{"id":120807,"date":"2024-04-03T16:38:34","date_gmt":"2024-04-03T19:38:34","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119571"},"modified":"2024-04-03T16:38:34","modified_gmt":"2024-04-03T19:38:34","slug":"comissao-da-verdade-vai-apurar-violacoes-e-repressao-na-uerj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120807","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade vai apurar viola\u00e7\u00f5es e repress\u00e3o na Uerj"},"content":{"rendered":"\n<p>Institu\u00edda em 11 de mar\u00e7o deste ano e tendo a professora Dirce Eleonora Nigro Solis como primeira presidente, a Comiss\u00e3o da Mem\u00f3ria e da Verdade Luiz Paulo da Cruz Nunes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), &nbsp;vai apurar responsabilidades sociais e atos antidemocr\u00e1ticos ocorridos na institui\u00e7\u00e3o durante a ditadura militar (1964-1985).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1588740&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1588740&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de cria\u00e7\u00e3o do colegiado foi apresentada no dia 2 de fevereiro deste ano. A comiss\u00e3o ser\u00e1 formada por quatro professores, um de cada centro setorial da institui\u00e7\u00e3o (ci\u00eancias sociais, ci\u00eancias de educa\u00e7\u00e3o e humanidades, ci\u00eancias de tecnologia e centro de sa\u00fade), quatro t\u00e9cnicos administrativos e quatro estudantes. Os nomes est\u00e3o sendo escolhidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que n\u00f3s resolvemos, da forma mais democr\u00e1tica poss\u00edvel, foi verificar, dentro de cada centro, como poder\u00edamos retirar, mediante alguns crit\u00e9rios, professores que pudessem fazer parte da comiss\u00e3o\u201d, disse a professora Dirce Solis, do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Uerj, presidente do colegiado. Agora est\u00e3o sendo selecionados professores que tenham participado de movimentos sociais ligados \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade federal e de arquivos, not\u00edcias e depoimentos sobre a Uerj, que tenham estudado na Uerj de 1964 a 1988 e, dessa forma, participado dos movimentos, disse Dirce Solis nesta quarta-feira (3) \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora citou, entre os crit\u00e9rios para escolha dos membros do colegiado, a liga\u00e7\u00e3o com entidades de defesa dos direitos humanos, dos direitos sociais, o zelo com a quest\u00e3o da democracia, \u201cporque isso \u00e9 fundamental\u201d. At\u00e9 sexta-feira (5), Dirce Solis espera fechar todos os nomes dos integrantes da comiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Verdade hist\u00f3rica<\/h2>\n\n\n\n<p>A meta \u00e9 instituir a comiss\u00e3o, a partir da resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Universit\u00e1rio, para apurar fatos e responsabilidades ocorridos no \u00e2mbito da Uerj no per\u00edodo de 1964 a 1988, \u201cmas atendendo \u00e0 quest\u00e3o da busca da verdade hist\u00f3rica, das responsabilidades sociais, e tamb\u00e9m visando contribuir para a pesquisa e o registro de situa\u00e7\u00f5es com esse escopo que foi presenciado durante esse per\u00edodo, na universidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como presidente da comiss\u00e3o, Dirce Solis pretende atuar na formula\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es a partir de grupos de trabalho. \u201cSomos sistematizadores de grupos de trabalho que ter\u00e3o um conjunto de prioridades, envolvendo servidores, estudantes e familiares, para apurar os delitos, as manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas daquela \u00e9poca, a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, toda a pr\u00e1tica de movimenta\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica ocorrida nas depend\u00eancias da Uerj e mesmo fora dela, que acabaram atingindo servidores e estudantes durante o per\u00edodo da ditadura militar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a professora, o que se tenta garantir \u00e9 que ser\u00e1 tratada sempre a luta pela manuten\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas democr\u00e1ticas no Brasil. &nbsp;\u201cE, como n\u00e3o poderia deixar de ser