{"id":122435,"date":"2024-05-21T13:05:11","date_gmt":"2024-05-21T16:05:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=121684"},"modified":"2024-05-21T13:05:11","modified_gmt":"2024-05-21T16:05:11","slug":"mata-atlantica-desmatamento-cai-em-areas-continuas-entre-2022-e-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122435","title":{"rendered":"Mata Atl\u00e2ntica: desmatamento cai em \u00e1reas cont\u00ednuas entre 2022 e 2023"},"content":{"rendered":"\n<p>O desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica teve redu\u00e7\u00e3o na parte cont\u00ednua do bioma, mas\u00a0registrou aumento em fragmentos isolados e \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o, na compara\u00e7\u00e3o entre 2022 e 2023. Os dados foram divulgados nesta ter\u00e7a-feira\u00a0(21) pela Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, com base no Atlas da Mata Atl\u00e2ntica e no Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atl\u00e2ntica, que s\u00e3o ferramentas complementares de medi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO desmatamento caiu nessa regi\u00e3o cont\u00ednua da Mata Atl\u00e2ntica, que vai do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, onde h\u00e1&nbsp;as florestas maduras. E aumentou nos encraves e nas transi\u00e7\u00f5es com os outros biomas, onde h\u00e1&nbsp;essas transi\u00e7\u00f5es com o Cerrado e com a Caatinga, e tamb\u00e9m onde existem&nbsp;florestas jovens\u201d, relatou o diretor executivo da SOS Mata Atl\u00e2ntica e engenheiro agr\u00f4nomo&nbsp;Lu\u00eds Fernando Guedes Pinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta que, embora os n\u00fameros pare\u00e7am conflitantes, ambos revelam&nbsp;a mesma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o de desmatamento na \u00e1rea cont\u00ednua e aumento nos encraves. \u201cIsso tamb\u00e9m tem a ver com a aplica\u00e7\u00e3o da Lei da Mata Atl\u00e2ntica, que protege toda a vegeta\u00e7\u00e3o nativa desse bioma, mas que tem sido contestada, atacada e n\u00e3o aplicada de maneira rigorosa nas regi\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o e de encraves.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da grande \u00e1rea cont\u00ednua entre o RN e o RS, a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 composta por regi\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o e encraves nos estados do Cear\u00e1, Piau\u00ed, de Goi\u00e1s, da Bahia, de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. \u201cSegundo a lei, s\u00f3 pode ter desmatamento em situa\u00e7\u00f5es de interesse social e utilidade p\u00fablica. E a gente observa que a maior parte do desmatamento, mais de 90%, v\u00eam da expans\u00e3o agropecu\u00e1ria, que n\u00e3o justifica interesse social ou utilidade p\u00fablica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A funda\u00e7\u00e3o avalia que a redu\u00e7\u00e3o no desmatamento na \u00e1rea cont\u00ednua \u00e9 sinal de que as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o e o monitoramento intensivo est\u00e3o produzindo resultados positivos. Destaca que est\u00e1 evidente que os desafios na Caatinga e no Cerrado s\u00e3o grandes&nbsp;onde existem&nbsp;essas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ODzj1Kz5wz8g0NmG8htBdhDlu8k=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/21\/20240501_barreiras_bahia_brasil_sos_mata_atlantica_thomas_bauer-6.jpg?itok=61kpvBnJ\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 21\/05\/2024 - Fotos feitas durante sobrevoo no norte da Bahia e parte do Piau\u00ed no in\u00edcio do m\u00eas\n\u00c1reas de encraves de Mata Atl\u00e2ntica no cerrado.\nFoto: Thomas Bauer\/ SOS Mata Atl\u00e2ntica\" title=\"Thomas Bauer\/ SOS Mata Atl\u00e2ntica\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup>Bras\u00edlia &#8211; \u00c1reas de encraves de Mata Atl\u00e2ntica no\u00a0norte da Bahia e parte do Piau\u00ed &#8211; Foto\u00a0<strong>Thomas Bauer\/ SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cNa Caatinga, s\u00e3o \u00e1reas que correm riscos de desertifica\u00e7\u00e3o. No Cerrado, o desmatamento tem muita import\u00e2ncia na prote\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, porque muitas nascentes importantes de v\u00e1rias bacias hidrogr\u00e1ficas do Brasil est\u00e3o nessa transi\u00e7\u00e3o. Isso limita os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos dessas regi\u00f5es para a regula\u00e7\u00e3o do clima, disponibilidade de \u00e1gua e tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria\u201d, disse. Ele acrescenta que as cidades dessas regi\u00f5es podem ficar ainda mais suscet\u00edveis a eventos clim\u00e1ticos extremos, incluindo chuvas e secas extremas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00fameros<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o Atlas da Mata Atl\u00e2ntica, coordenado pela SOS Mata Atl\u00e2ntica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento no bioma caiu de 20.075 hectares em 2022 para 14.697 em 2023, uma queda de 27%. A entidade ressalta que esses&nbsp;dados, entretanto, oferecem &nbsp;vis\u00e3o parcial do cen\u00e1rio. Isso porque o Atlas monitora \u00e1reas superiores a tr\u00eas hectares de&nbsp;florestas maduras, o que corresponde a 12,4% da \u00e1rea original do bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>O Atlas mostrou diminui\u00e7\u00e3o do desmatamento em grande parte dos 17 estados da Mata Atl\u00e2ntica, com exce\u00e7\u00e3o de Piau\u00ed, Cear\u00e1, de Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Minas Gerais, Paran\u00e1 e Santa Catarina se destacaram de forma positiva, com queda de 57%, 78% e 86%, respectivamente,. A mesma tend\u00eancia foi apontada pelo SAD, segundo avalia\u00e7\u00e3o da SOS Mata Atl\u00e2ntica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica inclui ainda regi\u00f5es em recupera\u00e7\u00e3o ou em est\u00e1gios iniciais de desenvolvimento, al\u00e9m dos encraves, o que amplia a cobertura vegetal para 24% da \u00e1rea do bioma. Al\u00e9m de ser capaz de monitorar toda essa parcela de vegeta\u00e7\u00e3o existente, o SAD consegue detectar desmatamentos a partir de 0,3 hectare.