{"id":120894,"date":"2024-04-09T19:39:49","date_gmt":"2024-04-09T22:39:49","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119866"},"modified":"2024-04-09T19:39:49","modified_gmt":"2024-04-09T22:39:49","slug":"seca-faz-incendios-em-florestas-maduras-crescer-152-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120894","title":{"rendered":"Seca faz inc\u00eandios em florestas maduras crescer 152% na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Estudo publicado na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Global Change Biology\u00a0<\/em>mostra que no ano passado houve uma queda de 16% no total de focos de inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de redu\u00e7\u00e3o de 22% no desmatamento. Mas mesmo assim, o bioma vem enfrentando outro desafio: os inc\u00eandios em \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ainda n\u00e3o afetadas pelo desmatamento. Os inc\u00eandios em \u00e1reas das chamadas \u201cflorestas maduras\u201d cresceram 152% no ano passado, em compara\u00e7\u00e3o a 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao destrinchar as imagens de sat\u00e9lite, os pesquisadores detectaram que os focos em \u00e1reas florestais subiram de 13.477 para 34.012 no per\u00edodo. A principal causa \u00e9&nbsp;a&nbsp;seca&nbsp;na Amaz\u00f4nia, cada vez mais frequente&nbsp;e intensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos eventos prolongados registrados em 2010 e 2015-2016, que deixam a floresta mais inflam\u00e1vel e provocam a fragmenta\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, o bioma passa por uma nova estiagem no bi\u00eanio 2023-2024, o que agravou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto que o&nbsp;<a href=\"http:\/\/%20https\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/queimadas\/situacao-atual\/estatisticas\/estatisticas_estados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Queimadas<\/a>, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aponta que o total de focos de calor no primeiro trimestre de 2024 em toda a Amaz\u00f4nia foi o maior dos \u00faltimos oito anos \u2013 os 7.861 registros entre janeiro e mar\u00e7o, representando mais de 50% das notifica\u00e7\u00f5es no pa\u00eds (o Cerrado vem em seguida, com 25%). O mais alto n\u00famero at\u00e9 ent\u00e3o havia sido no primeiro trimestre de 2016 \u2013 8.240 para o total do bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante entender onde os inc\u00eandios est\u00e3o ocorrendo porque cada uma dessas \u00e1reas afetadas demanda uma resposta diferente. Quando analisamos os dados, vimos que as florestas maduras queimaram mais do que nos anos anteriores. Isso \u00e9 particularmente preocupante n\u00e3o s\u00f3 pela perda de vegeta\u00e7\u00e3o e desmatamento na sequ\u00eancia, mas tamb\u00e9m pela emiss\u00e3o do carbono estocado\u201d, afirma o especialista em sensoriamento remoto Guilherme Augusto Verola Mataveli, da Divis\u00e3o de Observa\u00e7\u00e3o da Terra e Geoinform\u00e1tica do Inpe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perda de resili\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando o fogo atinge florestas maduras, alertam os pesquisadores, a resili\u00eancia da floresta fica comprometida. Isso afeta, entre outras coisas, sua capacidade de criar um microclima \u00famido abaixo do dossel das \u00e1rvores para conter e reciclar a umidade dentro do ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto destacado pelos cientistas \u00e9 que a crescente inflamabilidade da floresta torna-se um desafio para os agricultores tradicionais. Eles normalmente usam o fogo controlado como forma de manejo de \u00e1reas de subsist\u00eancia. Isso demanda incentivo a cadeias de produ\u00e7\u00e3o para que sejam livres dessa pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sudoeste do Amazonas<\/h2>\n\n\n\n<p>No ano passado, alguns pesquisadores do grupo respons\u00e1vel pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/40757%3C\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo publicado<\/a>&nbsp;na revista&nbsp;<em>Global Change Biology&nbsp;<\/em>j\u00e1 haviam identificado esse aumento de inc\u00eandios em \u201cflorestas maduras\u201d localizado em uma fronteira emergente de desmatamento no sudoeste do Amazonas, na regi\u00e3o de Boca do Acre, entre 2003 e 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da gravidade dos inc\u00eandios em \u00e1reas de florestas maduras atingirem, por exemplo, \u00e1rvores mais antigas, com maior potencial de estoque de carbono, contribuindo para o aumento do impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, h\u00e1 o preju\u00edzo para as popula\u00e7\u00f5es locais. Manaus \u00e9 um desses casos, que foi a segunda cidade com a pior qualidade do ar no mundo em outubro do ano passado\u201d, afirma Mataveli.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros estados registraram situa\u00e7\u00e3o semelhante, incluindo o Par\u00e1, onde a contagem de focos de calor em florestas maduras em 2023 foi de 13.804 \u2013 ante 4.217 casos em 2022.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Roraima<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das piores situa\u00e7\u00f5es est\u00e1 configurada em Roraima, que concentra mais da metade dos registros de inc\u00eandio do bioma. Com a quinta maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds \u2013 97.320 pessoas \u2013, o estado viu 14 dos seus 15 munic\u00edpios decretarem emerg\u00eancia em mar\u00e7o por causa do fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>A fuma\u00e7a provocada pelas queimadas provocou a suspens\u00e3o de aulas. A seca severa tem afetado comunidades ind\u00edgenas, deixando-as sem acesso a alimentos e expostas a doen\u00e7as respirat\u00f3rias, entre outros impactos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Ibama\/Prevfogo informa que tem atuado, desde novembro do ano passado, em conjunto com outras institui\u00e7\u00f5es nas a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e no combate aos inc\u00eandios, atualmente concentrados em diferentes regi\u00f5es de Roraima. Segundo o \u00f3rg\u00e3o, desde janeiro, s\u00e3o mais de 300 combatentes, al\u00e9m de quatro aeronaves que d\u00e3o apoio ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Para amenizar o problema, o grupo de cientistas sugere o aumento de opera\u00e7\u00f5es de comando e controle e a expans\u00e3o de brigadas de inc\u00eandio, al\u00e9m do desenvolvimento constante de sistemas de monitoramento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom o uso de intelig\u00eancia artificial, podemos tentar desenvolver sistemas que, al\u00e9m de mostrar onde ocorreram os inc\u00eandios, fa\u00e7am uma predi\u00e7\u00e3o dos locais com mais propens\u00e3o de ocorrer e assim ter \u00e1reas mais espec\u00edficas como foco de preven\u00e7\u00e3o\u201d, complementa Mataveli.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Fapesp<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo publicado na revista cient\u00edfica\u00a0Global Change Biology\u00a0mostra que no ano passado houve uma queda de 16% no total de focos de inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de redu\u00e7\u00e3o de 22% no desmatamento. 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