{"id":123540,"date":"2024-06-06T10:32:38","date_gmt":"2024-06-06T13:32:38","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122371"},"modified":"2024-06-06T10:32:38","modified_gmt":"2024-06-06T13:32:38","slug":"lei-para-motoristas-de-app-pode-mudar-futuro-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=123540","title":{"rendered":"Lei para motoristas de app pode mudar futuro do trabalho"},"content":{"rendered":"\n<p>Na pr\u00f3xima semana, a Comiss\u00e3o de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os da C\u00e2mara dos Deputados dever\u00e1 votar a proposta de lei complementar encaminhada pelo governo para regulamentar a rela\u00e7\u00e3o de trabalho intermediado por empresas operadoras de aplicativos de transporte remunerado privado individual de passageiros em ve\u00edculos automotores de quatro rodas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os parlamentares dever\u00e3o votar o substitutivo do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2419243\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PLP 12\/2024<\/a>, escrito pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos \u2013 PE), relator da mat\u00e9ria. O projeto original, modificado por Coutinho, foi apresentado pelo governo no come\u00e7o de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE), a proposta que chegou no Congresso Nacional \u00e9 fruto das discuss\u00f5es de grupo de trabalho (GT) criado em maio do ano passado pelo pr\u00f3prio MTE, com a participa\u00e7\u00e3o das empresas e de trabalhadores do setor. O PLP tamb\u00e9m estabelece \u201cmecanismos de inclus\u00e3o previdenci\u00e1ria e outros direitos para melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo o parecer do deputado Augusto Coutinho, o PLP reflete \u201cquest\u00f5es mais amplas sobre o futuro do trabalho, a prote\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas em uma economia cada vez mais digitalizada e a necessidade de encontrar um equil\u00edbrio entre a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e os patamares m\u00ednimos de prote\u00e7\u00e3o social.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jurisprud\u00eancia negativa&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>O impacto no futuro do trabalho \u00e9 esperado at\u00e9 mesmo por quem n\u00e3o tem sua atividade alcan\u00e7ada diretamente pelo PLP, como \u00e9 o caso do SindimotoSP que representa motociclistas, ciclistas e mototaxista intermunicipal do estado de S\u00e3o Paulo. Para o presidente da entidade, Gilberto Almeida dos Santos, se o projeto virar lei cria \u201cgrande jurisprud\u00eancia negativa\u201d que \u201cvai arrastar todas as outras atividades que est\u00e3o sucateadas e precarizadas pelos aplicativos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Santos, a categoria n\u00e3o precisa da nova lei. Bastaria que as empresas de aplicativo cumpram a Lei 12.009\/2009, sobre a atividades de motoboys e mototaxistas; a Lei 12.436\/2011, vedando o aumento de velocidade das entregas; e a Lei 12.997\/2014, que inclui o trabalho do motociclista como atividade perigosa na CLT. \u201cA legisla\u00e7\u00e3o atual j\u00e1 seria suficiente. O PLP assegura menos direitos do que essas outras tr\u00eas leis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O sindicalista alerta para a possibilidade de que a nova legisla\u00e7\u00e3o retire garantias e direitos aos trabalhadores como carteira de trabalho assinada, f\u00e9rias remuneradas, d\u00e9cimo terceiro&nbsp;sal\u00e1rio; recolhimento do Fundo de Garantia do&nbsp;Tempo de Servi\u00e7o (FGTS).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perda de autonomia<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe unanimidade entre trabalhadores sobre o PLP 12\/2024 e a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho para os aplicativos. Alguns, como Gilberto Almeida dos Santos, temia&nbsp;a perda de direitos e se retiraram das discuss\u00f5es no grupo de trabalho&nbsp;do MTE . Outros trabalhadores temem a perda de autonomia e tributa\u00e7\u00e3o. \u201cA regulamenta\u00e7\u00e3o vai estourar em dois bolsos: no dos motoristas e no dos usu\u00e1rios\u201d, acredita o deputado Marcos Pollon (PL-MS) que se op\u00f5e \u00e0&nbsp;proposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica para debater o PLP na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul (29 de maio), Pollon defendeu que \u201cse tiver&nbsp;regulamenta\u00e7\u00e3o que seja apenas para assegurar aos motoristas aut\u00f4nomos as garantias no seu relacionamento com a plataforma, para que n\u00e3o ocorram abusos e o piso n\u00e3o se torne teto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para o parlamentar, os trabalhadores terem os direitos de quem est\u00e1 empregado no mercado formal \u00e9 \u201cuma fria, uma gelada.\u201d Antes de ser ovacionado por motoristas e seus representantes que acompanhavam a audi\u00eancia, Marcos Pollon afirmou que \u201cpara cada sal\u00e1rio que voc\u00eas recebam, o empres\u00e1rio paga mais dois de impostos, taxa, tributo e coisa e tal.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perfis diferentes&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A divis\u00e3o de opini\u00e3o dos trabalhadores pode ter a ver com os diferentes perfis que se dedicam ao trabalho. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), quatro de cada dez motoristas t\u00eam outra atividade e completam a renda atendendo passageiros de aplicativos, enquanto seis de cada dez motoristas t\u00eam o trabalho com os apps como atividade principal.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amobitec, que representa empresas de aplicativos de transporte, defende a regulamenta\u00e7\u00e3o conforme proposto pelo governo ao Congresso Nacional. \u201cTrata-se de nova forma de trabalho intermediada por aplicativos, que n\u00e3o se encaixa naqueles par\u00e2metros previstos na CLT\u201d, disse \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;Andr\u00e9 Alencar Porto, diretor executivo da Amobitec.