{"id":115212,"date":"2023-12-05T17:07:02","date_gmt":"2023-12-05T20:07:02","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114228"},"modified":"2023-12-05T17:07:02","modified_gmt":"2023-12-05T20:07:02","slug":"homicidios-crescem-para-mulheres-negras-e-caem-para-nao-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115212","title":{"rendered":"Homic\u00eddios crescem para mulheres negras e caem para n\u00e3o negras"},"content":{"rendered":"\n<p>A nova edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia, publica\u00e7\u00e3o anual do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), aponta que a taxa de homic\u00eddios para mulheres negras cresceu no pa\u00eds 0,5% entre 2020 e 2021. No mesmo per\u00edodo, houve redu\u00e7\u00e3o de 2,8% para as mulheres n\u00e3o negras, que incluem brancas, amarelas e ind\u00edgenas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1570531&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1570531&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, 2.601 mulheres negras foram v\u00edtimas de homic\u00eddio no Brasil. Esse n\u00famero representa 67,4% do total de mulheres assassinadas. Tamb\u00e9m corresponde a uma taxa de 4,3 v\u00edtimas para cada popula\u00e7\u00e3o de 100 mil. Trata-se de um \u00edndice 79% superior ao das mulheres n\u00e3o negras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Historicamente, pessoas negras s\u00e3o as maiores v\u00edtimas de viol\u00eancia no Brasil, aspecto que, infelizmente, se discute ano ap\u00f3s ano nas edi\u00e7\u00f5es do Atlas da Viol\u00eancia. Quando falamos de viol\u00eancia contra as mulheres, os dados n\u00e3o diferem: a viol\u00eancia letal \u00e9 mais prevalente entre mulheres negras do que n\u00e3o negras&#8221;, conclui a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o indicadas algumas raz\u00f5es para esse cen\u00e1rio, entre eles, fatores econ\u00f4micos. A discrimina\u00e7\u00e3o racial e de g\u00eanero no mercado de trabalho e o consequente menor rendimento das mulheres negras na compara\u00e7\u00e3o com as mulheres n\u00e3o negras as tornam mais dependentes do c\u00f4njuge e mais pass\u00edveis de sofrerem viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>O Atlas da Viol\u00eancia se baseia principalmente em dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), ambos sob gest\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Tamb\u00e9m s\u00e3o levados em conta os mapeamentos demogr\u00e1ficos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. A s\u00e9rie hist\u00f3rica de homic\u00eddios foi atualizada incluindo informa\u00e7\u00f5es de 2021.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres assassinadas<\/h2>\n\n\n\n<p>Conforme a publica\u00e7\u00e3o, entre 2020 e 2021, 14 unidades da federa\u00e7\u00e3o apresentaram crescimento na taxa de mulheres assassinadas. Os menores \u00edndices s\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, Roraima est\u00e1 no topo dos estados com maiores taxas de homic\u00eddios de mulheres no ano de 2021: 7,4 mulheres mortas a cada 100 mil. Ele \u00e9 seguido por Cear\u00e1 e Acre. &#8220;Chama aten\u00e7\u00e3o que Roraima, mesmo apresentando uma redu\u00e7\u00e3o de quase 41%, permanece como o estado com maior taxa de homic\u00eddios femininos no pa\u00eds&#8221;, informa o Ipea.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o listadas tr\u00eas causas para o aumento da viol\u00eancia de g\u00eanero contra as mulheres nos \u00faltimos anos. O primeiro \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o significativa do or\u00e7amento p\u00fablico federal para as pol\u00edticas de enfrentamento ao problema. Segundo o Atlas, a proposta or\u00e7ament\u00e1ria do governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro, reduziu em 94% os recursos previstos. Outro fator seria o radicalismo pol\u00edtico, que teria refor\u00e7ado valores do patriarcado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, a pandemia de covid-19 teria produzido cinco efeitos: restri\u00e7\u00e3o do funcionamento dos servi\u00e7os protetivos, menor controle social devido ao isolamento, aumento dos conflitos associado a uma maior conviv\u00eancia, alta dos div\u00f3rcios e perda econ\u00f4mica relativa das mulheres na fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia de