{"id":115350,"date":"2023-12-22T14:14:05","date_gmt":"2023-12-22T17:14:05","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115183"},"modified":"2023-12-22T14:14:05","modified_gmt":"2023-12-22T17:14:05","slug":"censo-2022-populacao-parda-supera-a-branca-pela-1a-vez-desde-1872","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115350","title":{"rendered":"Censo 2022: popula\u00e7\u00e3o parda supera a branca pela 1\u00aa vez desde 1872 \u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>O n\u00famero de pessoas pardas no Brasil superou o de brancas pela primeira vez desde 1872. No ano passado, 92,1 milh\u00f5es de pessoas se reconheciam pardas,&nbsp;enquanto 88,3 milh\u00f5es,&nbsp;brancas. Os dados est\u00e3o no Censo 2022 e foram&nbsp;divulgados nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1574048&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1574048&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os recenseamentos de 2010 e 2022, a popula\u00e7\u00e3o branca caiu de 47,7%&nbsp;para 43,5%, deixando de ser majorit\u00e1ria. Por outro lado, os pardos aumentaram a participa\u00e7\u00e3o de 43,1% para 45,3%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o preta saltou de 7,6% para 10,2%. Em 2022 eram 20,7 milh\u00f5es de pessoas. A ra\u00e7a ind\u00edgena tamb\u00e9m aumentou&nbsp;a participa\u00e7\u00e3o no total de habitantes do pa\u00eds, de 0,4% para 0,6%, alcan\u00e7ando 1,7 milh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o branca, a amarela tamb\u00e9m apresentou recuo, de 1,1% para 0,4%, somando 850 mil pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crit\u00e9rios<\/h2>\n\n\n\n<p>O IBGE tem como padr\u00e3o agrupar as pessoas em cinco categorias, de acordo com a ra\u00e7a ou cor: branca, preta, amarela (de origem oriental), parda (inclui quem se identifica com a mistura de duas ou mais cores, exceto amarela) e ind\u00edgena. A coleta de dados \u00e9 feita por meio de autodeclara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma percep\u00e7\u00e3o que a pessoa tem dela mesma. As pessoas usam a quest\u00e3o da cor da pele, da apar\u00eancia, quest\u00f5es socioecon\u00f4micas\u201d, explica o pesquisador do IBGE Leonardo Athias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O instituto&nbsp;explica que utiliza o conceito de ra\u00e7a como categoria socialmente constru\u00edda na intera\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o como conceito biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra ressalva feita pelo estudo \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no recenseamento \u00e9 composta pelas pessoas que se declaram ind\u00edgenas no quesito de cor ou ra\u00e7a \u2013 independentemente de viverem&nbsp;em terra&nbsp;ind\u00edgena &#8211; e tamb\u00e9m pelas que se consideram ind\u00edgenas, mesmo se identificando com outra das quatro cores. Por exemplo, uma pessoa parda que mora em um territ\u00f3rio ind\u00edgena e se considera&nbsp;parte da comunidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, enquanto o Censo identifica 0,6% da popula\u00e7\u00e3o (1,2 milh\u00e3o) como sendo da ra\u00e7a ind\u00edgena, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena \u00e9&nbsp;estimada em 0,8% (1,7 milh\u00e3o). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trajet\u00f3ria hist\u00f3rica&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando o primeiro censo foi realizado, em 1872, a popula\u00e7\u00e3o parda (38,3%) era levemente superior \u00e0 branca (38,1%). Ao longo das d\u00e9cadas, a popula\u00e7\u00e3o branca foi se tornando majorit\u00e1ria at\u00e9 alcan\u00e7ar o pico de 63,5% em 1940 e entrar em tend\u00eancia decrescente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/image-3-509x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-115200\" style=\"width:349px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Censo 2022 &#8211; Por cor ou ra\u00e7a &#8211;&nbsp;<strong>Arte Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>amb\u00e9m em 1940, os pardos atingiram a menor participa\u00e7\u00e3o, 21,2%. Desde ent\u00e3o, seguiram trajet\u00f3ria de crescimento at\u00e9 virarem majorit\u00e1rios em 2022 &#8211; apesar de recuo entre 1991 e 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o preta somava 19,7% dos habitantes em 1872 e apresentou seguidas perdas de participa\u00e7\u00e3o at\u00e9 1991, quando chegou \u00e0&nbsp;menor marca, 5%. Desde ent\u00e3o, mais que dobrou at\u00e9 o Censo 2022, 10,2%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador Leonardo Athias explica que as mudan\u00e7as no perfil da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorrem&nbsp;apenas pela quest\u00e3o demogr\u00e1fica, ou seja, nascimento ou morte de pessoas. Mas tamb\u00e9m por outros fen\u00f4menos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas varia\u00e7\u00f5es t\u00eam a ver com a percep\u00e7\u00e3o. Cor ou ra\u00e7a \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam de si mesmas. \u00c9 um processo relacional, tem a ver com contexto socioecon\u00f4micos, contextos das rela\u00e7\u00f5es interraciais. \u00c9 sempre importante a gente frisar a multidimensionalidade do fen\u00f4meno\u201d, contextualiza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMostra toda essa diversidade, variabilidade no tempo, no espa\u00e7o, em rela\u00e7\u00e3o ao pertencimento racial no Brasil\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2010 a 2022<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao analisar a tend\u00eancia mais recente no perfil \u00e9tnico-racial da popula\u00e7\u00e3o brasileira, entre os recenseamentos de 2010 e 2022, a popula\u00e7\u00e3o preta apresenta 42,3% de crescimento proporcional, seguida pela parda (11,9%). A ind\u00edgena teve a maior evolu\u00e7\u00e3o percentual, 89%, sendo que na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal, o crescimento foi de 100%. