{"id":122192,"date":"2024-05-03T19:45:45","date_gmt":"2024-05-03T22:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120901"},"modified":"2024-05-03T19:45:45","modified_gmt":"2024-05-03T22:45:45","slug":"rede-ambiental-traca-caminhos-para-reducao-de-lixo-no-mar-no-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122192","title":{"rendered":"Rede ambiental tra\u00e7a caminhos para redu\u00e7\u00e3o de lixo no mar no RJ"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA rede vem com muito lixo. O pescador faz uma garimpagem para poder pegar o pescado dele\u201d, descreve Paulo Santana, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Pescadores, Maricultores e Lazer do Sahy (Assopesca), em Mangaratiba, cidade no litoral sul do Rio de Janeiro. O drama relatado \u00e9 um dos diagn\u00f3sticos de um estudo feito por especialistas e ativistas, que apresenta caminhos para o enfrentamento ao lixo no mar do estado do Rio. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO impacto \u00e9 gritante. \u00c9 um cotidiano que vem quase que aniquilando a pesca artesanal, nos quilombolas, comunidades ind\u00edgenas, cai\u00e7aras e ribeirinhos\u201d, diz o pescador \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Paulo Santana participou, nesta sexta-feira (3), da cerim\u00f4nia de entrega do documento de 90 p\u00e1ginas a autoridades ambientais do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento foi no Museu do Amanh\u00e3, \u00edcone arquitet\u00f4nico na regi\u00e3o central do Rio de Janeiro com vista panor\u00e2mica da Ba\u00eda de Guanabara, paisagem com trechos afetados por efeitos da polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho foi elaborado pela Rede Oceano Limpo, uma articula\u00e7\u00e3o que envolve a sociedade civil organizada, acad\u00eamicos, representantes de governos e liderada pela C\u00e1tedra para a Sustentabilidade do Oceano da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco).<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos respons\u00e1veis pelas recomenda\u00e7\u00f5es de enfrentamento ao lixo no mar \u00e9 o professor Alexsander Turra, do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador da c\u00e1tedra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO documento que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva que considerou a vis\u00e3o e as contribui\u00e7\u00f5es de diferentes atores da sociedade\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo elaborado por mais de dois anos aponta 32 a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas para combater a polui\u00e7\u00e3o no oceano e traz diagn\u00f3sticos dos problemas. Um deles aponta que tr\u00eas bacias hidrogr\u00e1ficas pertencentes ao estado do Rio &#8211; Ba\u00eda de Sepetiba, foz do Rio Para\u00edba do Sul e Ba\u00eda de Guanabara &#8211; est\u00e3o entre os 10 pontos costeiros com maior risco de vazamento de lixo pl\u00e1stico para o oceano no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impactos<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre as principais consequ\u00eancias da presen\u00e7a do lixo nos mares, o professor da USP destaca a amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade. \u201cOs animais ingerem o lixo, se emaranham no lixo e morrem\u201d. Um problema semelhante, acrescenta, \u00e9 a chamada \u201cpesca fantasma\u201d, causada por redes de pesca, linhas, anz\u00f3is e arrasto abandonados no mar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMatam os peixes que os pescadores iriam querer pescar. N\u00e3o alimentam ningu\u00e9m\u201d, explica \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Turra aponta ainda um impacto direto \u00e0 sa\u00fade humana, causado pelos micropl\u00e1sticos. \u201cPart\u00edculas muito pequenas de lixo ficam presentes cada vez mais no alimento que a gente come. Ent\u00e3o \u00e9 uma via de contato que o ser humano tem com esse tipo de contaminante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Constata\u00e7\u00e3o observada por Paulo Santana, da associa\u00e7\u00e3o de pescadores. \u201cO pescador, em vez de trazer uma comida saud\u00e1vel para dentro de casa, est\u00e1 levando uma doen\u00e7a\u201d, diz ele, que tem percebido piora na quantidade e qualidade do pescado.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de lixo nos mares tem impactos econ\u00f4micos. Um exemplo \u00e9 o turismo. \u201cPraias que t\u00eam um aumento da quantidade de lixo perdem turistas\u201d, ressalta Turra, que cita dados de um estudo feito por ele na cidade de Pontal do Paran\u00e1, no litoral do norte paranaense.