{"id":119094,"date":"2024-03-13T13:24:01","date_gmt":"2024-03-13T16:24:01","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=118698"},"modified":"2024-03-13T13:24:01","modified_gmt":"2024-03-13T16:24:01","slug":"ha-60-anos-jango-fazia-seu-historico-comicio-na-central-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=119094","title":{"rendered":"H\u00e1 60 anos, Jango fazia seu hist\u00f3rico com\u00edcio na Central do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Mar\u00e7o de 1964. Sexta-feira, 13. Em cima do mesmo palanque que Get\u00falio Vargas usava para falar com a popula\u00e7\u00e3o em atos p\u00fablicos, Jo\u00e3o Belchior Marques Goulart, o presidente da Rep\u00fablica Jo\u00e3o Goulart, ou apenas Jango, est\u00e1 diante de 200 mil pessoas reunidas na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica \u2013 como registraram os jornais do dia seguinte &#8211; em frente \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Pedro II da malha ferrovi\u00e1ria da cidade do Rio de Janeiro, a Central do Brasil.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1585467&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1585467&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 20h46, Jango inicia&nbsp;<a href=\"https:\/\/memoria.ebc.com.br\/cidadania\/2014\/03\/discurso-de-jango-na-central-do-brasil-em-1964\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">seu discurso<\/a>, sem texto escrito, no Com\u00edcio da Central, para se dirigir \u201ca todos os brasileiros, n\u00e3o apenas aos que conseguiram adquirir instru\u00e7\u00e3o nas escolas, mas tamb\u00e9m aos milh\u00f5es de irm\u00e3os nossos que d\u00e3o ao Brasil mais do que recebem, que pagam em sofrimento, em mis\u00e9ria, em priva\u00e7\u00f5es, o direito de ser brasileiro e de trabalhar sol a sol para a grandeza deste pa\u00eds.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Do palanque, o presidente podia ler faixas de apoiadores com dizeres radicais como \u201cJango, defenderemos tuas reformas a bala\u201d; eleitoreiras como \u201cCunhado n\u00e3o \u00e9 parente, Brizola presidente\u201d; ecum\u00eanicas como \u201cPCB: teus direitos s\u00e3o sagrados\u201d; ou ainda \u201cSexta Feira 13 n\u00e3o \u00e9 de agosto\u201d, em refer\u00eancia ao suic\u00eddio de Get\u00falio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua fala, o presidente tratou das reformas de base, em especial da reforma agr\u00e1ria; da diminui\u00e7\u00e3o dos valores dos alugueis; do decreto permitindo a desapropria\u00e7\u00e3o de terras para reforma agr\u00e1ria na faixa de dez quil\u00f4metros \u00e0s margens de rodovias, ferrovias, a\u00e7udes e barragens assinado; e do decreto transferindo para a Uni\u00e3o o controle das refinarias de petr\u00f3leo de Ipiranga (RS) e Capuava (SP).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA reforma agr\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 capricho de um governo ou programa de um partido. \u00c9 produto da inadi\u00e1vel necessidade de todos os povos do mundo. Aqui no Brasil, constitui a legenda mais viva da reinvindica\u00e7\u00e3o do nosso povo, sobretudo daqueles que lutaram no campo.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O com\u00edcio foi organizado pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) &#8211; que junto ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Frente de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (FMP), formada por diferentes entidades sindicais e de representa\u00e7\u00e3o de categorias, como a Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE) e as correntes mais \u00e0 esquerda do PTB -, apoiava e pressionava Jo\u00e3o Goulart para adotar uma agenda de mudan\u00e7as sociais, em momento de forte oposi\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional e de dificuldade de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, inclusive com aliados e ex-apoiadores.