{"id":117242,"date":"2024-01-18T15:34:31","date_gmt":"2024-01-18T18:34:31","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=116373"},"modified":"2024-01-18T15:34:31","modified_gmt":"2024-01-18T18:34:31","slug":"drenagem-inoperante-retarda-escoamento-de-aguas-na-baixada-fluminense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=117242","title":{"rendered":"Drenagem inoperante retarda escoamento de \u00e1guas na Baixada Fluminense"},"content":{"rendered":"\n<p>Muita gente questiona por que a \u00e1gua oriunda de enchentes demora tanto tempo a baixar de n\u00edvel na Baixada Fluminense, mesmo com dias de sol e calor intenso. Na avalia\u00e7\u00e3o do professor de Recursos H\u00eddricos do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe\/UFRJ), Paulo Canedo, a resposta \u00e9 simples: o sistema de drenagem n\u00e3o est\u00e1 funcionando.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1576873&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1576873&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Falando \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;nesta quinta-feira (18), Canedo explicou que as comportas n\u00e3o est\u00e3o funcionando e, como n\u00e3o tem tido manuten\u00e7\u00e3o no sistema nos \u00faltimos dez anos, a infraestrutura implantada ficou inoperante. \u201cCom a chuva forte que caiu no \u00faltimo final de semana (dias 13 e 14 deste m\u00eas), com grande volume precipitado, a estrutura que foi criada para proteger a regi\u00e3o da Baixada, n\u00e3o funcionando, n\u00e3o deu conta do recado e n\u00e3o consegue botar para fora (a \u00e1gua acumulada)\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso se somam o problema da polui\u00e7\u00e3o, o ac\u00famulo de lixo e o assoreamento de rios, admitiu. \u201cA quest\u00e3o do lixo tamb\u00e9m contribui para isso. O mau trato que a popula\u00e7\u00e3o d\u00e1 ao sistema \u00e9 grande. E isso contribui para que fique ruim. Porque entra lixo e isso causa problema\u201d. Destacou, por\u00e9m, que, independente disso, se o sistema estivesse operando, o problema seria \u201cmuit\u00edssimo\u201d menor. \u201cVoc\u00ea tem a conjuga\u00e7\u00e3o de tr\u00eas coisas importantes: a chuva com volume muito grande; o sistema que foi implementado para escoar n\u00e3o est\u00e1 funcionando, por falta de manuten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dez ou 12 anos; e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem feito tamb\u00e9m sua contribui\u00e7\u00e3o de n\u00e3o jogar lixo nos rios, nas ruas, para n\u00e3o entupir os bueiros. A conjuga\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas efeitos gera esse caos que gerou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Abaixo do n\u00edvel do mar<\/h2>\n\n\n\n<p>Procurado pela&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;para explicar a raz\u00e3o da \u00e1gua demorar tanto a escoar nos munic\u00edpios da Baixada Fluminense, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou em nota que, \u201cgeograficamente, a Baixada Fluminense est\u00e1 situada abaixo do n\u00edvel do mar da Ba\u00eda de Guanabara. Devido \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o, essa regi\u00e3o pode sofrer com inunda\u00e7\u00f5es e ter dificuldade para escoar a \u00e1gua, quando h\u00e1 um aumento excessivo do n\u00edvel da \u00e1gua da Ba\u00eda\u201d. O Inea comunicou ainda que instalou tr\u00eas bombas no bairro do Pilar, em Duque de Caxias, que \u201cir\u00e3o ajudar a extravasar toda a \u00e1gua acumulada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIsso tudo \u00e9 verdade\u201d, assegurou Paulo Canedo. Mas esclareceu que o fato de ser baixa e plana, como o pr\u00f3prio nome diz, n\u00e3o implica que a Baixada Fluminense tenha inunda\u00e7\u00f5es. \u201cMuito mais baixa que a Baixada \u00e9 a Holanda e nem por isso o pa\u00eds fica debaixo d\u2019\u00e1gua\u201d. O mesmo acontece com Veneza, na It\u00e1lia, e nem sempre a cidade fica debaixo d\u2019\u00e1gua, completou. Reconheceu, por outro lado, que a Baixada n\u00e3o tem um relevo e uma situa\u00e7\u00e3o que sejam confort\u00e1veis. \u201cMas se as coisas que l\u00e1 foram constru\u00eddas estivessem funcionando, ela teria dado conta do