{"id":124855,"date":"2024-07-19T14:26:42","date_gmt":"2024-07-19T17:26:42","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124067"},"modified":"2024-07-19T14:26:42","modified_gmt":"2024-07-19T17:26:42","slug":"oito-em-cada-dez-quilombolas-vivem-com-saneamento-basico-precario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124855","title":{"rendered":"Oito em cada dez quilombolas vivem com saneamento b\u00e1sico prec\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>De cada dez quilombolas no pa\u00eds, praticamente oito vivem em lares com saneamento b\u00e1sico prec\u00e1rio ou ausente. S\u00e3o 1,048 milh\u00e3o de pessoas que moram em 357,1 mil lares. Isso representa 78,93% dos 1,3 milh\u00e3o de quilombolas que habitam domic\u00edlios permanentes ocupados. Essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 2,89 vezes maior que a da popula\u00e7\u00e3o brasileira (27,28%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos territ\u00f3rios quilombolas oficialmente reconhecidos, o percentual de moradores com precariedade no saneamento \u00e9 ainda maior, 90,02%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados fazem parte de um suplemento do Censo 2022, divulgado nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). \u00c9 a primeira edi\u00e7\u00e3o do Censo que apura detalhes espec\u00edficos da popula\u00e7\u00e3o quilombola. Para classificar uma pessoa como quilombola, o IBGE levou em considera\u00e7\u00e3o a autoidentifica\u00e7\u00e3o dos questionados, n\u00e3o importando a cor de pele declarada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/J4iowVhBL87nfkaWxNqbk1AsuNM=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/img_9392.jpg?itok=VdpZEWSz\" alt=\"Cavalcante (GO) - Quilombo Kalunga - Dois acordos celebrados pela Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) garantiram a posse imediata \u00e0 comunidade quilombola Kalunga das fazendas Fonte das \u00c1guas, com \u00e1rea de 6,5 mil hectares, e da Fazenda Vista Linda,\" title=\"Weverson Paulino\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Cavalcante (GO) &#8211; Sede do Quilombo Kalunga, Engenho II &#8211;&nbsp;<strong>Weverson Paulino<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O levantamento censit\u00e1rio aponta 495 territ\u00f3rios delimitados pelo Estado, onde moram 167,8 mil quilombolas. Eles s\u00e3o apenas 12,61% de todos os atuais descendentes de comunidades que resistiam \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para avaliar o saneamento b\u00e1sico dos domic\u00edlios, o IBGE analisou a forma de abastecimento de \u00e1gua, a exist\u00eancia de canaliza\u00e7\u00e3o, banheiro, tipo de esgotamento e o destino do lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos 72,4 milh\u00f5es de domic\u00edlios particulares permanentes ocupados recenseados no Brasil, 474,7 mil t\u00eam ao menos um morador quilombola. Eles s\u00e3o 0,66% dos lares do pa\u00eds. Nesses endere\u00e7os, os quilombolas representam 88,16% dos moradores, ou seja, quase todos que moram nesses domic\u00edlios compartilham a etnicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Da popula\u00e7\u00e3o quilombola, 98,51% moram em casa e 0,86% em apartamentos. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira, s\u00e3o 84,78% em casa e 12,51% em apartamentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/07\/18\/quilombolas_domicilios.jpg\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 18.07.2024. Quilombolas domic\u00edlios.\nCr\u00e9dito: Arte\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Precariedades<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/y_TJQTz_un3HqxM378Wp0ZniKJc=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/jfcrz_abr1406184286_1.jpg?itok=So8PSgt0\" alt=\"Acervo de mem\u00f3ria da Comunidade Quilombola de Mesquita, presente na regi\u00e3o da Cidade Ocidental h\u00e1 mais de 270 anos.\" title=\"Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Comunidade Quilombola de Mesquita, na regi\u00e3o da Cidade Ocidental, em Goi\u00e1s &#8211;&nbsp;<strong>Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O Censo identificou que 91,6 mil domic\u00edlios, onde moram 290,5 mil quilombolas conjugam tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es de precariedade (\u00e1gua, esgoto e lixo). S\u00e3o 21,89% dos moradores nessa situa\u00e7\u00e3o. Especificamente em territ\u00f3rios oficialmente reconhecidos, a parcela chega a 29,58%. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira geral, essa conjuga\u00e7\u00e3o de precariedades s\u00f3 acontece para 3% dos moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dado que mostra a desigualdade de condi\u00e7\u00f5es de moradia entre popula\u00e7\u00e3o quilombola e o total de residentes no Brasil \u00e9 a exist\u00eancia de banheiro exclusivo do domic\u00edlio. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira, 2,25% dos habitantes n\u00e3o possuem banheiro nessa condi\u00e7\u00e3o. Entre os quilombolas, essa propor\u00e7\u00e3o salta para 17,15%.