{"id":124650,"date":"2024-07-03T08:55:39","date_gmt":"2024-07-03T11:55:39","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=123433"},"modified":"2024-07-03T08:55:39","modified_gmt":"2024-07-03T11:55:39","slug":"pantanal-podera-ter-crise-hidrica-historica-em-2024-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=124650","title":{"rendered":"Pantanal poder\u00e1 ter crise h\u00eddrica hist\u00f3rica em 2024, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>O Pantanal enfrenta\u00a0desde 2019 o per\u00edodo mais seco das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas e a tend\u00eancia \u00e9 que 2024 tenha a pior crise h\u00eddrica j\u00e1 observada no bioma, de acordo com um estudo in\u00e9dito lan\u00e7ado nesta quarta-feira (3). Os resultados apontam que, nos primeiros quatro meses do ano, quando deveria ocorrer o \u00e1pice das inunda\u00e7\u00f5es, a m\u00e9dia de \u00e1rea coberta por \u00e1gua foi menor do que a do per\u00edodo de seca do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi encomendado pelo WWF-Brasil e realizado pela empresa especializada ArcPlan, com financiamento do WWF-Jap\u00e3o. O diferencial em rela\u00e7\u00e3o a outras an\u00e1lises baseadas em dados de sat\u00e9lite \u00e9 o uso de dados do sat\u00e9lite Planet.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGra\u00e7as \u00e0 alta sensibilidade do sensor do sat\u00e9lite Planet, pudemos mapear a \u00e1rea que \u00e9 coberta pela \u00e1gua quando os rios transbordam. Ao analisar os dados, observamos que o pulso de cheias n\u00e3o aconteceu em 2024. Mesmo nos meses em que \u00e9 esperado esse transbordamento, t\u00e3o importante para a manuten\u00e7\u00e3o do sistema pantaneiro, ele n\u00e3o ocorreu\u201d, ressalta Helga Correa, especialista em conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil que \u00e9 tamb\u00e9m uma das autoras do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe forma geral, considera-se que h\u00e1 uma seca quando o n\u00edvel do Rio Paraguai est\u00e1 abaixo de 4&nbsp;metros. Em 2024, essa medida n\u00e3o passou de 1&nbsp;metro. O n\u00edvel do Rio Paraguai nos cinco primeiros meses deste ano esteve, em m\u00e9dia, 68% abaixo da m\u00e9dia esperada para o per\u00edodo\u201d, afirma Helga. \u201cO que nos preocupa \u00e9 que, de agora em diante, o Pantanal tende a secar ainda mais at\u00e9 outubro. Nesse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso refor\u00e7ar todos os alertas para a necessidade urgente de medidas de preven\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 seca e para a possibilidade de grandes inc\u00eandios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na Bacia do Alto Rio Paraguai, onde se situa o Pantanal, a esta\u00e7\u00e3o chuvosa ocorre entre os meses de outubro e abril, e a esta\u00e7\u00e3o seca, entre maio e setembro. De acordo com o estudo, entre janeiro e abril de 2024, a m\u00e9dia da \u00e1rea coberta por \u00e1gua foi de 400 mil hectares, em pleno per\u00edodo de cheias, abaixo da m\u00e9dia de 440 mil hectares registrada na esta\u00e7\u00e3o seca de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os autores do estudo, os resultados apontam&nbsp;uma realidade preocupante: o Pantanal est\u00e1 cada vez mais seco, o que o torna mais vulner\u00e1vel, aumentando as amea\u00e7as \u00e0 sua biodiversidade, aos seus recursos naturais e ao modo de vida da popula\u00e7\u00e3o pantaneira. A sucess\u00e3o de anos com poucas cheias e secas extremas poder\u00e1 mudar permanentemente o ecossistema do Pantanal, com consequ\u00eancias dr\u00e1sticas para a riqueza e a abund\u00e2ncia de esp\u00e9cies de fauna e flora, com grandes impactos tamb\u00e9m na economia local, que depende da navegabilidade dos rios e da diversidade de fauna.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Pantanal \u00e9 uma das \u00e1reas \u00famidas mais biodiversas do mundo ainda preservadas. \u00c9 um patrim\u00f4nio que precisamos conservar, por sua import\u00e2ncia para o modo de vida das pessoas e para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, ressalta Helga.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos eventos clim\u00e1ticos que agravam a seca, a redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua no Pantanal tem rela\u00e7\u00e3o com a\u00e7\u00f5es humanas que degradam o bioma, como a constru\u00e7\u00e3o de barragens e estradas, o desmatamento e as queimadas, explica Helga.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a especialista em conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil, diversos estudos j\u00e1 indicam que o ac\u00famulo desses processos degrada\u00e7\u00e3o, acentuados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pode levar o Pantanal a se aproximar de um ponto de n\u00e3o retorno &#8211; isto \u00e9, perder sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o natural, com redu\u00e7\u00e3o&nbsp;abrupta de esp\u00e9cies a partir de um certo percentual de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que as sucessivas secas extremas e as queimadas por elas potencializadas afetam a qualidade da \u00e1gua devido \u00e0 entrada de cinzas no sistema h\u00eddrico, causando mortalidade de peixes e retirando o acesso \u00e0 \u00e1gua das comunidades. \u201c\u00c9 preciso agir de forma urgente e mapear onde est\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es tradicionais e pequenas comunidades que ficam vulner\u00e1veis \u00e0 seca e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>A nota t\u00e9cnica traz uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es como mapear as amea\u00e7as que causam maiores impactos aos corpos h\u00eddricos do Pantanal, considerando principalmente a din\u00e2mica na regi\u00e3o de cabeceiras; fortalecer e ampliar pol\u00edticas p\u00fablicas para frear o desmatamento; restaurar \u00e1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) nas cabeceiras, a fim de melhorar a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e diminuir a eros\u00e3o do solo e o assoreamento dos rios, aumentando a qualidade e a quantidade de \u00e1gua tanto no planalto quanto na plan\u00edcie, e apoiar a valoriza\u00e7\u00e3o de comunidades, de propriet\u00e1rios e do setor produtivo que desenvolvem boas pr\u00e1ticas e d\u00e3o escala a a\u00e7\u00f5es produtivas sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pantanal enfrenta\u00a0desde 2019 o per\u00edodo mais seco das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas e a tend\u00eancia \u00e9 que 2024 tenha a pior crise h\u00eddrica j\u00e1 observada no bioma, de acordo com um estudo in\u00e9dito lan\u00e7ado nesta quarta-feira (3). 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