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o jornalista Elio Gaspari, autor de cinco livros sobre a ditadura c\u00edvico-militar (1964-1985), al\u00e9m da crise pol\u00edtica, o pa\u00eds vivia um decl\u00ednio econ\u00f4mico. \u201cOs investimentos estrangeiros haviam ca\u00eddo \u00e0 metade. A infla\u00e7\u00e3o fora de 50% em 1962 para 75% no ano seguinte. Os primeiros meses de 1964 projetavam uma taxa anual de 140%, a maior do s\u00e9culo. Pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra, a economia registrara uma contra\u00e7\u00e3o de renda per capita dos brasileiros. As greves duplicaram de 154 em 1962, para 302 em [19]63. O governo gastava demais e arrecadava de menos, acumulando d\u00e9ficit de 504 bilh\u00f5es de cruzeiros, equivalente a mais de um ter\u00e7o do total das despesas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Amea\u00e7as de atentado<\/h2>\n\n\n\n<p>Naquela noite, h\u00e1 60 anos, o presidente estava tenso. Durante o discurso de 65 minutos de dura\u00e7\u00e3o, enxugou o rosto 35 vezes. De acordo com o seu bi\u00f3grafo, o historiador Jorge Ferreira, \u201co ambiente pol\u00edtico era de radicaliza\u00e7\u00e3o\u201d e havia amea\u00e7as de atentado. \u201cCartas an\u00f4nimas garantiam que tiros seriam disparados do pr\u00e9dio da Central do Brasil ou que bombas explodiriam o palanque\u201d, descreve em livro sobre Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrando das orienta\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, a ent\u00e3o primeira-dama Maria Thereza Goulart aconselhou ao marido n\u00e3o participar do com\u00edcio. N\u00e3o o convenceu, e decidiu, contra a vontade do presidente, acompanh\u00e1-lo. \u201cEu n\u00e3o poderia faltar\u201d, afirma a ex-primeira-dama no livro de Ferreira. \u201cTinha que estar no palanque para ver o que aconteceria. Mas eu estava muito assustada. Primeiro, minha fobia de multid\u00e3o, e ali havia muita gente. Depois, amea\u00e7as de tiros e bombas. Por fim, medo de que Jango passasse mal. Para mim foi muito dif\u00edcil, mas eu tinha de estar do lado dele.\u201d Dona Maria Thereza \u201cestava certa de que aconteceria um atentado\u201d ap\u00f3s o discurso do presidente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla sempre foi uma mulher muito corajosa. Enfrentar o ex\u00edlio n\u00e3o \u00e9 uma coisa muito f\u00e1cil com duas crian\u00e7as. E ainda mais um ex\u00edlio prolongado, que no come\u00e7o a gente pensava que seria uma das tantas quarteladas que o Brasil j\u00e1 tinha tido at\u00e9 aquele momento\u201d, recorda-se em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil Jo\u00e3o Vicente Goulart, \u00e0 \u00e9poca com seis anos, filho mais velho de Maria Thereza e Jango<\/p>\n\n\n\n<p>As fotos de Maria Thereza, \u201ccom aquele coque bonito\u201d, ao lado de Jango no com\u00edcio da Central do Brasil fazem parte da mem\u00f3ria familiar da soci\u00f3loga B\u00e1rbara Goulart, neta do antigo casal presidencial e sobrinha de Jo\u00e3o Vicente. Para ela, a presen\u00e7a da av\u00f3 no ato pol\u00edtico demonstra a import\u00e2ncia que teve em um momento que eram raras as mulheres no cen\u00e1rio pol\u00edtico ou em cargos p\u00fablicos. \u201cEu acho que quando a gente fala sobre o governo Jo\u00e3o Goulart, \u00e0s vezes a gente tende a n\u00e3o tratar das figuras femininas\u201d, assinala a soci\u00f3loga que \u00e9 autora do livro \u201cO passado em disputa: mem\u00f3rias pol\u00edticas sobre Jo\u00e3o Goulart.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/NzefJFPZIBFcRwLk8mEG7M7OQLs=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/alta_12800200_981200985307113_8578500706351282202_n_jv.jpg?itok=Tio4NeZJ\" alt=\"...\nEm 13 de mar\u00e7o de 1964, o presidente Jo\u00e3o Goulart defendeu as reformas de base propostas por seu governo em um grande com\u00edcio na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. \u2013 Discurso Jango. Foto: Arquivo Nacional\n\" title=\"Arquivo Nacional\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><sub>A primeira-dama Maria Thereza Goulart aconselhou ao marido n\u00e3o participar do com\u00edcio, n\u00e3o o convenceu. Decidiu, ent\u00e3o, ficar ao seu lado. Foto:\u00a0<strong>Arquivo Nacional<\/strong><\/sub><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Mesmo sob a amea\u00e7a de