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o piora nos territ\u00f3rios oficialmente reconhecidos, chegando a 24,77%. Equivale a dizer que de cada quatro moradores em \u00e1rea delimitada pelo Estado, um n\u00e3o tem banheiro em casa, precisando compartilhar com outra fam\u00edlia ou fazer uso de alternativa como \u201cburaco para deje\u00e7\u00f5es\u201d, segundo a classifica\u00e7\u00e3o do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>O tipo de esgotamento \u00e9 outro dado que exp\u00f5e as condi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias de habitantes que se reconhecem como descendentes de quilombos. Na popula\u00e7\u00e3o geral, 58,28% t\u00eam rede geral ou pluvial. Entre os quilombolas, s\u00e3o 12,55% apenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na outra ponta, mais da metade (57,67%) dos domic\u00edlios quilombolas tem esgoto via \u201cfossa rudimentar ou buraco\u201d. Na popula\u00e7\u00e3o geral, s\u00e3o 19,44%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente observa uma desigualdade bastante gritante, que dialoga tamb\u00e9m com a aus\u00eancia de banheiro de uso exclusivo\u201d, avalia a coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abastecimento de \u00e1gua<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/AQzUWyoyjLxLJ3ISgTeFaOLcRsU=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/trbr7290.jpg?itok=F5BStg1E\" alt=\"Recenseadores do IBGE percorrem as trilhas da comunidade quilombola de Pedra Bonita, no Alto da Boa Vista. Censo demogr\u00e1fico do IBGE identifica pela primeira vez a popula\u00e7\u00e3o e o territ\u00f3rio das comunidades quilombolas no Brasil.\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Recenseadores do IBGE percorrem as trilhas da comunidade quilombola de Pedra Bonita, no Alto da Boa Vista &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma principal de abastecimento de \u00e1gua, 83,88% dos domic\u00edlios do pa\u00eds t\u00eam fornecimento via rede geral de distribui\u00e7\u00e3o. Entre os lares quilombolas, o percentual cai para 57,07%. A queda \u00e9 maior ainda para os endere\u00e7os dentro de territ\u00f3rios reconhecidos, 34,55%.<\/p>\n\n\n\n<p>As propor\u00e7\u00f5es se invertem quando s\u00e3o observados domic\u00edlios que dependem de \u00e1gua de po\u00e7o. Entre o total de lares do pa\u00eds, s\u00e3o 11,44%. \u00cdndice que escala para 27,07% e 41,49% entre quilombolas que vivem fora e dentro de territ\u00f3rios reconhecidos, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outras formas de obter \u00e1gua identificadas pelos recenseadores est\u00e3o carro-pipa, armazenamento da chuva, fonte ou nascente, rios, a\u00e7udes, lagos e igarap\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Destino do lixo<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a popula\u00e7\u00e3o brasileira em geral, o servi\u00e7o de coleta de lixo direta ou indireta (dep\u00f3sito em ca\u00e7ambas) chega a 90,90% das pessoas. J\u00e1 entre os quilombolas, mal passa da metade (51,29%), situa\u00e7\u00e3o que se agrava nos territ\u00f3rios reconhecidos (30,49%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas \u00e1reas delimitadas oficialmente, a principal forma de dar fim ao lixo \u00e9 queimando na pr\u00f3pria propriedade. Pr\u00e1tica realizada por 65,49% dos residentes. Essa tamb\u00e9m \u00e9 a principal forma entre os quilombolas de todas as \u00e1reas. S\u00e3o 45,74% desses moradores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Territ\u00f3rios reconhecidos<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/txnuJzcQoEgRIB3AZNvX4NKula0=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/1038093-160816quilombola01889.jpg?itok=ZiRN4wVc\" alt=\"Rio de Janeiro - Quilombo Sacop\u00e3, na Lagoa Rodrigo de Freitas.Justi\u00e7a penhora bens da comunidade quilombola em um processo tramitado por 30 anos na justi\u00e7a.  (T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Rio de Janeiro &#8211; Quilombo Sacop\u00e3, na Lagoa Rodrigo de Freitas &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Diferentemente do&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-07\/analfabetismo-entre-quilombolas-e-27-vezes-media-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00edvel de alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/a>, no qual o IBGE n\u00e3o notou grande diferen\u00e7a entre os quilombolas que vivem dentro e fora dos territ\u00f3rios oficialmente reconhecidos, as disparidades s\u00e3o expl\u00edcitas quando se trata de caracter\u00edstica dos domic\u00edlios.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o gerente de Territ\u00f3rios Tradicionais e \u00c1reas Protegidas do (IBGE), Fernando Damasco, os dados revelam que os territ\u00f3rios oficialmente delimitados convivem com grandes dificuldades de infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Damasco pondera que essas \u00e1reas t\u00eam maior organiza\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica, a ponto de pressionarem o Estado pelo reconhecimento, no entanto, a oficializa\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o veio acompanhada de um conjunto de investimentos e infraestrutura de transforma\u00e7\u00e3o das suas realidades ou, pelo menos, adequa\u00e7\u00e3o aos par\u00e2metros m\u00ednimos de saneamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador, ao apontar precariedades, o Censo se torna uma ferramenta para mudar condi\u00e7\u00f5es dos agrupamentos quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas precariedades est\u00e3o concentradas. Em cada territ\u00f3rio a gente consegue dizer quantos domic\u00edlios est\u00e3o atendidos ou n\u00e3o. \u00c9 um conjunto de dados que s\u00e3o ferramentas para a gest\u00e3o p\u00fablica e para transforma\u00e7\u00e3o da realidade dessas comunidades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De cada dez quilombolas no pa\u00eds, praticamente oito vivem em lares com saneamento b\u00e1sico prec\u00e1rio ou ausente. S\u00e3o 1,048 milh\u00e3o de pessoas que moram em 357,1 mil lares. Isso representa 78,93% dos 1,3 milh\u00e3o de quilombolas que habitam domic\u00edlios permanentes ocupados. Essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 2,89 vezes maior que a da popula\u00e7\u00e3o brasileira (27,28%). 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