{"id":119305,"date":"2024-03-26T16:36:41","date_gmt":"2024-03-26T19:36:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119305"},"modified":"2024-03-26T16:36:41","modified_gmt":"2024-03-26T19:36:41","slug":"inquerito-mostra-como-delegado-agiu-para-livrar-assassinos-de-marielle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119305","title":{"rendered":"Inqu\u00e9rito mostra como delegado agiu para livrar assassinos de Marielle"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao desvendar o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em 2018, a Pol\u00edcia Federal (PF) revelou&nbsp;tamb\u00e9m&nbsp;um esquema envolvendo autoridades da seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro que, em vez de atuarem&nbsp;para desvendar o caso, adotaram estrat\u00e9gias para evitar o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es. No centro do esquema estava o delegado Rivaldo Barbosa, ent\u00e3o chefe da Pol\u00edcia Civil.&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1587497&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1587497&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Se, na teoria, cabia a ele desvendar o caso, na realidade, segundo a Pol\u00edcia federal, o delegado teria feito mais do que obstruir a investiga\u00e7\u00e3o. As suspeitas s\u00e3o de que ajudou no planejamento do crime,&nbsp;algo que surpreendeu at\u00e9 a fam\u00edlia de Marielle, de quem o delegado se aproximou e ganhou confian\u00e7a logo no in\u00edcio das investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No inqu\u00e9rito, tornado p\u00fablico pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Rivaldo \u00e9 acusado de obstruir os trabalhos policiais, de forma a proteger os autores de crimes cometidos por diversos contraventores, deste e de outros casos, em especial envolvendo milicianos e bicheiros. Entre os crimes imputados a ele est\u00e1 o de participar de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, lavagem de dinheiro e corrup\u00e7\u00e3o passiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A indica\u00e7\u00e3o de Rivaldo para o cargo na Pol\u00edcia Civil foi feita pelo general de Ex\u00e9rcito Richard Nunes, mesmo diante de um parecer do setor de intelig\u00eancia que informava&nbsp;sobre&nbsp;\u201catividades suspeitas\u201d que associavam o delegado a contraventores locais, em especial bicheiros. A nomea\u00e7\u00e3o foi assinada pelo ent\u00e3o interventor do governo federal no estado, general Walter Braga Netto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a PF, a&nbsp;lista de acusados envolvidos com o assassinato da vereadora abrange Ronnie Lessa, autor dos disparos contra Marielle e Anderson; \u00c9lcio de Queiroz, que dirigiu o carro que perseguiu o de Marielle na ocasi\u00e3o do assassinato; o ex-bombeiro Maxwell Sim\u00f5es Corr\u00eaa, o &#8220;Suel&#8221;, a quem coube monitorar a rotina da v\u00edtima, al\u00e9m de ajudar a dar sumi\u00e7o na arma utilizada no crime; e Edilson Barbosa dos Santos, mais conhecido como &#8220;Orelha&#8221;, dono do ferro-velho onde foi feito o desmanche do carro usado no crime. Os investigadores apontam como mandantes do crime o deputado Chiquinho Braz\u00e3o (Uni\u00e3o Brasil-RJ) e seu irm\u00e3o Domingos Braz\u00e3o. Tanto os irm\u00e3os Braz\u00e3o quanto Rivaldo Barbosa&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/justica\/noticia\/2024-03\/por-unanimidade-stf-mantem-prisao-de-suspeitos-por-morte-de-marielle\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">foram presos preventivamente<\/a>&nbsp;no \u00faltimo domingo (24).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Investigadores criminosos<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dia ap\u00f3s o assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, Rivaldo Barbosa, j\u00e1 chefe da Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro, nomeou o delegado Giniton Lages,&nbsp;com quem tinha comprovadamente rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas &#8211;&nbsp;inclusive relatadas pelo pr\u00f3prio Lages no livro &#8220;Quem Matou Marielle?