{"id":122331,"date":"2024-05-13T22:59:27","date_gmt":"2024-05-14T01:59:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=121315"},"modified":"2024-05-13T22:59:27","modified_gmt":"2024-05-14T01:59:27","slug":"violencia-contra-pessoas-lgbtqia-em-sp-cresce-970-em-oito-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122331","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra pessoas LGBTQIA+ em SP cresce 970% em oito anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Um levantamento in\u00e9dito divulgado nesta segunda-feira(13) pelo Instituto P\u00f3lis mostra\u00a0que as notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ registradas nos servi\u00e7os de sa\u00fade cresceram 970% entre os anos de 2015 e 2023, na cidade de S\u00e3o Paulo. Nesse per\u00edodo, os servi\u00e7os de sa\u00fade da capital notificaram 2.298 casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 45% dessas ocorr\u00eancias s\u00e3o resultantes de viol\u00eancias f\u00edsicas, mas houve relatos tamb\u00e9m de viol\u00eancias psicol\u00f3gicas (29%) e sexuais (10%). E quase metade (49%) delas ocorreu&nbsp;dentro de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>De cada dez v\u00edtimas de viol\u00eancia LGBTf\u00f3bicas, seis foram agredidas por familiares ou pessoas conhecidas, revelou o estudo. O levantamento ainda apontou que a maior parte das&nbsp;agress\u00f5es, motivadas por homofobia\/ lesbofobia\/transfobia, ocorreu&nbsp;em bairros perif\u00e9ricos da cidade, tais como Itaim Paulista (123 v\u00edtimas), Cidade Tiradentes (103 v\u00edtimas) e Jardim \u00c2ngela (100 v\u00edtimas).<\/p>\n\n\n\n<p>Chamado de&nbsp;<em>Viol\u00eancias LGBTQIAPN+ na cidade de S\u00e3o Paulo<\/em>, o estudo diz que&nbsp;agress\u00f5es aumentam quando considerados&nbsp;os boletins de ocorr\u00eancias registrados pela Pol\u00edcia Civil.&nbsp;Neste caso, sobem para 1.424% entre os anos de 2015 e 2022, totalizando 3.868 v\u00edtimas. De acordo com o estudo, a maior parte dos casos&nbsp;notificados na Pol\u00edcia Civil ocorreu na regi\u00e3o central da cidade, principalmente nos bairros da Rep\u00fablica (160 v\u00edtimas), da Bela Vista (102 v\u00edtimas) e da Consola\u00e7\u00e3o (96 v\u00edtimas), locais bastante frequentados por pessoas LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAmbos os dados mostraram crescimento nesses \u00faltimos anos mostrando que, para al\u00e9m de ter um maior n\u00famero de registros porque as pessoas v\u00eam se empoderando mais e conhecendo mais que a LGBTfobia \u00e9 crime, isso tamb\u00e9m se d\u00e1 provavelmente pelo acirramento na sociedade de narrativas LGBTf\u00f3bicas\u201d, disse Rodrigo Iacovini, diretor-executivo do Instituto P\u00f3lis e coordenador da pesquisa, em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.&nbsp;&nbsp;\u201cA viol\u00eancia relacionada a crimes de \u00f3dio teve uma san\u00e7\u00e3o por parte das altas esferas do poder no Brasil&#8221;, acrescentou, citando o crescimento de discursos pol\u00edticos de extrema-direita contra essa popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Instituto P\u00f3lis, o crescimento do n\u00famero dos boletins de ocorr\u00eancia de LGBTfobia, registrados pela Seguran\u00e7a P\u00fablica, est\u00e1 relacionado \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do B.O. eletr\u00f4nico, que permite o registro online da ocorr\u00eancia sem a necessidade de que a v\u00edtima se desloque at\u00e9 uma delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse acesso online, diz o Instituto P\u00f3lis, ampliou os registros feitos por mulheres, que somam 51% das notifica\u00e7\u00f5es. J\u00e1 nos boletins registrados em delegacias f\u00edsicas, as mulheres s\u00e3o apenas 32% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>O registro online tamb\u00e9m permitiu maior acesso \u00e0s pessoas que vivem em regi\u00f5es de menor renda. Segundo o estudo, o B.O. online corresponde a 82% das den\u00fancias de homofobia\/transfobia ocorridas nos distritos de renda baixa da capital paulista. J\u00e1 nos distritos de maior renda, isso corresponde a 72% do total.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Negros e jovens<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o levantamento, a maioria&nbsp;das v\u00edtimas de LGBTfobia \u00e9&nbsp;negra&nbsp;(55%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dado que impacta muito nessa pesquisa \u00e9 que 79% das pessoas que sofreram viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica por policiais eram pessoas negras. Isso mostra o qu\u00ea? Que tem uma dupla viol\u00eancia ali. A interseccionalidade da viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica tamb\u00e9m opera pela dimens\u00e3o racial. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea \u00e9 uma pessoa LGBT e negra, voc\u00ea est\u00e1 exposta n\u00e3o s\u00f3 a LGBTfobia, mas tamb\u00e9m ao racismo. Ent\u00e3o, por conta disso, muitas pessoas desconfiam ou temem acessar ou ir a delegacias porque podem sofrer outras viol\u00eancias por parte dos policiais que v\u00e3o efetuar o registro\u201d, disse Iacovini.