recado\u201d, apontou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Projeto Igua\u00e7u<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre os anos de 2005 e 2006, a Coppe atuou no Projeto Igua\u00e7u, em coopera\u00e7\u00e3o com o governo fluminense, para solucionar o problema das enchentes. O projeto abrangia \u00e1rea de 726 quil\u00f4metros quadrados e objetivava promover a recupera\u00e7\u00e3o ambiental das bacias da Baixada e da zona oeste do Rio de Janeiro, envolvendo os rios Igua\u00e7u, Botas e Sarapu\u00ed, para controlar as constantes inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Seriam contemplados os munic\u00edpios de Nova Igua\u00e7u, Mesquita, Belford Roxo, Nil\u00f3polis, S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti e Duque de Caixas e os bairros cariocas de Bangu e Senador Camar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclu\u00eddo no Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), do governo federal, o projeto recebeu R$ 270 milh\u00f5es da Uni\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o de sua primeira etapa e foi apontado como \u201co melhor projeto apresentado ao PAC\u201d at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o professo Paulo Canedo afirmou que o Projeto Igua\u00e7u existe ainda, \u00e9 um projeto de longo prazo e tem de ser feito aos poucos. \u201cFoi implementado com razo\u00e1vel for\u00e7a at\u00e9 2012 e, depois, tivemos um azar, porque o Brasil ficou em uma situa\u00e7\u00e3o ruim com a crise econ\u00f4mica, tivemos uma crise econ\u00f4mica no estado do Rio de Janeiro e n\u00e3o nos livramos dessa crise\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, afirmou que \u00e0s tr\u00eas causas abordadas anteriormente (chuva em volume elevado, lixo acumulado e falta de manuten\u00e7\u00e3o no sistema) junta-se uma quarta causa que \u201c\u00e9 o azar de pegar o estado em uma situa\u00e7\u00e3o ruim, n\u00e3o por culpa deste governo espec\u00edfico, mas por conta da hist\u00f3ria do estado que teve uma crise que impediu que os investimentos fossem feitos. As obras que foram constru\u00eddas e custaram caro para a popula\u00e7\u00e3o foram se estragando e a chuva deu o golpe final\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Retomada<\/h2>\n\n\n\n<p>Canedo assegurou que existe possibilidade de o Projeto Igua\u00e7u ser retomado. \u201c\u00c9 uma conquista que a sociedade fez que n\u00e3o volta atr\u00e1s\u201d. Ele acredita que os pr\u00f3ximos governos v\u00e3o dar seguimento ao projeto, \u201ccom alguns retoques, mas o Projeto Igua\u00e7u continuar\u00e1. Foi interrompido pela crise financeira do Brasil e do estado. Por isso, as coisas n\u00e3o aconteceram. Mas t\u00e3o logo o estado e a na\u00e7\u00e3o se recuperem financeiramente, os investimentos voltar\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Canedo, a paralisa\u00e7\u00e3o do Projeto Igua\u00e7u \u201cpegou a Baixada de cal\u00e7a curta, com essa chuva\u201d. Ele continua fazendo parte do PAC. Analisou que por maiores que sejam as dificuldades que o estado e o pa\u00eds vivenciem, n\u00e3o podem abandonar as conquistas feitas, referindo-se ao Igua\u00e7u. \u201cSe o estado fez um investimento em defesa contra inunda\u00e7\u00e3o, ele pode parar de ampliar essa defesa, mas n\u00e3o pode abandonar o que j\u00e1 foi feito, porque, sen\u00e3o, voc\u00ea perde o ganho feito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No Projeto Igua\u00e7u, obras f\u00edsicas, como barragens e diques, e servi\u00e7os, como as dragagens, eram definidos a partir de uma an\u00e1lise da bacia hidrogr\u00e1fica como um todo e n\u00e3o apenas dos pontos de alagamentos. De acordo com o professor da Coppe, isso evitaria que se fizessem obras que n\u00e3o resolviam problemas, mas apenas os trocavam de lugar. Um exemplo seriam barragens que, ao represarem a \u00e1gua do rio em um ponto, pudessem causar inunda\u00e7\u00f5es em outros locais que, anteriormente, ficavam secos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita gente questiona por que a \u00e1gua oriunda de enchentes demora tanto tempo a baixar de n\u00edvel na Baixada Fluminense, mesmo com dias de sol e calor intenso. 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