{"id":115194,"date":"2023-12-04T16:10:52","date_gmt":"2023-12-04T19:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114168"},"modified":"2023-12-04T16:10:52","modified_gmt":"2023-12-04T19:10:52","slug":"defesa-civil-evento-em-mina-e-inedito-mas-houve-tempo-de-se-preparar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115194","title":{"rendered":"Defesa Civil: evento\u00a0em mina \u00e9 in\u00e9dito, mas houve tempo de se preparar"},"content":{"rendered":"\n<p>Em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia desde a \u00faltima quarta-feira (29), a cidade de Macei\u00f3 vive um clima de espera, afli\u00e7\u00e3o e revolta por causa da possibilidade de colapso de uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-12\/o-que-e-o-sal-gema-e-por-que-sua-extracao-gerou-problemas-em-maceio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mina de sal-gema<\/a>&nbsp;da petroqu\u00edmica Braskem, no bairro do Mutange. \u00c9 mais um cap\u00edtulo de uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-12\/dramas-humanos-se-acumulam-em-tragedia-da-braskem-em-maceio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">hist\u00f3ria que se arrasta desde 2018<\/a>, quando foram registrados afundamentos em cinco bairros. Estima-se que cerca de 60 mil residentes tiveram que se mudar do local e deixar para tr\u00e1s os seus im\u00f3veis.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1570284&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1570284&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O risco de colapso em uma das 35 minas de responsabilidade da Braskem vem sendo monitorado pela Defesa Civil de Macei\u00f3 e foi detectado devido ao avan\u00e7o no afundamento do solo. Ontem (3), &nbsp;houve uma diminui\u00e7\u00e3o no ritmo, que<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-12\/em-maceio-afundamento-do-solo-diminui-para-03-cm-por-hora\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;passou para 0,3 cent\u00edmetro (cm)&nbsp;por hora<\/a>. Pela manh\u00e3, esse n\u00famero era de 0,7 cm. Nas \u00faltimas 24 horas, o afundamento foi de 7,4 cm. Desde ter\u00e7a-feira (28), a mina 18 acumula 1,69 metro de afundamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta segunda-feira, novo boletim da Defesa Civil informa que o deslocamento vertical acumulado da mina 18 \u00e9 de 1,77 m, e a velocidade vertical reduziu-se para 0,25 cm por hora, apresentando um movimento de 6 cm nas \u00faltimas 24 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>O coordenador da Defesa Civil de Macei\u00f3, Abelardo Nobre, em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, destacou que as \u00e1reas que podem ser mais afetadas j\u00e1 foram evacuadas, e que o \u00f3rg\u00e3o trabalha com um cen\u00e1rio mais brando, de afundamento lento e sem ruptura total, e um cen\u00e1rio de ruptura, com possibilidade de formar uma cratera. A Defesa Civil descarta a possibilidade de que a \u00e1gua nas minas esteja \u201cvazando\u201d para a Lagoa do Munda\u00fa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nobre lembrou que esse \u00e9 um cen\u00e1rio in\u00e9dito no pa\u00eds, mas que a Defesa Civil teve tempo para se preparar e conta com o aux\u00edlio de t\u00e9cnicos da Defesa Civil Nacional. Ele evitou ainda falar sobre a responsabilidade da Braskem na trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Confira abaixo os principais trechos da entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;&nbsp;Como foi a atua\u00e7\u00e3o da Defesa Civil de Macei\u00f3 quando foi detectada a movimenta\u00e7\u00e3o de terra na mina de n\u00famero 18 da Braskem na semana passada?