{"id":122291,"date":"2024-05-10T16:04:03","date_gmt":"2024-05-10T19:04:03","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=121211"},"modified":"2024-05-10T16:04:03","modified_gmt":"2024-05-10T19:04:03","slug":"geografia-e-fatores-humanos-deixam-rs-suscetivel-a-efeitos-extremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122291","title":{"rendered":"Geografia e falta de gest\u00e3o de riscos agravam efeitos extremos no RS"},"content":{"rendered":"\n<p>Os eventos extremos clim\u00e1ticos t\u00eam se intensificado em todo o mundo. No Brasil, os efeitos das a\u00e7\u00f5es humanas sobre o meio ambiente ficam evidenciados durante a atua\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos naturais como o El Ni\u00f1o e La Nin\u00e3, que alternam per\u00edodos de extrema seca e chuvas intensas sobre o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Regina Alval\u00e1, no estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, desde o in\u00edcio dos anos 2000, o La Ni\u00f1a atuou intensamente na regi\u00e3o causando sucess\u00edveis longos per\u00edodos de seca, at\u00e9 2023. Ainda no in\u00edcio da configura\u00e7\u00e3o do El Ni\u00f1o, em junho daquele ano, o extremo manifestado mudou.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico Tropical, aquecidas pelos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, liberaram mais vapor de \u00e1gua na atmosfera e iniciaram per\u00edodos de chuvas cada vez mais intensas. \u201cAs chuvas, principalmente na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, culminaram em 16 mortes. Depois tivemos um outro grande desastre, no in\u00edcio de setembro, que registrou 54 mortes e mais quatro desaparecidos. E agora esse super desastre j\u00e1 com mais de 100 mortes, muitos ainda desaparecidos e com impactos em praticamente quase todo o estado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma conflu\u00eancia de fatores deixa o estado do Rio Grande do Sul mais suscet\u00edvel aos extremos causados pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a configura\u00e7\u00e3o das cidades e a falta de um programa eficiente de gest\u00e3o de risco est\u00e3o entre os fatores que favoreceram a cat\u00e1strofe socioambiental vivida pelo estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Rio Grande do Sul est\u00e1 na extrema parte da regi\u00e3o sul do Brasil, com fronteira ainda com pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Ent\u00e3o, em termos geogr\u00e1ficos, est\u00e1 numa regi\u00e3o que, quando consideramos a variabilidade clim\u00e1tica, \u00e9 uma regi\u00e3o que acaba sendo, de fato, impactada por altern\u00e2ncias de chuvas e secas\u201d, explica Regina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gest\u00e3o de risco<\/h2>\n\n\n\n<p>O diretor de Clima e Sustentabilidade do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), Osvaldo Moraes, sugere que uma forma de amenizar esses fatores \u00e9 a exist\u00eancia de um programa de gest\u00e3o de riscos e respostas a desastres comandado pela Casa Civil do governo federal para que possibilitasse a articula\u00e7\u00e3o entre todos os minist\u00e9rios que o tema envolve.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Moraes, a gest\u00e3o de riscos \u00e9 composta por quatro elementos primordiais: monitoramento e alertas, prepara\u00e7\u00e3o e resposta, comunica\u00e7\u00e3o, conhecimento e percep\u00e7\u00e3o do risco. \u201cN\u00f3s conseguimos fazer a previs\u00e3o do evento e emitir o alerta de que aquele evento pode ocorrer. E n\u00f3s tamb\u00e9m estamos preparados para responder quando o evento acontece. Mas nos outros dois elementos n\u00f3s n\u00e3o avan\u00e7amos quase nada no Brasil\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Criado h\u00e1 13 anos, o Cemden \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por monitorar e emitir os alertas. \u201cNesses anos temos feito isso com antecipa\u00e7\u00e3o, e encaminhando os alertas para as defesas civis, nacional, estaduais e municipais, gerando previs\u00f5es de riscos, olhando a regi\u00e3o como um todo, disseminando essas previs\u00f5es no seu site, est\u00e1 tudo dispon\u00edvel para qualquer cidad\u00e3o entrar e consultar\u201d refor\u00e7a Regina.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta \u00e9 dada pelas defesas civis no resgate e socorro \u00e0s v\u00edtimas e no apoio \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o das \u00e1reas afetadas. Antes disso, a comunica\u00e7\u00e3o precisa ser efetivada, mas atualmente, no Brasil, h\u00e1 apenas um sistema de envio de mensagens por SMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor do MCTI, a comunica\u00e7\u00e3o precisa ir al\u00e9m de simplesmente informar. \u201cEnvolve todo um processo de que as pessoas, ao receberem o aviso de que algo pode acontecer, elas t\u00eam que compreender claramente qual \u00e9 o impacto que elas podem ter se aquele evento acontecer. Elas t\u00eam que compreender qual \u00e9 a rota de fuga que elas v\u00e3o sair\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Percep\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Ensinar as pessoas a perceberem o risco que correm \u00e9 fundamental para que a preven\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, j\u00e1 que sem essa educa\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o se p\u00f5e em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo \u00e9 a regi\u00e3o do Vale do Taquari, atingida por fortes chuvas em setembro de 2023, quando cidades foram arrasadas pela maior enchente registrada, at\u00e9 ent\u00e3o, que deixou 54 mortos e quatro desaparecidos. Oito meses depois, a mesma popula\u00e7\u00e3o volta a ser afetada e parte da cidade reconstru\u00edda volta a fazer parte do cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe elas compreendessem o risco que elas est\u00e3o expostas e percebessem esse risco, provavelmente, se continuassem instaladas nas mesmas \u00e1reas de risco, elas iriam usar novas tecnologias para reconstruir suas casas, para se prepararem para o evento. Elas iriam acreditar mais quando o alerta chegasse.