{"id":122372,"date":"2024-05-16T11:49:51","date_gmt":"2024-05-16T14:49:51","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=121470"},"modified":"2024-05-16T11:49:51","modified_gmt":"2024-05-16T14:49:51","slug":"policiais-estao-pouco-preparados-para-lidar-com-lgbtfobia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122372","title":{"rendered":"Policiais est\u00e3o pouco preparados para lidar com LGBTfobia, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisa feita com um grupo LGBTQIA+ na cidade do Rio de Janeiro mostra que, embora a maioria tenha sofrido algum tipo de viol\u00eancia, muitas t\u00eam receio de ir a uma delegacia e denunciar o crime. O estudo mostra ainda que quando s\u00e3o registradas, muitas dessas ocorr\u00eancias acabam sendo arquivadas quando encaminhadas ao Minist\u00e9rio P\u00fablico. A pesquisa in\u00e9dita foi feita pelo grupo Pela Vidda, que nesta sexta-feira (17), no Dia Internacional Contra a LGBTfobia, apresenta os dados a policiais civis da capital fluminense.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mostram que as viol\u00eancias mais recorrentes foram homofobia, relatada por 53,6% dos entrevistados; viol\u00eancia psicol\u00f3gica, por 51,7%; e ass\u00e9dio e\/ou importuna\u00e7\u00e3o sexual, por 45,2%. Ao serem perguntados sobre a probabilidade de recorrerem \u00e0&nbsp;pol\u00edcia em caso de LGBTfobia, a maior parte, 29,3%, disse ser muito improv\u00e1vel que isso seja feito. Apenas 25% disseram ser muito prov\u00e1vel que fa\u00e7am a den\u00fancia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao serem questionados se o efetivo policial estaria preparado para atender a popula\u00e7\u00e3o&nbsp;LGBTQIA+, a&nbsp;maioria, 65%, marcou a op\u00e7\u00e3o \u201cmuito pouco preparado\u201d, enquanto 22,3% marcaram a op\u00e7\u00e3o \u201cpouco preparado\u201d e 9,1% marcaram \u201crazoavelmente preparado\u201d. Apenas 3,5% disseram que o efetivo est\u00e1 \u201cbem preparado\u201d ou \u201cmuito bem preparado\u201d. Quanto ao tratamento dispensado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, 61,7% dos entrevistados acreditam que os policiais n\u00e3o levam as den\u00fancias a&nbsp;s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi feita com 515 l\u00e9sbicas,&nbsp;<em>gays<\/em>, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais, pansexuais e outros. Os question\u00e1rios foram aplicados tanto&nbsp;<em>online<\/em>, quanto em locais e eventos voltados para pessoas LGBTQIA+, como o Mutir\u00e3o de Retifica\u00e7\u00e3o de Nome\/G\u00eanero para pessoas trans e n\u00e3o bin\u00e1ries, promovido pelo Coletivo Gard\u00eania Azul Diversidade, o Cinema Sapat\u00e3o, e na pr\u00f3pria Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (Decradi), localizada na Lapa, na regi\u00e3o central da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre aqueles que de fato buscaram uma delegacia, 186 pessoas entre as 515 entrevistadas, 28% disseram que a especifica\u00e7\u00e3o de crime de LGBTfobia foi recusada pela delegacia e 14% disseram que conseguiram fazer o registro, mas apenas depois de insistir.<\/p>\n\n\n\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas LGBTQIA+ \u00e9 crime no Brasil. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo. Faltam ainda levantamentos oficiais que mostrem a ocorr\u00eancia desse tipo de crime e como ele \u00e9 tratado no Brasil, de acordo com a diretora do grupo Pela Vidda, a advogada Maria Eduarda Aguiar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA LGBTfobia \u00e9 uma realidade que acontece na vida das pessoas e temos que aplicar a legisla\u00e7\u00e3o, porque sen\u00e3o estaremos sendo&nbsp;permissivos com pr\u00e1ticas que hoje j\u00e1 s\u00e3o consideradas criminosas\u201d, diz. \u201cA gente pode fazer um apanhado disso e falar, com certeza, que a maioria das pessoas que acessam e procuram a delegacia e a Justi\u00e7a, a maioria delas, muitas vezes, tem seus casos arquivados\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo