{"id":124807,"date":"2024-07-16T18:21:50","date_gmt":"2024-07-16T21:21:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=123914"},"modified":"2024-07-16T18:21:50","modified_gmt":"2024-07-16T21:21:50","slug":"guerra-cultural-via-redes-sociais-estimula-violencia-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124807","title":{"rendered":"\u201cGuerra cultural\u201d via redes sociais estimula viol\u00eancia pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p>Os disparos contra o ex-presidente Donald Trump, nos Estados Unidos (EUA), reacenderam o debate sobre o aumento da viol\u00eancia pol\u00edtica em algumas sociedades nos \u00faltimos anos, como a brasileira e a norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas consultados pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, os discursos de \u00f3dio e a chamada \u201cguerra cultural\u201d, potencializada pelas redes sociais, alimentam essa viol\u00eancia pol\u00edtica que tem caracter\u00edsticas distintas da vivida durante a Guerra Fria, quando os EUA e a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS) disputavam influ\u00eancias no planeta, resultando nas ditaduras pela Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>O p\u00f3s-doutor do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (NEV\/USP) soci\u00f3logo Pablo Almada destaca que a \u201cguerra cultural\u201d \u00e9 uma estrat\u00e9gia usada n\u00e3o apenas para demarcar um posicionamento pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m criar espa\u00e7os de batalha nas redes sociais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA guerra cultural tem uma l\u00f3gica bastante bin\u00e1ria e excludente. Pensa-se em binarismos que s\u00e3o insuper\u00e1veis. \u00c9 aquela ideia de n\u00f3s, os nativos, contra os imigrantes. N\u00f3s, os locais, contra o globalismo, entre outras dicotomias. Isso cria um problema, que \u00e9 muito grave, que \u00e9 uma polariza\u00e7\u00e3o que ultrapassa a esfera da pol\u00edtica\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o especialista, a \u201cguerra cultural\u201d \u00e9 a disputa pol\u00edtica no campo ideol\u00f3gico que disputa valores, cren\u00e7as e normas culturais, sendo utilizada por grupos conservadores e de direita para manipular a opini\u00e3o p\u00fablica com ret\u00f3rica incendi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Almada avalia que essa l\u00f3gica da \u201cguerra cultural\u201d ganhou for\u00e7a a partir dos anos 2010, especialmente com a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, em 2016, quando o pol\u00edtico republicano convocou o estrategista Steve Bannon para ser seu marqueteiro pol\u00edtico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia legitimada&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>O professor da Universidade de Denver, dos Estados Unidos, e pesquisador do Washington Brazil Office (WBO) Rafael R. Ioris, avalia que a viol\u00eancia pol\u00edtica tem crescido nos \u00faltimos anos impulsionada pelos discursos de \u00f3dio que pregam a intoler\u00e2ncia e legitimam o uso da for\u00e7a para resolver quest\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem diferen\u00e7a entre os contextos nacionais, mas o que essa nova viol\u00eancia pol\u00edtica tem em comum \u00e9 essa vis\u00e3o autorit\u00e1ria e homog\u00eanea da sociedade que prega que as diferen\u00e7as t\u00eam que ser eliminadas e que isso tem que ser resolvido pela for\u00e7a, se necess\u00e1rio. Ent\u00e3o isso faz parte de uma din\u00e2mica mais ampla\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ioris, imaginou-se no final do s\u00e9culo 20 que a viol\u00eancia pol\u00edtica poderia ser superada em algumas sociedades. Por\u00e9m, o que se viu nos \u00faltimos anos foi o crescimento dessa viol\u00eancia no Brasil, na Europa, e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma retomada desse discurso da viol\u00eancia, das for\u00e7as mais olig\u00e1rquicas, mais conservadoras, defendendo que n\u00e3o se deve admitir que a esquerda d\u00ea certo na Am\u00e9rica Latina, por exemplo. H\u00e1 uma nova manifesta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es violentas dentro da pol\u00edtica. Isso \u00e9 preocupante, at\u00e9 mesmo chocante, porque a gente imaginava que tinha superado isso\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Redes sociais<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dois especialistas destacaram o papel das redes sociais e da desinforma\u00e7\u00e3o no crescimento da viol\u00eancia pol\u00edtica atual. Para eles, a internet potencializou a dissemina\u00e7\u00e3o de discursos de \u00f3dio que, antes da internet, n\u00e3o circulavam de forma t\u00e3o ampla.