{"id":120839,"date":"2024-04-05T11:20:11","date_gmt":"2024-04-05T14:20:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119681"},"modified":"2024-04-05T11:20:11","modified_gmt":"2024-04-05T14:20:11","slug":"60-anos-do-golpe-como-estados-unidos-apoiaram-os-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120839","title":{"rendered":"60 anos do golpe: como Estados Unidos apoiaram os militares"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cEspero que voc\u00ea esteja t\u00e3o feliz em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil quanto eu estou\u201d, sugeriu Thomas Mann, ao telefone.<\/em><br>&nbsp;<br><em>\u201cEu estou\u201d, respondeu &nbsp;Lyndon &nbsp;Johnson, do outro lado da linha.<\/em><br>&nbsp;<br><em>\u201cCreio que essa seja a coisa mais importante que aconteceu no hemisf\u00e9rio em tr\u00eas anos\u201d, destacou Mann.<\/em><br><em>&nbsp;<br>\u201cEspero que eles nos deem algum cr\u00e9dito em vez de inferno\u201d, devolveu Johnson.<\/em><br>&nbsp;<br>A conversa telef\u00f4nica aconteceu no dia 3 de abril de 1964. De um lado da linha estava o subsecret\u00e1rio de Estado para Assuntos Interamericanos&nbsp;dos Estados Unidos, Thomas Mann. Do outro, ningu\u00e9m menos que o presidente norte-americano, Lyndon Johnson.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1589013&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1589013&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O assunto, como d\u00e1 para inferir pela data em que ocorreu a liga\u00e7\u00e3o, era o golpe civil-militar que havia ocorrido poucos dias antes, no Brasil. O di\u00e1logo demonstra, ao mesmo tempo, a satisfa\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o norte-americana com a derrubada do governo de Jo\u00e3o Goulart e a impl\u00edcita ideia de que os EUA participaram do golpe.<\/p>\n\n\n\n<p>Autor de um livro sobre o papel dos EUA na desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo Jango, o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Felipe Pereira Loureiro lembra&nbsp;que, na \u00e9poca, o mundo vivia a Guerra Fria, um embate ideol\u00f3gico entre o bloco capitalista, liderado pelos norte-americanos, e o bloco comunista, capitaneado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, hoje extinta.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo sovi\u00e9tico tinha recentemente fincado p\u00e9 na Am\u00e9rica Latina, regi\u00e3o historicamente influenciada pelos Estados Unidos, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o cubana, em 1959. E os norte-americanos temiam a expans\u00e3o dos ideais comunistas para o resto do continente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O destino do Brasil, maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, era, portanto, uma preocupa\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO governo Jo\u00e3o Goulart era um governo que se colocava como reformista. Mas havia uma d\u00favida dentro do governo Kennedy, e isso vai se manter no governo Johnson, sobre at\u00e9 que ponto esse reformismo do governo Goulart poderia se transformar, com o tempo, em algo mais radical, que sa\u00edsse do controle\u201d, explica Loureiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Goulart havia sido vice-presidente nos governos Juscelino Kubitschek e J\u00e2nio Quadros e assumiu a presid\u00eancia em 1961, depois da ren\u00fancia de Quadros. Apesar de ser um empres\u00e1rio do ramo agropecu\u00e1rio, Jango n\u00e3o era bem visto pela c\u00fapula militar, devido a suas liga\u00e7\u00f5es passadas com Get\u00falio Vargas e a suas propostas de reformas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Goulart propunha, entre outras medidas, a reforma agr\u00e1ria, a subordina\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es financeiras a um Banco Central, a reforma tribut\u00e1ria e a permiss\u00e3o do voto aos analfabetos e militares de baixa patente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quadros renunciou em 1961, enquanto Goulart estava em viagem oficial ao exterior. Os ministros militares n\u00e3o queriam que Jango assumisse a presid\u00eancia, o que gerou um impasse e um racha nas For\u00e7as Armadas. A solu\u00e7\u00e3o foi a implanta\u00e7\u00e3o de um regime parlamentarista no Brasil, para que o novo presidente fosse aceito.<\/p>\n\n\n\n<p>O historiador norte-americano James Green, da Universidade Brown, coordena o projeto&nbsp;<em>Opening the Archives<\/em>, que busca documentar as rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e EUA entre as d\u00e9cadas de 60 e 80. Segundo ele, houve um erro de leitura do Departamento de Estado americano&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s inten\u00e7\u00f5es de Goulart.