{"id":123534,"date":"2024-06-05T20:04:51","date_gmt":"2024-06-05T23:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122352"},"modified":"2024-06-05T20:04:51","modified_gmt":"2024-06-05T23:04:51","slug":"grande-rio-registra-media-de-17-confrontos-por-dia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=123534","title":{"rendered":"Grande Rio registra m\u00e9dia de 17 confrontos por dia, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>A regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro registrou, de 2017 a 2023, uma m\u00e9dia de\u00a017 confrontos por dia, totalizando 38.271 no per\u00edodo. Quase 50% dos confrontos mapeados tinham a presen\u00e7a de policiais. Apesar dos n\u00fameros elevados,\u00a0mais da metade dos bairros n\u00e3o s\u00e3o afetados por nenhum tipo de ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados fazem parte&nbsp;do estudo in\u00e9dito&nbsp;<em>Grande Rio sob Disputa: Mapeamento dos Confrontos por Territ\u00f3rio<\/em>, elaborado pela institui\u00e7\u00e3o e pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF), divulgado hoje. O trabalho considerou dados sobre tiroteios e opera\u00e7\u00f5es entre 2017 e 2023 obtidos pelo Fogo Cruzado, pelo Geni, pelo Disque Den\u00fancia e tamb\u00e9m pelo Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP-RJ) no per\u00edodo de 2017 a 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se analisam todos os territ\u00f3rios ao longo desses anos, verifica-se que 60% dos bairros foram afetados por confrontos envolvendo policiais. Os 40% restantes registraram confrontos, mas sem a presen\u00e7a de policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a diretora de Dados e Transpar\u00eancia do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, a seguran\u00e7a p\u00fablica tem que ser feita com base em evid\u00eancias, tanto no estado do Rio de Janeiro quanto no Brasil como um todo. \u201cO problema \u00e9 grave no Rio de Janeiro, mas, quando nos baseamos em evid\u00eancias, conseguimos ver luz no fim do t\u00fanel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dos bairros afetados por confrontos, a maioria registra eventos pontuais e de baixa intensidade. \u201cS\u00e3o viol\u00eancias epis\u00f3dicas. N\u00e3o s\u00e3o viol\u00eancias cr\u00f4nicas. Na m\u00e9dia, s\u00f3 3,7% dos bairros, a cada ano, foram afetados por conflitos regulares e de alta intensidade&#8221;, avalia Maria Isabel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um em cada quatro bairros afetados por confronto foi caracterizado por conflitos de preponder\u00e2ncia policial: 85% dos casos naquele bairro ocorreram com a presen\u00e7a da pol\u00edcia. \u201cSignifica que o rem\u00e9dio n\u00e3o est\u00e1 listado para a doen\u00e7a\u201d, disse Maria Isabel, acrescentando que a solu\u00e7\u00e3o oferecida para a seguran\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o est\u00e1 calcada em evid\u00eancias da realidade enfrentada. Por isso, a medida est\u00e1 descalibrada e piorando o problema, acentuou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, uma pol\u00edtica p\u00fablica eficiente precisa levar em considera\u00e7\u00e3o tais evid\u00eancias para aplicar medidas corretas e nos locais necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cSe s\u00e3o aplicados recursos de guerra, como fuzis, de forma indiscriminada, em \u00e1reas de baixa intensidade e de baixa regularidade de conflitos, agrava-se a viol\u00eancia. A viol\u00eancia est\u00e1 na parte do problema e da solu\u00e7\u00e3o. O que se v\u00ea \u00e9 a pol\u00edcia atuando de forma indiscriminada e, \u00e0s vezes, tornando-se parte do problema\u201d, disse Maria Isabel.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Distribui\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O Rio de Janeiro tem um n\u00famero muito elevado de conflitos. De acordo com o relat\u00f3rio, na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro s\u00e3o, em m\u00e9dia, 17 confrontos por dia, totalizando 38.271 no per\u00edodo de sete anos. Maria Isabel ressalta, contudo, que os conflitos n\u00e3o se distribuem igualmente pelos bairros da regi\u00e3o metropolitana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste uma concentra\u00e7\u00e3o em determinadas \u00e1reas. E essa concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 s\u00f3 por recorte geogr\u00e1fico. Observam-se tamb\u00e9m padr\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais e qual grupo armado \u00e9 preponderante no territ\u00f3rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, esperavam-se mais confrontos com a presen\u00e7a da pol\u00edcia em \u00e1reas do tr\u00e1fico do que em \u00e1reas da mil\u00edcia porque, para esses anos estudados, h\u00e1 uma \u00e1rea maior coberta pelo tr\u00e1fico. No entanto, percebe-se disparidade de concentra\u00e7\u00e3o de confrontos envolvendo policiais em \u00e1rea do tr\u00e1fico, que \u00e9 muito maior do que na mil\u00edcia. \u201cIsso ocorre n\u00e3o s\u00f3 sobre quantos territ\u00f3rios cada grupo armado tem\u201d, disse a diretora do Instituto Fogo Cruzado. \u201dTem algo a mais do que isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o estudo, dos