g\u00eanero<\/h2>\n\n\n\n<p>Dados do anu\u00e1rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2022 &#8211; reunidos no Atlas da Viol\u00eancia &#8211; trazem informa\u00e7\u00f5es que refor\u00e7am o panorama de aumento da viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando a respondente foi perguntada se sofreu batida, empurr\u00e3o ou chute nos \u00faltimos 12 meses, 11,6% das mulheres responderam positivamente, ante um \u00edndice de 6,3% na pesquisa de 2021&#8221;, informa a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia, os n\u00fameros representam apenas a ponta do iceberg. &#8220;Nunca houve interesse dos governos em produzir, no plano nacional, uma pesquisa domiciliar com metodologia robusta, com amostragem aleat\u00f3ria e os necess\u00e1rios requisitos metodol\u00f3gicos para que as entrevistadas pudessem reportar verdadeiramente os fatos sobre esse tema t\u00e3o delicado&#8221;, revela a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 lembrado que o crime de feminic\u00eddio foi tipificado em 2015, o que ainda \u00e9 muito recente. Dessa forma, os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a ainda est\u00e3o em um processo de aprendizado na correta classifica\u00e7\u00e3o. O crime de feminic\u00eddio \u00e9 caracterizado como o assassinato que envolve viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher. Sendo assim, nem todo homic\u00eddio que tem uma mulher como v\u00edtima se enquadra como feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte das mulheres assassinadas no Brasil \u00e9 morta fora de suas casas. Mas chama aten\u00e7\u00e3o nos dados que, enquanto o homic\u00eddio de mulheres caiu a partir de 2018 acompanhando a tend\u00eancia de homic\u00eddios em geral, o assassinato de mulheres dentro das resid\u00eancias mant\u00e9m estabilidade. No recorte por idade, no entanto, notam-se mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;\u00c9 interessante observar que, ao longo do tempo, h\u00e1 proporcionalmente menos homic\u00eddios de mulheres dentro das resid\u00eancias para as faixas et\u00e1rias abaixo de 24 anos; ao mesmo tempo, observa-se relativa estabilidade nessa propor\u00e7\u00e3o para jovens adultas entre 25 a 29 anos, e aumento proporcional na letalidade de mulheres acima de 30 anos de idade&#8221;, informa a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esse movimento \u00e9 explicado por dois fatores: a redu\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de jovens em decorr\u00eancia do envelhecimento populacional e uma maior propens\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es mais novas em refutar valores do patriarcado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Popula\u00e7\u00e3o negra<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo quando os dados envolvem a popula\u00e7\u00e3o negra, incluindo homens e mulheres, o cen\u00e1rio \u00e9 similar. Em 2021, 79% de todas as v\u00edtimas de homic\u00eddio eram negros. A publica\u00e7\u00e3o aponta que condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas fazem desta popula\u00e7\u00e3o um grupo mais vulner\u00e1vel, mas indica que \u00e9 preciso considerar tamb\u00e9m um outro fator.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Duas pessoas com as mesmas caracter\u00edsticas (escolaridade, sexo, idade, estado civil), que moram no mesmo bairro, sendo uma negra e uma branca, a primeira tem 23% a mais de chances de ser assassinada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda. Ou seja, al\u00e9m dos canais indiretos, por meio dos quais o racismo estrutural opera para legar uma maior taxa de letalidade para a popula\u00e7\u00e3o negra, h\u00e1 o racismo que mata, operando diretamente na letalidade contra negros, por meio de um processo at\u00e1vico de desumaniza\u00e7\u00e3o, que imprime uma imagem estereotipada do negro como perigoso, como pobre e bandido&#8221;, observa a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia, publica\u00e7\u00e3o anual do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), aponta que a taxa de homic\u00eddios para mulheres negras cresceu no pa\u00eds 0,5% entre 2020 e 2021. No mesmo per\u00edodo, houve redu\u00e7\u00e3o de 2,8% para as mulheres n\u00e3o negras, que incluem brancas, amarelas e ind\u00edgenas. 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