{"id":115171,"date":"2023-12-01T11:39:40","date_gmt":"2023-12-01T14:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=114082"},"modified":"2023-12-01T11:39:40","modified_gmt":"2023-12-01T14:39:40","slug":"setor-cultural-tem-mais-emprego-informal-que-o-conjunto-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodoplaneta.com.br\/?p=115171","title":{"rendered":"Setor cultural tem mais emprego informal que o conjunto da economia"},"content":{"rendered":"\n<p>O setor cultural no pa\u00eds tem&nbsp;propor\u00e7\u00e3o maior de empregos informais, se comparado ao total das atividades econ\u00f4micas. No entanto, \u00e9 composto por trabalhadores mais qualificados e paga maiores sal\u00e1rios. A constata\u00e7\u00e3o est\u00e1 na pesquisa Sistema de Informa\u00e7\u00f5es e Indicadores Culturais, divulgada nesta sexta-feira (1\u00ba) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1569857&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1569857&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento faz uma radiografia de empresas e ocupa\u00e7\u00f5es ligadas ao ramo cultural, como companhias de teatro, cinema, casas de espet\u00e1culos, museus, editoras, empresas de&nbsp;<em>design<\/em>&nbsp;e de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entram no campo de an\u00e1lise profiss\u00f5es que v\u00e3o desde percussionista at\u00e9 o&nbsp;porteiro que trabalha em um museu, passando por uma bibliotec\u00e1ria, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo, em 2022&nbsp;o setor cultural ocupava 5,4 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds. Isso representa 5,6% do total de ocupados em todas as atividades econ\u00f4micas. Esse patamar \u00e9 muito pr\u00f3ximo do registrado em 2019, per\u00edodo pr\u00e9-pandemia. No ano seguinte, 2020, o isolamento social e os<em>&nbsp;lockdowns<\/em>&nbsp;levaram o n\u00famero de ocupados para 4,8 milh\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qualifica\u00e7\u00e3o e informalidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Dos trabalhadores do setor cultural, 30,6% tinham ensino superior completo. Esse n\u00edvel de escolaridade fica acima da m\u00e9dia do total das atividades, 22,6%. Apesar de mais qualificados, esses profissionais lidavam com maior n\u00edvel de informalidade. Enquanto no total&nbsp;da economia a taxa de informalidade era de 40,9%, na \u00e1rea cultural alcan\u00e7ava 43,2%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica \u00e9 a grande participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores por conta pr\u00f3pria, 42,1%, acima dos 26,1% do total da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ter mais conta pr\u00f3pria \u00e9 um indicativo de mais informalidade porque, de maneira geral, normalmente est\u00e1 mais ligada \u00e0 n\u00e3o contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria&#8221;, explica o pesquisador Leonardo Athias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Remunera\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa identificou que ter maior propor\u00e7\u00e3o de informalidade n\u00e3o significou menores sal\u00e1rios para o setor cultural. Pelo contr\u00e1rio. Enquanto no pa\u00eds o rendimento m\u00e9dio ficou em R$ 2.582, entre os trabalhadores dos setores relacionados \u00e0 cultura a cifra era de R$ 2.815.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade entre os sal\u00e1rios de homens e mulheres&nbsp;na economia como um todo se reproduz tamb\u00e9m no universo cultural. Elas receberam, em m\u00e9dia, R$&nbsp;2.510,&nbsp;enquanto eles, R$ 3.087, uma diferen\u00e7a de 23%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Menos infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O IBGE tamb\u00e9m analisou o peso e comportamento dos gastos com atividades, produtos e servi\u00e7os culturais no bolso das fam\u00edlias brasileiras. Para isso, foi criado o \u00cdndice de Pre\u00e7os da Cultura (IPCult).