o no ambiente digital quase que imperceptivelmente. Em diferentes pa\u00edses, pessoas que se denominam indiv\u00edduos-alvo (ou&nbsp;target individual) passaram a se reunir em grupos e f\u00f3runs digitais onde denunciam a a\u00e7\u00e3o orquestrada de pessoas e organiza\u00e7\u00f5es para desacredit\u00e1-las, prejudic\u00e1-las e, no limite, lev\u00e1-las \u00e0 morte. 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