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/zpNHtxNwMdWdfp6pvNMUXLGJDSU=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/jango_e_lincoln_gordon_editada.jpg?itok=MTK6R-7X\" alt=\"O presidente Jango e o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon\" title=\"Arquivo Nacional\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub><sup>60 anos do golpe: Jango (a direita) e o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon &#8211;\u00a0<strong>Foto:\u00a0Arquivo Nacional<\/strong><\/sup><\/sub><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<p>&#8220;O embaixador [dos EUA no Brasil na \u00e9poca] Lincoln Gordon chegou em 61, justamente na transi\u00e7\u00e3o de governo entre J\u00e2nio Quadros e Jo\u00e3o Goulart, com a miss\u00e3o de acompanhar a situa\u00e7\u00e3o no Brasil, porque circulava entre o Departamento de Estado e as pessoas que acompanham a Am\u00e9rica Latina, o grande medo de que o Brasil poderia ser a pr\u00f3xima Cuba, de que poderia haver uma revolu\u00e7\u00e3o socialista que levasse ao comunismo e um governo contra os Estados Unidos&#8221;, afirma Green.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia, dentro do Departamento de Estado norte-americano, uma preocupa\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o Goulart se aproximasse dos comunistas e desse um golpe de Estado. &#8220;Ent\u00e3o Lincoln Gordon tinha a clara indica\u00e7\u00e3o de evitar uma poss\u00edvel revolu\u00e7\u00e3o socialista, uma mudan\u00e7a radical no governo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Goulart mantinha boas rela\u00e7\u00f5es com Cuba e havia se posicionado de forma contr\u00e1ria ao embargo econ\u00f4mico ao regime de Fidel Castro. Al\u00e9m disso, algumas expropria\u00e7\u00f5es de empresas americanas no Brasil desagradaram a Washington.<\/p>\n\n\n\n<p>A transcri\u00e7\u00e3o de um encontro de Gordon com Kennedy, em julho de 1962, mostra que os EUA j\u00e1 temiam os rumos que seriam tomados pelo governo Jango e cogitavam reduzir os poderes do presidente brasileiro ou at\u00e9 mesmo retir\u00e1-lo da presid\u00eancia. Tamb\u00e9m j\u00e1 havia planos de fortalecer o poder dos militares. Havia conversas para investir US$ 1 milh\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares brasileiras daquele ano para apoiar candidatos opositores de Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma reuni\u00e3o, definiu-se que Gordon contaria com a ajuda de Vernon Walters para estabelecer uma boa rela\u00e7\u00e3o com os militares brasileiros. Walters havia servido como homem de liga\u00e7\u00e3o entre as For\u00e7as Expedicion\u00e1rias Brasileiras (FEB) e o Comando do Ex\u00e9rcito americano na campanha da It\u00e1lia, durante a Segunda Guerra Mundial, e seria apontado como adido militar na embaixada dos EUA no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Walters foi chamado por Gordon para assessor\u00e1-lo nas rela\u00e7\u00f5es com as For\u00e7as Armadas brasileiras. A miss\u00e3o de Walters era juntar as v\u00e1rias conspira\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam fervendo dentro das For\u00e7as Armadas [brasileiras] e uni-las em uma conspira\u00e7\u00e3o \u00fanica. Ele foi muito importante em dar unidade nas For\u00e7as Armadas brasileiras e de mostrar que os americanos iam apoiar o golpe&#8221;, afirma Green.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo menos desde 1974, quando os primeiros documentos secretos foram tornados p\u00fablicos, j\u00e1 se sabia do papel dos Estados Unidos no golpe.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cOs EUA ajudaram a orquestrar toda uma opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o declarada de desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo Jo\u00e3o Goulart, sob a forma de financiamento da oposi\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es de 1962, no suporte a governadores cr\u00edticos ao governo e fomentando a propaganda pol\u00edtica oposicionista. Houve contribui\u00e7\u00e3o efetiva, portanto, na conspira\u00e7\u00e3o para derrubar o governo. Al\u00e9m disso, j\u00e1 ocorriam, h\u00e1 anos, programas de treinamento de for\u00e7as policiais e militares nos EUA, ou no Brasil, por oficiais estadunidenses\u201d, explica a pesquisadora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Mariana Joffily.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de estimular manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a Jango, havia um plano pronto para ser executado, caso os militares brasileiros n\u00e3o conseguissem derrubar o presidente. Chamado de opera\u00e7\u00e3o Brother Sam, o plano previa o uso de apoio militar norte-americano aos golpistas para garantir que um novo regime fosse implantado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 27 de mar\u00e7o de 1964, o embaixador Lincoln Gordon enviou um telegrama a diversas autoridades americanas solicitando o envio imediato de embarca\u00e7\u00f5es, para garantir, aos oposicionistas de Jango, combust\u00edvel e suprimentos. No mesmo documento, Gordon sugere a entrega clandestina de armas aos