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO aumento da quantidade de lixo em praias levaria a um preju\u00edzo de US$ 8,5 milh\u00f5es [cerca de R$ 42,5 milh\u00f5es] por ano para aquele munic\u00edpio. Para um munic\u00edpio pequeno, \u00e9 um absurdo de perda de receita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista adverte que habitantes de cidades do interior tamb\u00e9m t\u00eam responsabilidades. \u201cPessoas longe do mar t\u00eam que entender isso porque, muitas vezes, esse problema \u00e9 gerado l\u00e1 no comecinho, na bacia hidrogr\u00e1fica da cidade no interior, que vai ter o seu res\u00edduo drenado para o mar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recomenda\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>As 32 recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e3o divididas em seis eixos: a\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o; fomento\/financiamento; capacita\u00e7\u00e3o; combate ao lixo no mar; monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o; e educa\u00e7\u00e3o ambiental e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o iniciativas que incluem, por exemplo, incentivo ao desenvolvimento de tecnologias e metodologias para o combate ao lixo no mar; estrat\u00e9gia para capta\u00e7\u00e3o de recursos; e est\u00edmulo \u00e0 economia circular, ou seja, melhor uso de recursos naturais. O documento est\u00e1 dispon\u00edvel no&nbsp;<a href=\"https:\/\/redeoceanolimpo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">site da Rede Oceano Limpo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A gestora da Rede Oceano Limpo-RJ e uma das autoras do documento, Jemilli Viaggi, enfatiza que todas as recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas em ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cQuando a gente fala que esse documento \u00e9 baseado em ci\u00eancia, a gente infere que \u00e9 baseado em uma verdade, um fato que foi replicado e comprovado. Isso se reflete na credibilidade e transpar\u00eancia do projeto. \u00c9 confi\u00e1vel porque as recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas por pessoas especialistas no tema\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Oceans 20 (O20)<\/h2>\n\n\n\n<p>A entrega do documento \u00e0s autoridades estaduais acontece no cen\u00e1rio em que o Brasil conduz encontros do&nbsp;Oceans 20&nbsp;(O20), grupo tem\u00e1tico do G20 (reuni\u00e3o das principais economias do mundo).<\/p>\n\n\n\n<p>Alexander Turra, da USP e Unesco, acredita em um pacto entre sociedade e estado contra o lixo no mar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu esperaria um processo de implementa\u00e7\u00e3o consistente e de longo prazo, para que as melhorias sejam incrementais. Que a gente d\u00ea um passinho, suba um degrau e v\u00e1 um ap\u00f3s o outro, ainda que seja devagar. Assim, \u00e0 medida que a gente subiu o degrau, a gente n\u00e3o vai descer de novo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estado<\/h2>\n\n\n\n<p>O presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Jord\u00e3o, se comprometeu a ser um aliado das a\u00e7\u00f5es de enfrentamento ao lixo no mar. \u201cApoio total. Tudo que for preciso, n\u00f3s estaremos juntos nesse novo projeto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A subsecret\u00e1ria de Recursos H\u00eddricos e Sustentabilidade da Secretaria estadual do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro, Ana Asti, enalteceu a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil na constru\u00e7\u00e3o das recomenda\u00e7\u00f5es e anunciou que um dos objetivos&nbsp;do governo estadual \u00e9 alcan\u00e7ar a meta de 90% de saneamento do esgoto na regi\u00e3o metropolitana at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso vai fazer com que consigamos fechar a torneira do esgoto. Al\u00e9m disso, para realmente termos uma ba\u00eda despolu\u00edda, praia despolu\u00edda, um mar preservado, precisamos tamb\u00e9m tirar o lixo da \u00e1gua. Ent\u00e3o essa \u00e9 uma meta, nosso grande desafio\u201d, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p>O subsecretario estadual de Energia e Economia do Mar, Felipe Peixoto, sinalizou a necessidade de trazer entes municipais para dividir responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cTrazer os prefeitos para essa discuss\u00e3o, porque a coleta, destina\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos s\u00f3lidos est\u00e1 sob a responsabilidade dos munic\u00edpios\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O dossi\u00ea intitulado&nbsp;Recomenda\u00e7\u00f5es para a Estrat\u00e9gia Estadual de Enfrentamento ao Lixo no Mar no Rio de Janeiro&nbsp;\u00e9 direcionado ao Grupo de Trabalho de Lixo no Mar (GT Lixo no Mar), criado pelo governo fluminense em outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora a encrenca \u00e9 nossa&#8221;, disse o coordenador do GT, Luiz Eduardo Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA rede vem com muito lixo. 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