{"id":117036,"date":"2024-01-04T20:17:53","date_gmt":"2024-01-04T23:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115683"},"modified":"2024-01-04T20:17:53","modified_gmt":"2024-01-04T23:17:53","slug":"alerta-de-desastres-baseado-em-ceps-e-ineficaz-revela-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=117036","title":{"rendered":"Alerta de desastres baseado em CEPs \u00e9 ineficaz, revela estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>Levantamento feito por pesquisadores da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR) identificou que ainda \u00e9 ineficaz a emiss\u00e3o de alertas para eventos adversos e desastres por meio de mensagens de texto (SMS) utilizando C\u00f3digos de Endere\u00e7amento Postal (CEPs).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1575201&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1575201&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo resultou de tese de doutorado do pesquisador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Urbana da PUC-PR, Murilo Noli da Fonseca, um dos respons\u00e1veis pela pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das etapas da pesquisa era entender como se d\u00e1 o processo de alerta de eventos adversos e desastres no Brasil. O sistema de alerta de eventos adversos e desastres \u00e9 baseado no Cadastro de CEP e constitui a principal forma utilizada hoje pelos munic\u00edpios brasileiros, principalmente atrav\u00e9s da Defesa Civil\u201d, explicou. Esse foi o arquivo que deu base ao estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo que havia esses dados dispon\u00edveis, os pesquisadores entraram em contato com a Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil, atrav\u00e9s da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, e pediram o extrato de celulares cadastrados para receber esse tipo de alerta. \u201cA gente queria saber se as pessoas que moram em \u00e1reas reconhecidamente vulner\u00e1veis socioeconomicamente e de risco de desastres estavam cadastradas ou n\u00e3o. Pelo senso comum, a gente acha que elas est\u00e3o cadastradas porque tendem a estar, recorrentemente, afetadas por esses eventos\u201d, afirmou. N\u00e3o foi, entretanto, o que constataram os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">In\u00edcio do estudo<\/h2>\n\n\n\n<p>O trabalho foi iniciado por Curitiba (PR), onde houve um mapeamento para verificar em quais \u00e1reas estavam localizadas as pessoas que fizeram o cadastro. Depois, efetuou-se o cruzamento dos celulares cadastrados com as \u00e1reas de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e ambiental e as \u00e1reas de risco, sendo todas reconhecidas pelo Poder P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer o cruzamento dos dados entre essas duas vari\u00e1veis, os estudiosos apuraram que o n\u00famero de celulares cadastrados nessas \u00e1reas era muito pequeno. \u201cEnt\u00e3o, buscamos nos aprofundar no estudo para saber a causa\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se trata de um sistema baseado no CEP, ele pressup\u00f5e que as ruas t\u00eam um c\u00f3digo. \u201cMas se a gente verificar as \u00e1reas de risco, elas s\u00e3o normalmente \u00e1reas irregulares do ponto de vista legal. Por essa raz\u00e3o, tendem a n\u00e3o receber o nome de rua e, em consequ\u00eancia, um CEP\u201d, salientou. O estudo foi ampliado, abrangendo tamb\u00e9m as capitais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas e Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p>Os analistas verificaram que a falta de regulariza\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas impede a exist\u00eancia de CEP e, por todo o seu alcance, que as pessoas possam inscrever o seu celular no sistema da Defesa Civil. O resultado \u00e9 que aquelas pessoas que j\u00e1 est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e ambiental em uma \u00e1rea de risco ou desastre tendem a estar muito mais vulner\u00e1veis pelo fato de n\u00e3o poder receber avisos e alerta de um evento adverso, como uma chuva muito intensa, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Limita\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>O cadastramento do CEP \u00e9 volunt\u00e1rio. Os autores do trabalho imaginam que, como se trata de um sistema administrado pela Defesa Civil dos munic\u00edpios, esses \u00f3rg\u00e3os enfrentam v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es em termos de recursos humanos, financeiros e materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa informa\u00e7\u00e3o foi ressaltada no \u00faltimo diagn\u00f3stico do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), informou Murilo. Para&nbsp; ele, essas limita\u00e7\u00f5es podem estar fazendo com que a plataforma de cadastramento do CEP n\u00e3o seja divulgada de maneira adequada.