<br><strong>Abelardo Nobre:<\/strong>&nbsp;Isso j\u00e1 foi na ter\u00e7a-feira \u00e0 noite, quando a gente identificou que os dados transmitidos pelos equipamentos instalados na regi\u00e3o, como tamb\u00e9m as informa\u00e7\u00f5es via sat\u00e9lite, indicavam para uma possibilidade iminente de colapso da Mina 18, que \u00e9 uma das 35 minas da Braskem. N\u00f3s passamos a informa\u00e7\u00e3o para o prefeito de Macei\u00f3 que, imediatamente, criou gabinete de crise. N\u00f3s tamb\u00e9m \u201cstartamos\u201d o nosso plano de conting\u00eancia, que j\u00e1 tinha sido elaborado. Come\u00e7amos a intensificar o nosso monitoramento que j\u00e1 era feito 24 horas. Intensificamos tamb\u00e9m o monitoramento em campo e, ao perceber a evolu\u00e7\u00e3o do evento, come\u00e7amos a trabalhar muito a quest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, porque no pr\u00f3prio momento em que a gente deu o alerta m\u00e1ximo houve uma chuva de&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;na cidade que promoveu uma s\u00e9rie de ocorr\u00eancias que atrapalharam muito o trabalho da Defesa Civil na prepara\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o para esse poss\u00edvel colapso dessa mina e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Qual \u00e9 o plano de conting\u00eancia? O que j\u00e1 foi cumprido e o que mais est\u00e1 previsto pela Defesa Civil?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;Veja, s\u00e3o muitas etapas, porque s\u00e3o muitas a\u00e7\u00f5es. Porque engloba o trabalho de v\u00e1rias ag\u00eancias, de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os, tanto do munic\u00edpio como do estado, do governo federal. Cada um estabelecendo o seu papel. Por exemplo, a Marinha do Brasil&nbsp;faz todo o patrulhamento da \u00e1rea dentro da Lagoa [do Munda\u00fa],&nbsp;que foi previamente demarcada com boias de sinaliza\u00e7\u00e3o. A Marinha fez os patrulhamentos necess\u00e1rios para informar os pescadores que n\u00e3o adentrassem nessa \u00e1rea. Inclusive, recentemente, a pr\u00f3pria Marinha do Brasil delimitou uma \u00e1rea maior em rela\u00e7\u00e3o ao que antes tinha sido demarcada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ex\u00e9rcito Brasileiro j\u00e1 ficou de prontid\u00e3o para a necessidade de qualquer interven\u00e7\u00e3o. Tivemos tamb\u00e9m a Defesa Civil Nacional, que veio com seus t\u00e9cnicos. Dois t\u00e9cnicos est\u00e3o aqui dentro da Defesa Civil do munic\u00edpio dando apoio necess\u00e1rio e encurtando a dist\u00e2ncia entre Bras\u00edlia e a Defesa Civil municipal para capta\u00e7\u00e3o de recursos e ajuda t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>As pr\u00f3prias secretarias do munic\u00edpio como, por exemplo, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, com papel de montar os abrigos, deixar os abrigos prontos para caso haja necessidade de deslocamento, de realoca\u00e7\u00e3o, de abrigamento de moradores. Que esses abrigos j\u00e1 estejam prontos para receber a popula\u00e7\u00e3o. A Secretaria de Sa\u00fade disponibilizou mais ve\u00edculos para a Defesa Civil e montou um plant\u00e3o especial de profissionais nesses abrigos. Tudo isso faz parte desse plano, para a devida a resposta ao fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;&nbsp;Quais os cen\u00e1rios para esse fen\u00f4meno?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;Ele pode ser brando. De repente, a mina se autopreenche ali, migrando para a superf\u00edcie, mas n\u00e3o provocando uma ruptura abrupta. E a\u00ed voc\u00ea tem na verdade apenas um fen\u00f4meno de ela provocar o afundamento do solo, mas n\u00e3o abre aquela cavidade. Ent\u00e3o teremos a\u00ed uma resposta X.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 um outro cen\u00e1rio que pode ser o resultado desses indicadores que n\u00f3s estamos analisando. Os in\u00fameros microssismos que aconteceram nos \u00faltimos dias, da velocidade de afundamento, ou seja, de deslocamento do solo, dentro do solo. Chegou num momento que o deslocamento era de 5 cm por hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para voc\u00ea ter uma ideia, para normalidade, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 normal, vamos dizer assim, a gente mede a velocidade [de deslocamento do solo], a gente detecta a velocidade em mil\u00edmetros por ano, mil\u00edmetros por