em uma universidade inclusiva como \u00e9 a Uerj\u201d, [uma quest\u00e3o] de respeito \u00e0s diferen\u00e7as e \u00e0 diversidade de ra\u00e7a, g\u00eanero, \u201cenfim a todas as diferen\u00e7as\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Homenagem<\/h2>\n\n\n\n<p>O nome da Comiss\u00e3o da Mem\u00f3ria e da Verdade da Uerj \u00e9 uma homenagem ao estudante de medicina Luiz Paulo da Cruz Nunes, morto durante manifesta\u00e7\u00e3o na porta do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, em frente \u00e0 Faculdade de Medicina, no dia 22 de outubro de 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da comiss\u00e3o ressaltou que \u00e9 importante estudar esse per\u00edodo, ter uma documenta\u00e7\u00e3o farta dele e que isso seja registrado, documentado em termos de v\u00eddeos,&nbsp;<em>podcasts<\/em>&nbsp;(programas de r\u00e1dio pela internet), o que for poss\u00edvel para &nbsp;resgatar essa mem\u00f3ria. S\u00e3o duas coisas: verdade, que significa a apura\u00e7\u00e3o dos fatos, e a quest\u00e3o da mem\u00f3ria, para resguardar esse per\u00edodo para a universidade, em termos em arquivo e tudo o que for poss\u00edvel, explicou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">T\u00edtulos honor\u00edficos<\/h2>\n\n\n\n<p>A comiss\u00e3o pretende ainda revogar homenagens feitas pela Uerj a figuras da ditadura militar, uma quest\u00e3o que compete ao Conselho Universit\u00e1rio. Caber\u00e1 \u00e0 comiss\u00e3o enviar para o conselho, ap\u00f3s apura\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios fatos, nomes da ditadura militar que foram homenageados, mas contribu\u00edram para a ocorr\u00eancia de pr\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas dentro da Uerj e no seu entorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos casos \u00e9 o do general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, um dos presidentes do per\u00edodo militar, j\u00e1 citado pelo Conselho Universit\u00e1rio e que recebeu t\u00edtulo de&nbsp;<em>doutor honoris causa<\/em>&nbsp;em 21 de janeiro de 1974, na gest\u00e3o do reitor Oscar Accioly Ten\u00f3rio. \u201cSabemos que, nesse per\u00edodo, as universidades brasileiras, com dirigentes simpatizantes, ou menos, do regime ditatorial, costumavam conceder t\u00edtulos supostamente por \u2018benef\u00edcios\u2019 \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que, se forem avaliados corretamente, muitos foram nefastos para a educa\u00e7\u00e3o brasileira.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dirce Solis lembrou que muitos dos agraciados com tais t\u00edtulos honor\u00edficos foram mentores de atos que acabaram contribuindo para implementar a ditadura no pa\u00eds. \u201cForam mentores de atos repressivos de toda monta, de atos de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a nossos estudantes, professores e &nbsp;funcion\u00e1rios da universidade. Por isso, \u00e9 pertinente que, a exemplo de outras universidades que j\u00e1 o fizeram, a Uerj reavalie e possa revogar essas supostas honrarias\u201d, afirmou a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro nome da lista \u00e9 o do ex-presidente M\u00e9dici.<\/p>\n\n\n\n<p>A comiss\u00e3o vai levantar nomes de outros personagens, verificar como as honrarias foram colocadas como fatos hist\u00f3ricos e levar ao Conselho Universit\u00e1rio. \u201cNa verdade, o que pretendemos fazer \u00e9 pagar um tributo a nossos estudantes, t\u00e9cnicos, professores que sofreram durante a ditadura militar e cujos familiares tamb\u00e9m sofreram. Devemos pagar esse tributo aos familiares tamb\u00e9m, \u00e0queles que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais aqui\u201d, disse a presidente da comiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institu\u00edda em 11 de mar\u00e7o deste ano e tendo a professora Dirce Eleonora Nigro Solis como primeira presidente, a Comiss\u00e3o da Mem\u00f3ria e da Verdade Luiz Paulo da Cruz Nunes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), &nbsp;vai apurar responsabilidades sociais e atos antidemocr\u00e1ticos ocorridos na institui\u00e7\u00e3o durante a ditadura militar (1964-1985). 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