{"id":124854,"date":"2024-07-19T14:25:43","date_gmt":"2024-07-19T17:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124066"},"modified":"2024-07-19T14:25:43","modified_gmt":"2024-07-19T17:25:43","slug":"analfabetismo-entre-quilombolas-e-27-vezes-maior-que-media-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124854","title":{"rendered":"Analfabetismo entre quilombolas \u00e9 2,7 vezes maior que m\u00e9dia do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A taxa de analfabetismo entre a popula\u00e7\u00e3o quilombola \u00e9 2,7 vezes maior que a m\u00e9dia do Brasil. Enquanto em todo o\u00a0pa\u00eds o \u00edndice \u00e9 7%, na popula\u00e7\u00e3o quilombola alcan\u00e7a 18,99%. A revela\u00e7\u00e3o faz parte de um suplemento do Censo 2022, divulgado nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa quilombola representa 192,7 mil pessoas com 15 anos ou mais de idade que n\u00e3o sabem ler e escrever nem ao&nbsp;menos um bilhete simples. De acordo com o levantamento censit\u00e1rio, o pa\u00eds tem 1,330 milh\u00e3o de pessoas quilombolas, sendo 1,015 milh\u00e3o com 15 anos ou mais de idade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/IzO4TtxAAk_4LwpjDZdSo95F4ak=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/rj-3059.jpg?itok=CU_J69KJ\" alt=\"Ilha da Marambaia (RJ) - Futura sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes Quilombolas da Ilha de Marambaia (Arqimar)\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Ilha da Marambaia &#8211; Sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes Quilombolas da Ilha de Marambaia (Arqimar) &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O Censo 2022 foi o primeiro em que o IBGE coletou informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da popula\u00e7\u00e3o quilombola \u2013 descendentes de comunidades que resistiam \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o. Para classificar uma pessoa como quilombola, o IBGE levou em considera\u00e7\u00e3o a autoidentifica\u00e7\u00e3o dos questionados, n\u00e3o importando a cor de pele declarada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais, Marta Antunes, a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o, ou seja, que mede quem sabe ler e escrever, funciona como um indicador de resultado dos investimentos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e de jovens e adultos (EJA) nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Marta observa que a taxa&nbsp;mostra como os investimentos se traduzem no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre a popula\u00e7\u00e3o quilombola e a popula\u00e7\u00e3o residente no pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s oportunidades educacionais das \u00faltimas d\u00e9cadas em rela\u00e7\u00e3o aos investimentos em acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u201d, diz&nbsp;a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Localiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O Censo diferencia ainda a taxa dos quilombolas por local de moradia \u2013 se \u00e9 dentro ou fora de territ\u00f3rio oficialmente reconhecido. Entre os que vivem nesses territ\u00f3rios, o \u00edndice \u00e9 de 19,75%, j\u00e1 nos que vivem fora de \u00e1reas reconhecidas, 18,88%.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Marta Antunes, a pequena diferen\u00e7a detona que o analfabetismo das pessoas quilombolas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o marcado pela localiza\u00e7\u00e3o dos domic\u00edlios, \u201ce sim pela sua etnicidade, a forma como elas t\u00eam tido acesso a processos educacionais, ou seja, estar dentro ou fora dos territ\u00f3rios n\u00e3o \u00e9 o grande marco diferenciador do acesso a oportunidades educacionais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De toda a popula\u00e7\u00e3o quilombola, apenas 12,61% (167.769 pessoas) vivem em territ\u00f3rios oficialmente reconhecidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Idade<\/h2>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise dos dados revela que, assim como acontece com o conjunto da popula\u00e7\u00e3o brasileira, entre os quilombolas o analfabetismo \u00e9 crescente a partir da faixa et\u00e1ria de 18 e 19 anos. Entre esse grupo de idade, o \u00edndice \u00e9 de 2,91%. Para o estrato de 50 a 54 anos, a taxa chega a 28,04%, enquanto entre os com 65 anos ou mais alcan\u00e7a 53,93%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 18.07.2024. Quilombolas alfabetiza\u00e7\u00e3o.\nCr\u00e9dito: Arte\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A coordenadora do IBGE destaca que at\u00e9 os 24 anos de idade, as taxas de analfabetismo dos quilombolas e da popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo variam cerca de dois pontos percentuais a mais para o primeiro grupo. Mas \u00e0 medida que as faixas et\u00e1rias v\u00e3o crescendo, aumenta tamb\u00e9m a dist\u00e2ncia entre quilombolas e a m\u00e9dia nacional. Na popula\u00e7\u00e3o com 65 anos ou mais, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 20,25% na popula\u00e7\u00e3o brasileira e 53,93% na quilombola.