{"id":124933,"date":"2024-07-25T12:08:52","date_gmt":"2024-07-25T15:08:52","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124318"},"modified":"2024-07-25T12:08:52","modified_gmt":"2024-07-25T15:08:52","slug":"valorizacao-do-trabalho-de-trancistas-abre-festival-latinidades-no-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124933","title":{"rendered":"Valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho de trancistas abre Festival Latinidades no DF"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Ka2_ni0vFrerM3QJBl-NGWdYgVM=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/25\/latinidades-testeira.gif?itok=zhbZUN8x\" alt=\"banner latinidades 2024 \" style=\"width:434px;height:auto\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Sentada por entre as pernas da av\u00f3 Rosalina, a menina Ana L\u00facia de Lima sabia que aquelas m\u00e3os que faziam as tran\u00e7as em seu cabelo eram respons\u00e1veis por um grande momento do dia, quando morava em Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, aos 68 anos de idade, Ana, a mais antiga trancista em atividade no Distrito Federal (onde vive desde 1970), tem a felicidade de saber que \u00e9 respons\u00e1vel por ensinar outras mulheres negras a fazer tran\u00e7as, como um dia aprendeu olhando para a av\u00f3. Muito mais do que a atividade profissional, ela entendeu que o saber transmitido de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o tinha for\u00e7a maior do que o enla\u00e7ar dos cabelos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA tran\u00e7a \u00e9 uma maneira de preservar a hist\u00f3ria do meu povo e de simbolizar resist\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O papel das trancistas \u00e9 debatido,&nbsp;nesta quinta (25), no primeiro evento do Festival Latinidades, em Bras\u00edlia, a partir das 14h, no Museu da Rep\u00fablica. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/latinidades.com.br\/brasilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Festival Latinidades<\/a>&nbsp;tem apoio da&nbsp;<strong>Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC)<\/strong>. Confira a&nbsp;<a href=\"https:\/\/latinidades.com.br\/brasilia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">programa\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Uma das debatedoras \u00e9 a pesquisadora Layla Maryzandra (foto), que estudou o&nbsp;tema durante o mestrado na Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e coordena o projeto \u201cTran\u00e7as no Mapa\u201d, que foi contemplado pelo Fundo de Apoio \u00e0 Cultura (FAC).<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um mapa geogr\u00e1fico, ela destaca o car\u00e1ter cultural e afetivo sobre os modos de saber e fazer de trancistas negras do Distrito Federal e do Entorno (as cidades de outros Estados que s\u00e3o vizinhas).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Hraq8mfctTDHuKv0YBxBs2og0bw=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/24\/vac_abr2407246663.jpg?itok=7M3wTgKQ\" alt=\"Bras\u00edlia, (DF), 24\/07\/2024 - Layla Maryzandra, Mapa de Tran\u00e7as - Latinidades. Foto Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil.\" style=\"width:493px;height:auto\" title=\"Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><sub>Layla Maryzandra, coordenadora do projeto \u201cTran\u00e7as no Mapa\u201d,\u00a0reuniu\u00a0hist\u00f3rias de 95 mulheres negras trancistas no DFl.\u00a0Foto\u00a0 &#8211;\u00a0<strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/sub><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<p>\u201cO objetivo da pesquisa \u00e9 fazer o primeiro processo de identifica\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de tran\u00e7ar enquanto of\u00edcio, saber tradicional do Distrito Federal, apontando a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas para o Estado, no sentido de pensar essas pol\u00edticas para trancistas negras\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mapeamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Layla Maryzandra&nbsp;defende que \u00e9 necess\u00e1rio comprovar que a atividade das trancistas&nbsp;\u00e9 um saber e um of\u00edcio tradicional que precisa ser considerado patrim\u00f4nio imaterial do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento do Latinidades, nesta quinta, conta com a participa\u00e7\u00e3o do presidente do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), Leandro Grass. O debate \u00e9 realizado em parceria com o Minist\u00e9rio do Trabalho e Instituto Fios da Ancestralidade, al\u00e9m de representantes do Minist\u00e9rio da Cultura.&nbsp; O tema de 2024 \u00e9 \u201cVem ser f\u00e3 de Mulheres Negras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de Layla Maryzandra conseguiu chegar a hist\u00f3rias de 95 mulheres negras trancistas no DF e, somando-se outras regi\u00f5es, a um total de 122.