disparo de tiro, Maria Thereza ficou do lado direito de Jango. Do outro lado foi escalado como escudo humano o corpulento Oswaldo Pacheco, ex-presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos (SP), ex-deputado constituinte comunista em 1946, que teve mandato cassado em 1948 &#8211; quando o PCB foi posto na ilegalidade. A seguran\u00e7a ostensiva do presidente da Rep\u00fablica foi feita pelo Ex\u00e9rcito. A Central do Brasil est\u00e1 a 133 metros de dist\u00e2ncia do Pal\u00e1cio Duque de Caxias, onde funciona o Quartel-General do Comando Militar do Leste, antigo pr\u00e9dio do Minist\u00e9rio da Guerra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00e3o tiram o sono as manifesta\u00e7\u00f5es de protesto dos gananciosos, mascarados de frases patri\u00f3ticas, mas que, na realidade, traduzem suas esperan\u00e7as e seus prop\u00f3sitos de restabelecer a impunidade para suas atividades anti-sociais.\u201d&nbsp;(Jango, 1964).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo o livro de Jorge Ferreira, \u201csob as ordens do general Moraes Ancora, comandante do I Ex\u00e9rcito, foram empregadas as tropas dos Drag\u00f5es da Independ\u00eancia, do Batalh\u00e3o de Guardas, do 1\u00ba Batalh\u00e3o de Carros de Combate, do 1\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, do Regimento de Reconhecimento Mecanizado e uma Bateria de Refletores da Artilharia da Costa. No interior do Minist\u00e9rio da Guerra, uma tropa ficaria em alerta para refor\u00e7o eventual. Nove carros de combate e tr\u00eas tanques cercaram a Pra\u00e7a Duque de Caxias, enquanto seis metralhadoras estavam assentadas no Pante\u00e3o de Caxias. Carros de choque do Ex\u00e9rcito perfilaram-se em funil no acesso ao palanque.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reformas de base<\/h2>\n\n\n\n<p>O clima era nervoso mesmo para o discurso legalista, pac\u00edfico e sem extremismo de Jango em favor das chamadas \u201creformas de base\u201d. Essa era bandeira pol\u00edtica que Jo\u00e3o Goulart abra\u00e7ara como programa de governo desde quando teve reestabelecidos seus poderes de presidente da Rep\u00fablica em regime presidencialista, ap\u00f3s o referendo de janeiro de 1963, que extinguiu o parlamentarismo institu\u00eddo em setembro de 1961. \u201cO caminho das reformas \u00e9 o caminho do progresso pela paz social. Reformar \u00e9 solucionar pacificamente as contradi\u00e7\u00f5es de uma ordem econ\u00f4mica e jur\u00eddica superada pelas realidades do tempo em que vivemos\u201d, disse o presidente durante sua fala.<\/p>\n\n\n\n<p>Como registra o Centro de Pesquisa e Documenta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea do Brasil, o CPDOC da FGV, as reformas de base inclu\u00edam propostas encaminhadas ao Legislativo e defendidas durante 1963 e 1964: a reforma agr\u00e1ria, consagrando o direito de propriedade, mas com uso condicionado ao bem-estar social; a reforma administrativa; a reforma universit\u00e1ria, para ampliar as garantias de liberdade docente e abolir o sistema de c\u00e1tedra; a reforma banc\u00e1ria, para a implanta\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o centralizado e aut\u00f4nomo para a dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria (ainda n\u00e3o existia o Banco Central); a reforma eleitoral contra o ent\u00e3o impedimento do voto dos analfabetos, pra\u00e7as e sargentos; e a reforma fiscal para eliminar o d\u00e9ficit do Tesouro, modernizando tributos e combatendo a sonega\u00e7\u00e3o de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>As reformas agr\u00e1ria, universit\u00e1ria e eleitoral exigiam modifica\u00e7\u00f5es na Constitui\u00e7\u00e3o de 1946 a serem votadas pelo Congresso Nacional, onde o partido do presidente (PTB) tinha menos de 30% dos deputados, e estava sofrendo defec\u00e7\u00f5es. Tr\u00eas dias antes do com\u00edcio, o principal aliado (PSD) anunciar\u00e1 ruptura com o governo, agravando a necessidade de sustenta\u00e7\u00e3o parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Com\u00edcio da Central seria o primeiro ato p\u00fablico de Jango para demonstrar ao Congresso o apoio