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara endere\u00e7ar o analfabetismo nesse grupo [quilombola], a gente tem que olhar para essa faixa de idade tamb\u00e9m\u201d, sugere Marta Antunes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" alt=\"Rio de Janeiro - Quilombo Sacop\u00e3, na Lagoa Rodrigo de Freitas.Justi\u00e7a penhora bens da comunidade quilombola em um processo tramitado por 30 anos na justi\u00e7a. (T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Quilombo Sacop\u00e3 na Lagoa Rodrigo de Freitas &#8211;&nbsp;<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">G\u00eanero<\/h2>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, acontece entre os quilombolas comportamento semelhante ao da popula\u00e7\u00e3o brasileira, em que o analfabetismo dos homens \u00e9 maior que o das mulheres. A taxa dos homens quilombolas \u00e9 de 20,89%, superior \u00e0 das mulheres quilombolas (17,11%). Essa diferen\u00e7a de 3,78 pontos percentuais \u00e9 maior do que a observada na popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds, que foi de um ponto percentual (6,52% das mulheres e 7,51% dos homens).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Regi\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Das cinco regi\u00f5es do pa\u00eds, o Nordeste tem taxa de analfabetismo de quilombolas (21,60%) acima da m\u00e9dia nacional para essa popula\u00e7\u00e3o (18,99%). Em seguida aparecem o Sudeste (14,68%), Centro-Oeste (13,44%), Norte (12,55%) e Sul (10,04%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem taxas de alfabetiza\u00e7\u00e3o mais baixas para as pessoas quilombolas em todas as grandes regi\u00f5es, ent\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o que se repete independentemente da localiza\u00e7\u00e3o regional da popula\u00e7\u00e3o\u201d, assinala a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades quilombolas est\u00e3o em 25 das 27 Unidades da Federa\u00e7\u00e3o (UF). Apenas Acre e Roraima n\u00e3o registram essa presen\u00e7a. Ao observar o analfabetismo pelas UF, o IBGE verificou que oito estados t\u00eam taxas gerais acima do total quilombola (18,99%): Maranh\u00e3o (22,23%), Piau\u00ed (28,75%), Cear\u00e1 (26,38%), Rio Grande do Norte (24,08%), Para\u00edba (26,87%), Pernambuco (25,93%), Alagoas (29,77%) e Sergipe (23,76%).<\/p>\n\n\n\n<p>A menor taxa \u00e9 a do Distrito Federal, 1,26%, que chega ser menor que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o geral da UF (2,77%).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Munic\u00edpios<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/VaJSP_bd8QXBCF_SUvDE1a_QljE=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/jfcrz_abr1406184279_1.jpg?itok=YOlCyZsg\" alt=\"Acervo de mem\u00f3ria da Comunidade Quilombola de Mesquita, presente na regi\u00e3o da Cidade Ocidental h\u00e1 mais de 270 anos.\" title=\"Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Acervo de mem\u00f3ria da Comunidade Quilombola de Mesquita, presente na regi\u00e3o da Cidade Ocidental h\u00e1 mais de 270 anos &#8211;&nbsp;<strong>Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Dos 1,7 mil munic\u00edpios com popula\u00e7\u00e3o quilombola, foi poss\u00edvel verificar a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o em 1.683. O Censo constatou que em 81,58%, o n\u00e3o letramento de pessoas quilombolas \u00e9 acima da m\u00e9dia do local. Em 20,26% a diferen\u00e7a supera&nbsp;10 pontos percentuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O gerente de Territ\u00f3rios Tradicionais e \u00c1reas Protegidas do IBGE, Fernando Damasco, explica que isso caracteriza uma \u201cdisparidade significativa\u201d entre as duas popula\u00e7\u00f5es na maior parte dos munic\u00edpios. Ele detalha que entre os munic\u00edpios com diferen\u00e7as superiores a 10 pontos percentuais, h\u00e1 concentra\u00e7\u00f5es no Vale do Rio Amazonas, no Maranh\u00e3o e no Semi\u00e1rido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodos os estados nordestinos t\u00eam uma concentra\u00e7\u00e3o expressiva de munic\u00edpios nessa situa\u00e7\u00e3o\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p>Marta Antunes considera que a diferen\u00e7a encontrada dentro dos munic\u00edpios, com quilombolas vivenciando maiores taxas de analfabetismo, chama \u201cmuita aten\u00e7\u00e3o\u201d. Ela adiantou que no fim do ano, o IBGE divulgar\u00e1 dados semelhantes, diferenciando a escolaridade das comunidades, levando em considera\u00e7\u00e3o se est\u00e3o em \u00e1rea rural ou urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, ser\u00e1 uma forma de analisar melhor as disparidades. De acordo com a pesquisadora, os dados iniciais j\u00e1 sinalizam que h\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o desigual para os quilombolas em termos de investimento de pol\u00edticas p\u00fablicas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de analfabetismo entre a popula\u00e7\u00e3o quilombola \u00e9 2,7 vezes maior que a m\u00e9dia do Brasil. Enquanto em todo o\u00a0pa\u00eds o \u00edndice \u00e9 7%, na popula\u00e7\u00e3o quilombola alcan\u00e7a 18,99%. 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