&#8221;, escrito por ele -, para presidir as investiga\u00e7\u00f5es do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito da PF apresenta depoimentos e diversas provas indici\u00e1rias do esquema criminoso envolvendo a Delegacia de Homic\u00eddios. Algumas apontam que Rivaldo seria &#8220;conivente com os homic\u00eddios envolvendo a participa\u00e7\u00e3o de milicianos e contraventores, dos quais recebia vantagens indevidas&#8221;, e que ele teria feito alertas a &#8220;alvos de investiga\u00e7\u00e3o quando da men\u00e7\u00e3o de seus nomes em procedimentos criminais ou quando da exist\u00eancia de medidas restritivas em desfavor deles&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a investiga\u00e7\u00e3o da PF, entre os crimes acobertados est\u00e1 o assassinato do presidente da Portela, Marcos Falcon, em setembro de 2016; de Haylton Carlos Gomes Escafura e de sua mulher, na Barra da Tijuca, em 2016, assim como o de Geraldo Ant\u00f4nio Pereira, no mesmo ano; Jos\u00e9 Lu\u00eds de Barros Lopes, em 2011, e Marcelo Diotti da Matta, em 2018. Uma das frentes de investiga\u00e7\u00e3o da PF que comprovaram a liga\u00e7\u00e3o entre investigadores e criminosos partiu do depoimento da filha de Marcos Falcon,&nbsp;Marcelle Guimar\u00e3es Vieira Souza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falcon era, na \u00e9poca,&nbsp;candidato ao cargo de vereador do munic\u00edpio do Rio de Janeiro, mas&nbsp;foi assassinado a menos de uma semana do pleito. Sua filha disse \u00e0 PF que o delegado&nbsp;Brenno Carnevale,&nbsp;respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o da morte de seu pai, havia manifestado &#8220;descontentamento com as inger\u00eancias praticadas por Rivaldo Barbosa na investiga\u00e7\u00e3o&#8221;. Entre as inger\u00eancias estaria o pedido de Rivaldo para que Carnevale n\u00e3o mexesse em &#8220;nada das novas descobertas\u201d, e que as informa\u00e7\u00f5es deveriam sempre passar antes diretamente por ele, Rivaldo.<\/p>\n\n\n\n<p>Carnevale teria falado, tamb\u00e9m \u00e0 filha de Marcos Falcon, sobre o \u201csumi\u00e7o repentino\u201d de procedimentos apurat\u00f3rios atrelados a Falcon e Geraldo Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Marcelle ressaltou que todos com quem conversava sobre a morte de seu pai, sobretudo policiais, desestimulavam-na a procurar a DH [Delegacia de Homic\u00eddios, quando chefiada por Rivaldo], pois essa delegacia estaria comprada e de nada adiantaria seu empenho&#8221;, detalha o documento divulgado pela PF. Al\u00e9m disso, segundo ela, Rivaldo teria marcado um encontro com Falcon pouco tempo antes de ser morto, mas que o encontro acabou n\u00e3o se concretizando em raz\u00e3o de seu assassinato.<\/p>\n\n\n\n<p>Brenno Carnevalle estava lotado, em 2018, na delegacia que era respons\u00e1vel pela apura\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios envolvendo agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica. Em depoimento ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do RJ, ele informou que n\u00e3o houve nenhuma elucida\u00e7\u00e3o de crimes envolvendo bicheiros entre agosto de 2016 e mar\u00e7o de 2018; e que materiais apreendidos e inqu\u00e9ritos haviam desaparecido de forma misteriosa.<\/p>\n\n\n\n<p>No depoimento, ele&nbsp;reiterou o que havia sido dito por Marcelle e acrescentou outros fatos que ampliaram ainda mais as suspeitas contra Rivaldo. Foi o caso do sumi\u00e7o de inqu\u00e9ritos como o de Andr\u00e9 Serralho, em 2016, bem como de alguns materiais apreendidos durante as investiga\u00e7\u00f5es. Citou tamb\u00e9m o excesso de exig\u00eancias burocr\u00e1ticas que inviabilizavam dilig\u00eancias; e as &#8220;s\u00fabitas trocas de presid\u00eancias de inqu\u00e9ritos&#8221;, como o que envolvia a morte de Haylton Escafura, filho do contraventor conhecido como Piruinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato narrado por Marcelle mostra que a delegacia chefiada por Rivaldo era conivente com os homic\u00eddios envolvendo a participa\u00e7\u00e3o de milicianos e contraventores, dos quais, segundo a PF, Rivaldo recebia vantagens indevidas. A PF acrescenta que o delegado civil alertava alvos de investiga\u00e7\u00e3o, quando tinham seus nomes mencionados em procedimentos criminais ou quando ficava a par de medidas restritivas que seriam aplicadas em desfavor deles.