golpistas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/cganWf2hpozvtS786JxtowKTbQI=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/27\/joao_goulart_e_lincoln_gordon.jpg?itok=Mrku9JkW\" alt=\"60 ANOS DO GOLPE - Jo\u00e3o Goulart e Lincoln Gordon. Foto: Arquivo Nacional\" title=\"Arquivo Nacional\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><sub>60 anos do Golpe\u00a0&#8211; Jo\u00e3o Goulart e Lincoln Gordon. Foto:\u00a0<strong>Arquivo Nacional<\/strong><\/sub><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<p>Segundo o embaixador, o golpe estava pr\u00f3ximo de ocorrer. Documentos da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA) americana tamb\u00e9m informam a imin\u00eancia da movimenta\u00e7\u00e3o dos militares.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cHavia um temor muito grande de que comunistas pudessem ter se infiltrado em postos estrat\u00e9gicos na Petrobras e que, sem combust\u00edvel, tanques, caminh\u00f5es, ve\u00edculos militares n\u00e3o teriam como circular pelo pa\u00eds. Ent\u00e3o, havia uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande com o petr\u00f3leo. Portanto, h\u00e1 uma promessa efetiva da embaixada norte-americana \u00e0s principais lideran\u00e7as golpistas, de apoio log\u00edstico, sobretudo petr\u00f3leo\u201d, explica Felipe Loureiro.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O pesquisador ressalta que a chegada de uma for\u00e7a naval tamb\u00e9m teria um efeito psicol\u00f3gico, ainda que ela n\u00e3o atacasse necessariamente as fac\u00e7\u00f5es resistentes ao golpe. Os americanos, \u00e0quela altura, esperavam uma dissid\u00eancia nas For\u00e7as Armadas e, portanto, uma guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 31 de mar\u00e7o, um telegrama enviado pelo secret\u00e1rio de Estado norte-americano Dean Rusk a Gordon&nbsp;informava sobre a mobiliza\u00e7\u00e3o de um navio-tanque, de um porta-avi\u00f5es, quatro destroieres, al\u00e9m de 110 toneladas de armas, dez&nbsp;avi\u00f5es de carga e seis ca\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>As for\u00e7as golpistas brasileiras, chamadas de \u201cfor\u00e7as amigas\u201d por Gordon, acabaram colocando seu plano em movimento naquele mesmo dia, com a mobiliza\u00e7\u00e3o de tropas em um quartel de Juiz de Fora (MG) pelo general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tarde de 31 de mar\u00e7o, o subsecret\u00e1rio de Estado dos EUA, George Ball, e Thomas Mann&nbsp;ligaram para o presidente Lyndon Johnson, e falaram sobre o golpe em andamento em Minas Gerais. Eles refor\u00e7aram a necessidade de garantir apoio log\u00edstico aos golpistas, mas ainda se mostravam indecisos, sob que rumo a revolta contra Goulart tomaria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPenso que devemos dar todos os passos que pudermos, estar preparados para fazer tudo o que for necess\u00e1rio, tal como fizemos no Panam\u00e1, se isso for vi\u00e1vel\u201d, Lyndon Johnson orientou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novo Governo<\/h2>\n\n\n\n<p>No dia 1\u00ba, parte da ajuda americana j\u00e1 estava a caminho do Brasil. Naquele dia, o golpe ganharia for\u00e7a com o passar das horas e, \u00e0 noite, Jango deixaria Bras\u00edlia rumo a Porto Alegre. Os EUA ainda se mantinham cautelosos, evitando se expor para n\u00e3o dar, a Jango, um pretexto \u201canti-yankee\u201d para angariar apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 2 de abril, a for\u00e7a naval continuava a caminho do Brasil, devido ao receio de que o deputado federal Leonel Brizola, cunhado de Jango, liderasse uma resist\u00eancia no Rio Grande do Sul e que as refinarias como a Reduc (Duque de Caxias) permanecessem controladas pelos \u201ccommies\u201d (g\u00edria americana para \u201ccomunistas\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, havia assumido a presid\u00eancia da Rep\u00fablica temporariamente, depois de o Senado ter declarado a vac\u00e2ncia do cargo, mesmo com Jango ainda em territ\u00f3rio nacional. Os EUA esperavam que o Congresso ou a Suprema Corte brasileiros legitimassem a autoridade de Mazzilli, por isso ainda se mantinham cautelosos em reconhecer o novo governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A transcri\u00e7\u00e3o de um encontro do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional norte-americano, ao meio-dia de 2 de abril, mostra um Lyndon Johnson preocupado com a situa\u00e7\u00e3o de Mazzilli, j\u00e1 que ele ainda possu\u00eda minoria no Congresso para reconhec\u00ea-lo como presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio de Estado Dean Rusk responde, ent\u00e3o, que o embaixador Gordon estava usando os recursos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para encorajar os deputados brasileiros a reconhecer Mazzilli como presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, chegam informa\u00e7\u00f5es, incorretas, de que Jango havia deixado o Brasil rumo ao Uruguai. Naquele mesmo dia, mesmo sem ter a certeza de que Goulart havia sa\u00eddo do Brasil ou os deputados votarem a favor de Mazzilli, os norte-americanos decidiram reconhecer o governo dos golpistas, sob orienta\u00e7\u00e3o do embaixador Gordon.