<\/p>\n\n\n\n<p>As v\u00edtimas s\u00e3o jovens (69%), com&nbsp;at\u00e9 29 anos. \u201cA maioria das viola\u00e7\u00f5es aconteceu&nbsp;com popula\u00e7\u00e3o que tem at\u00e9 29 anos. Isso \u00e9 um dado alarmante porque significa que a gente est\u00e1 agredindo a nossa juventude e dizendo que eles n\u00e3o podem viver plenamente o espa\u00e7o da cidade\u201d, ressalta&nbsp;o diretor do Instituto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Iacovini, uma s\u00e9rie de medidas s\u00e3o necess\u00e1rias para que essa viol\u00eancia diminua. Entre elas, est\u00e3o tornar os espa\u00e7os p\u00fablicos mais seguros, melhor capacita\u00e7\u00e3o dos profissionais de seguran\u00e7a p\u00fablica e a cria\u00e7\u00e3o de campanhas educativas e informativas esclarecendo que a LGBTfobia \u00e9 crime. Ele destaca melhoria&nbsp;nas condi\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, de empregabilidade, de acesso \u00e0 sa\u00fade e de acolhimento da popula\u00e7\u00e3o LGBT. \u201cMas a principal medida [para diminuir esse tipo de viol\u00eancia] \u00e9 a gente ouvir a popula\u00e7\u00e3o LGBT e, junto com ela, construir mecanismos de efetiva\u00e7\u00e3o de direitos\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento foi feito via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o e analisou os dados de ocorr\u00eancias que foram registradas pela Pol\u00edcia Civil ou pelos servi\u00e7os de sa\u00fade da capital paulista. Os dois bancos de dados captam de forma diferente as informa\u00e7\u00f5es sobre LGBTfobia. Os registros da sa\u00fade apontam as viol\u00eancias mais graves que geraram demanda de atendimento: viol\u00eancias f\u00edsicas, sexuais e psicol\u00f3gicas, entre outras. J\u00e1 os registros da Seguran\u00e7a P\u00fablica trazem&nbsp;a den\u00fancias&nbsp;via boletim de ocorr\u00eancia \u00e0 Pol\u00edcia Civil, sejam elas provocadas por agress\u00f5es verbais, simb\u00f3licas ou f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Instituto P\u00f3lis, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo n\u00e3o disponibiliza os n\u00fameros de homofobia e transfobia de forma desagregada e que, at\u00e9 o ano passado, o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o identificava a orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00eanero das v\u00edtimas de ocorr\u00eancias, o que pode sugerir que o n\u00famero de casos de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ pode ser subnotificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo&nbsp;informou que todos os distritos policiais do estado est\u00e3o aptos a registrar e investigar crimes contra v\u00edtimas LGBTQIAPN+. \u201cDesde 2015, \u00e9 poss\u00edvel incluir o nome social e a indica\u00e7\u00e3o de homofobia\/transfobia nos boletins de ocorr\u00eancia. O decreto 65.127\/2020 garantiu o acolhimento por g\u00eanero nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e, desde 2021, est\u00e3o dispon\u00edveis no RDO [Registro Digital de Ocorr\u00eancia] os campos de identidade de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d, disse o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a secretaria, no ano passado, 2.293 ocorr\u00eancias de intoler\u00e2ncia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+ foram registradas em todo o estado. Somente neste ano, com dados levantados at\u00e9 o dia 19 de abril, foram 921 registros. \u201cAs naturezas mais registradas s\u00e3o inj\u00faria, amea\u00e7a e les\u00e3o corporal\u201d, informou a SSP.<br><br>\u201cA SSP tem intensificado as a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia por ra\u00e7a, cor, etnia e origem. Al\u00e9m dos distritos territoriais, os crimes de homofobia e transfobia podem ser registrados pela Delegacia da Diversidade Online, a partir de qualquer dispositivo conectado \u00e0 internet. O DHPP [Departamento Estadual de Homic\u00eddios e de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa] tamb\u00e9m conta com a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (Decradi), que atua na investiga\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o aos crimes de intoler\u00e2ncia, inclusive os relacionados \u00e0 identidade de g\u00eanero\u201d, escreveu a secretaria, por meio de nota.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo completo ser\u00e1 divulgado pelo Instituto P\u00f3lis no dia 17 de maio, Dia Mundial de Combate \u00e0 LGBTFobia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um levantamento in\u00e9dito divulgado nesta segunda-feira(13) pelo Instituto P\u00f3lis mostra\u00a0que as notifica\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ registradas nos servi\u00e7os de sa\u00fade cresceram 970% entre os anos de 2015 e 2023, na cidade de S\u00e3o Paulo. Nesse per\u00edodo, os servi\u00e7os de sa\u00fade da capital notificaram 2.298 casos. 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