ano! N\u00f3s chegamos a medir 5 cm por hora. Ent\u00e3o era uma velocidade bastante consider\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, n\u00f3s estamos a 0,30 cm por hora, ent\u00e3o baixou bastante. S\u00f3 que ainda \u00e9 uma velocidade consider\u00e1vel para esse tipo de fen\u00f4meno, ent\u00e3o a gente continua em alerta m\u00e1ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bom lembrar que a \u00e1rea que pode ser mais afetada, ter algum dano na superf\u00edcie, j\u00e1 foi totalmente evacuada, voc\u00ea n\u00e3o tem mais moradores e trabalhadores. E \u00e9 um fen\u00f4meno que nunca aconteceu no Brasil. \u00c9 \u00fanico e a gente se preparou durante um certo tempo, tinha os equipamentos necess\u00e1rios para que neste momento a gente pudesse realmente tranquilizar a popula\u00e7\u00e3o e dar resposta necess\u00e1ria para salvaguardar as vidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:&nbsp;<\/strong>No boletim deste domingo \u00e0 noite, houve uma redu\u00e7\u00e3o de pelo menos metade do ritmo do desabamento do solo. Houve ainda ocupa\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua da Lagoa de Munda\u00fa na Mina 18? Como voc\u00eas est\u00e3o avaliando essa situa\u00e7\u00e3o?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;Ela \u00e9 positiva, mas ela n\u00e3o traduz ainda uma estabiliza\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, o caminho para estabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos os dados entrem no patamar de normalidade. Agora essa possibilidade de j\u00e1 estar entrando \u00e1gua na lagoa a gente descarta. [Boa parte das minas da Braskem se localiza na borda da Lagoa Munda\u00fa]. Porque a gente est\u00e1 fazendo monitoramento superficial e a gente n\u00e3o v\u00ea esse comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O que a gente observa at\u00e9 o presente momento \u00e9 que esse movimento que a cavidade fez foi muito r\u00e1pido. A gente tinha at\u00e9 o in\u00edcio do m\u00eas microssismos que est\u00e3o ali na casa dos 700 metros de profundidade e, quando foi agora no dia 28, j\u00e1 estava em 300 metros. Foi algo muito forte que aconteceu e acaba gerando todo esse movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente tem essas duas possibilidades [de ocorrerem com a Mina 18]: ou ela se acomoda, provocando esse afundamento. De qualquer forma, voc\u00ea j\u00e1 tem um impacto ambiental porque uma parte da \u00e1gua j\u00e1 entrou ali numa \u00e1rea que era emersa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou h\u00e1 o rompimento abrupto causando&nbsp;um outro cen\u00e1rio que seja justamente o de a \u00e1gua da lagoa poder entrar nessa cavidade gerando um impacto bem significativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Foram visualizadas&nbsp;rachaduras na superf\u00edcie da Mina 18?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;Aquelas rachaduras em cima na \u00e1rea de aterro n\u00e3o s\u00e3o o teto da mina. Os \u00faltimos dados dos sism\u00f3grafos colocam que a mina deve estar ainda a 200 metros, 300 metros de profundidade. Aquelas rachaduras ali, na verdade, s\u00e3o o resultado da deforma\u00e7\u00e3o do solo. O solo n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 se deslocando verticalmente, ele tamb\u00e9m se desloca horizontalmente. O que que ocorre [\u00e9 que]&nbsp;h\u00e1 um rompimento, ele tem um grau de maleabilidade, de elasticidade, ent\u00e3o, com essas tens\u00f5es, ele vai gerar aquelas rupturas. Mas s\u00e3o rupturas, a princ\u00edpio, superficiais, mas que demonstram para gente que o teto da cavidade est\u00e1 sendo rebaixado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:&nbsp;<\/strong>Houve manifesta\u00e7\u00f5es nesta semana de comunidades, como dos Flexais, pedindo para serem inclu\u00eddas na \u00e1rea de risco, para serem alocadas, e uma cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;Defesa Civil de Macei\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o a isso. Outras comunidades, como do Bom Parto e da Marqu\u00eas de Abrantes, tamb\u00e9m fazem esse pedido. Por que elas n\u00e3o foram inclu\u00eddas nesse Mapa de Risco que j\u00e1 foi atualizado?