{"id":122310,"date":"2024-05-11T12:38:23","date_gmt":"2024-05-11T15:38:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=121271"},"modified":"2024-05-11T12:38:23","modified_gmt":"2024-05-11T15:38:23","slug":"de-2014-a-2024-brasil-viveu-a-decada-perdida-da-polarizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122310","title":{"rendered":"De 2014 a 2024, Brasil viveu a d\u00e9cada perdida da polariza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fatividadenews.com.br%2Fde-2014-a-2024-brasil-viveu-a-decada-perdida-da-polarizacao%2F\"><\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?text=De+2014+a+2024%2C+Brasil+viveu+a+d%C3%A9cada+perdida+da+polariza%C3%A7%C3%A3o&amp;url=https%3A%2F%2Fatividadenews.com.br%2Fde-2014-a-2024-brasil-viveu-a-decada-perdida-da-polarizacao%2F&amp;via=\"><\/a><a href=\"mailto:?subject=De%202014%20a%202024,%20Brasil%20viveu%20a%20d%C3%A9cada%20perdida%20da%20polariza%C3%A7%C3%A3o%20BODY=I%20found%20this%20article%20interesting%20and%20thought%20of%20sharing%20it%20with%20you.%20Check%20it%20out:%20https:\/\/atividadenews.com.br\/de-2014-a-2024-brasil-viveu-a-decada-perdida-da-polarizacao\/\"><\/a><a href=\"javascript:if(window.print)window.print()\"><\/a>Dez anos, quatro presidentes, aumento exponencial da polariza\u00e7\u00e3o e um per\u00edodo perdido do ponto de vista econ\u00f4mico. O Brasil completa, em 2024, uma d\u00e9cada desde a reelei\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/dilma-rousseff\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dilma Rousseff<\/a>\u00a0e passou por um turbilh\u00e3o de mudan\u00e7as pol\u00edticas, crises, acirramento de \u00e2nimos e muito pouca mobilidade social da sua popula\u00e7\u00e3o. A vida do brasileiro estagnou e a sociedade parece anestesiada com tantas decep\u00e7\u00f5es. Agarrar-se a um polo pol\u00edtico parece ser uma defesa na tentativa de pelo menos mostrar que o outro lado \u00e9 mais prejudicial. O fato \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o acabou por se contentar em escolher o menos pior e, isso, para um pa\u00eds \u00e9 uma fal\u00eancia de perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas de opini\u00e3o que mostravam o motivo do voto nos \u00faltimos desafiantes ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/palacio-do-planalto-edificio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pal\u00e1cio do Planalto<\/a>&nbsp;apresentam essa situa\u00e7\u00e3o. Em pesquisa&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/datafolha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Datafolha<\/a>, datada de outubro de 2022, na v\u00e9spera do segundo turno, 1\/5 do eleitorado que votava em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/lula-luiz-inacio-lula-da-silva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lula<\/a>, o fazia declaradamente apenas para tirar&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/jair-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bolsonaro<\/a>&nbsp;da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Um levantamento da Quaest, datado tamb\u00e9m do per\u00edodo eleitoral, mostrava que 35% dos brasileiros tinham medo da volta do PT ao poder e, por isso, preservavam o voto em Bolsonaro. Uma elei\u00e7\u00e3o contaminada por sensa\u00e7\u00f5es negativas e dominada pela l\u00f3gica de derrotar o inimigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre retra\u00e7\u00f5es e t\u00edmidos crescimentos do PIB, o Brasil cresceu, de verdade, pouco mais que 3% em uma d\u00e9cada inteira. Os dois primeiros anos do segundo mandato de Dilma Rousseff inauguraram uma fase de queda do PIB de quase 7%. Temer, ao assumir, conseguiu remediar a situa\u00e7\u00e3o e o Brasil, em 2 anos, teve ligeiro crescimento