popular \u00e0s reformas de base. Os com\u00edcios seguintes seriam em Belo Horizonte (21 de abril, Dia de Tiradentes) e em S\u00e3o Paulo (1\u00ba de maio, Dia do Trabalhador), lembra Marcus Dezemone, professor do Instituto de Hist\u00f3ria e Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o acad\u00eamico, apesar das dificuldades pol\u00edticas e do \u201cdiscurso das reformas de base atingir interesses consolidados\u201d, o Com\u00edcio da Central do Brasil n\u00e3o foi respons\u00e1vel por levar o pa\u00eds ao golpe militar. Naquele instante hist\u00f3rico, o rompimento da ordem institucional \u201cn\u00e3o era uma coisa inescap\u00e1vel\u201d. Poderia acontecer, mas era \u201cuma possibilidade ainda em aberto.\u201d Os sinais de ruptura se intensificaram em eventos seguintes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marcha e revolta<\/h2>\n\n\n\n<p>Seis dias depois do com\u00edcio da Central do Brasil, dia 19 de mar\u00e7o, Dia de S\u00e3o Jos\u00e9, \u201cpadroeiro das fam\u00edlias\u201d conforme a Igreja Cat\u00f3lica, viria uma resposta ao ato no Rio, \u00e0s decis\u00f5es tomadas naquele dia e \u00e0s reformas de base. Entidades como a Sociedade Rural Brasileira, Fraterna Amizade Urbana e Rural, a Campanha da Mulher pela Democracia e a Uni\u00e3o C\u00edvica Feminina promovem na Pra\u00e7a da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, a \u201cMarcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade\u201d &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o de grande ades\u00e3o popular na capital paulista revela os temores de quem se opunha a Jo\u00e3o Goulart. \u201c\u00c9 uma marcha da fam\u00edlia, que adota o discurso de que a fam\u00edlia \u00e9 a c\u00e9lula b\u00e1sica da sociedade e que se v\u00ea amea\u00e7ada pela efervesc\u00eancia pol\u00edtica. \u00c9 uma marcha com Deus, em oposi\u00e7\u00e3o ao materialismo e ao ate\u00edsmo, que eram caracter\u00edsticas do socialismo, principalmente aquele do modelo sovi\u00e9tico\u201d, destaca Dezemone, lembrando que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana (1959) tamb\u00e9m mobilizava os temores quanto \u00e0 possibilidade do Brasil se tornar comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>O historiador assinala que havia antes do com\u00edcio da Central do Brasil movimentos que desejavam a derrubada de Jo\u00e3o Goulart e outros que atuavam s\u00f3 para o seu enfraquecimento, tendo em perspectiva as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es (1965), quando desejavam que eventual candidato apoiado por Jango ficasse em desvantagem. N\u00e3o havia reelei\u00e7\u00e3o para cargos do Poder Executivo na \u00e9poca, o presidente n\u00e3o poderia concorrer. Os nomes mais prov\u00e1veis eram do ex-presidente Juscelino Kubistchek (PSD), Carlos Lacerda (UDN) e Leonel Brizola (PTB).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas apesar desses movimentos e do com\u00edcio na Central do Brasil, os militares ainda se dividiam quanto \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart e eventual interven\u00e7\u00e3o militar \u2013 como desejava Lacerda, defendendo \u201cuso leg\u00edtimo das for\u00e7as armadas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marcus Dezemone, mais decisivo para a retirada do presidente constitucional teria sido o desfecho da Revolta dos Marinheiros (25 a 27 de mar\u00e7o), com a exonera\u00e7\u00e3o do ministro da Marinha (S\u00edlvio Mota) e a anistia concedida por Jango aos marinheiros, que se reuniram na sede do Sindicato dos Metal\u00fargicos do Rio de Janeiro para comemorar o segundo anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/JCiZjdZh8HchRqDeO8yFQ2K6t1Y=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/whatsapp_image_2023-04-01_at_5.24.45_pm.jpg?itok=XFrikOh0\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) - Tanque circulando em Bras\u00edlia durante a ditadura. Foto: Arquivo Nacional\/Divulga\u00e7\u0101o\" title=\"Arquivo Nacional\/Divulga\u00e7\u0101o\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sup><sub>Vinte e dois dias depois do com\u00edcio da Central do Brasil, Jo\u00e3o Goulart, sua esposa e seus filhos buscariam asilo pol\u00edtico no Uruguai. A ditadura j\u00e1 se instalava no Brasil.