{"id":124984,"date":"2024-07-29T22:41:19","date_gmt":"2024-07-30T01:41:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124494"},"modified":"2024-07-29T22:41:19","modified_gmt":"2024-07-30T01:41:19","slug":"tecnologias-para-mapear-florestas-tropicais-favorecem-transicao-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124984","title":{"rendered":"Tecnologias para mapear florestas tropicais favorecem transi\u00e7\u00e3o verde"},"content":{"rendered":"\n<p>Cientistas empenhados em melhorar a tecnologia existente para criar um invent\u00e1rio de biodiversidade desenvolvem equipamentos in\u00e9ditos durante a participa\u00e7\u00e3o no concurso global XPrize Florestas Tropicais. Os novos equipamentos s\u00e3o capazes de monitorar, identificar e classificar \u00e1rvores, al\u00e9m de atrair e capturar insetos, tudo de forma aut\u00f4noma e em favor da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>As solu\u00e7\u00f5es foram projetadas pelas equipes que chegaram \u00e0 final da competi\u00e7\u00e3o e disputam o pr\u00eamio de US$5 milh\u00f5es (mais de R$25 milh\u00f5es), que ser\u00e1 pago ao primeiro colocado. Os \u00faltimos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos foram apresentados durante o m\u00eas de julho no teste de valida\u00e7\u00e3o ocorrido na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Rio Negro, pr\u00f3xima a Manaus, no estado Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Preocupados com o impacto que uma tecnologia de uso ambiental poderia causar, a equipe norte-americana Welcome to the Jungle optou por desenvolver solu\u00e7\u00f5es de material biodegrad\u00e1vel para posicionar suas plataformas capazes de coletar o material necess\u00e1rio para identificar esp\u00e9cies. Semelhante a uma teia de aranha, a estrutura se adequa a diferentes ambientes como copas de \u00e1rvores, e \u00e9 posicionada por meio de um drone.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alta resolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O grupo desenvolveu duas plataformas, uma equipada ao mesmo tempo por um sensor remoto do tipo Lider (Light Detection and Ranging), capaz de escanear em 3D e com alta defini\u00e7\u00e3o; e por uma c\u00e2mera multiespectral e de imagens t\u00e9rmicas mais adequada para \u00e1reas altas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ferramenta \u00e9 capaz de classificar as esp\u00e9cies de \u00e1rvore pela mancha da copa da \u00e1rvore na imagem formada. \u201cN\u00e3o \u00e9 um conceito novo, mas \u00e9 um novo modelo que se baseia basicamente na morfologia e no tipo de mancha principal. Assim, podemos morfologizar a mancha para saber que tipo de distribui\u00e7\u00e3o ela \u00e9\u201d, explica a especialista em DNA ambiental, Chai-Shian Kua.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra plataforma terrestre foi estruturada com armadilhas fotogr\u00e1ficas, sensores bioac\u00fasticos e coleta de DNA ambiental para \u00e1reas secas e alagadas. \u201cNossos dados de DNA ambiental podem ser coletados de v\u00e1rias formas. Temos a capacidade de coletar a \u00e1gua, mas tamb\u00e9m de filtrar e coletar de forma isolada, por exemplo\u201d, explica Matthew Spenko, especialista em rob\u00f3tica e coordenador da equipe.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas solu\u00e7\u00f5es foram equipadas com um aplicativo, tamb\u00e9m desenvolvido exclusivamente pela equipe, capaz de processar diferentes dados de forma autom\u00e1tica e sequencial e reportar em pouco tempo os dados em pain\u00e9is de f\u00e1cil compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Monitoramento<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como a equipe norte-americana, o grupo hispano brasileiro Providence+ tamb\u00e9m apostou no desenvolvimento de uma tecnologia exclusiva chamada Drop (sigla de Plataforma Operacional de Floresta Tropical Profunda em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>A ferramenta, similar a um disco atravessado por um eixo central, \u00e9 capaz de coletar dados muito similares aos dos concorrentes, com a diferen\u00e7a que re\u00fane todas as capacidades de captura em um mesmo equipamento, que pode se posicionado tanto dentro da \u00e1gua, quanto na copa de uma \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/29\/info_florestas_reconhecidas.png?itok=SQbHhOFz\" alt=\"timeline\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de sensores de movimento, c\u00e2meras, microfones e compartimento para amostra de DNA ambiental de \u00e1gua ou solo, a solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possui em sua estrutura bateria, GPS e sistema de comunica\u00e7\u00e3o sem fio que acessam uma intelig\u00eancia artificial para identifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies automatizada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIsso passa por identificar o que chamamos de classes de fontes ac\u00fasticas, tipos de fontes que podem pertencer a uma esp\u00e9cie ou a rio, vento, chuva, porque o reconhecimento autom\u00e1tico tamb\u00e9m inclui fontes n\u00e3o biol\u00f3gicas tipo f\u00edsica, como tormenta, chuva, ru\u00eddo de motores, disparo de rifle. H\u00e1 toda essa parte tamb\u00e9m que podemos falar que serve para a prote\u00e7\u00e3o desse terreno\u201d, explica Michel Andr\u00e9, que coordena a equipe.