{"id":115214,"date":"2023-12-05T17:32:36","date_gmt":"2023-12-05T20:32:36","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114230"},"modified":"2023-12-05T17:32:36","modified_gmt":"2023-12-05T20:32:36","slug":"em-5-anos-homicidios-caem-mais-de-30-em-seis-estados-e-no-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115214","title":{"rendered":"Em 5 anos, homic\u00eddios caem mais de 30% em seis estados e no DF"},"content":{"rendered":"\n<p>Entre 2016 e 2021, 12 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o registraram quedas nas taxas de homic\u00eddio superiores a 30%. Em sete delas &#8211; Acre, Alagoas, Distrito Federal, Goi\u00e1s, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Sergipe &#8211; a redu\u00e7\u00e3o foi de mais de 40%. \u00c9 o que mostra a nova edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1570558&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1570558&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando apenas o per\u00edodo entre 2020 e 2021, houve quedas robustas no Acre (33,5%), Sergipe (20,3%) e Goi\u00e1s (18%). J\u00e1 os maiores aumentos foram anotados no Amazonas (34,9%), Amap\u00e1 (17,1%) e Rond\u00f4nia (16,2%). Al\u00e9m do levantamento sobre homic\u00eddios, o Atlas da Viol\u00eancia inclui ainda uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es envolvendo viol\u00eancias contra popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas: mulheres, crian\u00e7as, idosos, LGBTQIAP+ (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Transg\u00eaneros, Queer ou Questionadores, Intersexuais e Assexuais), negros e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o &#8211; divulgada anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) \u2013 tem como base principalmente dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), ambos sob gest\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Tamb\u00e9m s\u00e3o levados em conta os mapeamentos demogr\u00e1ficos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e levantamentos do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie hist\u00f3rica de homic\u00eddios foi atualizada incluindo os dados de 2021, ano em que houve 47.847 ocorr\u00eancias segundo consta no SIM. Esse n\u00famero corresponde a uma taxa de 22,4 mortes por 100 mil habitantes. O \u00edndice caiu em rela\u00e7\u00e3o a 2020, mas ficou em patamar acima do anotado em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a \u00faltima d\u00e9cada, o n\u00famero de homic\u00eddios no pa\u00eds seguiu uma tend\u00eancia ininterrupta de crescimento de 2011 a 2017, ano em que houve 65,6 mil ocorr\u00eancias. A partir da\u00ed, houve queda em 2018 e em 2019, alcan\u00e7ando o patamar de 45,5 mil casos. Uma nova alta foi observada em 2020, com 49,8 mil assassinatos. Finalmente em 2021, foram 47,8 mil registros. Dessa forma, apesar da queda na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, os dados ainda mostram um patamar acima do verificado em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o das taxas de homic\u00eddio ocorreu em praticamente todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, com exce\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Norte. Cinco estados &#8211; Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul &#8211; registraram \u00edndices abaixo de 19,9 por 100 mil habitantes. J\u00e1 as maiores taxas &#8211; entre 35,5 e 52,6 por 100 mil habitantes &#8211; foram observadas no Amazonas, Roraima, Amap\u00e1, Cear\u00e1 e na Bahia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atlas da Viol\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia elenca fatores que contribu\u00edram para essa din\u00e2mica dos dados nos \u00faltimos anos, entre eles, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Isso porque homens entre 15 e 29 anos s\u00e3o os que mais apresentam risco de serem v\u00edtimas de homic\u00eddios. Dessa forma, a redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de jovens teria influ\u00eancia na queda do n\u00famero de casos desde 2017.