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se trata tamb\u00e9m de mensagens de texto (SMS), Murilo estimou que muitas pessoas residentes em \u00e1reas de risco tendem a ter dificuldade com a leitura. \u201cO ideal \u00e9 que sejam cadastradas no sistema e, depois, seja feito um aprimoramento desde a constru\u00e7\u00e3o da mensagem at\u00e9 encontrar formas alternativas para que essa mensagem de alerta chegue aos diversos perfis de popula\u00e7\u00e3o que reside nessas \u00e1reas\u201d, opinou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados do levantamento revelaram varia\u00e7\u00e3o na conscientiza\u00e7\u00e3o e registro dos CEPs por regi\u00e3o. Em Belo Horizonte, 14,38% dos celulares estavam cadastrados, dos quais 7,92% estavam registrados em \u00e1reas de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>No Rio de Janeiro, 10,72% dos celulares estavam cadastrados, com 3,49% deles em \u00e1reas de risco. Curitiba apresentou registro de 8% dos celulares cadastrados, dos quais 3,5% em \u00e1reas de risco. Manaus tinha apenas 2,6% dos celulares cadastrados, com 2,05% em \u00e1reas de risco. Em Recife, 4% dos celulares estavam cadastrados, com 5,6% deles em \u00e1reas de risco.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Amplia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito desse mapeamento, os pesquisadores querem chegar a um n\u00famero maior de capitais e cidades de maior porte, bem como pretendem mapear tamb\u00e9m cidades pequenas. Murilo informou, tamb\u00e9m, que o C\u00f3digo de Endere\u00e7amento Postal (CEP) atualmente, no Brasil, \u00e9 dado para ruas de cidades acima de 50 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 nas cidades abaixo de 50 mil habitantes, geralmente as ruas n\u00e3o recebem CEP, havendo apenas um CEP para todas as vias. \u201cObviamente que, nesse caso, em \u00e1reas de risco, isso tem uma implica\u00e7\u00e3o muito grande\u201d, observou. Isso se explica porque pessoas que n\u00e3o est\u00e3o em \u00e1reas de risco v\u00e3o receber a mesma mensagem que uma pessoa que n\u00e3o est\u00e1 nessas regi\u00f5es. \u201cA gente pretende fazer esses mapeamentos. Um ampliando as capitais e, depois, seguindo para cidades menores, com menos de 50 mil habitantes\u201d, anunciou.<\/p>\n\n\n\n<p>Dependendo da disponibilidade de dados, os pesquisadores est\u00e3o tentando verificar e mapear pessoas que cadastraram o&nbsp;<em>whatsapp&nbsp;<\/em>para receber o alerta, porque hoje existe tamb\u00e9m essa alternativa. O Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que faz esse alerta pelo&nbsp;<em>whatsapp<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sistema tem duas formas dispon\u00edveis para cadastramento para esse tipo de alerta. Uma \u00e9 feita atrav\u00e9s do CEP mas, em vez de a pessoa receber um SMS, recebe a mensagem diretamente pelo&nbsp;<em>whatsapp<\/em>. A outra forma dispon\u00edvel \u00e9 a pessoa colocar a localiza\u00e7\u00e3o em tempo real, sem ser pelo cadastro do CEP.<\/p>\n\n\n\n<p>Murilo considera que essa forma pode suprir a quest\u00e3o do CEP, embora ainda existam diversas limita\u00e7\u00f5es e lacunas que precisam ser aprimoradas. No \u00e2mbito ainda da pesquisa, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer entrevistas em comunidades para verificar as formas mais adequadas para que a informa\u00e7\u00e3o de alerta possa chegar \u00e0s pessoas de maneira mais adequada e em tempo h\u00e1bil.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento feito por pesquisadores da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUC-PR) identificou que ainda \u00e9 ineficaz a emiss\u00e3o de alertas para eventos adversos e desastres por meio de mensagens de texto (SMS) utilizando C\u00f3digos de Endere\u00e7amento Postal (CEPs). 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