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, esses gastos &#8211; que incluem custos tradicionais, como entrada de cinema, at\u00e9 consumos mais modernos, como assinatura de&nbsp;streaming&nbsp;\u2013 representavam 9,1% do peso da infla\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds (IPCA). No ano passado, a participa\u00e7\u00e3o caiu para 8,4%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Observando como cada \u00edndice se comportou, os gastos com cultura subiram menos que a infla\u00e7\u00e3o geral. Nos \u00faltimos dois anos, o IPCA acumulado de 12 meses teve m\u00e9dia de 6,8%. J\u00e1 o IPCult, 3,2%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gastos p\u00fablicos<\/h2>\n\n\n\n<p>O ano de 2022 foi o que mais teve gastos p\u00fablicos no setor cultural. Em valores correntes foram R$ 13,6 bilh\u00f5es,&nbsp;uma expans\u00e3o de aproximadamente 73% ante os R$ 7,9 bilh\u00f5es de 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando por esfera administrativa, percebe-se a redu\u00e7\u00e3o de gastos federais em 33,3%, passando de R$ 1,8 bilh\u00e3o para R$ 1,2 bilh\u00e3o. J\u00e1 estados e munic\u00edpios tiveram aumentos. Governos estaduais saltaram de R$ 2,4 bilh\u00f5es para R$ 4,3 bilh\u00f5es (+77%); e prefeituras, de R$ 3,6 bilh\u00f5es para R$ 8 bilh\u00f5es (+125%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstudos mostram, no Brasil e fora, que o gasto no setor \u00e9 multiplicador. Se voc\u00ea mexe na cultura, isso gera renda e emprego na sequ\u00eancia\u201d, analisa Leonardo Athias. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acesso \u00e0 cultura<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao mapear a presen\u00e7a de equipamentos culturais pelo pa\u00eds, o IBGE retrata a desigualdade de acesso. O levantamento identificou que 31,4% da popula\u00e7\u00e3o moram em munic\u00edpios onde n\u00e3o existe museu&nbsp;e 30,6%, onde n\u00e3o h\u00e1 teatros. A situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica \u00e9 o cinema,-&nbsp; 42,5% da popula\u00e7\u00e3o vivem em cidades sem salas de exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O IBGE tamb\u00e9m calculou a propor\u00e7\u00e3o de cidades que n\u00e3o t\u00eam teatros, museus e cinemas nos pr\u00f3prios territ\u00f3rios e precisam de deslocamentos superiores a uma hora para alcan\u00e7ar esses equipamentos culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Regi\u00e3o Norte \u00e9 a mais desfavorecida &#8211;&nbsp;70% dos munic\u00edpios est\u00e3o a&nbsp;mais de uma hora de um museu. No Centro-Oeste s\u00e3o 28,5%&nbsp;e no Nordeste, 15,4%. Todas essas regi\u00f5es est\u00e3o acima da m\u00e9dia nacional, 14,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>No Sudeste, 5,3% das cidades est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. No Sul, apenas 1,3%, ou seja, praticamente todas as cidades est\u00e3o a menos de uma hora de um museu.<\/p>\n\n\n\n<p>O Norte (65,1%), o Centro-Oeste (39,8) e o Nordeste (19,7%) tamb\u00e9m s\u00e3o as regi\u00f5es mais desfavorecidas quando se leva em conta a propor\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios que precisam de mais de uma hora de deslocamento para se chegar em um teatro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Onde est\u00e1 a maior riqueza no Brasil, onde est\u00e1 o maior n\u00famero de pessoas \u00e9 na costa, onde h\u00e1 densidade demogr\u00e1fica. \u00c9 onde a gente v\u00ea mais equipamentos e menores deslocamentos&#8221;, diz&nbsp;o pesquisador do IBGE.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento n\u00e3o faz a rela\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>per capita<\/em>&nbsp;das regi\u00f5es, ou seja, quantos equipamentos existem para cada habitante. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;A Regi\u00e3o Norte tem menos popula\u00e7\u00e3o que as outras regi\u00f5es, por exemplo, mas a gente est\u00e1 falando sob a \u00f3tica do acesso, do direito \u00e0 cultura&#8221;, observa.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor cultural no pa\u00eds tem&nbsp;propor\u00e7\u00e3o maior de empregos informais, se comparado ao total das atividades econ\u00f4micas. 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