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo cresceu 6,5%. Brancos (-3,1%) e amarelos (-59,2%) apresentaram quedas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Regi\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados do IBGE apresentam recortes por regi\u00f5es, estados e munic\u00edpios. No Sul e no Sudeste, a popula\u00e7\u00e3o branca \u00e9 majorit\u00e1ria, chegando a 72,6% no Sul.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste t\u00eam maioria parda, com destaque para o Norte, com propor\u00e7\u00e3o de 67,2%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os estados, o Rio Grande do Sul apresenta a maior propor\u00e7\u00e3o de brancos, 78,4%. O&nbsp;Par\u00e1 tem o maior \u00edndice&nbsp;de pardos, 69,9%. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Bahia \u00e9 o estado com maior percentual&nbsp;de pretos, 22,4%. Roraima tem a maior participa\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas (14,1%), e S\u00e3o Paulo \u00e9 onde os amarelos s\u00e3o mais numerosos, 1,2% dos habitantes do estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Munic\u00edpios&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o Sul, S\u00e3o Paulo e a parte sul de Minas Gerais \u00e9 onde existem mais munic\u00edpios com popula\u00e7\u00e3o predominantemente branca. As cidades com maior participa\u00e7\u00e3o de brancos entre seus habitantes s\u00e3o as ga\u00fachas Morrinhos do Sul e Forquetinha, com 97,4% e 97,2% respectivamente.&nbsp;((temos arte de mapa))&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/lhoQOWQ59JKvM2Z7RfGau9LGi5s=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/taxa_geometrica_de_crescimento.png?itok=9Ejv5n3r\" alt=\"arte crescimento popula\u00e7\u00e3o brasileira censo 2022\" style=\"width:637px;height:auto\" title=\"Arte\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>As demais regi\u00f5es do pa\u00eds s\u00e3o compostas por munic\u00edpios com popula\u00e7\u00e3o de maioria parda, com exce\u00e7\u00f5es, principalmente, em \u00e1reas de fronteira na regi\u00e3o Norte e no sudeste do Par\u00e1, onde se destacam os&nbsp;ind\u00edgenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Tem uma concentra\u00e7\u00e3o no norte de Roraima, mas tamb\u00e9m no Vale do Rio Negro e o Alto Solim\u00f5es&#8221;, exemplifica o pesquisador do IBGE Fernando Damasco.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Uiramut\u00e3, em Roraima; e Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, s\u00e3o os munic\u00edpios com maior participa\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas entre os habitantes, 96,6% e 96,2%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os 5.570 munic\u00edpios brasileiros, apenas nove t\u00eam popula\u00e7\u00e3o majoritariamente preta. S\u00e3o oito na Bahia (Ant\u00f4nio Cardoso, Cachoeira, Concei\u00e7\u00e3o da Feira, Ouri\u00e7angas, Pedr\u00e3o, Santo Amaro, S\u00e3o Francisco do Conde e S\u00e3o Gon\u00e7alo dos Campos) e um no Maranh\u00e3o &#8211; Serrano do Maranh\u00e3o, com 58,5%. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em valores absolutos, os munic\u00edpios com mais pretos s\u00e3o, na ordem, S\u00e3o Paulo (1,16 milh\u00e3o), Rio de Janeiro (968 mil) e Salvador (825 mil). Entre as dez&nbsp;cidades com mais popula\u00e7\u00e3o preta absoluta, a \u00fanica que n\u00e3o \u00e9 capital \u00e9 a baiana Feira de Santana, com 180 mil pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Idade&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Os dados coletados pelos recenseadores revelam&nbsp;que entre 2010 e 2022, a presen\u00e7a de pardos cresceu em todos os grupos de idade pesquisados. Por outro lado, a popula\u00e7\u00e3o branca teve redu\u00e7\u00e3o em todas as faixas et\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O IBGE apresenta ainda o \u00edndice de envelhecimento \u2013 n\u00famero de pessoas com 60 anos ou mais em rela\u00e7\u00e3o a um grupo de 100 pessoas de at\u00e9 14 anos. Quanto maior o indicador, mais envelhecida \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto no Brasil como um todo a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 80 idosos para cada 100 jovens, a popula\u00e7\u00e3o amarela apresenta 256,5 para cada 100 jovens. Em seguida aparecem os pretos, com indicador de 108,3. Brancos (98), pardos (60,6) e ind\u00edgenas (35,6) completam a sequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sexo&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>O Censo 2022 faz tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o entre cor e sexo. O Brasil tem 94,2 homens para cada 100 mulheres. Entre a popula\u00e7\u00e3o preta, essa rela\u00e7\u00e3o se inverte, sendo 103,9 homens para cada 100 mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Pardos (96,4) e ind\u00edgenas (97,1) tamb\u00e9m apresentam raz\u00e3o de sexo acima da m\u00e9dia nacional. Entre brancos e amarelos o indicador \u00e9 de 89,9 e 89,2, respectivamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de pessoas pardas no Brasil superou o de brancas pela primeira vez desde 1872. No ano passado, 92,1 milh\u00f5es de pessoas se reconheciam pardas,&nbsp;enquanto 88,3 milh\u00f5es,&nbsp;brancas. 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