{"id":122180,"date":"2024-05-03T11:32:25","date_gmt":"2024-05-03T14:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120857"},"modified":"2024-05-03T11:32:25","modified_gmt":"2024-05-03T14:32:25","slug":"quase-70-dos-residentes-em-terras-indigenas-tem-menos-de-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=122180","title":{"rendered":"Quase 70% dos residentes em terras ind\u00edgenas tem menos de 30 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Dados do Censo 2022 indicam que 56,1% dos ind\u00edgenas do pa\u00eds tem menos de 30 anos. Quando considerados apenas os residentes em Terras Ind\u00edgenas, esse percentual sobe para 68,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 idade e ao sexo dessas popula\u00e7\u00f5es foram divulgadas nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Elas indicam um perfil populacional bem mais jovem do que o registrado pela popula\u00e7\u00e3o total do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-12\/brasil-tem-169-milhao-de-indigenas-e-133-milhao-de-quilombolas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resultados gerais<\/a>&nbsp;do Censo 2022, publicados no ano passado, 1.694.836 ind\u00edgenas vivem dentro das fronteiras brasileiras, o que representa 0,83% de todos os residentes no pa\u00eds. Desse total, 36,73% vivem dentro de Terras Ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados tamb\u00e9m mostraram que essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o distribu\u00eddas por 4.833 munic\u00edpios em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Duas delas, no entanto, registram maior concentra\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas: a Regi\u00e3o Norte, com 44% deles, e a Regi\u00e3o Nordeste, com 31%.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela demarca\u00e7\u00e3o das Terras Ind\u00edgenas \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai). Em sua coleta de dados, o Censo 2022 considerou todos os territ\u00f3rios com situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria declarada, homologada, regularizada e encaminhada como reserva ind\u00edgena at\u00e9 a data de julho de 2022, data de refer\u00eancia da pesquisa, quando havia 573 terras nesta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Idade<\/h2>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas sobre idade e sexo foram apresentadas pelo IBGE como mais uma etapa do detalhamento de dados do Censo 2022. Um dos dados que revelam o perfil mais jovem das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas \u00e9 a idade mediana. Ela divide ao meio a popula\u00e7\u00e3o: quanto mais baixa, significa que h\u00e1 uma maior propor\u00e7\u00e3o de jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da popula\u00e7\u00e3o geral do pa\u00eds, o Censo 2022 mostrou uma mediana de 35 anos. J\u00e1 entre os ind\u00edgenas, ela foi de 25 anos. Quando se considera apenas os residentes em terras certificadas, a mediana cai para 19, o que indica um perfil populacional ainda mais jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel pelo \u00edndice de envelhecimento, que indica quantos idosos com 60 anos ou mais existem para cada grupo de 100 pessoas de 0 a 14 anos. Considerando toda a popula\u00e7\u00e3o do Brasil, essa taxa \u00e9 de 80. J\u00e1 entre os ind\u00edgenas, ela \u00e9 de 35,55. Especificamente nas terras ind\u00edgenas, ela cai para 14,52.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre fatores que contribuiriam para esse cen\u00e1rio, segundo pesquisadores do IBGE, est\u00e1 a vida comunit\u00e1ria, que permitiria, por exemplo, um maior apoio no cuidado com os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do perfil mais jovem, quando a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada com o Censo 2010, nota-se uma redu\u00e7\u00e3o da base da pir\u00e2mide ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. De acordo com os pesquisadores, isso sugere uma ligeira redu\u00e7\u00e3o da fecundidade dessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Fernando Damasco, pesquisador do IBGE, \u00e9 preciso considerar tamb\u00e9m que h\u00e1 especificidades envolvendo as din\u00e2micas territoriais de diferentes etnias e tamb\u00e9m nas variadas regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As terras ind\u00edgenas da Regi\u00e3o Nordeste t\u00eam \u00edndices de envelhecimento bastante superiores \u00e0s das terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Legal. Isso indica din\u00e2micas muito pr\u00f3prias dos ind\u00edgenas do Nordeste. H\u00e1 maior proximidade com centros urbanos, fluxos mais intensos de sa\u00edda e circula\u00e7\u00e3o para diferentes finalidades da vida cotidiana&#8221;, pontua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sexo<\/h2>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas indicam que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 mais masculina na compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o geral do pa\u00eds. Isso ocorre sobretudo dentro das terras ind\u00edgenas, onde todas as faixas et\u00e1rias at\u00e9 os 69 anos registram predom\u00ednio de homens.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil possui 94,25 homens para cada 100 mulheres. Mas quando se observa o recorte apenas da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, h\u00e1 97,07 homens para cada 100 mulheres. Considerando apenas os residentes em Terras Ind\u00edgenas, esse propor\u00e7\u00e3o aumenta ainda mais: 104,9 homens para cada 100 mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Chama aten\u00e7\u00e3o que, ao fazer o recorte apenas com ind\u00edgenas que vivem fora de \u00e1reas demarcadas, a situa\u00e7\u00e3o se inverte. Entre eles, h\u00e1 92,79 homens para cada 100 mulheres. Al\u00e9m disso, nesta popula\u00e7\u00e3o, h\u00e1 predom\u00ednio masculino apenas nas faixas et\u00e1rias at\u00e9 os 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores levantam algumas hip\u00f3teses, mas destacam a necessidade de se realizar estudos complementares. Entre uma das poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es est\u00e1 a menor mortalidade masculina, devido a uma maior seguran\u00e7a dentro de terras ind\u00edgenas demarcadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra hip\u00f3tese envolve uma maior migra\u00e7\u00e3o de mulheres. &#8220;V\u00e3o em busca de trabalho em centros urbanos pr\u00f3ximos \u00e0s terras ind\u00edgenas como complementa\u00e7\u00e3o ao trabalho feito pelos homens em termos de produ\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o dentro dos territ\u00f3rios. As mulheres migram muito tamb\u00e9m por conta do acompanhamento dos filhos na etapa de escolariza\u00e7\u00e3o&#8221;, indica Damasco.<\/p>\n\n\n\n<p>Marta Antunes, pesquisadora do IBGE, destaca uma poss\u00edvel maior mortalidade materna. &#8220;Temos alguns estudos no campo da demografia da sa\u00fade, levando em considera\u00e7\u00e3o a localiza\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas \u00e0s vezes mais afastadas do atendimento de sa\u00fade mais completo. A gente pode ter esse efeito atuando sobre a mortalidade materna. E tamb\u00e9m pelo fato das mulheres ind\u00edgenas terem filhos at\u00e9 mais tarde. A partir das \u00faltimas gesta\u00e7\u00f5es, come\u00e7ar a ter uma sobremortalidade materna principalmente devido a hemorragias durante os partos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Censo 2022 indicam que 56,1% dos ind\u00edgenas do pa\u00eds tem menos de 30 anos. Quando considerados apenas os residentes em Terras Ind\u00edgenas, esse percentual sobe para 68,9%. Informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 idade e ao sexo dessas popula\u00e7\u00f5es foram divulgadas nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Elas indicam um perfil [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":122550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[11],"class_list":{"0":"post-122180","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-destaque"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/122180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=122180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/122180\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/122550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=122180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=122180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=122180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}