{"id":118996,"date":"2024-03-07T11:25:52","date_gmt":"2024-03-07T14:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=118391"},"modified":"2024-03-07T11:25:52","modified_gmt":"2024-03-07T14:25:52","slug":"pesquisadores-apontam-desgaste-na-imagem-de-militares-apos-acoes-da-pf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=118996","title":{"rendered":"Pesquisadores apontam desgaste na imagem de militares ap\u00f3s a\u00e7\u00f5es da PF"},"content":{"rendered":"\n<p>Quase 60 anos depois do golpe militar de 1964, militares das For\u00e7as Armadas do Brasil se veem na condi\u00e7\u00e3o de investigados por uma tentativa de golpe de Estado. A corpora\u00e7\u00e3o est\u00e1 diante de um&nbsp;desgaste de imagem provocado por investiga\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas e pris\u00f5es de militares de altas patentes, na avalia\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pesquisadores ouvidos pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1584496&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1584496&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Para esses especialistas, que estudam temas relacionados ao papel das For\u00e7as Armadas, a investiga\u00e7\u00e3o conduzida pela Pol\u00edcia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado e tamb\u00e9m as pris\u00f5es autorizadas pelo Judici\u00e1rio ficar\u00e3o marcadas na hist\u00f3ria e passam \u201crecados\u201d para a sociedade no que se refere ao respeito \u00e0 democracia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta semana, ve\u00edculos de imprensa destacaram os depoimentos \u00e0 Pol\u00edcia Federal de ex-comandantes das tr\u00eas For\u00e7as que prestaram esclarecimentos como testemunhas da investiga\u00e7\u00e3o sobre a tentativa de golpe. A PF n\u00e3o comenta investiga\u00e7\u00f5es em andamento. Outros militares s\u00e3o investigados por eventuais participa\u00e7\u00f5es nesse epis\u00f3dio e em outros supostos crimes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Juliana Bigat\u00e3o, coordenadora do Observat\u00f3rio Brasileiro de Defesa e For\u00e7as Armadas da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), as investiga\u00e7\u00f5es devem gerar impactos na vis\u00e3o dos brasileiros sobre a corpora\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio considerar que se trata de um fato in\u00e9dito esse tipo de investiga\u00e7\u00e3o, inclusive as pris\u00f5es preventivas de membros das For\u00e7as Armadas. O Brasil n\u00e3o tem uma tradi\u00e7\u00e3o de investigar e punir os militares por crimes contra a democracia\u201d, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (Ufscar), o ineditismo do julgamento de militares pela Justi\u00e7a civil se diferencia de outro momento hist\u00f3rico, logo depois do golpe militar de 1964, quando houve pris\u00f5es e demiss\u00f5es de mais de 6 mil militares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNaquele epis\u00f3dio, esses militares,&nbsp;que tiveram posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao golpe, foram investigados e julgados pelos pr\u00f3prios militares, via IPM (Inqu\u00e9rito Policial Militar)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca que a investiga\u00e7\u00e3o de generais do&nbsp;Ex\u00e9rcito (a mais alta patente da For\u00e7a) coloca o atual epis\u00f3dio&nbsp;em outro patamar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Justi\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Integrante do Grupo de Estudos em Defesa e Seguran\u00e7a Internacional (Gedes), a professora Ana Am\u00e9lia Penido&nbsp;destaca que s\u00e3o muito raros os casos em que oficiais com a patentes de general s\u00e3o condenados, mesmo na justi\u00e7a militar. \u201cEm geral, a justi\u00e7a \u2018funciona\u2019 para as baixas patentes\u201d, considera a professora da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp).<\/p>\n\n\n\n<p>Ela entende que a investiga\u00e7\u00e3o&nbsp;passa uma \u201cmensagem\u201d para a sociedade de que supostos crimes cometidos por militares devem ser objetos de investiga\u00e7\u00e3o, assim como acontece com civis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Juliana, da Unifesp, \u00e9 muito importante que as investiga\u00e7\u00f5es tenham ampla divulga\u00e7\u00e3o e \u00e9 ainda mais fundamental a exist\u00eancia de \u201cdesfechos\u201d dos processos para que n\u00e3o exista sensa\u00e7\u00e3o de impunidade. Os especialistas recordam que, por conta da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l6683.