acima de 1% (1,3% em 2017 e 1,1% em 2018). Bolsonaro enfrentou uma pandemia que fez derrubar o PIB em 4,1%, em 2020. Em 2021, conseguiu uma recupera\u00e7\u00e3o, com crescimento de 4,3%, mas que, no acumulado, virou jogo de soma zero. Desde ent\u00e3o, o Brasil, no final de Bolsonaro e in\u00edcio de Lula, vem experimentando t\u00edmidos aumentos, que ainda s\u00e3o muito insuficientes para mudar realidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o econ\u00f4mica, os quocientes sociais s\u00e3o muito preocupantes. Eleito com a esperan\u00e7a de um choque na realidade da seguran\u00e7a p\u00fablica, ap\u00f3s um final de governo Temer com interven\u00e7\u00e3o federal no Rio de Janeiro, com o Ex\u00e9rcito guerreando contra as fac\u00e7\u00f5es criminosas, Bolsonaro n\u00e3o conseguiu fazer o Brasil sair do hall dos pa\u00edses mais violentos do mundo. Acabados os seus quatro anos de governo, o legado para a seguran\u00e7a foi nulo. Relat\u00f3rio divulgado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, na transi\u00e7\u00e3o de governos Bolsonaro-Lula, mostra que o Brasil foi respons\u00e1vel por 10,4% de todos os homic\u00eddios ocorridos no mundo. Em mortes per capita, o Pa\u00eds ocupa a vergonhosa d\u00e9cima primeira coloca\u00e7\u00e3o mundial, tendo n\u00fameros quatro vezes maiores que a m\u00e9dia global.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto essencial para a constru\u00e7\u00e3o do futuro da na\u00e7\u00e3o, o ensino p\u00fablico apresentou pioras preocupantes na corrente d\u00e9cada. Um estudo realizado pelo Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, trouxe \u00e0 tona um aumento significativo do analfabetismo de crian\u00e7as de 6 e 7 anos. Os dados de 2022 apontaram que 41%, quase metade das crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria, ainda n\u00e3o sabiam ler nem escrever. As sequelas da pandemia, com a falta de aulas presenciais e fechamento de escolas, ajudou sobremaneira esse perigoso impulsionamento. A crise econ\u00f4mica tamb\u00e9m \u00e9 um fator que promove grande parte da evas\u00e3o escolar. Na busca por se conseguir rendimentos, jovens abandonam os estudos e se imergem na informalidade, na tentativa de conseguirem manter o m\u00ednimo em suas casas. Pesquisa coordenada pelo IBGE mostra que 40% dos adolescentes que abandonam os estudos o fazem por necessidade de buscar trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de queda de desemprego coadunam justamente com o aumento gigantesco do n\u00famero de pessoas na informalidade. S\u00e3o dados frios, que parecem uma conquista, mas que s\u00f3 exp\u00f5em uma nova realidade do mundo do trabalho. No Norte e Nordeste brasileiros quase 60% da popula\u00e7\u00e3o, de acordo com o IBGE, j\u00e1 vive na informalidade. A vinda dos aplicativos de carona e entrega, al\u00e9m do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, mexeram com a forma como a popula\u00e7\u00e3o se remunera e garante sua renda. O emprego formal est\u00e1 cada vez mais escasso e depende de m\u00e3o de obra qualificada para ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O subdesenvolvimento traz consigo o retorno de problemas que pareciam sanados. A falta de vacina\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o profil\u00e1tica faz com que tr\u00eas em cada dez crian\u00e7as brasileiras n\u00e3o sejam vacinadas contra doen\u00e7as potencialmente fatais. As condi\u00e7\u00f5es infraestruturais degradantes em boa parte do Pa\u00eds e de falta saneamento b\u00e1sico s\u00e3o vetores que aumentam ainda mais esses problemas. Rub\u00e9ola, sarampo, caxumba e mal\u00e1ria, que pareciam quase extintas, voltaram a assombrar os brasileiros nessa fat\u00eddica d\u00e9cada. Falta de