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o SAD, parceria entre a SOS Mata Atl\u00e2ntica e o MapBiomas, o desmatamento total aumentou de 74.556 para 81.356 hectares&nbsp;de 2022 para 2023. A \u00e1rea \u00e9 o equivalente a mais de 200 campos de futebol desmatados por dia e os n\u00fameros s\u00e3o preocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o engenheiro agr\u00f4nomo, a diferen\u00e7a entre os n\u00fameros se d\u00e1 sobretudo pelo aumento das derrubadas em encraves no Cerrado e na Caatinga, principalmente na Bahia, no Piau\u00ed e em&nbsp;Mato Grosso do Sul, identificadas pelo SAD. Essa perda se deu majoritariamente onde h\u00e1 expans\u00e3o agr\u00edcola. Ele questiona o sentido de haver tanta \u00e1rea agr\u00edcola se o pa\u00eds n\u00e3o consegue manter a sa\u00fade dos ecossistemas que sustentam a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Menos floresta, mais impactos<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cMenos floresta representa mais desastres naturais, epidemias e desigualdade. Para a agricultura, significa tamb\u00e9m quebras de safra recorrentes\u201d, disse. Ele avalia que, enquanto n\u00e3o houver um olhar integrado para todos os biomas, tanto no que se refere a zerar o desmatamento quanto \u00e0 prioriza\u00e7\u00e3o da restaura\u00e7\u00e3o florestal, as crises do clima e da biodiversidade continuar\u00e3o a se intensificar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/B9l-zotLPRGnSUj2cOLh4fHJykk=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/05\/21\/20240501_barra_bahia_brasil_sos_mata_atlantica_thomas_bauer-14.jpg?itok=9f_NIkLQ\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 21\/05\/2024 - Fotos feitas durante sobrevoo no norte da Bahia e parte do Piau\u00ed no in\u00edcio do m\u00eas\n\u00c1reas de encraves de Mata Atl\u00e2ntica no cerrado.\nFoto: Thomas Bauer\/ SOS Mata Atl\u00e2ntica\" title=\"Thomas Bauer\/ SOS Mata Atl\u00e2ntica\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>Bras\u00edlia &#8211; \u00c1reas de encraves de Mata Atl\u00e2ntica no norte da Bahia e parte do Piau\u00ed &#8211; Foto\u00a0<strong>Thomas Bauer\/ SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com a queda do desmatamento, cai tamb\u00e9m a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. J\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o retira g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera. \u201cPara alcan\u00e7ar a meta do Acordo de Paris, de aquecer o planeta somente at\u00e9 1,5 grau at\u00e9 o final do s\u00e9culo 21, a gente precisa parar de lan\u00e7ar g\u00e1s de efeito estufa na atmosfera, mas tamb\u00e9m precisa retirar g\u00e1s carb\u00f4nico. A&nbsp;forma mais barata e mais eficiente de conseguir&nbsp;isso \u00e9 plantando floresta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o do bioma tamb\u00e9m tem papel importante para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u201cO clima do planeta j\u00e1 est\u00e1 mudando, e, para isso, quanto mais floresta, mais estaremos preparados para nos adaptar aos eventos extremos, evitar as ondas de calor. Ter floresta aumenta o conforto t\u00e9rmico e o equil\u00edbrio das cidades.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Perto do Pampa, na Regi\u00e3o Sul, Guedes Pinto diz&nbsp;que a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 preocupante. \u201cMetade do Rio Grande do Sul \u00e9 Mata Atl\u00e2ntica, a parte do meio para o norte. Os desastres e as enchentes aconteceram nos dois biomas. Toda essa \u00e1gua que chega em&nbsp;Porto Alegre vem dos morros e das regi\u00f5es serranas do Rio Grande do Sul, que s\u00e3o&nbsp;totalmente Mata Atl\u00e2ntica\u201d, lembrou Lu\u00eds Fernando Guedes Pinto..<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Atlas mostram que restam somente 10% da Mata Atl\u00e2ntica original no Rio Grande do Sul. \u201cSe tivesse floresta protegendo os rios, as nascentes, as beiras de rio e os morros, a trag\u00e9dia poderia ter tido impactos muito menores. O desmatamento amplifica o efeito dessa chuva, o potencial dessa trag\u00e9dia\u00a0e\u00a0diminui a resili\u00eancia [das cidades]. Quanto mais natureza e floresta, maior a capacidade de resistir aos<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-05\/tragedia-no-rs-traz-debate-sobre-adaptacao-as-mudancas-climaticas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0impactos<\/a>, de minimiz\u00e1-los e tamb\u00e9m de ter mais resili\u00eancia para se recuperar ap\u00f3s o evento\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica teve redu\u00e7\u00e3o na parte cont\u00ednua do bioma, mas\u00a0registrou aumento em fragmentos isolados e \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o, na compara\u00e7\u00e3o entre 2022 e 2023. 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