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma an\u00e1lise, ainda que superficial desses inqu\u00e9ritos, infelizmente, revela uma lament\u00e1vel realidade: historicamente, os homic\u00eddios ligados a disputas da contraven\u00e7\u00e3o, invariavelmente, n\u00e3o resultam em efetivas respostas estatais; rumam em via \u00fanica destinada a uma deplor\u00e1vel impunidade institucionalizada&#8221;, diz o inqu\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a assinada pelo juiz da 1\u00aa Vara Criminal Especializada em Organiza\u00e7\u00e3o Criminosa, Bruno Monteiro Ruli\u00e8re, destaca&nbsp;que o exame dos procedimentos adotados &#8220;permite inspirar particular questionamento sobre a adequa\u00e7\u00e3o e regularidade na condu\u00e7\u00e3o dos inqu\u00e9ritos policiais (inconclusivos), que s\u00e3o marcados por rotinas engessadas, despidas de prof\u00edcuos atos apurat\u00f3rios, com uma manifesta situa\u00e7\u00e3o de letargia e omiss\u00e3o deliberada de alguns agentes e\/ou autoridade p\u00fablicas&#8221;. &#8220;Com isso, todos inqu\u00e9ritos acabam sem conclus\u00e3o&#8221;, detalhou o juiz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Federaliza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito mostra que o chefe da Pol\u00edcia Civil, Rivaldo Barbosa, estava preocupado com a possibilidade de federaliza\u00e7\u00e3o do caso. Nesse sentido, relata uma manifesta\u00e7\u00e3o dele na m\u00eddia, ap\u00f3s ser indagado sobre a possibilidade de eventuais colabora\u00e7\u00f5es da PF na investiga\u00e7\u00e3o. Ele disse ter convic\u00e7\u00e3o de que a Pol\u00edcia Civil tinha condi\u00e7\u00f5es de elucidar o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o inqu\u00e9rito, chamou a aten\u00e7\u00e3o o fato de, antes da entrevista concedida ao RJTV 12 horas ap\u00f3s o assassinato de Marielle, a Delegacia de Homic\u00eddios da Capital ter vazado a informa\u00e7\u00e3o de que as muni\u00e7\u00f5es empregadas na emboscada contra a vereadora decorriam de um lote vendido para a PF em 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, segundo o inqu\u00e9rito, foi feito &#8220;com o claro objetivo de repelir a atua\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de seguran\u00e7a federal no caso&#8221;. No mesmo dia, 15 de mar\u00e7o, o procurador-Geral de Justi\u00e7a do RJ, Jos\u00e9 Eduardo Gussem, defendeu que, diante desses fatos, era importante &#8220;evitar que a investiga\u00e7\u00e3o passe para a esfera federal&#8221;. A declara\u00e7\u00e3o foi feita ap\u00f3s&nbsp;visita da procuradora-Geral da Rep\u00fablica, \u00e0 \u00e9poca, Raquel Dodge, ao estado, ocasi\u00e3o em que anunciou que iria instaurar uma apura\u00e7\u00e3o preliminar do caso no MPF.<\/p>\n\n\n\n<p>Dodge havia nomeado cinco procuradores para acompanhar a investiga\u00e7\u00e3o do caso. \u201cEntretanto, Gussem, no dia 21 de mar\u00e7o de 2018, ingressou com um pedido no Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico para que a apura\u00e7\u00e3o dos procuradores da Rep\u00fablica fosse suspensa, o que foi deferido liminarmente pelo conselho e ensejou a revoga\u00e7\u00e3o da portaria de nomea\u00e7\u00e3o do grupo\u201d, diz o inqu\u00e9rito, ao apresentar algumas manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de Gussem em favor de Rivaldo Barbosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAvan\u00e7ando na an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o de Rivaldo Barbosa com Gussem, entretanto chamou a aten\u00e7\u00e3o desta equipe de investiga\u00e7\u00e3o que, na ocasi\u00e3o em que o primeiro foi denunciado pelo MPRJ pela suposta pr\u00e1tica de crimes contra a lei de licita\u00e7\u00f5es, por firmar contratos emergenciais na \u00e1rea de inform\u00e1tica no valor de R$ 191 milh\u00f5es, o ent\u00e3o procurador n\u00e3o adotou a postura de proteger sua institui\u00e7\u00e3o, bem como de seus membros, outrora realizada com afinco, mas, de forma surpreendente, atacou os promotores de Justi\u00e7a signat\u00e1rios da exordial acusat\u00f3ria, e defendeu Rivaldo Barbosa\u201d, complementa o inqu\u00e9rito da PF.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sabotagem<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre os atos praticados para obstruir as investiga\u00e7\u00f5es, refor\u00e7ados com a nomea\u00e7\u00e3o de Lages, a PF aponta \u201cexemplos inequ\u00edvocos de que o aparato policial n\u00e3o somente se absteve de promover dilig\u00eancias frut\u00edferas, mas tamb\u00e9m favoreceu para a sabotagem do trabalho apurat\u00f3rio&#8221;. Um desses exemplos foi a neglig\u00eancia para se obter as imagens do ve\u00edculo utilizado para o crime contra a vereadora, que acabou por n\u00e3o abranger, inicialmente, a rota de fuga dos executores.