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das caracter\u00edsticas dessa nova forma de viol\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 que ela perpassa os discursos constru\u00eddos nas redes sociais. A desinforma\u00e7\u00e3o amplifica essas vis\u00f5es equivocadas que se tem sobre o outro. N\u00e3o \u00e9 simplesmente uma not\u00edcia falsa, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de discursos e narrativas a partir de memes e virais que circulam amplamente nas redes sociais\u201d, explica o pesquisador da USP Pablo Almada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o especialista da WBO Rafael Ioris, as redes sociais s\u00e3o centrais para o est\u00edmulo \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica. \u201cA ferramenta das redes sociais n\u00e3o \u00e9 o mal em si, mas como ela serviu como instrumento para dar muita voz para esse discurso anti-sist\u00eamico. Isso foi fundamental\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Democracia<\/h2>\n\n\n\n<p>O crescimento da viol\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 um sintoma de uma crise nas ditas democracias liberais do mundo que, ao n\u00e3o conseguirem resolver os problemas dos povos, abrem espa\u00e7o para atores que prop\u00f5em uma ruptura da pr\u00f3pria democracia, segundo avalia o professor da Universidade de Denver Rafael Ioris.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, h\u00e1 uma insatisfa\u00e7\u00e3o crescente das pessoas nas sociedades modernas que, apesar de produzirem muitas riquezas, n\u00e3o s\u00e3o capazes de distribu\u00ed-las, concentrando os recursos no 1% mais rico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o se sentem muito representadas pelos partidos que existem. Sentem que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o d\u00e3o conta das suas demandas. Com isso, um setor da popula\u00e7\u00e3o passa a defender a ruptura, ou seja, explodir tudo, romper com essa democracia\u201d, acredita.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o soci\u00f3logo Pablo Almada, as institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas democr\u00e1ticas s\u00e3o alvos da \u201cguerra cultural\u201d e desinforma\u00e7\u00e3o que circula nas redes, citando como exemplo os ataques aos resultados eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs discursos da desinforma\u00e7\u00e3o tencionam a democracia, deslegitimando as figuras que est\u00e3o no poder p\u00fablico, os pol\u00edticos. E, quando se deslegitima, acaba tamb\u00e9m associando \u00e0s institui\u00e7\u00f5es \u00e0s quais fazem parte. Por exemplo, a campanha de desinforma\u00e7\u00e3o aqui no Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao Supremo Tribunal Federal (STF)\u201d, pontuou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Juventude<\/h2>\n\n\n\n<p>O p\u00f3s-doutor do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da USP Pablo Almada acrescenta ainda que a desinforma\u00e7\u00e3o disseminada pelas redes sociais tem apelo especial na juventude, que \u00e9 o p\u00fablico que mais consome internet.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara os jovens, a rede social funciona como um espa\u00e7o para obter informa\u00e7\u00f5es. Muitos n\u00e3o l\u00eaem outros meios, como portais de not\u00edcias. Eles acessam suas m\u00eddias sociais com as not\u00edcias que lhes interessam. Isso tamb\u00e9m faz com que eles estejam mais vulner\u00e1veis a essa desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador da WBO Rafael Ioris, \u00e9 dif\u00edcil dizer se a juventude, em sua maioria, aderiu aos discursos mais radicalizados. \u201cNessa elei\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, muitos jovens insatisfeitos, com subemprego, tamb\u00e9m acabaram apoiando um pouco essa vis\u00e3o de explodir o sistema. Ent\u00e3o, talvez sim, mas eu n\u00e3o sei se \u00e9 uma coisa que d\u00e1 para generalizar\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os disparos contra o ex-presidente Donald Trump, nos Estados Unidos (EUA), reacenderam o debate sobre o aumento da viol\u00eancia pol\u00edtica em algumas sociedades nos \u00faltimos anos, como a brasileira e a norte-americana. 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