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;A viol\u00eancia \u00e9 a principal causa de morte dos jovens. Em 2021, de cada 100 jovens entre 15 e 29 anos que morreram no pa\u00eds por qualquer causa, 49 foram v\u00edtimas da viol\u00eancia letal. Dos 47.847 homic\u00eddios ocorridos no Brasil em 2021, 50,6% vitimaram jovens entre 15 e 29 anos. S\u00e3o 24.217 jovens que tiveram suas vidas ceifadas prematuramente, com uma m\u00e9dia de 66 jovens assassinados por dia no pa\u00eds&#8221;, informa o levantamento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia tamb\u00e9m indica outros dois fatores de influ\u00eancia para a queda observada. O primeiro \u00e9 um armist\u00edcio na guerra entre as maiores fac\u00e7\u00f5es do pa\u00eds pelo controle do corredor internacional de drogas nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. O outro envolve os efeitos de programas qualificados de seguran\u00e7a p\u00fablica adotados em alguns estados, abrangendo pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es inovadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Chama aten\u00e7\u00e3o a\u00ed o estado da Para\u00edba, que vem reduzindo sucessivamente suas taxas de homic\u00eddio desde 2011. Naquele ano foi inaugurado o programa Para\u00edba Unida pela Paz, baseado em planejamento, apoiado em diagn\u00f3stico e orientado por resultados, no qual o governador atua pessoalmente como o fiador e condutor da pol\u00edtica. \u00c9 importante tamb\u00e9m salientar a import\u00e2ncia da continuidade pol\u00edtica no processo, uma vez que n\u00e3o apenas os governadores nessas quatro \u00faltimas gest\u00f5es pertencem ao mesmo grupo pol\u00edtico, bem como os gestores da seguran\u00e7a e defesa social permanecem entre os profissionais que ajudaram na formula\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o do programa naquele estado&#8221;, destaca o Atlas da Viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a publica\u00e7\u00e3o, as quedas observadas a partir de 2017 poderiam ter sido mais intensas. &#8220;A redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios no pa\u00eds n\u00e3o foi mais robusta devido \u00e0 pol\u00edtica armamentista desencadeada no governo Bolsonaro&#8221;, revela a nova edi\u00e7\u00e3o, que cita estudo do F\u00f3rum Brasil de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Ele estima que, se n\u00e3o houvesse o aumento de armas de fogo em circula\u00e7\u00e3o a partir de 2019, teriam ocorrido 6.379 assassinatos a menos no Brasil em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da queda nas taxas de homic\u00eddio, o Atlas da Viol\u00eancia levanta preocupa\u00e7\u00e3o com o uso letal da for\u00e7a pelas pol\u00edcias no Brasil e indica que alguns eventos trazem fortes ind\u00edcios de execu\u00e7\u00e3o, o que acende um alerta para um pa\u00eds democr\u00e1tico, onde vigora o Estado de Direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Anu\u00e1rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2023, no ano de 2022 houve 6.429 mortes por interven\u00e7\u00e3o policial, o que representa 13,5% do total das mortes violentas intencionais no pa\u00eds. Em alguns estados como Bahia e Rio de Janeiro, esses \u00edndices alcan\u00e7aram patamar acima de 20%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crian\u00e7as e adolescentes<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Atlas da Viol\u00eancia, 2.166 crian\u00e7as de zero a quatro anos e 7.396 de cinco a 14 anos perderam suas vidas por agress\u00e3o no Brasil entre 2011 e 2021. O mesmo ocorreu com 97.894 adolescentes entre 15 e 19 anos. S\u00e3o v\u00edtimas que n\u00e3o tiveram a chance sequer de iniciar ou concluir a vida escolar, nem de construir um caminho profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes, as agress\u00f5es ocorrem em casa e os agressores s\u00e3o pessoas pr\u00f3ximas, que gozam da confian\u00e7a das v\u00edtimas. A Lei Menino Bernardo, aprovada em 2014, incluiu no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente a proibi\u00e7\u00e3o do castigo f\u00edsico como forma de educar os filhos. O Atlas da Viol\u00eancia aponta que essa \u00e9 &#8220;uma viol\u00eancia que foi normalizada por diversas d\u00e9cadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, al\u00e9m da viol\u00eancia letal, o levantamento do Ipea chama tamb\u00e9m aten\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e institucional, al\u00e9m de casos envolvendo neglig\u00eancia e trabalho infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A propor\u00e7\u00e3o de estudantes do ensino fundamental que deixaram de ir \u00e0 escola por causa