{"id":115314,"date":"2023-12-11T16:32:41","date_gmt":"2023-12-11T19:32:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114569"},"modified":"2023-12-11T16:32:41","modified_gmt":"2023-12-11T19:32:41","slug":"pesquisa-aponta-desigualdades-entre-negros-e-brancos-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115314","title":{"rendered":"Pesquisa aponta desigualdades entre negros e brancos na educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>No per\u00edodo de 2010 a 2019, a parcela de estudantes negros que estavam atrasados na escola, ou seja, que se encontravam naquilo que profissionais do meio da educa\u00e7\u00e3o chamam de distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie, era de 7,6% nos anos iniciais do ensino fundamental. Ou seja, um a cada seis, propor\u00e7\u00e3o bastante diferente da de brancos, que era de um a cada 13. Esse \u00e9 um dos dados destacados pelo Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), que mostra como o racismo estrutural tamb\u00e9m chega \u00e0s salas de aula, apesar de a popula\u00e7\u00e3o brasileira ser predominantemente negra.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1571573&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1571573&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Esse dado, em espec\u00edfico, consta do Censo Escolar &#8211; Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (2012-2019), elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s turmas de ensino m\u00e9dio, as m\u00e9dias das porcentagens ao longo dos anos compreendidos foram, respectivamente, de 16,8% e 7,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao ensino m\u00e9dio, o mesmo per\u00edodo de an\u00e1lise gerou uma m\u00e9dia de 36% para negros e 19,2% para brancos. Isso significa que a cada tr\u00eas estudantes negros um apresentava distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie, contra um a cada cinco, no caso dos estudantes brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto no ensino fundamental como no m\u00e9dio, o que se constatou foi uma queda da disparidade entre negros e brancos, ao longo dos anos, no per\u00edodo analisado. Contudo, a diferen\u00e7a ainda permaneceu, o que revela a persist\u00eancia da desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Censo do Inep tamb\u00e9m apurou que, entre 2010 e 2019, em m\u00e9dia, 78,5% dos estudantes negros eram aprovados no ensino m\u00e9dio. A propor\u00e7\u00e3o de brancos era de 85%.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado enfatizado pelo estudo, e que \u00e9 prova da assimetria social entre os dois grupos, diz respeito ao perfil de estudantes de institui\u00e7\u00f5es com maioria de ricos. Tais escolas tinham dois ter\u00e7os de alunos brancos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favidas, como se pode imaginar, a estrutura das escolas tamb\u00e9m faz com que as notas e a aprendizagem possam ser piores ou melhores, conforme as condi\u00e7\u00f5es em que funciona, aponta o estudo. Entre 2013 e 2019, apenas 33,2% dos professores do ensino fundamental nas escolas predominantemente negras tinham forma\u00e7\u00e3o adequada, de superior em licenciatura ou equivalente na disciplina que ministravam. Nas escolas com maioria de alunos brancos, o percentual era quase o dobro, de 62,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 divis\u00e3o entre escolas p\u00fablicas e privadas, a presen\u00e7a de estudantes brancos que tinham acesso, em 2019, ao ensino particular, que \u00e9, muitas vezes, bem superior ao oferecido pela rede p\u00fablica, aumentando as chances de seguirem at\u00e9 o ensino superior, era 2,6 maior do que a de alunos negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas do Cedra tamb\u00e9m recapitularam dados com semelhante recorte a partir da Pesquisa Nacional de Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnadc), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Um deles diz respeito ao ingresso de mulheres nas universidades. O que se viu foi que mulheres brancas de 18 a 24 anos de idade eram quase o dobro das mulheres negras. Eram 29,2%, contra apenas 16,5% de universit\u00e1rias negras, de 2016 a 2019. Nesse intervalo, a parcela de negras aumentou levemente, de 15,2% para 16,9%, enquanto a de brancas permaneceu praticamente igual, mudando de 29% para 29,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o que o f\u00edsico e docente Marcelo Tragtenberg faz, com rela\u00e7\u00e3o aos dados compilados, \u00e9 de que &#8220;o Brasil est\u00e1 oferecendo ensinos diferentes para negros e brancos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Houve um esfor\u00e7o, mas a desigualdade racial persiste. A gente v\u00ea uma resist\u00eancia no sistema educacional \u00e0 equidade racial&#8221;, afirma. &#8220;Quanto mais a gente olha, mais se torna triste e surpreendente&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dados, segundo ele, que ainda s\u00e3o negligenciados, apesar de revelar muito sobre o cen\u00e1rio e os desafios que o pa\u00eds tem diante de si. \u00c9 o caso da distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie. &#8220;Os estudantes negros est\u00e3o mais acumulados nas s\u00e9ries iniciais, n\u00e3o progridem na mesma velocidade que os brancos&#8221;, enfatiza Tragtenberg, que integra o Conselho Deliberativo do Cedra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No per\u00edodo de 2010 a 2019, a parcela de estudantes negros que estavam atrasados na escola, ou seja, que se encontravam naquilo que profissionais do meio da educa\u00e7\u00e3o chamam de distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie, era de 7,6% nos anos iniciais do ensino fundamental. 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