territ\u00f3rios dominados pelo tr\u00e1fico, 70% registram conflitos envolvendo policiais. No caso das mil\u00edcias, o percentual cai para 31,6%. \u201cExiste um padr\u00e3o de desigualdade muito grande. Sob outra abordagem, v\u00ea-se que para cada \u00e1rea dominada por fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico afetada por confrontos sem a pol\u00edcia, h\u00e1 cinco bairros afetados por confrontos policiais. No caso da mil\u00edcia, nessa mesma compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 um para um. Ou seja, cada \u00e1rea de mil\u00edcia que tem confrontos sem a presen\u00e7a da pol\u00edcia tem em contrapartida uma \u00e1rea de mil\u00edcia que registra confrontos policiais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conquistas<\/h2>\n\n\n\n<p>Proporcionalmente falando, a pol\u00edcia interv\u00e9m muito mais em \u00e1reas dominadas pelo tr\u00e1fico do que em \u00e1reas dominadas pela mil\u00edcia. Maria Isabel destacou, por\u00e9m, que os dados do mapa dos grupos armados n\u00e3o aponta para a conclus\u00e3o de que o tr\u00e1fico \u00e9 mais violento que a mil\u00edcia. Houve um padr\u00e3o de expans\u00e3o desses grupos territoriais. Quando se fala de territ\u00f3rios conquistados por um grupo armado a partir de confrontos, constata-se que o Comando Vermelho \u00e9 o que acumula o maior n\u00famero de \u00e1reas dominadas (45,3%). A mil\u00edcia vem em segundo lugar, com 25,5% e, em seguida, o Terceiro Comando Puro (TCP), com 23,3%. \u201cO Comando Vermelho \u00e9 o que mais conquista, mas \u00e9 tamb\u00e9m o que mais perde\u201d, comentou Maria Isabel.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo, 78,5% dos territ\u00f3rios conquistados pela mil\u00edcia por meio de conflitos foram \u00e1reas controladas pelo Comando Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cOs dados mostram que aquele mito do in\u00edcio dos anos 2000 de que mil\u00edcia seria um mal menor, que ela se comportava atrav\u00e9s de din\u00e2micas de viol\u00eancia diferentes do tr\u00e1fico e de que existia para livrar a popula\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico n\u00e3o \u00e9 verdade. As mil\u00edcias tamb\u00e9m usam a for\u00e7a, o confronto, para dominar territ\u00f3rios\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Maria Isabel, o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que o Estado opta por intervir muito mais em \u00e1reas do tr\u00e1fico do que em \u00e1reas de mil\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Chama-se conquista quando um grupo armado domina um novo territ\u00f3rio por meio de confronto, estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o de conflito para expulsar o que dominava aquela \u00e1rea. J\u00e1 a coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 quando a estrat\u00e9gia de expans\u00e3o n\u00e3o passa pelo confronto. \u201cOu vai ser a domina\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio que antes n\u00e3o era controlado por ningu\u00e9m, ou pode ser, por exemplo, atrav\u00e9s da coopta\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a local, quando o l\u00edder local que era de uma fac\u00e7\u00e3o passa para outro grupo. S\u00e3o, em geral, modelos de expans\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise do per\u00edodo de seis anos mostra que todos os grupos implantaram os dois tipos de padr\u00e3o de expans\u00e3o. Mas a maior parte dos territ\u00f3rios foi conquistada por coloniza\u00e7\u00e3o: 82,3% pelo TCP, 84%, no caso do Comando Vermelho e 90% da mil\u00edcia. \u201cA maior parte da expans\u00e3o dos grupos territoriais n\u00e3o se d\u00e1 a partir do conflito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa sobre os confrontos no Grande Rio \u00e9 parte do projeto Mapa Hist\u00f3rico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, lan\u00e7ado em 2021.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edcias<\/h2>\n\n\n\n<p>Em comunicado, a Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Militar disse que as a\u00e7\u00f5es da corpora\u00e7\u00e3o s\u00e3o pautadas &#8220;pelo planejamento pr\u00e9vio, sendo direcionadas pelas an\u00e1lises das manchas criminais locais, e s\u00e3o executadas dentro do previsto na legisla\u00e7\u00e3o vigente&#8221;. A PM afirmou ainda que a op\u00e7\u00e3o pelo confronto &#8220;\u00e9 uma conduta dos criminosos, que promovem ataques inconsequentes com armas de guerra n\u00e3o somente contra as for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado, mas tamb\u00e9m contra toda a sociedade&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio de Janeiro disse desconhecer a metodologia da pesquisa e, portanto, n\u00e3o quis comentar os dados. A Secret\u00e1ria de Estado de Pol\u00edcia Civil (Sepol) tamb\u00e9m disse que desconhece a metodologia utilizada na pesquisa citada e a possibilidade de rastreabilidade dos dados. &#8220;A institui\u00e7\u00e3o comenta apenas sobre o que tem conhecimento&#8221;, afirmou em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro registrou, de 2017 a 2023, uma m\u00e9dia de\u00a017 confrontos por dia, totalizando 38.271 no per\u00edodo. 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