<\/p>\n\n\n\n<p>A entidade empresarial criticou o texto substitutivo ao PLP 12\/2024, apresentado pelo relator &#8211; deputado Augusto Coutinho (Republicanos \u2013 PE). Conforme nota, o texto avan\u00e7ou \u201csobre temas que n\u00e3o foram objeto de discuss\u00e3o no grupo de trabalho&nbsp;com os representantes dos trabalhadores e das empresas\u201d. A entidade tamb\u00e9m pondera que a proposta pode aumentar \u201ca inseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d e erra ao incluir \u201cdispositivos que promovem interven\u00e7\u00e3o direta na opera\u00e7\u00e3o das plataformas, engessando diversas quest\u00f5es operacionais que podem afetar a qualidade do servi\u00e7o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00f5es civis<\/h2>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho j\u00e1 ajuizou 15 a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas contra as empresas que operam os aplicativos de mobilidade. At\u00e9 o momento, nenhuma teve julgamento final no Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Renan Kalil, procurador do MPT, h\u00e1 motoristas que \u201centendem que as plataformas n\u00e3o permitem que fa\u00e7am um trabalho que de fato seja aut\u00f4nomo\u201d e que t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o de que as plataformas controlam&nbsp;o&nbsp;trabalhos que motoristas e entregadores realizam.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Kalil assinala que o relacionamento entre empresas e trabalhadores de aplicativos conforma situa\u00e7\u00f5es peculiares de patr\u00e3o e empregado. Como ocorre, por exemplo, nas puni\u00e7\u00f5es, quando os trabalhadores deixam de aceitar a quantidade m\u00ednima de corridas que a plataforma considera ideal; ou quando motoristas apresentam taxa de cancelamento maior do que a plataforma entende como aceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o puni\u00e7\u00f5es que as empresas acabam aplicando diante de situa\u00e7\u00f5es em que o motorista est\u00e1 se comportando fora do esquadro em que elas projetaram&nbsp;como ideal. O patr\u00e3o tem o poder de avaliar, o patr\u00e3o tem o poder de punir, n\u00e3o?\u201d, pergunta o procurador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Empresas de transporte&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Para Renan Kalil, est\u00e1 errado, \u201cdo ponto de vista trabalhista tribut\u00e1rio e do direito do consumidor\u201d, o fato de as empresas de aplicativos se identificarem como \u201cde tecnologia ou de intermedia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs clientes quando baixam o aplicativo, n\u00e3o est\u00e3o querendo um servi\u00e7o de tecnologia. Eles est\u00e3o querendo um servi\u00e7o de transporte, de entrega. E os trabalhadores, quando se cadastram na plataforma, n\u00e3o est\u00e3o indo prestar um servi\u00e7o de tecnologia, mas&nbsp;um servi\u00e7o de transporte de pessoas ou de entrega de mercadorias\u201d, diz&nbsp;Kalil.<\/p>\n\n\n\n<p>O procurador lembra que as empresas de mobilidade registram suas marcas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) \u201ccomo empresa de transporte\u201d, que deve respeitar legisla\u00e7\u00e3o trabalhista existente para o&nbsp;setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que deveria ser considerado na regulamenta\u00e7\u00e3o, na opini\u00e3o do procurador, \u00e9 o fato de que o trabalhador n\u00e3o tem autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s operadoras para executar a atividade, para estabelecer o pre\u00e7o da corrida e nem para&nbsp;escolher passageiros, \u201cSe fosse aut\u00f4nomo, ele n\u00e3o deveria ser punido por aceitar a corrida ou por cancelar\u201d, acrescenta Kalil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a tramita\u00e7\u00e3o do PLP 12\/24 na Comiss\u00e3o de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, a proposta segue para a Comiss\u00e3o de Trabalho e, posteriormente para a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania \u2013 todas na C\u00e2mara dos Deputados. Sendo aprovado nas comiss\u00f5es, o PLP segue para o plen\u00e1rio da Casa. Aprovado, o PLP segue para tramita\u00e7\u00e3o no Senado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-04\/regulamentar-inteligencia-artificial-e-essencial-para-manter-empregos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ministro do Trabalho e Emprego<\/a>, Luiz Marinho defendeu a proposta encaminhada originalmente pelo governo e assegurou que os trabalhadores receber\u00e3o melhor remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-05\/trabalhador-de-aplicativo-sem-protecao-social-mas-contra-regulacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada<\/a>,&nbsp;motoristas e entregadores de aplicativos est\u00e3o trabalhando mais e ganhando menos desde que as plataformas de mobilidade come\u00e7aram a fornecer os servi\u00e7os para os usu\u00e1rios. Entre 2012 e 2015, os motoristas tinham rendimento m\u00e9dio mensal de R$ 3.100. Em 2022, o valor auferido era inferior a R$ 2.400 (queda de 22,5%). No caso dos entregadores, a redu\u00e7\u00e3o da renda m\u00e9dia foi ainda mais aguda em intervalo menor (- 26,66%), de R$ 2.250 em 2015 para R$ 1.650 em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Colaborou a rep\u00f3rter Sabrina Craide.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na pr\u00f3xima semana, a Comiss\u00e3o de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os da C\u00e2mara dos Deputados dever\u00e1 votar a proposta de lei complementar encaminhada pelo governo para regulamentar a rela\u00e7\u00e3o de trabalho intermediado por empresas operadoras de aplicativos de transporte remunerado privado individual de passageiros em ve\u00edculos automotores de quatro rodas. 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