{"id":124980,"date":"2024-07-29T14:02:58","date_gmt":"2024-07-29T17:02:58","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124467"},"modified":"2024-07-29T14:02:58","modified_gmt":"2024-07-29T17:02:58","slug":"falta-de-base-de-dados-e-desafio-para-automatizar-pesquisas-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124980","title":{"rendered":"Falta de base de dados \u00e9 desafio para automatizar pesquisas ambientais"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma equipe de pesquisadores de diversas universidades brasileiras deu in\u00edcio a um invent\u00e1rio da Floresta Amaz\u00f4nica, com o levantamento de informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde sequenciamento de DNA, a fotos e sons de esp\u00e9cies vegetais e animais.<\/p>\n\n\n\n<p>A base de dados dar\u00e1 subs\u00eddios para a automatiza\u00e7\u00e3o do reconhecimento de esp\u00e9cies por uma intelig\u00eancia artificial utilizada pela equipe Brazilian Team na competi\u00e7\u00e3o XPrize Florestas Tropicais.<\/p>\n\n\n\n<p>Formado majoritariamente por brasileiros, o grupo se estruturou em 2019 pela necessidade de reunir diferentes expertises em busca das melhores contribui\u00e7\u00f5es para disputar a competi\u00e7\u00e3o global de mapeamento de florestas tropicais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCome\u00e7amos com um grupo pequeno e aos pouquinhos fomos acrescentando pessoas. Por exemplo, eu como bot\u00e2nico n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m da \u00e1rea de rob\u00f3tica, ent\u00e3o fui atr\u00e1s para achar um dos maiores especialistas de rob\u00f3tica e cheguei ao Marco Terra. Assim foi tamb\u00e9m para a parte de bioac\u00fastica, de DNA e tudo mais\u201d, relembra o coordenador do grupo Vin\u00edcius Souza, que \u00e9 bot\u00e2nico e professor na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP).<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos, os integrantes da equipe passaram a se dedicar \u00e0s solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que permitiriam avan\u00e7ar na disputa. Chegaram a uma combina\u00e7\u00e3o de sensores, podadores e armadilhas adaptados a drones e um rob\u00f4 terrestre, capazes de coletar DNA ambiental e atuar em rede para envio das informa\u00e7\u00f5es a uma intelig\u00eancia artificial que identifica as esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe desenvolveu tamb\u00e9m um protocolo que envolve abordagem modular para identificar sons, al\u00e9m de laborat\u00f3rios de mochila para an\u00e1lise de DNA ambiental em qualquer local.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de toda a tecnologia agrupada e adaptada para acessar lugares remotos nas florestas e captar a maior quantidade poss\u00edvel de amostras cient\u00edficas, o grupo identificou que havia uma lacuna a ser preenchida para identificar e validar as esp\u00e9cies: a base de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de haver amostras e listas de esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas em cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, o material n\u00e3o era completo o suficiente para ensinar uma intelig\u00eancia artificial a fazer a identifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cV\u00e1rias esp\u00e9cies aqui da Amaz\u00f4nia n\u00e3o s\u00e3o descritas pela ci\u00eancia e as que j\u00e1 s\u00e3o descritas, a gente n\u00e3o tem muitas informa\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o, n\u00e3o tem sequ\u00eancia de DNA, \u00e0s vezes n\u00e3o tem boas imagens, \u00e0s vezes n\u00e3o tem o som gravado\u201d, explica Carla Lopes, bi\u00f3loga molecular e professora da Esalq-USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos exemplos citados pela equipe s\u00e3o os insetos da Amaz\u00f4nia. Acredita-se que apenas 10% das esp\u00e9cies locais s\u00e3o registradas pela ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor volta de 90% das esp\u00e9cies de insetos que existem aqui na Amaz\u00f4nia ainda n\u00e3o foram catalogadas, n\u00e3o foram descritas, n\u00e3o tem um nome cient\u00edfico. A ci\u00eancia ainda n\u00e3o conhece, mas pode ser que a popula\u00e7\u00e3o local, a comunidade local conhe\u00e7a\u201d, refor\u00e7a Simone Dena, bi\u00f3loga especialista em bioac\u00fastica e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Invent\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o proposta para este problema foi iniciar um invent\u00e1rio de esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas e hosped\u00e1-lo, inicialmente, em cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ou em bancos de dados de ci\u00eancia-cidad\u00e3, at\u00e9 o fim da competi\u00e7\u00e3o. Segundo os pesquisadores, a ideia \u00e9 que isso venha a ser disponibilizado em uma plataforma p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA comunidade local \u00e0s vezes conhece o que a ci\u00eancia desconhece. O protocolo que a gente monta cria um potencial para essa comunidade local registrar digitalmente aquela esp\u00e9cie que \u00e9 conhecida j\u00e1 h\u00e1 milhares de anos\u201d, explica o professor Paulo Guilherme Molin, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (Ufscar), especialista em sensoriamento remoto.