&nbsp;Segundo ela,&nbsp;a maioria dessas trancistas mais jovens n\u00e3o t\u00eam a apropria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cultural do que significa essa pr\u00e1tica, que vai muito al\u00e9m de tend\u00eancias de moda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que a gente demonstra no processo de identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia ou moda. A pr\u00e1tica est\u00e1 ligada aos modos de vida especialmente de mulheres negras\u201d, diz a pesquisadora, que \u00e9 pedagoga de forma\u00e7\u00e3o e j\u00e1 foi trancista profissionalmente, a primeira da fam\u00edlia que gerou renda com a atividade. A m\u00e3e e a av\u00f3 dela, com quem ela aprendeu a fazer as tran\u00e7as, s\u00e3o nascidas no Maranh\u00e3o. \u201cEu nasci no Quilombo Urbano da Liberdade, em S\u00e3o Lu\u00eds. Minha m\u00e3e e a minha av\u00f3 nasceram no Quilombo de Dam\u00e1sio, em Guimar\u00e3es (MA).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Invent\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de apresentar a pesquisa de mestrado at\u00e9 o final do ano, o projeto de mapear as trancistas vai continuar no ano que vem com mais suporte tecnol\u00f3gico e com p\u00fablico maior, inclusive com um recurso pela Lei Paulo Gustavo para fazer uma segunda edi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As profissionais que responderam a pesquisa durante quatro meses t\u00eam a tran\u00e7a como renda principal. \u201cMas se tem uma perspectiva de ancestralidade, ent\u00e3o a gente precisa entender que a atividade n\u00e3o nasce no sal\u00e3o afro, mas com as m\u00e3es, com as av\u00f3s\u201d, avalia. A tran\u00e7a, ent\u00e3o, nasceria sim no quintal, na sala e na varanda de casa. \u201cA gente conseguiu um percentual maior de participantes na Ceil\u00e2ndia e em Taguatinga [duas das regi\u00f5es perif\u00e9ricas mais populosas na cercanias da capital]\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora utilizou t\u00e9cnicas&nbsp;t\u00edpicas de invent\u00e1rios participativos do Iphan que ajuda as comunidades a pensar a identifica\u00e7\u00e3o patrimonial de bens culturais. \u201c\u00c9 preciso contar a hist\u00f3ria das tran\u00e7as a partir da hist\u00f3ria das trancistas. A maioria de n\u00f3s est\u00e1&nbsp;na periferia. H\u00e1 pessoas que conhecem a capital somente a partir do Plano Piloto ou s\u00f3 a partir do patrim\u00f4nio material da cidade\u201d, lamenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E, por isso, ela defende que esse patrim\u00f4nio imaterial n\u00e3o fique em segundo plano. \u201c\u00c9 preciso entender que tudo isso s\u00f3 vai fazer sentido se a gente conseguir materializar isso enquanto pol\u00edtica p\u00fablica\u201d. Por isso, o levantamento \u00e9 entregue ao Iphan de forma que possa estimular outros mapas em mais unidades federativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contra invisibilidade<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisadora explica ainda que tem produzido v\u00eddeos para expor e contrapor a invisibilidade dessa atividade (profissional ou n\u00e3o).&nbsp;\u201cUm dos desdobramentos da pesquisa foi&nbsp;que as pessoas&nbsp; tiveram vontade de criar uma associa\u00e7\u00e3o nacional de trancistas negras [para garantia de direitos]\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora, foi gratificante ter como retorno das mulheres pesquisadas uma maior consci\u00eancia social sobre o que a tran\u00e7a significa como patrim\u00f4nio. Um dos aprendizados foi justamente dentro de casa, que um dia ensinou Layla a fazer as tran\u00e7as.&nbsp;A m\u00e3e, Maria de Nazar\u00e9 Martins Costa, de 72 anos, ficou orgulhosa do que descobriu com a filha. Ela conta que tamb\u00e9m aprendeu com as mais velhas, mas veio para Bras\u00edlia para ser manicure.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente n\u00e3o tinha essa vis\u00e3o. \u00c9 uma cultura de ancestralidade n\u00e3o tem como aprender sozinha\u201d, diz a m\u00e3e. Assim foi o caso tamb\u00e9m da mais antiga, Ana L\u00facia Lima, de 68, que \u00e9, para a pesquisadora Layla, uma fonte da sabedoria. Ana, inclusive, adotou o apelido que deu nome ao sal\u00e3o dela, Akini, que, em yorub\u00e1, quer dizer \u201cbem-vinda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3rica trancista lembra que ficava envergonhada, no come\u00e7o, de cobrar pelo servi\u00e7o de tran\u00e7ar os cabelos, uma atividade que pode demorar mais de 10 horas de trabalho, mas que sempre fazia com muita alegria. Ela, que j\u00e1 foi dom\u00e9stica e vendedora, abriu um sal\u00e3o em 1992. Ela descobriu que a habilidade com as m\u00e3os poderia ajudar \u201ccrian\u00e7as negras que ainda hoje sofrem discrimina\u00e7\u00e3o nas escolas\u201d. Ela parou de atender no sal\u00e3o, mas se diz realizada por espalhar o saber que aprendeu no colo da av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentada por entre as pernas da av\u00f3 Rosalina, a menina Ana L\u00facia de Lima sabia que aquelas m\u00e3os que faziam as tran\u00e7as em seu cabelo eram respons\u00e1veis por um grande momento do dia, quando morava em Belo Horizonte. 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