{"id":115292,"date":"2023-12-08T19:05:08","date_gmt":"2023-12-08T22:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114500"},"modified":"2023-12-08T19:05:08","modified_gmt":"2023-12-08T22:05:08","slug":"violencia-policial-e-foco-de-peritos-ligados-a-onu-em-visita-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115292","title":{"rendered":"Viol\u00eancia policial \u00e9 foco de peritos ligados \u00e0 ONU em visita ao Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A suscetibilidade de jovens negros da zona rural diante da possibilidade de sofrer viol\u00eancias, a defesa do uso de c\u00e2meras corporais acopladas ao uniforme de policiais, a impunidade de agentes que cometem excessos e um Estado com poucos negros em posi\u00e7\u00f5es de tomada de decis\u00f5es. Essas foram algumas das coloca\u00e7\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, feitas nesta sexta-feira (8), por membros do Mecanismo Internacional Independente de Especialistas para Promover a Justi\u00e7a Racial e a Igualdade no Contexto da Aplica\u00e7\u00e3o da Lei.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1571347&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1571347&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os integrantes da comitiva chegaram ao pa\u00eds no \u00faltimo dia 27. Eles vieram com a miss\u00e3o de avaliar se a aplica\u00e7\u00e3o de leis e pol\u00edticas t\u00eam assegurado ou violado direitos da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise antecipada, em entrevista, por Tracie L. Kesse e Juan E. Mend\u00e9z, ser\u00e1 pormenorizada futuramente, na forma de um relat\u00f3rio que ser\u00e1 divulgado em setembro de 2024. Outro aspecto que deve constar do documento \u00e9 o reconhecimento da efetividade de instrumentos como as cotas para negros no funcionalismo p\u00fablico e a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial pelo governo Lula.<\/p>\n\n\n\n<p>A comitiva passou por Salvador, Fortaleza, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, al\u00e9m de Bras\u00edlia. Um dos crit\u00e9rios para definir a rota da viagem foi incluir locais que registraram casos mais graves de viol\u00eancia policial recentemente, como o da Opera\u00e7\u00e3o Escudo, na Baixada Santista, e os epis\u00f3dios ocorridos na Vila Cruzeiro e em Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e em Salvador. Outro ponto de partida, explicaram os integrantes do \u00f3rg\u00e3o, foram as den\u00fancias que s\u00e3o compartilhadas diretamente com eles, n\u00e3o somente pela m\u00eddia.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a visita ao Brasil, o grupo conversou com diversas autoridades, tanto do Poder Executivo como representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria P\u00fablica. Durante o per\u00edodo, os especialistas tamb\u00e9m dedicaram aten\u00e7\u00e3o e tempo a ver de perto as condi\u00e7\u00f5es de pres\u00eddios &#8211; como a Penitenci\u00e1ria Lemos Brito, em Salvador &#8211; e do Rio de Janeiro, que n\u00e3o tiveram os nomes citados.<\/p>\n\n\n\n<p>Juan E. Mend\u00e9z afirmou que, no Brasil, o que se observa \u00e9 um cen\u00e1rio que comporta uma &#8220;impunidade generalizada&#8221;, com diversos crimes sem a devida investiga\u00e7\u00e3o e um adequado desfecho e um negacionismo quanto \u00e0 exist\u00eancia do racismo estrutural, que &#8220;deve ser erradicado&#8221;. Ele defendeu o uso obrigat\u00f3rio de c\u00e2meras corporais por parte dos agentes de seguran\u00e7a como medida para vigiar sua conduta e coibir abusos contra a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a entrevista, Mend\u00e9z, que j\u00e1 foi diretor executivo do Instituto Interamericano de Direitos Humanos e relator especial da Organiza\u00e7\u00e3o Nacional das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre tortura, disse, ainda, que outra marca atual do Brasil \u00e9 a &#8220;eros\u00e3o de