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;Esse \u00e9 um mapa de linhas priorit\u00e1rias com base em informa\u00e7\u00f5es sobre a movimenta\u00e7\u00e3o do solo. Essas \u00e1reas que foram criadas mais recentemente foram para \u00e1reas de monitoramento, que, no caso, a Justi\u00e7a tornou essas \u00e1reas uma \u00e1rea de realoca\u00e7\u00e3o. Mas, dentro dos padr\u00f5es t\u00e9cnicos, padr\u00f5es da Defesa Civil, de normas de seguran\u00e7a, eram \u00e1reas que ainda passariam por todo esse processo de monitoramento, porque podem passar pelo processo de estabilidade. Voc\u00ea n\u00e3o tinha ali a presen\u00e7a de cavidades que possam gerar maior risco, como o caso da Mina 18, que est\u00e1 a mais de 1,5 quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia desses locais. Mas voc\u00ea tem um movimento horizontal que, em&nbsp;longo prazo, m\u00e9dio prazo, pode trazer algum dano. Ent\u00e3o a gente vai fazer o devido monitoramento, mas a Justi\u00e7a j\u00e1 tornou essa \u00e1rea [parte do bairro Bom Parto]&nbsp;como \u00e1rea de realoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Flexal, a Defesa Civil fez um trabalho em 2021, mostrando que ela passa por um processo de ilhamento socioecon\u00f4mico, a pr\u00f3pria for\u00e7a-tarefa aceitou essa nossa tese, levou \u00e0 frente, e foi feito um novo acordo. \u00c9 claro, sem realocar os moradores, que a gente sabe que \u00e9 um pleito dos moradores. Mas, at\u00e9 o presente momento, naquela \u00e1rea, a gente n\u00e3o encontrou nenhum ind\u00edcio, nenhum dado, nenhuma informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de que haja uma movimenta\u00e7\u00e3o do solo, uma deforma\u00e7\u00e3o do solo, causado pela presen\u00e7a das cavidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse mapa de linhas priorit\u00e1rias, ele tem que levar a crit\u00e9rio, de forma bastante rigorosa, para depois n\u00e3o serem contestados&nbsp;esses dados dos equipamentos, dos aparelhos, do sat\u00e9lite, para que realmente n\u00e3o haja d\u00favidas com essa correla\u00e7\u00e3o do que acontece naquela regi\u00e3o e o processo de subsid\u00eancia causado pela minera\u00e7\u00e3o. Para que depois a gente n\u00e3o abra um precedente para qualquer pessoa, em qualquer local de Macei\u00f3, pedir realoca\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque v\u00e1rias vezes, eu j\u00e1 falei em outros momentos, em que h\u00e1 localidades dentro de Macei\u00f3 e que foram colocadas para essa realoca\u00e7\u00e3o facultativa, em que j\u00e1 se estabilizaram, n\u00e3o h\u00e1 hoje mais movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, \u00e9 claro, voc\u00ea tem as especula\u00e7\u00f5es de diversas pessoas, que muitas vezes t\u00eam um conhecimento t\u00e9cnico, mas n\u00e3o t\u00eam as informa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s temos aqui, n\u00e3o t\u00eam os dados. Ent\u00e3o criam teorias, criam um terror nas pessoas enorme, que, ao inv\u00e9s de ajudar, s\u00f3 piora. \u00c9 claro que a gente tem uma preocupa\u00e7\u00e3o especial com as pessoas da \u00e1rea do Flexal, porque as pessoas realmente est\u00e3o isoladas e ilhadas. H\u00e1 todo esse projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do bairro e que a\u00ed tamb\u00e9m sofre com um processo pol\u00edtico-partid\u00e1rio muito importante naquela regi\u00e3o que atrapalha esse benef\u00edcio de chegar at\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a gente j\u00e1 tem ali, na Marqu\u00eas de Abrantes, uma parte em&nbsp;que identificamos movimenta\u00e7\u00e3o do solo, identificamos a dire\u00e7\u00e3o, identificamos uma consist\u00eancia, que al\u00e9m de consist\u00eancia tamb\u00e9m uma persist\u00eancia desses sinais. Ent\u00e3o se justificou colocar ela como uma \u00e1rea de monitoramento e a\u00ed vai agora para realoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Neste momento, tem outras fam\u00edlias ou im\u00f3veis comerciais realocados? Ou foram apenas as fam\u00edlias do bairro do Pinheiro por determina\u00e7\u00e3o judicial?