\u201d, refor\u00e7a Moraes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rico<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao longo da s\u00e9rie hist\u00f3rica, realizada pelo Cemaden, a intensifica\u00e7\u00e3o dos extremos clim\u00e1ticos j\u00e1 s\u00e3o bastante evidenciados. Segundo a diretora da institui\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o do sistema de monitoramento foi motivada por uma das maiores cat\u00e1strofes socioambiental no Brasil, em termos de vidas perdidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, 918 pessoas morreram e outras 100 s\u00e3o consideradas desaparecidas desde que a regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro foi atingida por fortes chuvas destruindo cidades e transformando grandes \u00e1reas de casas, com\u00e9rcios e infraestrutura em cen\u00e1rios de lama e entulhos. Depois desse per\u00edodo, grande parte do Brasil experimentou secas extremas, a exemplo da que foi enfrentada pela Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo em 2014, que resultou no colapso do Sistema Cantareira de abastecimento das popula\u00e7\u00f5es. \u201cDe l\u00e1 para c\u00e1 n\u00f3s temos registrados v\u00e1rios desastres deflagrados por mais chuvas, n\u00e3o s\u00f3 no Rio Grande do Sul, mas tamb\u00e9m, obviamente, em outras partes do Brasil\u201d, afirma Regina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trag\u00e9dias em n\u00fameros<\/h2>\n\n\n\n<p>O aumento na frequ\u00eancia dos extremos clim\u00e1ticos fica evidente na s\u00e9rie hist\u00f3rica registrada pelo Cemaden, com maior concentra\u00e7\u00e3o de eventos ap\u00f3s o ano de 2020. Para a secret\u00e1ria nacional de Mudan\u00e7a do Clima no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Ana Toni, a mudan\u00e7a j\u00e1 \u00e9 uma realidade que exige, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o &#8211; como zerar o desmatamento, preservar florestas e diminuir emiss\u00f5es &#8211; a\u00e7\u00f5es para tornar as cidades mais resilientes e mais resistentes. \u201cO Brasil precisa trabalhar preven\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o aos eventos extremos porque \u00e9 um pa\u00eds altamente vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as do clima\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Confira os n\u00fameros:<\/h2>\n\n\n\n<p>Janeiro de 2011 \u2013 chuvas na regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro registraram 918 mortes e 100 desaparecidos<\/p>\n\n\n\n<p>Janeiro de 2020 \u2013 chuvas na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte<\/p>\n\n\n\n<p>Fevereiro de 2020 \u2013 chuvas na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, Ceasa foi alagada afetando a oferta de alimentos<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00e7o de 2020 &#8211; chuvas no litoral de S\u00e3o Paulo, com impacto em Santos, Cubat\u00e3o, S\u00e3o Vicente, registrou mais de 43 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Dezembro de 2021 \u2013 chuvas no sul da Bahia deixaram 23 mortos<\/p>\n\n\n\n<p>Janeiro de 2022 \u2013 chuvas em Belo Horizonte registraram dois mortos<\/p>\n\n\n\n<p>Janeiro de 2022 &#8211; chuvas na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo registraram 34 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Fevereiro de 2022 \u2013 chuvas em Petr\u00f3polis deixaram 235 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00e7o de 2022 \u2013 chuvas em Petr\u00f3polis registraram 7 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Abril de 2022 \u2013 chuvas nas cidades da Costa Verde, de Guarapari, Angra dos Reis, no Rio de Janeiro &#8211; 20 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Maio de 2022 &#8211; chuvas na regi\u00e3o metropolitana de Recife, 133 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Dezembro de 2022 \u2013 chuvas em Minas Gerais deixaram 13 mortos<\/p>\n\n\n\n<p>Fevereiro de 2023 \u2013 chuvas no litoral de S\u00e3o Paulo, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o e Ubatuba registraram 65 mortos<\/p>\n\n\n\n<p>Junho de 20223 \u2013 litoral do Rio Grande do Sul deixaram 16 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Setembro de 2023 \u2013 Vale do Taquari&nbsp; registrou 54 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00e7o de 2024 \u2013 chuvas na regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro com mortes em Petr\u00f3polis e Ters\u00f3polis&nbsp; deixaram 8 mortes<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00e7o de 2024 \u2013 chuvas no Esp\u00edrito Santo registraram 18 mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os eventos extremos clim\u00e1ticos t\u00eam se intensificado em todo o mundo. No Brasil, os efeitos das a\u00e7\u00f5es humanas sobre o meio ambiente ficam evidenciados durante a atua\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos naturais como o El Ni\u00f1o e La Nin\u00e3, que alternam per\u00edodos de extrema seca e chuvas intensas sobre o territ\u00f3rio nacional. Segundo a diretora do Centro [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":122736,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[24],"class_list":{"0":"post-122291","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-manchete"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/122291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=122291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/122291\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/122736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=122291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=122291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=122291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}