<\/p>\n\n\n\n<p>Lyndon Johnson ent\u00e3o autoriza o envio de um telegrama em que ele deseja sucesso a Mazzilli e parabeniza a \u201ccomunidade brasileira\u201d por resolver as dificuldades pol\u00edticas e econ\u00f4micas que o Brasil \u201cvinha enfrentando\u201d de acordo com \u201ca democracia constitucional e sem conflitos civis\u201d. A opera\u00e7\u00e3o Brother Sam, portanto, n\u00e3o chega a ser colocada em pr\u00e1tica e os navios retornam ao porto, no Caribe.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Golpe sem EUA<\/h2>\n\n\n\n<p>A historiadora Mariana Jofilly diz que \u00e9 dif\u00edcil afirmar se o golpe ocorreria mesmo sem o apoio dos EUA, mas afirma que receber o aval de uma grande pot\u00eancia foi importante para que os golpistas levassem, \u00e0 frente, seu plano de derrubar Jango.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00e3o foi apenas o Brasil que se certificou do apoio dos EUA antes de partir para a derrubada de um presidente democraticamente eleito. Isso aconteceu tamb\u00e9m no Chile e na Argentina. Na \u00e9poca, fazia parte da agenda golpista a obten\u00e7\u00e3o do apoio dos EUA. A garantia de que o novo governo seria reconhecido e legitimado pela grande pot\u00eancia e que o novo poder institu\u00eddo seguiria recebendo financiamento estadunidense n\u00e3o era um item do qual se pudesse abrir m\u00e3o\u201d, pondera Mariana Joffily.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>James Green diz que os brasileiros seriam capazes de derrubar Jango mesmo sem o apoio dos EUA e que outros golpes de Estado j\u00e1 haviam ocorrido no Brasil antes de 1964, mesmo sem a ajuda norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs brasileiros s\u00e3o muito capazes de dar golpes de Estado. Pode-se dizer que haviam americanos envolvidos [no golpe de 64], mas a quest\u00e3o principal foram as For\u00e7as Armadas brasileiras e a elite brasileira, que queriam manter controle sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social que estava fugindo de seu controle. O apoio americano deu mais determina\u00e7\u00e3o, foi fundamental para a luz verde\u201d, afirma o brasilianista.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurada pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a Embaixada dos Estados Unidos, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que o presidente norte-americano Joe Biden tem expressado, publicamente e em conversas privadas, o apoio do pa\u00eds \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas brasileiras, incluindo \u201co sistema eleitoral, a transfer\u00eancia pac\u00edfica de poder e a autoridade civil sobre as For\u00e7as Armadas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAmbas as na\u00e7\u00f5es reconhecem a import\u00e2ncia de se posicionar contra o extremismo pol\u00edtico, a viol\u00eancia, o discurso de \u00f3dio e a desinforma\u00e7\u00e3o que possam prosperar em sociedades democr\u00e1ticas\u201d, destacou a representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica norte-americana. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 2014, Joe Biden, ent\u00e3o vice-presidente na gest\u00e3o Barack Obama, entregou ao governo brasileiro 43 documentos produzidos por autoridades norte-americanas entre os anos de 1967 e 1977. Os relat\u00f3rios detalham informa\u00e7\u00f5es sobre censura, tortura e assassinatos cometidos pelo regime militar no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEspero que voc\u00ea esteja t\u00e3o feliz em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil quanto eu estou\u201d, sugeriu Thomas Mann, ao telefone.&nbsp;\u201cEu estou\u201d, respondeu &nbsp;Lyndon &nbsp;Johnson, do outro lado da linha.&nbsp;\u201cCreio que essa seja a coisa mais importante que aconteceu no hemisf\u00e9rio em tr\u00eas anos\u201d, destacou Mann.&nbsp;\u201cEspero que eles nos deem algum cr\u00e9dito em vez de inferno\u201d, devolveu Johnson.&nbsp;A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":121133,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[24],"class_list":{"0":"post-120839","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-manchete"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/120839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=120839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/120839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/121133"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=120839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=120839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=120839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}