{"id":118030,"date":"2024-02-23T13:49:50","date_gmt":"2024-02-23T16:49:50","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=117871"},"modified":"2024-02-23T13:49:50","modified_gmt":"2024-02-23T16:49:50","slug":"estudo-aponta-impacto-etnorracial-no-desenvolvimento-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=118030","title":{"rendered":"Estudo aponta impacto etnorracial no desenvolvimento infantil"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Estudo do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimento para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) sugere que etnia e cor da gestante afetam a trajet\u00f3ria de ganho de peso e crescimento de seus filhos. Em especial, a pesquisa alerta para maior desigualdade em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento infantil de filhos de mulheres ind\u00edgenas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1582555&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1582555&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Publicada no peri\u00f3dico&nbsp;BMC Pediatrics, a&nbsp;<a href=\"https:\/\/bmcpediatr.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12887-024-04550-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa<\/a>&nbsp;constatou que filhos de m\u00e3es ind\u00edgenas tiveram maiores taxas de baixa estatura para a idade (26,74%) e baixo peso para a idade (5,90%). Caracter\u00edsticas de magreza foram mais prevalentes entre crian\u00e7as filhas de m\u00e3es pardas e pretas (5,52% e 3,91%, respectivamente), ind\u00edgenas (4,20%) e de descend\u00eancia asi\u00e1tica (5,46%), em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as filhas de mulheres brancas (3,91%).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi avaliada ainda a incid\u00eancia de padr\u00f5es de baixa estatura para a idade e baixo peso entre os filhos de mulheres de diferentes grupos etnorraciais. De acordo com os resultados, a taxa de preval\u00eancia destas quest\u00f5es foi maior entre crian\u00e7as nascidas de m\u00e3es ind\u00edgenas (26,71% e 5,90%), seguidos por crian\u00e7as de mulheres pardas (11,82% e 3,77%) e de m\u00e3es com descend\u00eancia asi\u00e1tica (10,99% e 3,64%), m\u00e3es pretas (10,41 e 3,48%), e entre mulheres brancas (8,61% e 2,48%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, os achados da equipe de pesquisa demonstram como a vulnerabilidade social de uma gestante pode afetar o desenvolvimento de seus filhos. Para Helena Benes, primeira autora do artigo, esses \u00edndices podem \u201cser atribu\u00eddos a uma s\u00e9rie de fatores decorrentes do impacto persistente do racismo estrutural em nossa sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO racismo pode influenciar desde o acesso desigual a oportunidades de trabalho e educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o n\u00edvel de estresse enfrentado em diferentes comunidades. Enquanto medidas governamentais e de sa\u00fade p\u00fablica para eliminar o racismo n\u00e3o forem suficientes, continuaremos a ver seus efeitos prejudiciais, inclusive no crescimento das crian\u00e7as\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>No total, foram avaliadas as informa\u00e7\u00f5es de 4.090.271 crian\u00e7as, nascidas entre janeiro de 2003 e novembro de 2015, e que tiveram seu desenvolvimento acompanhado no per\u00edodo entre 2008 e 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Do grupo total, formado por mais de 4 milh\u00f5es de crian\u00e7as, analisado nos estudos, 64,33% eram filhos de m\u00e3es pardas, 30,86% de m\u00e3es brancas, 3,55% de m\u00e3es pretas; 0,88% de m\u00e3es ind\u00edgenas e 0,38% de m\u00e3es com descend\u00eancia asi\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados obtidos indicaram que filhos de m\u00e3es ind\u00edgenas apresentaram, em m\u00e9dia, 3,3 cent\u00edmetros a menos que os nascidos de m\u00e3es brancas. Crian\u00e7as de m\u00e3es pardas tamb\u00e9m apresentaram uma m\u00e9dia menor de altura (0,60 cm a menos), seguidos pelos nascidos de m\u00e3es pretas (0,21 cm a menos) e descendentes asi\u00e1ticos (0,39 cm a menos).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEmbora a literatura cient\u00edfica j\u00e1 tenha discutido amplamente como o racismo impacta em desfechos negativos ao nascer, como prematuridade e baixo peso, poucos estudos se aprofundaram no impacto do racismo no crescimento infantil de crian\u00e7as brasileiras\u201d, afirmou Helena.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria de peso das crian\u00e7as, comparados aos nascidos de m\u00e3es brancas, crian\u00e7as ind\u00edgenas registraram 740 gramas a menos; seguidos por filhos de m\u00e3es pardas (250 gramas a menos); filhos de m\u00e3es pretas apresentaram 150 gramas a menos, e de descendentes asi\u00e1ticas 220 gramas a menos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vulnerabilidade materna<\/h2>\n\n\n\n<p>As gestantes que fizeram parte do&nbsp;<em>corpus<\/em>&nbsp;de an\u00e1lise tamb\u00e9m s\u00e3o identificadas por outras caracter\u00edsticas: a maior parte dessas mulheres eram residentes de \u00e1reas urbanas (com exce\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas, das quais 73,83% viviam em zonas rurais), e residiam em condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o consideradas mais prec\u00e1rias (30,04%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres ind\u00edgenas e pretas possu\u00edam os menores n\u00edveis educacionais (27,52% e 13,76%, respectivamente). Essas mulheres tamb\u00e9m registraram maiores \u00edndices de incompletude do acompanhamento pr\u00e9-natal (67,44% para as ind\u00edgenas e 47,02% para mulheres pretas), acompanhadas pelas declaradas pardas (48,55%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe de pesquisa ressalta que a trajet\u00f3ria de crescimento infantil esteve dentro dos limites de \u201cnormalidade\u201d determinados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. \u201cNo entanto, ao avaliar as trajet\u00f3rias de cada crian\u00e7a dentro de um grupo sociodemogr\u00e1fico, crian\u00e7as nascidas de m\u00e3es mais vulner\u00e1veis socialmente apresentaram caracter\u00edsticas menos favor\u00e1veis&#8221;, completam os pesquisadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimento para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) sugere que etnia e cor da gestante afetam a trajet\u00f3ria de ganho de peso e crescimento de seus filhos. 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