{"id":120603,"date":"2024-04-26T12:36:29","date_gmt":"2024-04-26T15:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120603"},"modified":"2024-04-26T12:36:29","modified_gmt":"2024-04-26T15:36:29","slug":"amazonia-garimpo-cresceu-361-em-terras-indigenas-de-2016-a-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=120603","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia: garimpo cresceu\u00a0361% em terras ind\u00edgenas de 2016 a 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>Cerca de 241 mil hectares &#8211;\u00a0uma \u00e1rea equivalente a duas vezes a cidade de Bel\u00e9m, capital do Par\u00e1 &#8211;\u00a0\u00e9 o tamanho das ocupa\u00e7\u00f5es feitas por garimpos na Amaz\u00f4nia brasileira. Desse total, 25 mil hectares s\u00e3o\u00a0\u00e1reas de\u00a017 terras ind\u00edgenas (TIs).\u00a0Os dados foram revelados nesta sexta-feira (26) por um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam).<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa analisou&nbsp;a atividade mineradora na regi\u00e3o&nbsp;ao longo de 37 anos, entre 1985 e&nbsp;2022. O maior impacto observado&nbsp;ocorreu de 2016 e&nbsp;2022, exatamente nas terras ind\u00edgenas onde o garimpo cresceu 361%. &nbsp;A maior parte das atividades mineradoras, que afeta&nbsp;os povos origin\u00e1rios da Amaz\u00f4nia (78%), come\u00e7ou neste per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seis anos, enquanto o garimpo avan\u00e7ou 12 vezes em extens\u00e3o da Amaz\u00f4nia, quando s\u00e3o consideradas apenas as TIs&nbsp;as \u00e1reas invadidas cresceram 16 vezes, resultado que surpreendeu uma das pesquisadoras da equipe, Martha Fellows Dourado.&nbsp;\u201cEm algumas terras ind\u00edgenas o aumento foi muito expressivo. Por&nbsp;exemplo, a TI Kayap\u00f3 teve um aumento de 1.339% nesse curto per\u00edodo. A gente j\u00e1 trabalhava com a hip\u00f3tese de crescimento do garimpo nessas \u00e1reas, mas n\u00e3o imaginava que iria ser t\u00e3o agressivo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto vai al\u00e9m,&nbsp;quando a an\u00e1lise \u00e9&nbsp;feita nos rios que atravessam as reservas, e s\u00e3o afetados pela atividade garimpeira. De acordo com os pesquisadores, outras 122 TIs foram alcan\u00e7adas pelas \u00e1guas dos rios onde o garimpo utiliza subst\u00e2ncias como o merc\u00fario, usado para separar o ouro de outros sedimentos, somando 139 povos origin\u00e1rios, que sentem as consequ\u00eancias de rios assoreados por excesso de sedimentos, da morte de animais e da contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender melhor o raio de impacto do garimpo nas \u00e1guas, Martha explica que a equipe se debru\u00e7ou sobre outros trabalhos que revelam a dimens\u00e3o do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO garimpo tem&nbsp;impacto direto na sa\u00fade ind\u00edgena, bem documentado em trabalho da Fiocruz [Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz], que mostra a contamina\u00e7\u00e3o pelo consumo de prote\u00edna dos peixes, pela \u00e1gua para consumo e preparo dos alimentos. Mas al\u00e9m disso, outros estudos apontam que a \u00e1gua tamb\u00e9m contamina a vegeta\u00e7\u00e3o, que incorpora esse merc\u00fario e, com a incid\u00eancia do fogo em per\u00edodos mais secos, o merc\u00fario vai para o ar e&nbsp;dependendo das correntes&nbsp;chega a \u00e1reas mais distantes ainda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo desenvolvido pela equipe de nove pesquisadores&nbsp;foi realizado a partir de dados da MapBiomas, baseados no mapeamento das cicatrizes deixadas pelos garimpos nas imagens do sat\u00e9lite do per\u00edodo entre 1985 e 2022. As \u00e1reas afetadas foram convertidas em pontos a partir do centro de cada mancha de garimpo e combinados com com os limites das terras ind\u00edgenas&nbsp;a partir de dados da Funai, com atualiza\u00e7\u00e3o, em 2021, para determinar o n\u00famero de garimpos dentro e fora das TIs na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o impacto dos garimpos nos recursos h\u00eddricos foi analisado a partir do mapeamento sistematizado pela&nbsp;Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico (ANA), que aponta o fluxo hidrol\u00f3gico, conex\u00f5es e sentido dos rios e tamb\u00e9m sobrepostos \u00e0s \u00e1reas de garimpo identificadas dentro e fora das Tis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contraponto<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo aponta ainda algumas poss\u00edveis dire\u00e7\u00f5es para revers\u00e3o do fen\u00f4meno observado, que, segundo a nota t\u00e9cnica do estudo, \u00e9 um contraponto \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o das reservas ind\u00edgenas, historicamente menos afetadas por desmatamento e fogo. Um dos poss\u00edveis caminhos \u00e9 a revis\u00e3o de leis como a Lei da Boa-f\u00e9 (12.844\/2013) e o Estatuto do Garimpeiro (11.685\/2008), que, dentre outras facilidades \u00e0s atividades ilegais, dispensa a licen\u00e7a pr\u00e9via para o exerc\u00edcio da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise da equipe do Ipam, essa estrutura legal somada \u00e0s flexibiliza\u00e7\u00f5es ocorridas na legisla\u00e7\u00e3o, durante o per\u00edodo de maior impacto, favoreceram o avan\u00e7o do garimpo em um curto per\u00edodo com impactos significativos em povos que j\u00e1 vivem problemas graves decorrentes da atividade ilegal, como os das terras ind\u00edgenas Kayap\u00f3, Muduruku e Yanomamis mais afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Martha diz que essa flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o miner\u00e1ria faz parecer que a ilegalidade na atua\u00e7\u00e3o do garimpo \u00e9 permitida e que n\u00e3o haver\u00e1 puni\u00e7\u00e3o. \u201cEsse tipo de recado \u00e9 muito problem\u00e1tico, porque as pessoas que moram na Amaz\u00f4nia e muitas vezes n\u00e3o t\u00eam muita oportunidade de emprego e, naquele lugar a atividade miner\u00e1ria \u00e9 forte, elas acabam entrando facilmente na ilegalidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que rever a legisla\u00e7\u00e3o miner\u00e1ria, o estudo sugere ainda o fortalecimento da legisla\u00e7\u00e3o indigenista, com a desintrus\u00e3o das Tis e tamb\u00e9m com a demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios sem destina\u00e7\u00e3o legal. \u201cA gente ainda tem muitos territ\u00f3rios n\u00e3o reconhecidos pelo Estado brasileiro que est\u00e3o mais suscet\u00edveis a mais invas\u00f5es, quando voc\u00ea n\u00e3o tem a prote\u00e7\u00e3o integral dessas \u00e1reas\u201d conclui a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 241 mil hectares &#8211;\u00a0uma \u00e1rea equivalente a duas vezes a cidade de Bel\u00e9m, capital do Par\u00e1 &#8211;\u00a0\u00e9 o tamanho das ocupa\u00e7\u00f5es feitas por garimpos na Amaz\u00f4nia brasileira. 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