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia artificial recebeu como base de dados os estudos ac\u00fasticos desenvolvidos desde 2017 pela equipe, que re\u00fane estudiosos da Universidade da Catalunha e Pompeu Fabra de Barcelona, al\u00e9m da equipe de pesquisadores do Instituto Mamirau\u00e1, de Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esses dados, o equipamento j\u00e1 se tornou capaz de identificar 160 esp\u00e9cies por sons. \u201cA gente criou um sistema que pode hoje muito bem assumir o papel de ser um sistema de monitoramento automatizado da biodiversidade brasileira. A gente j\u00e1 tem isso e j\u00e1 est\u00e1 pronto, foi implementado na unidade de conserva\u00e7\u00e3o, no Instituto Mamirau\u00e1, e a gente est\u00e1 implementando em outras 20 unidades de conserva\u00e7\u00e3o, no Brasil e fora do Brasil\u201d, explica Emiliano Ramalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Insetos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/2YWjdG3CKwaD7p9bmOhQTikoy2k=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/29\/06072024-pzzb8644.jpg?itok=F77hbthP\" alt=\"Tumbira (AM) 06\/07\/2024 - Competidores do Xprize Rainforest testam equipamentos de monitoramento na floresta amaz\u00f4nica na comunidade de Tumbira, que fica dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) do Rio Negro Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Competidores do Xprize Rainforest testam equipamentos de monitoramento na floresta amaz\u00f4nica na comunidade de Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Rio Negro &#8211;&nbsp;<strong>Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a equipe Limelight Rainforest focou na biodiversidade de insetos. O grupo inovou nos modelos de armadilhas que foram acopladas em uma tecnologia tamb\u00e9m exclusiva desenvolvida pelo grupo norte-americano. Luzes noturnas trazem as in\u00fameras esp\u00e9cies at\u00e9 o ponto de captura das c\u00e2meras para que as imagens sejam finalmente analisadas por uma intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPercebemos que os insetos est\u00e3o realmente ausentes nos dados e s\u00e3o um dos organismos mais biodiversos do planeta. S\u00e3o um alimento importante, s\u00e3o importantes em todos os aspectos do ecossistema. Portanto, uma das grandes partes que estamos tentando avan\u00e7ar \u00e9 realmente construir esses bancos de dados e come\u00e7ar a entender quais insetos est\u00e3o aqui\u201d, explica Julie Allen, especialista em bioinform\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O equipamento \u00e9 uma plataforma de amostragem guiada por drone e que permite a coleta de informa\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m de esp\u00e9cies para an\u00e1lise e sequenciamento de DNA nos laborat\u00f3rios compactos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos medindo v\u00e1rias formas diferentes de coletar dados, ent\u00e3o temos dados ac\u00fasticos, coletaremos sons de p\u00e1ssaros, sons de morcegos, outros sons, coletaremos eDNA, DNA ambiental da \u00e1gua, do ar e de superf\u00edcies, e tamb\u00e9m coletaremos os pr\u00f3prios insetos\u201d, conta o coordenador do grupo Guillaume Charone.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aplicabilidade<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio de Economia Verde do Minist\u00e9rio Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC), Rodrigo Rollemberg, o desenvolvimento desse tipo de inova\u00e7\u00e3o pode favorecer a lideran\u00e7a brasileira na&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2024-03\/bioeconomia-e-vantagem-competitiva-na-transformacao-ecologica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">transi\u00e7\u00e3o para uma economia verde<\/a>. Por essa raz\u00e3o, o governo federal tem incentivado iniciativas como a realiza\u00e7\u00e3o da final do XPrize Florestas Tropicais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o secret\u00e1rio, tecnologias como as que est\u00e3o sendo desenvolvidas pelas equipes competidoras poder\u00e3o favorecer as cadeias produtivas da biodiversidade amaz\u00f4nica, al\u00e9m de consolidar os conhecimentos tradicionais por meio da ci\u00eancia e viabilizar solu\u00e7\u00f5es para problemas enfrentados pelas comunidades tradicionais e os povos origin\u00e1rios da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA monil\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a do cacaueiro e do cupua\u00e7uzeiro e o corte da \u00e1rvore \u00e9 necess\u00e1rio para enfrentar a praga. Mas, muitas vezes, as pessoas escondem a exist\u00eancia da planta doente com medo de perd\u00ea-la. Drones ligados \u00e0 intelig\u00eancia artificial com algor\u00edtmo que identifique a monil\u00edase, permitiam, por exemplo a atua\u00e7\u00e3o da defesa sanit\u00e1ria\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para reunir as inova\u00e7\u00f5es ao conhecimento, o MDIC pretende aproximar as&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2024-07\/centro-desenvolve-modelo-de-negocios-com-base-na-biodiversidade\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisas desenvolvidas pelo Centro de Bioneg\u00f3cios da Amaz\u00f4nia<\/a>&nbsp;(CBA), em Manaus, \u00e0s solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que resultarem do concurso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEsse \u00e9 o primeiro passo de uma parceria para que essas tecnologias possam se aproveitadas, possam ser disponibilizadas, possam ser refor\u00e7adas pelas institui\u00e7\u00f5es e pelas comunidades locais\u201d, refor\u00e7ou Rollemberg.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas empenhados em melhorar a tecnologia existente para criar um invent\u00e1rio de biodiversidade desenvolvem equipamentos in\u00e9ditos durante a participa\u00e7\u00e3o no concurso global XPrize Florestas Tropicais. 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