{"id":123836,"date":"2024-06-29T17:51:26","date_gmt":"2024-06-29T20:51:26","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=123315"},"modified":"2024-06-29T17:51:26","modified_gmt":"2024-06-29T20:51:26","slug":"bussola-poder-a-influencia-do-odio-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=123836","title":{"rendered":"B\u00fassola Poder: a influ\u00eancia do \u00f3dio na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o das&nbsp;<a href=\"https:\/\/exame.com\/eleicoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>elei\u00e7\u00f5es brasileiras<\/strong><\/a>&nbsp;foi, durante anos, dividir entre esperan\u00e7a e medo a ret\u00f3rica voltada a converter eleitores e conquistar votos. Esses dois sentimentos b\u00e1sicos eram usados pelo marketing para agregar eleitores em torno de um nome envolvido na disputa, ou afast\u00e1-los do advers\u00e1rio pelo temor de mudan\u00e7as que afetam a vida das pessoas de forma impactante se \u201co outro\u201d vencer.&nbsp;A f\u00f3rmula pode funcionar nos dias atuais, mas perdeu espa\u00e7o para o \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 interessante notar nas disputas municipais deste ano o uso do \u00f3dio como for\u00e7a motriz para agregar eleitores em torno de uma causa, afastando seu p\u00fablico cativo do advers\u00e1rio. E que peso isso ter\u00e1 nos resultados, a serem conhecidos nas calendas de outubro. Polos distantes com sentimentos contr\u00e1rios n\u00e3o se conversam, nem se comunicam, mant\u00eam um muro de seguran\u00e7a m\u00e1xima para impedir o di\u00e1logo entre os p\u00fablicos antag\u00f4nicos. As redes sociais s\u00e3o o principal instrumento da antissocializa\u00e7\u00e3o nas campanhas eleitorais, campo perfeito por manter a dist\u00e2ncia e permitir o anonimato para atacar advers\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em teoria, sem intercomunica\u00e7\u00e3o ou intera\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as de tend\u00eancia de voto ficam menores, com uma blindagem impermeabilizando as influ\u00eancias externas sobre os partid\u00e1rios de ideias ou ideais, seja \u00e0 esquerda, seja \u00e0 direita. Ser\u00e1 essa a aposta do bolsonarismo e do lulismo se replicando pelas cidades do pa\u00eds, apontam os discursos iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3bvio que isso tem um pre\u00e7o:&nbsp;impedir a reintegra\u00e7\u00e3o social no per\u00edodo posterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o.&nbsp;A sociedade se mant\u00e9m dividida e os governos parecem mancos, conversando somente com seu pr\u00f3prio eleitorado \u2013 sem alcan\u00e7ar o processo de reconstruir a unidade nacional. Basta ver a dificuldade em debater as&nbsp;<strong>pautas pol\u00eamicas<\/strong>&nbsp;levantadas como armas culturais contra os advers\u00e1rios no&nbsp;<strong>Congresso Nacional<\/strong>. Visam sempre encurralar, gerar dano popular ou emparedar segmento contr\u00e1rio com press\u00e3o de&nbsp;<strong>opini\u00e3o p\u00fablica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3dio cerca, limita, inibe, diminui e apequena o processo pol\u00edtico. Mas funciona. Vide a popularidade de&nbsp;<a href=\"https:\/\/exame.com\/brasil\/stf-forma-maioria-para-negar-habeas-corpus-a-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Jair Bolsonaro<\/strong><\/a>. Carlos Lacerda foi um precursor da modalidade nos anos de 1950, que teve em Juscelino Kubitschek um ant\u00edpoda sorridente. Bolsonaro n\u00e3o tem um ant\u00edpoda como JK, mas um Lula que deixou a paz e o amor para entrar na trincheira de enfrentamento com armas t\u00e3o potentes quanto as do advers\u00e1rio conservador.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>PT<\/strong>&nbsp;replica, por posicionamento de suas principais lideran\u00e7as, o ataque e a cr\u00edtica verbal belicosa contra personagens p\u00fablicas que manifestam d\u00favidas ou exp\u00f5em cr\u00edticas ao governo. Alguns at\u00e9 auxiliaram na vit\u00f3ria de&nbsp;<a href=\"https:\/\/exame.com\/mundo\/lula-visitara-presidente-bolivia-julho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lula<\/strong><\/a>&nbsp;na elei\u00e7\u00e3o de 2022, e podem ficar longe em 2026 diante do tratamento agressivo dispensado durante a gest\u00e3o. Mesmo gestos que poderiam ter outro tamanho, como a visita ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acabam diminu\u00eddos pela comunica\u00e7\u00e3o t\u00edmida do pr\u00f3prio ato, discreto, com agenda pouco trabalhada para corrigir a heran\u00e7a maldita que ficou marcada como cicatriz da rela\u00e7\u00e3o p\u00f3s-2002.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00fablicos mesmo, s\u00e3o os ataques ao mercado, ao presidente do Banco Central, ao empresariado. Mant\u00e9m uma tradi\u00e7\u00e3o de ter advers\u00e1rios ativos em quem se atirar e responsabilizar at\u00e9 por dificuldades dom\u00e9sticas. Dividir para governar n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o petista, claro. Mant\u00e9m o cercadinho ideol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o se foge da realidade:\u00a0cada vez que o presidente ataca as conven\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas do odiado mercado, o d\u00f3lar sobe, impactando pre\u00e7os de mercadorias, insumos, fertilizantes e m\u00e1quinas pesadas cotadas em moeda norte-americana. E a vida dos brasileiros fica mais cara, seja dos ricos, seja dos pobres. Os investidores nacionais param seus projetos e preferem deixar o dinheiro aplicado nos t\u00edtulos do tesouro, obrigados a remunerar com juros maiores o capital para financiar os gastos cada vez maiores do governo cercado de incertezas&#8230; \u00c9 o famoso efeito bumerangue, ou, pelos grot\u00f5es nacionais, tiro no p\u00e9. O\u00a0<strong>\u00f3dio<\/strong>\u00a0pode at\u00e9 funcionar em campanhas, mas n\u00e3o \u00e9 bom <strong>instrumento de governo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: M\u00e1rcio de Freitas<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o das&nbsp;elei\u00e7\u00f5es brasileiras&nbsp;foi, durante anos, dividir entre esperan\u00e7a e medo a ret\u00f3rica voltada a converter eleitores e conquistar votos. 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