m\u00e9dicos, de medicamentos, filas para exames, consultas e um SUS depauperado s\u00e3o reclama\u00e7\u00f5es constantes na vida dos que mais precisam do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio de pioras sens\u00edveis e que impactam no dia a dia do brasileiro, chama a aten\u00e7\u00e3o a falta de alguma lideran\u00e7a que consiga romper essa polariza\u00e7\u00e3o entre dois lados que n\u00e3o conseguiram melhorar a vida das pessoas. O lulismo, ainda vivendo de um per\u00edodo de bonan\u00e7a do in\u00edcio do s\u00e9culo, tem gerado insatisfa\u00e7\u00e3o naqueles que votaram com a expectativa de uma volta \u00e0quele universo. A realidade imposta mostra um poder de compra diminuto, com aumento no pre\u00e7o dos alimentos e de servi\u00e7os b\u00e1sicos, e pouqu\u00edssima mudan\u00e7a do que se viu no governo anterior. Bolsonaristas usando a bengala da covid-19 ainda t\u00eam um ponto a favor na argumenta\u00e7\u00e3o, dizendo que o ex-presidente governou sob situa\u00e7\u00e3o adversa. O fato \u00e9 que a a\u00e7\u00e3o dele na pr\u00f3pria pandemia foi rejeitada pelos brasileiros, que viram despreparo e pouca efetividade na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas e foi um dos motivadores que o fez perder a reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Movimentos contra a polariza\u00e7\u00e3o aparecem vez ou outra, coordenados por pol\u00edticos brasileiros. A falta de um nome que represente esse rompimento \u00e9 o maior dos problemas. Sempre que algum dos nomes surge, h\u00e1 uma tentativa de enquadra-lo em um dos dois nichos. Luciano Huck, apresentador da Rede Globo, ensaiou candidatura \u00e0 presid\u00eancia, em 2018 e 2022, e chegou a ter bons \u00edndices nas pesquisas de opini\u00e3o, atingindo dois d\u00edgitos quando seu nome era testado. Surpreendentemente, nas \u00faltimas semanas, o global lan\u00e7ou um manifesto em forma de v\u00eddeo, falando sobre ser \u201cisent\u00e3o\u201d na pol\u00edtica, um termo que foi criado para desqualificar aqueles que n\u00e3o se identificam nem com Lula, nem com Bolsonaro, parecendo querer incorporar esse movimento em torno de sua figura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pesquisas qualitativas feitas pelo Brasil \u00e9 n\u00edtido como a polariza\u00e7\u00e3o contaminou a maneira de pensar do brasileiro. Quando instados a falar um nome que gostariam de ver como presidente da Rep\u00fablica, n\u00e3o aparecem alternativas. Falta algu\u00e9m que represente verdadeiramente esse sentimento. Um nome que consiga encarnar a identidade popular do lulismo e alguns valores do bolsonarismo. Um isent\u00e3o que n\u00e3o seja s\u00f3 em nega\u00e7\u00e3o aos polos, mas que se comprometa com pautas reais e de desejo da sociedade. Para virar a p\u00e1gina de uma polariza\u00e7\u00e3o que pouco tem contribu\u00eddo com o Pa\u00eds, as ideias de uma terceira via precisam de um corpo ideal para transmiti-las. Sem isso, a elei\u00e7\u00e3o de 2026, caminhar\u00e1 novamente para um embate de um lulismo envelhecido e um bolsonarismo gen\u00e9rico, com a impossibilidade de Bolsonaro se candidatar, ampliando um per\u00edodo med\u00edocre na hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:<strong>\u00a0<\/strong>Bruno Soller \/ Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez anos, quatro presidentes, aumento exponencial da polariza\u00e7\u00e3o e um per\u00edodo perdido do ponto de vista econ\u00f4mico. O Brasil completa, em 2024, uma d\u00e9cada desde a reelei\u00e7\u00e3o de\u00a0Dilma Rousseff\u00a0e passou por um turbilh\u00e3o de mudan\u00e7as pol\u00edticas, crises, acirramento de \u00e2nimos e muito pouca mobilidade social da sua popula\u00e7\u00e3o. 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