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o, na verdade ainda tinha 23 fam\u00edlias no Pinheiro, ali na \u00e1rea zero, e que precisavam ser retiradas urgentemente pela imin\u00eancia do colapso da mina. Isso foi uma a\u00e7\u00e3o. Como o plano de conting\u00eancia consiste na forma\u00e7\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o desses abrigos, os abrigos j\u00e1 estavam montados. E a\u00ed diversas pessoas ligavam para Defesa Civil aterrorizadas por diversas<em>&nbsp;fake news<\/em>, dizendo que um buraco j\u00e1 tinha sido aberto na regi\u00e3o, que haveria a forma\u00e7\u00e3o de um tsunami, que uma cat\u00e1strofe se disseminava em Macei\u00f3. Quando come\u00e7aram as liga\u00e7\u00f5es, fizemos uma reuni\u00e3o e, junto com a orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria for\u00e7a-tarefa, n\u00f3s come\u00e7amos a ofertar para essas pessoas um abrigamento, para que essas pessoas pudessem ir para o local e dormir de forma sossegada, pudessem dormir no ambiente de paz, que se sentissem seguras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a\u00ed o que acontece? Quando as nossas equipes sa\u00edram daqui e foram para essas duas localidades, do Bom Parto e Flexal, houve uma distor\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o da Defesa Civil. As pessoas pensavam que a gente estava indo l\u00e1 para tirar as pessoas \u00e0 for\u00e7a, para realocar as pessoas, e n\u00e3o era nada disso. Por mais que o pessoal explicasse e tal. Porque elas n\u00e3o estavam informadas de forma correta. S\u00e3o 23 pessoas acolhidas, abrigadas, nesse abrigo volunt\u00e1rio e preventivo. Mas nenhuma foi retirada \u00e0 for\u00e7a, foi alocada, porque neste momento s\u00e3o \u00e1reas em que n\u00e3o h\u00e1 risco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Mas, ent\u00e3o, al\u00e9m dessas 23 pessoas do Pinheiros que t\u00eam a decis\u00e3o judicial, n\u00e3o houve mais nenhum realocamento permanente?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;&nbsp;Mas houve a informa\u00e7\u00e3o neste domingo que a Igreja Batista do Pinheiro informou que seria o \u00faltimo dia de culto, que eles tamb\u00e9m teriam que ser realocados.<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;Eu preciso corrigir essa informa\u00e7\u00e3o. A Igreja Batista do Pinheiro est\u00e1 sim dentro de uma \u00e1rea j\u00e1 mapeada [para realocamento].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;&nbsp;Mas por que eles n\u00e3o foram retirados antes? Est\u00e3o sendo s\u00f3 agora? Tem uma parte que ainda est\u00e1 sendo retirada?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;O que ocorre \u00e9 que h\u00e1, na verdade, uma negocia\u00e7\u00e3o, entre as pessoas, os propriet\u00e1rios dos seus im\u00f3veis, as associa\u00e7\u00f5es, com a empresa [Braskem]. E, mesmo com essa n\u00e3o sa\u00edda dessas pessoas em 2021 ou 2022, a Defesa Civil vinha monitorando e notificando essas pessoas, tanto f\u00edsicas como jur\u00eddicas, da possibilidade de, a qualquer momento, haver uma retirada compuls\u00f3ria nas regi\u00f5es previamente mapeadas. Ent\u00e3o n\u00e3o houve retirada, que isso fique bem claro, n\u00e3o houve retirada, n\u00e3o houve reloca\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m em \u00e1rea fora do mapa de a\u00e7\u00f5es, de linhas de a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:&nbsp;<\/strong>Pesquisadores, principalmente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), publicaram uma carta reclamando da falta de divulga\u00e7\u00e3o dos dados do Mapa de Risco, da necessidade de uma an\u00e1lise independente. Como voc\u00eas veem essa cr\u00edtica da academia?