confian\u00e7a&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a, causada, sobretudo, pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Um aspecto ressaltado por ele foi como o modelo de masculinidade t\u00f3xica acaba se refletindo em abordagens policiais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impunidade no sistema criminal<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;A impunidade de que estamos falando \u00e9 generalizada no sistema criminal. As comunidades t\u00eam medo de apresentar suas den\u00fancias com medo de retalia\u00e7\u00e3o&#8221;, observou ele, que hoje leciona Direito dos Direitos Humanos na&nbsp;<em>American University-Washington College of Law<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s penitenci\u00e1rias, Mend\u00e9z elencou o saneamento inadequado, a m\u00e1 qualidade dos alimentos oferecida aos detentos, a criminaliza\u00e7\u00e3o dos presos e a estigmatiza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, assim como a sobrecarga dos agentes penitenci\u00e1rios, como os principais problemas constatados ao longo das visitas. &#8220;O n\u00famero de encarcerados \u00e9 impressionante&#8221;, destacou, adicionando que tamb\u00e9m fica evidente a grande propor\u00e7\u00e3o de negros atr\u00e1s das grades.<\/p>\n\n\n\n<p>Co-fundadora e vice-presidente s\u00eanior de Iniciativas de Justi\u00e7a do&nbsp;<em>Center For Policing Equity,&nbsp;<\/em>Tracie L. Kesse classificou o que acontece no pa\u00eds como uma modalidade de&nbsp;&#8220;racismo perverso&#8221; que contamina as rela\u00e7\u00f5es. Ela deu \u00eanfase a pr\u00e1ticas que se tem adotado, como o trabalho de defensores p\u00fablicos junto a fam\u00edlias de v\u00edtimas, e a lacunas tamb\u00e9m, citando a falta de representatividade de mulheres no Poder Judici\u00e1rio e a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa. Outra cr\u00edtica foi quanto \u00e0 falta de esfor\u00e7o para a utiliza\u00e7\u00e3o do nome social de pessoas transg\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O racismo est\u00e1 sempre presente em algumas leis, que perpetuam a desigualdade em \u00e1reas como a sa\u00fade&#8221;, disse. &#8220;N\u00f3s reconhecemos o desafio do governo para oferecer seguran\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quilombolas<\/h2>\n\n\n\n<p>O Mecanismo n\u00e3o tratou&nbsp;dos assassinatos de lideran\u00e7as quilombolas &#8211; muitas delas &#8220;encomendadas&#8221; e com suspeita de&nbsp;envolvimento de policiais. Perguntados sobre isso, Tracie L. Kesse e Juan E. Mend\u00e9z desconversaram e justificaram as escolhas da programa\u00e7\u00e3o da viagem dizendo que procuraram focar em casos como o da Opera\u00e7\u00e3o Escudo. Eles tamb\u00e9m argumentaram que escutaram &#8220;v\u00e1rias lideran\u00e7as negras&#8221;, mas sem exemplificar com algum nome quilombola.<\/p>\n\n\n\n<p>A comitiva tamb\u00e9m n\u00e3o comentou nada sobre ind\u00edgenas e tamb\u00e9m n\u00e3o visitou o Norte do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sab\u00edamos que n\u00e3o pod\u00edamos ir a certos locais&#8221;, declarou Tracie, ao responder indaga\u00e7\u00e3o feita pela reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Um balan\u00e7o da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos (Conaq) &#8211; compartilhado com a reportagem em novembro &#8211; indicava que, nos \u00faltimos dez anos, houve 35 assassinatos de quilombolas. No relat\u00f3rio consolidado sobre os casos, a Bahia, com nove ocorr\u00eancias, se destaca como um dos estados com maiores \u00edndices desse tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A suscetibilidade de jovens negros da zona rural diante da possibilidade de sofrer viol\u00eancias, a defesa do uso de c\u00e2meras corporais acopladas ao uniforme de policiais, a impunidade de agentes que cometem excessos e um Estado com poucos negros em posi\u00e7\u00f5es de tomada de decis\u00f5es. 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