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 as semifinais, o Braziliam Team levantou 50 mil imagens de esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas, 16 mil sons e sequenciou o DNA de 624 \u00e1rvores, 384 insetos e 117 peixes, que foram classificados e inseridos na base de dados que alimenta a intelig\u00eancia artificial utilizada na \u00faltima prova aplicada \u00e0s seis equipes finalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O teste consistia em explorar 100 hectares de Floresta Amaz\u00f4nica, na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Rio Negro (AM), e coletar material por 24 horas, para serem processados em at\u00e9 48 horas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/UXBtK-ktbaYOaNSzfEj3VEptd-k=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/29\/06072024-pzzb8584.jpg?itok=Wm4R0LuT\" alt=\"Tumbira (AM) 06\/07\/2024 - Competidores do Xprize Rainforest testam equipamentos de monitoramento na floresta amaz\u00f4nica na comunidade de Tumbira, que fica dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) do Rio Negro Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Competidores do Xprize Rainforest testam equipamentos de monitoramento na floresta amaz\u00f4nica &#8211;&nbsp;<strong>Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Painel<\/h2>\n\n\n\n<p>Diferentemente do grupo brasileiro, a tamb\u00e9m finalista norte-americana Map of Life, formada por representantes de uma iniciativa global, j\u00e1 existia antes da competi\u00e7\u00e3o. O grupo surgiu em 2012, a partir da uni\u00e3o de pesquisadores das universidades de Yale e do Colorado, com o objetivo de criar um painel online para reunir o maior levantamento mundial sobre a distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies vivas no planeta e suas mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, a ferramenta evoluiu para integrar todos os tipos de dados, modelos de detec\u00e7\u00e3o remota e Intelig\u00eancia Artificial. Com o concurso, o grupo de pesquisadores buscou aprimorar a an\u00e1lise r\u00e1pida dos dados, em outra frente, relacionando de forma refinada as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em escala local, com as previs\u00f5es projetadas por institui\u00e7\u00f5es globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma ampla base de dados mundial, que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es de mais de 15 mil esp\u00e9cies no Caribe e Am\u00e9rica do Sul, 4,5 mil esp\u00e9cies nos Estados Unidos e Canad\u00e1 e outras mais de 6,1 mil esp\u00e9cies no Sudeste Asi\u00e1tico, o grupo tamb\u00e9m enfrenta a escassez de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas a respeito da Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do concurso, a equipe tamb\u00e9m precisou pesquisar a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo e conseguiu identificar 598 esp\u00e9cies de vertebrados, dos quais 218 foram documentados pela equipe; mais de 500 esp\u00e9cies de aves amaz\u00f4nicas e centenas de esp\u00e9cies de vegeta\u00e7\u00e3o, das quais mais do 80 s\u00e3o samambaias end\u00eamicas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Em termos tecnol\u00f3gicos, os pesquisadores utilizam drones equipados com captura de imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o e sensores ac\u00fasticos que transmitem as informa\u00e7\u00f5es para a base de dados, onde os cientistas refinam e publicam as esp\u00e9cies identificadas no painel online.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o foco principal das pesquisas \u00e9 nas mudan\u00e7as ocorridas em esp\u00e9cies de plantas, vertebrados terrestres e em alguns grupos de insetos, motivadas pelo aumento da temperatura global. Segundo o coordenador do grupo e professor na Universidade de Yale, Walter Jetz, o principal objetivo \u00e9 avaliar o processo de perda da biodiversidade de acordo com os par\u00e2metros da Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica (CDB) estabelecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas desde a Eco 92, ocorrida no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jetz conta que o trabalho realizado pela iniciativa foi respons\u00e1vel, inclusive, pelo ajuste nos percentuais de preserva\u00e7\u00e3o dos biomas terrestres e mar\u00edtimos para 30% no acordo global, em 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrazer as esp\u00e9cies e a biodiversidade de volta aos \u00edndices previsto nesses acordos internacionais \u00e9 uma das grandes contribui\u00e7\u00f5es que a Map of Life e as avalia\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas t\u00eam se empenhado e a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante para avan\u00e7armos nos outros indicadores como \u00edndice das esp\u00e9cies no habitat, que possibilita a avalia\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as, e ainda \u00e9 uma lacuna do conhecimento\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inova\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o concurso, os principais ajustes promovidos pela equipe foram o desenvolvimento de t\u00e9cnicas que possibilitam a an\u00e1lise do e-DNA (amostra ambiental com informa\u00e7\u00f5es gen\u00f4micas de diversas esp\u00e9cies) em locais remotos e a amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de capta\u00e7\u00e3o de dados em diferentes biomas, para atender especificidades da Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os dois grupos de pesquisadores, o pr\u00eamio de US$5 milh\u00f5es (mais de R$25 milh\u00f5es) para o primeiro colocado poder\u00e1 viabilizar um aprofundamento das pesquisas e, no caso da equipe brasileira, a constru\u00e7\u00e3o de uma plataforma nacional para reunir essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os integrantes do Brazilian Team, se vencerem, esses valores ser\u00e3o revertidos em investimentos a favor da ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois que a gente coletar esses dados precisamos armazenar em locais que de fato salvaguardem esses materiais tanto das imagens e informa\u00e7\u00f5es das esp\u00e9cies, quanto DNA, ou sons. Ent\u00e3o, a gente vai precisar de infraestrutura inclusive para manter esses acervos, para comprar, por exemplo, um servidor e fazer a manuten\u00e7\u00e3o de uma cole\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que receber\u00e1 esse material\u201d, conclui Carla Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Rep\u00f3rter e fot\u00f3grafo F\u00e1bio Pozzebom viajaram a convite do Instituto Alana<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe de pesquisadores de diversas universidades brasileiras deu in\u00edcio a um invent\u00e1rio da Floresta Amaz\u00f4nica, com o levantamento de informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde sequenciamento de DNA, a fotos e sons de esp\u00e9cies vegetais e animais. 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