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito fala tamb\u00e9m de uma \u201cduvidosa din\u00e2mica\u201d da delegacia de homic\u00eddios que teve como ponto de partida uma den\u00fancia an\u00f4nima, que tentou associar o crime ao ent\u00e3o vereador Marcelo Siciliano, advers\u00e1rio pol\u00edtico dos verdadeiros mandantes citados pela PF, os irm\u00e3os Domingos e Chiquinho Braz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o levantou tamb\u00e9m, falsamente, suspeitas contra Orlando Curicica, miliciano que atuaria na Zona Oeste do Rio de janeiro. Curicica havia delatado esquemas de pagamentos mensais por milicianos a delegacias do estado; e que pagamentos extras teriam sido feitos para evitar investiga\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de alguns homic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 2018, uma equipe da delegacia de homic\u00eddios comandada por Lages esteve na Penitenci\u00e1ria de Bangu 1 com o intuito de obter uma confiss\u00e3o de Orlando Curicica, que apontasse a autoria do crime a Marcelo Siciliano. \u201cDiante da negativa de Curicica, tal equipe teria o amea\u00e7ado de lhe atribuir outros homic\u00eddios como meio de coer\u00e7\u00e3o (ou coa\u00e7\u00e3o) a confessar aquela hip\u00f3tese pr\u00e9-moldada\u201d, descreve o inqu\u00e9rito da PF. \u201cImputar o delito ao ent\u00e3o vereador Marcelo Siciliano teria o cond\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de garantir-lhes a impunidade, mas tamb\u00e9m fulminaria politicamente um dos concorrentes eleitorais da fam\u00edlia Braz\u00e3o nos bairros da Zona Oeste carioca\u201d, complementa&nbsp;o documento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vantagens indevidas<\/h2>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito cita \u201cvantagens indevidas\u201d que Gussem teria recebido do ex-secret\u00e1rio de Sa\u00fade do estado, S\u00e9rgio C\u00f4rtes, para arquivar investiga\u00e7\u00f5es que o tinham como alvo. Todo esse contexto levou os investigadores a constatar que Rivaldo Barbosa \u201cconseguiu atingir seu segundo intento, de modo que os \u00f3rg\u00e3os de persecu\u00e7\u00e3o penal federais foram alijados das investiga\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito descreve tamb\u00e9m algumas estrat\u00e9gias adotadas por Rivaldo para lavar o dinheiro recebido dos contraventores. Ele inclusive teria constitu\u00eddo, com sua esposa, Erika Ara\u00fajo, uma empresa, com o prop\u00f3sito de justificar o aumento de patrim\u00f4nio obtido no per\u00edodo em que dirigia a delegacia de homic\u00eddios e, posteriormente, quando foi chefe da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRivaldo e sua esposa Erika se lan\u00e7aram \u00e0s atividades empresariais justamente no per\u00edodo em que Rivaldo foi nomeado para chefiar a Delegacia de Homic\u00eddios da Capital, de modo a se protrair enquanto ele foi diretor da Divis\u00e3o de Homic\u00eddios (21\/5\/2016) e chefe da Pol\u00edcia Civil (8\/3\/2018). Recorda-se que \u00e9 justamente quando est\u00e1 na DHC ou \u00e0 frente da Pol\u00edcia Civil que foram encontrados relatos, depoimentos e formalizadas den\u00fancias envolvendo epis\u00f3dios de corrup\u00e7\u00e3o e outras atividades il\u00edcita\u201d, diz o inqu\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outro lado<\/h2>\n\n\n\n<p>Ouvido pela PF durante as investiga\u00e7\u00f5es, o general Richard Nunes prestou depoimento aos delegados e negou ter inger\u00eancia na escolha de Rivaldo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA Subsecretaria de intelig\u00eancia contraindicou o nome de Rivaldo, mas o depoente decidiu pelo seu nome, tendo em vista que tal contraindica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pautava por dados objetivos. Teve contato com Rivaldo na \u00e9poca da for\u00e7a de pacifica\u00e7\u00e3o\u201d, diz o depoimento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;entrou em contato com a defesa de Rivaldo Barbosa e aguarda retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a defesa de Braga Netto afirmou que &#8220;a sele\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00f5es para nomea\u00e7\u00f5es eram feitas, exclusivamente, pelo ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica&#8221; e atribuiu sua assinatura na nomea\u00e7\u00e3o de Rivaldo Barbosa a &#8220;quest\u00f5es burocr\u00e1ticas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao desvendar o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em 2018, a Pol\u00edcia Federal (PF) revelou&nbsp;tamb\u00e9m&nbsp;um esquema envolvendo autoridades da seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro que, em vez de atuarem&nbsp;para desvendar o caso, adotaram estrat\u00e9gias para evitar o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es. 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