{"id":119247,"date":"2024-03-22T14:32:47","date_gmt":"2024-03-22T17:32:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119227"},"modified":"2024-03-22T14:32:47","modified_gmt":"2024-03-22T17:32:47","slug":"projeto-contra-o-feminicidio-pode-ser-adotado-no-brasil-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119247","title":{"rendered":"Projeto contra o feminic\u00eddio pode ser adotado no Brasil todo"},"content":{"rendered":"\n<p>Na paisagem de Recife, um banco vermelho chama a aten\u00e7\u00e3o de quem passa. Ele traz um QR code que, quando acessado, leva a pessoa a refletir sobre um tema dif\u00edcil, mas que precisa ser debatido \u2014 o feminic\u00eddio.&nbsp; A ocupa\u00e7\u00e3o urbana &#8220;Banco Vermelho&#8221; teve in\u00edcio em 2016 na It\u00e1lia e foi trazida para o Brasil em 2023 por duas mulheres: Andrea Rodrigues e Paula Limongi. Ambas tiveram amigas assassinadas por seus companheiros, e quiseram fazer algo de concreto na capital de Pernambuco para tentar sensibilizar e envolver a sociedade na luta contra esse tipo de crime.<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o Mista de Combate \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher (CMCVM) promoveu audi\u00eancia p\u00fablica na quarta-feira (20) sobre a inclus\u00e3o da iniciativa do Banco Vermelho na campanha Agosto Lil\u00e1s de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e intrafamiliar, por meio do&nbsp;Projeto de Lei (PL)&nbsp;<a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/162641\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">147\/2024<\/a>, da deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), que&nbsp;j\u00e1 est\u00e1 no Senado aguardando despacho da Mesa para tramitar. O Agosto Lil\u00e1s, m\u00eas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, foi institu\u00eddo pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/normas.leg.br\/?urn=urn:lex:br:federal:lei:2022-09-09;14448\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Lei 14.448, de 2022<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente do Instituto Banco Vermelho, Andrea Rodrigues (na foto), conta que a ideia \u00e9 provocar, em lugares do cotidiano, uma reflex\u00e3o que leve \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Porque o feminic\u00eddio \u00e9 o crime mais democr\u00e1tico que existe. E eu pensei: preciso de um \u00edcone t\u00e3o democr\u00e1tico quanto, preciso ir pra luta com um \u00edcone que&nbsp;tamb\u00e9m represente essa luta, que ele possa estar onde eu n\u00e3o estou, que ele possa estar onde o poder p\u00fablico talvez n\u00e3o chegue, que ele esteja no cotidiano das pessoas. Tem que ser algo simples do dia a dia dessas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora-executiva do Instituto Banco Vermelho, Paula Limongi, informou uma empresa privada est\u00e1 instalando o banco em universidades, mas a ideia \u00e9 que, com apoio do governo, por meio do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, os bancos possam ser levados para as escolas p\u00fablicas:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 [precisamos alcan\u00e7ar] a primeira inf\u00e2ncia, porque \u00e9 s\u00f3 mudando a cultura e a educa\u00e7\u00e3o que a gente vai conseguir realmente mudar esse cen\u00e1rio. N\u00f3s&nbsp;precisamos estar na escola estadual e municipal. S\u00f3 mudando o mapa mental das pessoas \u00e9 que a gente vai conseguir chegar no feminic\u00eddio zero.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a senadora Damares Alves, para chegar ao &#8220;femin\u00edcio zero&#8221;, o poder p\u00fablico vai ter de contar com o apoio da sociedade civil, de modo que v\u00e1rias fontes de recursos propiciem a instala\u00e7\u00e3o de mais bancos vermelhos pelo pa\u00eds. A parlamentar pediu ainda que o debate e a a\u00e7\u00e3o para estancar a viol\u00eancia contra a mulher sejam plurais:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Esta Casa tem produzido legisla\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias. A gente briga em todos os lugares pelo tema. E, \u00e0s vezes, a gente tem essa sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, essa sensa\u00e7\u00e3o do que mais podemos fazer.&nbsp;A pauta do feminic\u00eddio une todas as mulheres desta Casa e da outra. E, neste tema, a gente n\u00e3o tem direita, esquerda, a gente n\u00e3o tem ideologia.<\/p>\n\n\n\n<p>A deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE), respons\u00e1vel por transformar a campanha do Banco Vermelho em um projeto de lei, ressaltou durante a audi\u00eancia o apelo social presente na proposta:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A viol\u00eancia contra a mulher passa principalmente pela informa\u00e7\u00e3o, e eu acredito que o banco traz e tem esse objetivo de informar, de alertar, de trazer conhecimento para as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Arraes apelou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco no sentido de que a tramita\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria seja acelerada, e ela possa ser aprovado na Casa e sancionada pelo presidente Lula antes de agosto. Assim, o Banco Vermelho teria como ser inclu\u00eddo na programa\u00e7\u00e3o do Agosto Lil\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Pacheco foi mencionado igualmente pela senadora Jussara Lima (PSD-PI). Ela sugeriu a ele que apoie a instala\u00e7\u00e3o de um banco vermelho&nbsp;dentro do Senado, a Casa que representa os estados:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Seria muito importante trazer o Banco Vermelho tamb\u00e9m para a C\u00e2mara. Essa \u00e9 uma luta nossa, de n\u00f3s mulheres, porque n\u00e3o s\u00e3o todos os homens que se disp\u00f5em a pegar uma pauta dessa. Essa pauta \u00e9 nossa. N\u00f3s mulheres \u00e9 que temos que ir \u00e0 luta mesmo, sair da nossa zona de conforto, porque muitas vezes eu acho que a gente se habituou a ver tudo isso.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da comiss\u00e3o Augusta Brito (PT-CE) refor\u00e7ou a ideia de que, para o projeto sair do papel, \u00e9 necess\u00e1rio o empenho dos poderes p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Como disse, \u00e9 democr\u00e1tico esse banco e \u00e9 uma simbologia, uma a\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de ser feita. T\u00e3o f\u00e1cil, mas ao mesmo tempo t\u00e3o importante quando ela \u00e9 feita. Eu tenho vontade de botar um banco vermelho desse em todos os espa\u00e7os que eu ocupo, que eu vou poder ocupar daqui para frente para realmente chamar a aten\u00e7\u00e3o. Mas eu sei que n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o individual e n\u00e3o t\u00e3o pequena como eu estou imaginando que eu poderia botar esse banco aqui. Tem que ser realmente abra\u00e7ada pelo Estado, tem que ser abra\u00e7ada pelo Poder Executivo, pelo Minist\u00e9rio das Mulheres e tem que ser abra\u00e7ada pelo Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da audi\u00eancia, as participantes compareceram ao Plen\u00e1rio do Senado e subiram \u00e0 mesa dos trabalhos, comandada pelo presidente da Casa, que pousou para fotos segurando um adesivo da campanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Sob a supervis\u00e3o de Marcela Diniz, da R\u00e1dio Senado, J\u00falia Lopes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Senado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na paisagem de Recife, um banco vermelho chama a aten\u00e7\u00e3o de quem passa. 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