<br><strong>Nobre:<\/strong>&nbsp;A gente que trabalha, que faz, vai ter muita gente que vai estar sentada&nbsp;na sua cadeira, trabalhando s\u00f3 para criticar. Porque qualquer institui\u00e7\u00e3o como voc\u00ea at\u00e9 falou, da Universidade Federal de Alagoas, que est\u00e1 sempre com a gente, v\u00e1rios pesquisadores, professores sabem muito bem como se tem as portas abertas na Defesa Civil. Qualquer solicita\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio, de mapas, a gente faz um trabalho bastante colaborativo. Esse tipo de cr\u00edtica, eu acho que \u00e9 daquela pessoa que, ou n\u00e3o sei, mas assim, h\u00e1 cr\u00edticas bastante infundadas, cr\u00edticas de quem est\u00e1 l\u00e1 sentado com a \u00fanica exclusiva fun\u00e7\u00e3o de criticar. Porque todas as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o&nbsp;p\u00fablicas, s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis aqui na Defesa Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9 claro, num momento desse em que a gente est\u00e1 trabalhando 24 horas num plano de conting\u00eancia, numa prepara\u00e7\u00e3o para o tipo de desastre que a gente est\u00e1 enfrentando, fica dif\u00edcil a gente dar&nbsp;uma resposta a uma cr\u00edtica de quem est\u00e1 reclamando porque n\u00e3o tem um mapa detalhado de uma situa\u00e7\u00e3o que neste momento n\u00e3o imp\u00f5e risco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;Qual \u00e9 o papel da Braskem nesse plano de conting\u00eancia?<br><strong>Nobre:&nbsp;<\/strong>Olha, veja s\u00f3, com rela\u00e7\u00e3o a Braskem eu prefiro que ela responda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>&nbsp;E sobre a situa\u00e7\u00e3o dos pescadores e marisqueiros que viviam da Lagoa do Manda\u00fa, al\u00e9m do risco aos manguezais. A Defesa Civil tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por apoiar essa quest\u00e3o ambiental?<br><strong>Nobre:&nbsp;<\/strong>Nessa quest\u00e3o do meio ambiente, a gente tem o IMA [Instituto do Meio Ambiente de Alagoas],&nbsp;que deve neste momento ter um plano bastante abrangente e efetivo com rela\u00e7\u00e3o a essas possibilidades. A nossa secretaria que trata tamb\u00e9m de meio ambiente deve ter tamb\u00e9m j\u00e1 tudo j\u00e1 engatilhado para esse monitoramento e poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es. Com rela\u00e7\u00e3o aos pescadores e marisqueiros, isso tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 sendo assistido pela nossa Secretaria de Desenvolvimento Social, que j\u00e1 faz entregas de cestas b\u00e1sicas, cadastramento, reuni\u00e3o com as col\u00f4nias de pescadores. \u00c9 uma \u00e1rea que \u00e9 est\u00e1 sendo muito bem trabalhada com as outras secretarias e outros \u00f3rg\u00e3os. Para que a Defesa Civil possa trabalhar dentro do seu escopo, que \u00e9 justamente na mitiga\u00e7\u00e3o do risco, no acompanhamento do risco, na resposta.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fontes: Ag\u00eancia Brasil <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia desde a \u00faltima quarta-feira (29), a cidade de Macei\u00f3 vive um clima de espera, afli\u00e7\u00e3o e revolta por causa da possibilidade de colapso de uma&nbsp;mina de sal-gema&nbsp;da petroqu\u00edmica Braskem, no bairro do Mutange. \u00c9 mais um cap\u00edtulo de uma&nbsp;hist\u00f3ria que se arrasta desde 2018, quando foram registrados afundamentos em cinco bairros. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":115525,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[24],"class_list":{"0":"post-115194","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-geral","8":"tag-manchete"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/115194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=115194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/115194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/115525"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=115194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=115194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=115194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}