\u00a0<strong>Arquivo Nacional\/Divulga\u00e7\u0101o<\/strong><\/sub><\/sup><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Tr\u00eas dias depois do epis\u00f3dio com a Marinha, em 30 de mar\u00e7o, Jo\u00e3o Goulart participa e discursa na reuni\u00e3o de sargentos da Pol\u00edcia Militar e das For\u00e7as Armadas do Brasil no Autom\u00f3vel Clube, tamb\u00e9m no Rio. \u201cMuitos analistas e observadores entendem que isso vai gerar um desequil\u00edbrio nas For\u00e7as Armadas [contra Jo\u00e3o Goulart] por mexer com dois princ\u00edpios fundamentais da estrutura militar: disciplina e hierarquia\u201d, assinala o historiador.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinte e dois dias depois do com\u00edcio da Central do Brasil, Jo\u00e3o Goulart, Maria Thereza Goulart e os filhos Jo\u00e3o Vicente e Denise desembarcaram no Uruguai em busca de asilo pol\u00edtico. Nove anos depois, a fam\u00edlia se muda para a Argentina. Jango morre em 6 de dezembro de 1976, quase tr\u00eas anos antes da Lei da Anistia no Brasil. O presidente constitucional, que sucedeu J\u00e2nio Quadros (UDN) ap\u00f3s a ren\u00fancia, viveu seus \u00faltimos 12 anos no ex\u00edlio sem poder voltar ao seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Agenda de lembran\u00e7as<\/h2>\n\n\n\n<p>Para intelectuais como Marcus Dezemone e Barbara Goulart, a citada neta de Jango, datas como os 60 anos do com\u00edcio da Central do Brasil s\u00e3o oportunidades de resgatar mem\u00f3rias dos acontecimentos que levaram ao golpe e ajudam a \u201clembrar para n\u00e3o repetir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta quarta-feira, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI) realiza&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-03\/viuva-de-jango-participa-de-ato-pelos-60-anos-do-comicio-na-central\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">evento para marcar os 60 anos do Com\u00edcio da Central do Brasil<\/a>. O ato ser\u00e1 \u00e0s 16h na sede da ABI no Rio de Janeiro, com a presen\u00e7a de Dona Maria Thereza Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do dia 18 de mar\u00e7o, a passagem da sexta d\u00e9cada do golpe militar ser\u00e1 discutida no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.uerj.br\/agenda\/seminario-196460-discute-ditadura-militar-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Semin\u00e1rio Internacional 1964+60<\/a>, promovido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), sem transmiss\u00e3o pela internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril, a ABI volta ao tema e organiza em cinco cidades a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.abi.org.br\/2-a-semana-nacional-de-jornalismo-vai-debater-os-60-anos-do-golpe-de-1964\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">2\u00aa Semana Nacional de Jornalismo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00e7o de 1964. Sexta-feira, 13. Em cima do mesmo palanque que Get\u00falio Vargas usava para falar com a popula\u00e7\u00e3o em atos p\u00fablicos, Jo\u00e3o Belchior Marques Goulart, o presidente da Rep\u00fablica Jo\u00e3o Goulart, ou apenas Jango, est\u00e1 diante de 200 mil pessoas reunidas na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica \u2013 como registraram os jornais do dia seguinte &#8211; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":119693,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[11],"class_list":{"0":"post-119094","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-destaque"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/119094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=119094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/119094\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/119693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=119094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=119094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=119094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}