da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a \u00e9 expressiva. No Brasil, saltou de 5,4% em 2009 para 11,4% em 2019&#8221;, informa a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e9 dedicada ao&nbsp;<em>bullying<\/em>&nbsp;(intimida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica), que estaria crescendo no ambiente digital, por meio de celulares, computadores e outros dispositivos usados para difundir mensagens e imagens. Dados do IBGE, reunidos no Atlas da Viol\u00eancia, indicam que a propor\u00e7\u00e3o dos estudantes que foram objeto de&nbsp;<em>cyberbullying<\/em>&nbsp;(pr\u00e1ticas do bullying cometidas em espa\u00e7os virtuais) \u00e9 apenas ligeiramente superior no ensino m\u00e9dio (13%) em compara\u00e7\u00e3o ao ensino fundamental (12,6%).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O&nbsp;<em>bullying<\/em>&nbsp;\u00e9 express\u00e3o de preconceito, intoler\u00e2ncia e discrimina\u00e7\u00e3o por modos espec\u00edficos de ser (etnia, ra\u00e7a, g\u00eanero, classe, estilos de comportamento, maneiras e forma do corpo, posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, etc.), retrata-se na<\/p>\n\n\n\n<p>forma de agress\u00e3o moral, psicol\u00f3gica e f\u00edsica e aparece em formas verbais (xingamento, insultos, chacotas, difama\u00e7\u00e3o etc.) ou f\u00edsicas (agress\u00f5es, amea\u00e7as ou intimida\u00e7\u00e3o)&#8221;, define o Ipea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Idosos e LGBTQI+<\/h2>\n\n\n\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia trouxe, tamb\u00e9m, de forma in\u00e9dita, uma se\u00e7\u00e3o que trata da viol\u00eancia contra idosos. &#8220;O tema ganha destaque porque o Brasil caminha a passos largos no processo de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, rumo ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o. Da\u00ed faz-se mister trazer \u00e0 tona essa quest\u00e3o, que tende a crescer nos pr\u00f3ximos anos e d\u00e9cadas e representar\u00e1 mais um grande desafio para governos e sociedade&#8221;, registra a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia chama aten\u00e7\u00e3o para diferen\u00e7as envolvendo ra\u00e7a. A mortalidade por agress\u00e3o \u00e9 cerca de 41% mais elevada para negros do que para n\u00e3o negros em 2021, quando o pa\u00eds registrou uma taxa de 16,6 \u00f3bitos por agress\u00e3o por 100 mil habitantes para negros, e de nove por 100 mil para n\u00e3o negros.<\/p>\n\n\n\n<p>No t\u00f3pico em que discute as viol\u00eancias contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+, o Atlas da Viol\u00eancia destaca a necessidade de maior compromisso das institui\u00e7\u00f5es estatais com o diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As limita\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de dados constituem o principal desafio t\u00e9cnico \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas destinadas a esta popula\u00e7\u00e3o&#8221;, acentua. Al\u00e9m da insufici\u00eancia de dados, a publica\u00e7\u00e3o salienta que a institucionaliza\u00e7\u00e3o de discursos LGBTf\u00f3bicos durante o governo de Jair Bolsonaro gerou uma falta de confian\u00e7a desta popula\u00e7\u00e3o no dispositivo de den\u00fancia, que acusou queda no n\u00famero de ocorr\u00eancias registradas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2016 e 2021, 12 das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o registraram quedas nas taxas de homic\u00eddio superiores a 30%. Em sete delas &#8211; Acre, Alagoas, Distrito Federal, Goi\u00e1s, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Sergipe &#8211; a redu\u00e7\u00e3o foi de mais de 40%. \u00c9 o que mostra a nova edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":115544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[24],"class_list":{"0":"post-115214","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-manchete"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/115214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=115214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/115214\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/115544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=115214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=115214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=115214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}