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei de Anistia<\/a>&nbsp;(1979), nenhum membro das For\u00e7as Armadas respondeu por crimes no per\u00edodo da ditadura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Imagem<\/h2>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores ouvidos pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, ainda \u00e9 cedo para se ter uma exata dimens\u00e3o do impacto desses epis\u00f3dios na imagem das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cHistoricamente, os militares s\u00e3o bem quistos pela popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pelas atribui\u00e7\u00f5es militares que eles t\u00eam, mas pelas atividades civis que eles acabam desempenhando\u201d, afirma Ana Am\u00e9lia.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela recorda que os militares brasileiros ficaram bastante conhecidos por atividades como transportes de cesta b\u00e1sica e por&nbsp;outros servi\u00e7os como garantir \u00e1gua para \u00e1reas de dif\u00edcil acesso. Ela entende, por\u00e9m, que os ataques antidemocr\u00e1ticos de 8 de janeiro de 2023 t\u00eam feito com que a opini\u00e3o favor\u00e1vel venha caindo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Jo\u00e3o Roberto Martins Filho&nbsp;entende que as For\u00e7as passam por uma crise de imagem e os atuais comandantes t\u00eam demonstrado inten\u00e7\u00e3o de que os \u00faltimos epis\u00f3dios sejam superados.&nbsp;\u201cHouve os oficiais generais legalistas que ajudaram a evitar um golpe\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a deflagra\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Tempus Veritatis, no dia 8 de fevereiro, o Ex\u00e9rcito informou que estava acompanhando a Pol\u00edcia Federal e que prestaria todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse posicionamento foi adequado dentro de uma democracia\u201d, afirmou Juliana Bigat\u00e3o. Ela lembra que o Ex\u00e9rcito exonerou de cargos de comando militares que foram alvos da opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal. \u201cOs representantes dos altos escal\u00f5es das For\u00e7as Armadas est\u00e3o colaborando ou adotando uma posi\u00e7\u00e3o de que se investigue o que foi feito. \u00c9 uma sinaliza\u00e7\u00e3o muito importante e \u00e9 a atitude esperada dentro de um regime democr\u00e1tico\u201d, considerou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ana Am\u00e9lia,&nbsp;os militares que resistiram ao dia 8 de janeiro e \u00e0&nbsp;suposta tentativa de um golpe de Estado tiveram postura institucional. \u201cEu acho que a gente precisa encontrar medidas para arejar a caserna. Para tornar o quartel mais parecido com o que acontece com a sociedade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Riscos da politiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A raiz do problema, na avalia\u00e7\u00e3o de Juliana, esteve na politiza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas durante o governo de Jair Bolsonaro. \u201cTinham mais militares em postos governamentais do que na \u00e9poca do pr\u00f3prio regime militar\u201d, recorda.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Ana Penido defende a necessidade de mudan\u00e7a no cen\u00e1rio de isolamento dos militares nos quart\u00e9is. Para ela, \u00e9 necess\u00e1ria integra\u00e7\u00e3o dos mundos civil e militar tanto na forma\u00e7\u00e3o militar quanto no setor de intelig\u00eancia, da justi\u00e7a e tamb\u00e9m do or\u00e7amento. Ela explica que a politiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi um epis\u00f3dio especificamente brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm outros pa\u00edses tamb\u00e9m costuma acontecer esse grau de politiza\u00e7\u00e3o em opera\u00e7\u00f5es, em tropas mais vinculadas a opera\u00e7\u00f5es especiais. N\u00e3o \u00e9 uma novidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, um exemplo importante \u00e9 o da Alemanha que n\u00e3o admite vincula\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas a partidos pol\u00edticos, como ocorreu em per\u00edodo nazista. \u201cHoje, l\u00e1, as For\u00e7as s\u00e3o mais abertas culturalmente e democr\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Consultado pela reportagem, o Minist\u00e9rio da Defesa n\u00e3o respondeu aos pedidos de coment\u00e1rios sobre as avalia\u00e7\u00f5es dos pesquisadores a respeito do momento de desgaste de imagem das For\u00e7as Armadas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 60 anos depois do golpe militar de 1964, militares das For\u00e7as Armadas do Brasil se veem na condi\u00e7\u00e3o de investigados por uma tentativa de golpe de Estado. 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