fez&nbsp;tamb\u00e9m um levantamento junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro para acompanhar os casos de LGBTfobia que chegaram ao \u00f3rg\u00e3o. Ap\u00f3s a den\u00fancia ser apurada pela Pol\u00edcia Civil, os casos s\u00e3o encaminhados ao Minist\u00e9rio P\u00fablico para que seja formalizada uma den\u00fancia a ser analisada pela Justi\u00e7a. Os dados levantados nos \u00faltimos quatro anos mostram que menos da metade, 48,6%, dos casos viraram den\u00fancias. Um em&nbsp;cada quatro, 25,7%, foi arquivado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos \u00faltimos quatro anos, tivemos poucos casos denunciados de LGBTfobia\u201d, diz Aguiar. \u201cA pessoa tem sua den\u00fancia frustrada, ent\u00e3o&nbsp;ela perde a confian\u00e7a de que ir \u00e0&nbsp;delegacia denunciar vai dar em alguma coisa. L\u00e1 na frente, ela tem o risco de do Minist\u00e9rio P\u00fablico entender que n\u00e3o \u00e9 crime\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edcia Civil<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa ser\u00e1 formalmente apresentada nesta sexta-feira \u00e0 Pol\u00edcia Civil, como parte de uma a\u00e7\u00e3o para sensibilizar os policiais, melhorar o tratamento nas delegacias e estimular que a popula\u00e7\u00e3o denuncie mais esse tipo de crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a assessora especial da Secretaria de Pol\u00edcia Civil, Cl\u00e1udia Ot\u00edlia, a pol\u00edcia est\u00e1 buscado formas de melhorar a atua\u00e7\u00e3o dos policiais. Ela&nbsp;participou, na segunda-feira (13), de evento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para balan\u00e7o das pol\u00edticas p\u00fablicas para enfrentar a LGBTfobia no estado. Entre as medidas que est\u00e3o sendo tomadas pela Pol\u00edcia Civil, Cl\u00e1udia Ot\u00edli citou a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho voltado para a tem\u00e1tica LGBTQIA+, com o objetivo de rever procedimentos e protocolos policiais, e a reestrutura\u00e7\u00e3o de disciplina cursada pelos policiais durante a forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente est\u00e1 institucionalizando dois grupos de trabalho, um para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ e outro para a quest\u00e3o da conviv\u00eancia religiosa respeitosa, para rever protocolos e procedimentos institucionais. Hoje, a disciplina que \u00e9 ministrada na Acadepol [Academia de Pol\u00edcia no Rio de Janeiro] est\u00e1 sendo toda revista pelo grupo de trabalho. Ent\u00e3o, abrimos a possibilidade de que seja apresentada para n\u00f3s&nbsp;uma proposta de capacita\u00e7\u00e3o escrita tanto pela sociedade civil quanto pelo poder p\u00fablico para que possamos entregar \u00e0&nbsp;academia de pol\u00edcia\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ot\u00edlia disse ainda que se hoje ela \u00e9 sens\u00edvel a causas LGBTQIA+, \u00e9 porque recebeu capacita\u00e7\u00e3o para isso. Por causa&nbsp;disso, a Pol\u00edcia Civil contar\u00e1 ainda com jornadas formativas. Est\u00e1 em curso uma s\u00e9rie de eventos chamada Di\u00e1logos pela Igualdade. A primeira reuni\u00e3o, ocorreu no dia 21 de mar\u00e7o, Dia Internacional contra a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial. Nesta sexta-feira&nbsp;(17), haver\u00e1 o segundo encontro, voltado para o Dia Internacional contra a LGBTfobia, quando o estudo ser\u00e1 apresentado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPropiciar esses espa\u00e7os de di\u00e1logo, de intera\u00e7\u00e3o com a sociedade civil, para a gente receber demandas e rever os nossos procedimentos, \u00e9 muito importante. Claro que isso n\u00e3o basta, mas a gente est\u00e1 iniciando um processo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa feita com um grupo LGBTQIA+ na cidade do Rio de Janeiro mostra que, embora a maioria tenha sofrido algum tipo de viol\u00eancia, muitas t\u00eam receio de ir a uma delegacia e denunciar o crime. 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